22 de janeiro de 2016

A menina da saia amarela.

Todo dia ela passava na frente do meu prédio. E ela vinha, com seus cabelos ao vento, como se estivesse numa passarela esperando ser fotografada. Ela caminhava a passos lentos, sempre olhando para frente, como se nada existisse ao seu redor. Tinha um rosto angelical de menina e jeito e corpo de mulher. Era aquilo que me atraia e me chamava atenção nela; doce e ao mesmo tempo ardente. Eu não podia me conter ao vê-la, estava sempre a espreitá-la. Sabia exatamente o horário em que ela ia passar por aqui e já ficava em minha janela, ansioso, esperando ela passar. Aqueles segundos eram preciosos para mim, faziam meu dia inteiro valer a pena. Todo dia ela estava a usar aquela saia amarela, amarelo cor de fogo. Parecia que era intencional usar aquela saia, para deixar-me louco e delirar por ela. Eu queria era arrancar aquela saia e mergulhar dentro dela, me queimar e me incendiar com as chamas de seu corpo, me perder em suas curvas e encontrar o caminho do prazer. 
Certo dia tive coragem de sair da minha janela e esperá-la na calçada. Cheguei bem adiantado para não perdê-la de vista, mas as horas, os minutos, os segundos pareciam uma eternidade. Eu não sabia o que fazer enquanto a esperava, me tremia, estava ansioso, com o corpo quente e suando, com frio na barriga... E eis que ela surge lá de longe, com sua saia amarela, com seus olhos brilhantes. E que olhos! Parecia uma deusa, um ser extraordinário de outro mundo, alguém que não parecia existir na realidade. Mas era ela, a fascinante menina da saia amarela, que me tomava todos os pensamentos e me arrancava todas as noites, me deixando numa insônia interminável, imaginando poder tê-la em meus braços. Ela parecia mais linda que nunca, vista de perto. E como num filme, ela caminhou em minha direção em câmera lenta, seus olhos se encontraram com os meus e ela sorriu ao me ver observando-a. Senti um calafrio pelo corpo ao notar que aquele sorriso encantador era direcionado para mim. Não tinha ninguém próximo, éramos só nós dois, eu e ela, a menina da saia amarela. A distância entre nós parecia muito longa, eu quis ir ao encontro dela, mas minhas pernas petrificaram no chão, não consegui mover nenhum músculo sequer. Que efeito era esse que ela tinha sobre mim? Eu me senti alucinado, entrando em devaneios. Ela aparentava ser uma miragem, eu achei que estava sonhando acordado, mas ela chegou perto de mim, senti um vento forte me tirar do lugar, quase caí no chão, mas ela me segurou pelo braço. Aquilo fez estremecer meu coração, chacoalhou tudo aqui dentro, como se fosse sair da minha boca. Senti seu perfume adocicado no ar e quase me embriaguei com o aroma.
Ainda segurando pelo meu braço para me manter de pé, ela me guiou por um caminho sinuoso, que eu não conhecia até então. Eu não conseguia falar nada e ela também não se expressava verbalmente, apenas me olhava com um olhar abrasador de me tirar o fôlego. Eu não sabia para onde ela estava me levando, mas não estava me importando muito com o destino. Só de estar sendo guiado por ela já satisfazia todas as minhas vontades. Ela me levou a um campo aberto e me conduziu para uma relva, onde deitou seu corpo, desejando que eu fizesse o mesmo. Eu não conseguia parar de olhar para ela e para aquela saia amarela que eu tanto queria arrancar. Passei alguns segundos inerte, mas deitei sobre ela, a livrei da saia amarela e afundei-me em todo o seu ser.

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Um comentário:

  1. Eu estive pensando em como as nossas inspirações muitas vezes evidenciam ou traem completamente os nossos sentimentos, eu a conheço ainda tão pouco srta Laura e desde muito tempo, como sabes, me dá a impressão de que já estamos mesmo conectadas, seja pelas coisas que li ou pelas emoções que suas linhas me fizeram sentir desde há muito tempo.

    Agora que eu já lhe questionei o que precisava, venho aqui como leitora comentar rs

    Eu sinto que quando mudamos o narrador de algumas coisas elas perdem a fluidez e a intensidade, mas, ao mesmo tempo, em dadas circunstâncias se não o fazemos a gente fica sem conseguir exprimir aquilo que realmente vimos e sentimos e que gostaríamos de levar a quem nos lê, ao menos, eu penso dessa maneira.

    A Menina da Saia amarela, cor de fogo e é incrível a maneira que a cor doce e não doce da Moça já nos deixa claro que as linhas serão intensas. As vezes eu também penso que o fogo é mais amarelo que vermelho, quando as chamas se multiplicam e dançam em labaredas nos nossos olhos, fiquei imaginando a moça andando e a saia dançando assim nos olhos de quem a olhava(devorava). Sua sensibilidade continua me tocando e a intensidade das linhas, bom, agora eu sei que ela rompe estados e me alcança.

    Obrigada pelo prazer da Leitura Laura.

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