3 de novembro de 2016

Sabe aquele homem...?

Sabe aquele homem que sempre fez tudo e mais um pouco por tu durante toda a tua vida?
Sabe aquele homem que sabe o que tu quer, mesmo sem tu pedir?
Sabe aquele homem que sempre trouxe suco ou leite na cama, pra te acordar com o melhor bom dia de todos?
Sabe aquele homem que não te nega nada, mesmo não podendo fazer?
Sabe aquele homem que é está sempre disponível para quando tu precisas?
Sabe aquele homem que mesmo tu falando besteira, ele finge não ligar só para não te desagradar?
Sabe aquele homem que te respeita por quem tu és e ainda se orgulha de tu, mesmo sem dizer isso em palavras?
Sabe aquele homem que é forte, não fisicamente, mas mentalmente, e segura com todas as forças que tem, aquelas barras extremamente carregadas de peso?
Sabe aquele homem que nunca se esquece de ti e te traz lembrança em forma de comida?
Sabe aquele homem que continua em pé, mesmo que pareça que o mundo dele balança e sacuda, querendo que ele caia?
Sabe aquele homem que não vira a cara nunca para ninguém, em momento algum e faz até por quem não merece?
Sabe aquele homem que tu quer se espelhar e chegar a ser parecido pelo menos uns 10% quando chegar à idade dele?
Sabe aquele homem que tem o maior e melhor amor por tu que ele pode oferecer?
Sabe aquele homem que só a felicidade é o que mais te importa na vida?
Sabe aquele homem que só de tu ver sorrindo, encontra a paz?
Sabe aquele homem que tu nunca vai encontrar em nenhum lugar do mundo, porque ele nasceu para ser único e dele não existe cópia alguma?
Sabe aquele homem que é incrível, maravilhoso e tu admira pela garra e força de viver?
Sabe aquele homem que é lindo, por dentro e por fora e tem a maior bondade do mundo guardada em seu coração?
Sabe aquele homem que te trouxe para o mundo, que tu deve tua vida a ele, e tudo o que tu és hoje e que vai ser amanhã?
Sabe aquele homem que tem uma dívida eterna, dívida essa unida pelo mais singelo e puro amor?

Aquele homem, ou melhor, esse homem, é meu pai. E é o homem da minha vida.

26 de outubro de 2016

El secreto de sus ojos.

Tu tens um mistério por detrás desses teus olhos
Paira no ar, não sei o que pensar
Tens algo a revelar, através deste olhar
E não canso de me perguntar
O que será?

É aquele típico olhar
Que me diz tudo
Ao mesmo tempo que me diz nada
E me deixa tão encabulada
Só de me observar

De suas cores eu sei
Não são verdes nem azuis como o oceano
Mas eu sinto uma vontade imensa
E espero com muita paciência
Que um dia eu venha mergulhar
Nesse teu castanho mar.

17 de outubro de 2016

Votre sourire.

Teu sorriso ficou na minha memória como fotografia
Eu te vi entre tantos outros, sorrindo pra mim
Foi como se todos sumissem e eu só te encontrasse no meio
Com aquele sorriso incandescente
Que ofuscava tudo ao redor

Toda vez que fecho os olhos
É como se eu estivesse te vendo sorrindo pela primeira vez
E eu não consigo esquecer
Parece que grudou na mente
Iluminou meu ser
E mudou toda a minha maneira de enxergar o que eu vejo pela frente

Agora posso sorrir também
E lembrar que o teu sorriso me fez bem
Pra me fazer sorrir ainda mais.





3 de outubro de 2016

O vestido preto.

Encontrei o meu vestido preto em meio à minha montanha de roupas. Aquele vestido que usei no dia em que te conheci. Estava com cheiro de guardado, com cheiro de nostalgia também. Fazia tempo que eu não usava. Decidi não mais usá-lo, pois todas as linhas e as costuras daquele vestido, a estampa, o tecido fino, o caimento no corpo... Tudo isso me remetia a você. O vestido ficou escanteado, no fundo da gaveta, esquecido, ignorado a existência. No momento em que toquei naquele tecido, incríveis flashes de lembranças passaram pela minha mente, como num filme. Era um dia de verão e mesmo estando quente, eu escolhi aquele vestido preto para vestir. Tinha um tecido leve e não me fez calor, me deixava segura e confortável. Na realidade, me fez muito calor quando tu se aproximou de mim, com tua fala mansa em meu ouvido, tua mão quente nos meus ombros, teu olhar inebriante fixo no meu. O vento daquele dia de verão parou, estacionou em camadas superiores. Só nos restava uma alternativa e nem precisamos pensar muito. Tu precisou tirar o vestido de mim. E eu nem senti falta daquele pano negro que cobria meu corpo e que me separava do teu. E o nosso verão se fez paraíso e inferno ao mesmo tempo, tal como um imortal jardim de flores em chamas.
Mas o verão acabou, e outras estações mais frias vieram. Chove lá fora e aqui dentro faz frio. E eu coloquei o vestido preto novamente, para me aquecer e entender que agora não sou mais tua deusa, tua bela. Sou tua viúva, viúva do teu amor. Me vesti de preto pra enterrar o teu amor que morreu por mim.



