26 de outubro de 2016

El secreto de sus ojos.

Tu tens um mistério por detrás desses teus olhos
Paira no ar, não sei o que pensar
Tens algo a revelar, através deste olhar
E não canso de me perguntar
O que será?

É aquele típico olhar
Que me diz tudo
Ao mesmo tempo que me diz nada
E me deixa tão encabulada
Só de me observar

De suas cores eu sei
Não são verdes nem azuis como o oceano
Mas eu sinto uma vontade imensa
E espero com muita paciência
Que um dia eu venha mergulhar
Nesse teu castanho mar.

17 de outubro de 2016

Votre sourire.

Teu sorriso ficou na minha memória como fotografia
Eu te vi entre tantos outros, sorrindo pra mim
Foi como se todos sumissem e eu só te encontrasse no meio
Com aquele sorriso incandescente
Que ofuscava tudo ao redor

Toda vez que fecho os olhos
É como se eu estivesse te vendo sorrindo pela primeira vez
E eu não consigo esquecer
Parece que grudou na mente
Iluminou meu ser
E mudou toda a minha maneira de enxergar o que eu vejo pela frente

Agora posso sorrir também
E lembrar que o teu sorriso me fez bem
Pra me fazer sorrir ainda mais.





3 de outubro de 2016

O vestido preto.

Encontrei o meu vestido preto em meio à minha montanha de roupas. Aquele vestido que usei no dia em que te conheci. Estava com cheiro de guardado, com cheiro de nostalgia também. Fazia tempo que eu não usava. Decidi não mais usá-lo, pois todas as linhas e as costuras daquele vestido, a estampa, o tecido fino, o caimento no corpo... Tudo isso me remetia a você. O vestido ficou escanteado, no fundo da gaveta, esquecido, ignorado a existência. No momento em que toquei naquele tecido, incríveis flashes de lembranças passaram pela minha mente, como num filme. Era um dia de verão e mesmo estando quente, eu escolhi aquele vestido preto para vestir. Tinha um tecido leve e não me fez calor, me deixava segura e confortável. Na realidade, me fez muito calor quando tu se aproximou de mim, com tua fala mansa em meu ouvido, tua mão quente nos meus ombros, teu olhar inebriante fixo no meu. O vento daquele dia de verão parou, estacionou em camadas superiores. Só nos restava uma alternativa e nem precisamos pensar muito. Tu precisou tirar o vestido de mim. E eu nem senti falta daquele pano negro que cobria meu corpo e que me separava do teu. E o nosso verão se fez paraíso e inferno ao mesmo tempo, tal como um imortal jardim de flores em chamas.
Mas o verão acabou, e outras estações mais frias vieram. Chove lá fora e aqui dentro faz frio. E eu coloquei o vestido preto novamente, para me aquecer e entender que agora não sou mais tua deusa, tua bela. Sou tua viúva, viúva do teu amor. Me vesti de preto pra enterrar o teu amor que morreu por mim.