23 de setembro de 2016

O amor é o que nos (co)move

O amor é o que move o mundo e comove os nossos corações. É ele que nos traz as melhores coisas do mundo. Ele nos traz a felicidade, a paz, o conforto, a confiança, o bem-estar, a segurança, a liberdade, a esperança, a tranquilidade, a construção de um mundo melhor, somente a positividade. O amor quando é verdadeiro, dele não se traz o apego, mas sim a independência, a autonomia, a libertação. Amor de verdade deixa ir, mesmo querendo ficar, pois ele tem asas.

O amor é sinônimo de pureza. Ele é traz benevolência e sutileza. É ternura e carinho. Vem do céu e vem do ar. Para ir embora ou para ficar. 

Amor é aquele que nos move, para andar sempre para frente, nunca para trás. 
É o sentimento mais lindo do mundo. 

O amor é amor. Constantemente.


13 de setembro de 2016

Laninha.

Hoje faz uma semana que ela se foi. Ela que passou oito anos habitando a minha casa, meu coração e o coração de dezenas de pessoas que aqui vinham. Falar de Lana é muito fácil, mesmo. Até porque ela foi mais que uma cadelinha. Às vezes a gente dizia que ela era uma pessoa e parecia de fato uma pessoa mesmo. O olhar dela para nós era indescritível. Eu costumava dizer que ali, por trás daquele olhar, tinha alguém querendo falar tudo o que pensava, expressar tudo o que sentia. Eu gostava de olhar ela nos olhos para ver se conseguia compreender algo que estava ali dentro, apesar de que ela não gostava que ninguém a encarasse. Acho que era timidez ou desconforto mesmo. Quem é que gosta de ser encarado por muito tempo? 
É bem estranho agora, mesmo em tão pouco tempo, ter me acostumado com a ausência dela. Em poucas semanas, ela já não era mais a mesma. Era apenas o corpinho dela e o espírito que estava, aos poucos, se despedindo de todos aqui. Mas é tão impressionante o que me vem na memória, ao lembrar do que ela viveu aqui e do que vivemos juntos com ela. Às vezes é como se eu ouvisse as patinhas dela pela casa, andando devagar, passos pesados de uma gordinha peludinha. Ainda posso ver o sorrisão dela, mostrando todos aqueles dentões, a boquinha aberta, aquela orelha grande balançando... O jeitinho lindo que ela andava e corria pela casa, os latidos altos e grossos (eu dizia que parecia latido de cão e não cadela). Tenho andado pela rua do bairro e minha mente projeta eu mesma e ela ao meu lado, andando juntas para ir ao veterinário. Aquele corpinho gordinho lindo, meio que rebolando, olhava pra mim de vez em quando, sorria, ou queria cheirar alguém que passava por perto na calçada... Eita, saudade, minha gorda!
Era incrível como ela era uma cadela inteligente. Ela entendia e eu digo isso com convicção, ela entendia o que a gente falava, entendia que não era para fazer tal coisa que a gente dizia pra ela não fazer, mesmo que, na nossa ausência, ela fizesse. Ali ela mostrava a teimosia, a 'rebeldia', a chateação por ter sido deixada sozinha. Ah, isso ela fazia muito, por que Lana, ela gostava de carinho, de chamego, de aperto, de aconchego... Ela gostava de estar por perto, de receber afagos, de sentir o cheiro, o calor, dos abraços e beijos. Lana gostava e muito de amor. De dar e de receber amor. Não era em pouca quantidade, mas sim em muita, em abundância. Nunca faltou amor da parte dela e de quem estava por perto para lhe oferecer. 
Me vem à memoria também certo dia (escrevi sobre esse dia na minha primeira postagem do blog, aqui) que eu estava sozinha em casa, há uns anos atrás. Era noite, e eu geralmente tinha medo, por ouvir barulhos estranhos, coisa boba de todo mundo que já ficou sozinho em casa. Eu me agarrava a ela e ela ficava, é claro, carinho e dengo não faltavam. E pense num companheirismo que era Lana. Nunca houve igual. 
Lana viveu até os seus 10 anos de idade. E viveu muito, mas muito bem! Todo dia o vovô lhe dava melancia, e digamos que era a sua fruta preferida, além de banana, maçã, e tudo o que mais tivesse. Ah, e o tomate! Não posso esquecer do tomate. Lana sabia quando eu estava cortando exatamente o tomate. Eu poderia estar com um monte de coisa para cortar, mas acho que era o som da faca no tomate, o cheiro que exalava, ela sabia! Lá vinha ela correndo e ficava com a cara em cima de mim esperando pedacinhos de tomate, outra preferência dela. 
Algo que eu não me esqueço jamais, o dia em que ela chegou aqui. Tinha seus dois anos de idade se não me engano. Ela ficou pelo quintal, já era acostumava na antiga casa (mas isso foi por pouco tempo, por que Lana virou moradora oficial da 618 e sua cama era uma cadeira 'branca'). Ela parecia estar só de passagem por aqui, pois seus primeiros donos viajaram. Fui no quintal ver algo e aquele ser peludo pulou em mim (ela tinha a mania de pular em cima de todo mundo). Eu não gostei na hora, confesso, fiquei agoniada. E mais ainda, as unhas dela eram enormes e ela arranhou a minha perna esquerda todinha, que fez uma grande ferida. Lembro que a cicatriz dessa ferida ficou por muito tempo na minha perna, provavelmente por uns 3 anos. Eu sempre olhava para a cicatriz e lembrava do primeiro dia dela aqui em casa e sinto por hoje não ter mais aquela cicatriz, pois eu realmente gostava. 
São tantas lembranças, tantas coisas vividas, que acredito que a vida dela caberia num livro ou mais. Sem contar a chegada de outros animaizinhos por aqui. Leona, a minha gatinha, a única a quem ela se afeiçoou. Depois a irmãzinha Bela, que no início ela não quis nem saber, ficou com ciúmes pois teria aquela máxima atenção sendo dividida pela metade. Depois o gatinho Matias, a quem pouco ela se aproximou e Jujuba, outra gatinha que ela não dava a mínima, mas que passava do lado, cheirava a cabecinha e ia embora. 
Já hoje, há uma semana de sua partida, não consigo sentir tristeza. Isso eu não sinto. Eu sinto felicidade, satisfação, alegria, por ela ter entrado nas nossas vidas, ensinado esse amor canino que só ela soube nos mostrar, por ela ter feito essa casa mais viva, mais alegre, mais feliz, por ela ter recepcionado muito bem todos que aqui chegavam e até nós mesmos, por tudo que ela nos mostrou através daquele olhar, daquele carinho, daquele dengo. Eu me sinto muito feliz por ter dado um lar para ela, que poucos animaizinhos hoje em dia têm. Me sinto realizada por ter oferecido tudo o que há de bom que um animalzinho pode ter. Lana teve tudo do bom e do melhor, isso não há como negar. A vida dela de 10 anos foi maravilhosa e eu acredito que ela se foi com uma enorme gratidão por todos, por tudo o que fizemos por ela e por tudo o que ela viveu aqui. Eu nunca vou esquecer aquele olhar, eu nunca vou esquecer aquele sorriso, nem aquele latido 'chato', muito menos aquele abraço, aquele cheirinho, nem aqueles vários apelidos que eu dava e que ela atendia a todos (Seleu, Selinho, Selelinho, Gorda, Gordureu, Tio Gordão, entre outros milhares). Eu nunca vou esquecer o Gordureu mais lindo dessa Terra. E nem nunca deixarei de amar. 

Lana, a eterna gordinha grandiosa. ❤

2 de setembro de 2016

Junge, wie kannst du so hübsch sein?

Como pode ter o sorriso mais atraente que já vi?
Como pode?
Como pode me deixar tão bem somente com a presença?
Como pode?
Como pode ter esse olhar que me queima por dentro?
Como pode?
Como pode ser tão carinhoso e ao mesmo tempo tão abrasador no tato?
Como pode?
Como pode me trazer tanta paz e me aliviar de qualquer dor?
Como pode?
Como pode meu coração estar a gritar cada vez mais por tu?
Como pode?
Como pode ter o beijo mais doce e mais gostoso que já senti?
Como pode?
Como pode me inspirar as mais belas palavras que saem da minha mente?
Como pode?

Como pode ser tão lindo?
Como pode?
Como pode ser tão irresistível?
Como pode?
Como pode ser tão doce e tão belo?
Como pode?

Como pode ser tão cruel e viver longe de mim?
Como pode?
Como pode ser tão resistente e me deixar aqui?
Como pode?

Como pode ser tão do mundo e nada meu?
Como pode?



9 de agosto de 2016

Transpiração.

A tua transpiração chegou em mim
Colou em meu corpo
Me queimou, me derreteu
Deixou um gosto
Doce

A tua transpiração chegou em mim
Eu pude sentir
Tem sabor de desejo
Tem um cheiro inebriante
Permanente

A tua transpiração chegou em mim
Me deu sede
Me deu fome
Me deu ânsia
Um apetite sem fim

A tua transpiração chegou em mim
E ficou
Está no ar ao meu redor
Está em mim
Se hospedou em meu ser
E não vai sair
Tão fácil assim


.

31 de julho de 2016

Segundo jardim.

Lembro-me bem do rosto estampado em seu rosto quando me viu chegando. Uma brisa bateu e levantou meu vestido. Você riu de mim, do jeito que sempre ri e eu, tímida, fiquei segurando a roupa para não voar novamente. Sentei do teu lado, olhando nos teus olhos. Você me colocou no colo e disse baixinho no meu ouvido que adoraria que ventasse mais forte pra poder ver meu corpo por debaixo da minha roupa. Achei graça e lhe dei um beijo de leve. Você fez uma careta e disse que aquilo não era beijo. Tasquei-lhe um beijão, tirei todo o teu fôlego, e você ficou todo ofegante. Pela cara de satisfação que eu vi, com certeza não reclamaria mais. 
O dia estava bem bonito, tranquilo e agradável. Te levei para andar na praia, para sentirmos mais de perto aquela brisa marítima que tanto acalentava nosso espírito. Corremos na areia, molhamos nossos pés na água, rimos da vida... Deitamos na areia e vimos que o céu estava ficando cinza, demonstrando vir ali uma chuva. Segurei na tua mão e fechei meus olhos. Pinguinhos de chuva tocaram nossas fases e eu senti uma harmonia emanando entre nós. O barulhinho do mar era como uma canção de ninar pros nossos ouvidos. Aquela serenidade me deixou leve e feliz. Todos os meus sentidos estavam ali, funcionando a mil. Queria eternizar aquele momento: eu, você e toda aquela paz em volta de nós.  

27 de junho de 2016

You have to know.

Não estou conseguindo conter meu coração e o que eu sinto. Eu venho escondendo isso de todos e principalmente de mim, mas agora parece que está mais forte do que antes e eu preciso externar tudo o que há aqui dentro. É algo como uma presença que alivia, e uma ausência que apavora e me devora. Não sei explicar o porque de tanto sentimento, mas acho que isso não precisa ser explicado. O sentimento vem, fica e finca no coração e permanece, desejando, ansiando, querendo estar por perto. E assim, até quando? Não sei, mas sei o que eu sinto e sei o que quero. O que eu quero é você e você precisa saber. 

26 de maio de 2016

Grafia.

antes que as sensações passem. escrever.
antes que os sentimentos voem. escrever.
antes que os pensamentos se percam. escrever.

antes que as ideias sejam ignoradas.
antes que as palavras sejam esquecidas.
antes que as inspirações desapareçam.

antes que o mundo queira dizer o que queremos. escrever.

escrever. crê e ver. escrever.

11 de maio de 2016

Platônico.

Eu penso em tu de uma maneira tão boa e tão bonita, que não tenho como ficar triste de como e onde paramos. É engraçado como os sentimentos se misturam, se confundem ou até de certa forma se encaixam, de fato, mas no momento imperfeito.
Eu penso em tu e lembro dos poucos instantes que estivemos juntos, estes poucos que me pareceram muitos e que me fez tão bem, acredite. Eu fico sorrindo sozinha relembrando e isso acalenta meu coração. Tu tem um riso e um sorriso que me encantam e eu não sei dizer o porque, mas eu me sinto como se estivesse mais viva e em paz quando eu te vejo, te ouço e quando tu tocas em minha pele. É a sensação que eu tenho, por isso quis tua existência perto da minha, mesmo uma vez na semana, uma vez no mês ou até uma vez no ano. 
Eu sei que certas coisas parecem sim assustadoras, mas eu gosto disso, gosto de sentir dessa maneira e gosto de tentar eternizar tudo o que de bom passa pela minha vida. E tu é uma dessas coisas que quero guardar e eternizar com carinho aqui dentro e é por isso que te escrevo.
Eu já pensei tanto em tu e já te idealizei tanto em meus tempos remotos, que posso até te chamar de platônico. Às vezes me sinto como se tivesse no início da minha adolescência, quando eu descobri o gostar, a paixão, o sentimento de querer alguém do lado. Tenho a sensação que estou nos meus quatorze, quinze anos, conhecendo os novos sentimentos. Isso é engraçado de se experimentar e podes até pensar, mas não é pela tua idade que venho vivenciando isso, é pelas sensações que me trazes, como se fossem renovadas. 
Se tiveres de ir embora, eu ainda vou continuar a ser feliz, somente por tu ter passado pela minha existência. Só queria dizer que tu és uma pessoa linda.

8 de maio de 2016

Vontade.

Às vezes eu sinto uma imensa vontade de fugir. Para onde não sei e nem como sobreviveria. Está bem vazio aqui dentro e não tem nada para preencher.

3 de maio de 2016

Pensamentos.

Hoje questionei-me o que acontece com os nossos pensamentos. É incrível como eles vêm com força à nossa mente, mas permanecem e se demoram a nos deixar. Pensar e falar ao mesmo tempo não dá. Eu tentei, fiz o teste, mas enquanto eu falava, as palavras travavam, não saiam do jeito exatamente que eu havia pensado. É óbvio, os pensamentos são mais rápidos que a própria mente. E eles falam muito mais para dentro que para fora de nós. Eles fazem muito mais efeito sendo guardado que sendo mostrado. Fazem efeito por todo corpo e por vezes, efeitos negativos, estes que nos impedem de fazer coisas que desejamos, que queremos, que de fato pensamentos para serem colocados em prática. É por isso que existem coisas que queríamos ter dito em certos momentos da vida, mas os pensamentos não deixaram. Ou melhor, a fala não deixou. Ela travou, os pensamentos permaneceram pensamentos e não foram ouvidos por outras mentes, mas só por uma, aquela em turbilhão. A mente, os pensamentos em que nela estão inseridos, não param, estão em constante atividade. Não param nem quando estamos dormindo.

É que temos alma. E enquanto tivermos alma, teremos mente e pensamento. 

27 de abril de 2016

Somos.

nós não conseguimos dizer tudo o que sentimos através das palavras. e nem de gestos. nós  não conseguimos nem dizer o que sentimos por dentro, nem pra nós mesmos. são tantos sentimentos engasgados, tanta coisa para se falar, mas tudo guardado, tudo escondidinho, querendo sair, querendo se ouvir, querendo voar, mas preso, rasgado, quebrado, furado. 
somos feitos de corpo, pele, osso, dente, calma, alma. somos feitos de pó, nó, dor e cor. somos feitos de sentimentos, que mesmo por dentro, querendo ser vento, não sabe decolar. somos feitos de amor, que mesmo sendo, não é, não sabe o que quer. somos feitos de vida, e sendo bastante vivida, não se sabe ainda viver. somos feitos de querer, e mesmo querendo, não é poder. somos feito de tudo e dentro desse mundo, (não) somos aquilo que achamos ser. 
somos o ser, a existência, o mundo, a criatura. e somos nós mesmos, mesmo não sendo o que desejamos e devemos ser. 

2 de março de 2016

Meus deuses!

Numa dessas madrugadas, em que nada parece que vai acontecer, numa madrugada inusitada, Poseidon, o deus supremo do mar, cruzou com Freja, a deusa da beleza. No momento, não se reconheceram como deuses, achavam que eram meros mortais pisando nessa Terra de medíocres. Não houve conexão imediata, ambos apenas queriam dialogar madrugada adentro. Afastaram-se pelo espaço e pelo tempo, mas uma força reuniu os dois novamente e eles se reencontraram durante uma nova madrugada, desta vez bem incomum. Ali descobriram uma conexão vívida e calorosa se elevando, através de sutilezas e atrações.
Poseidon, enfeitiçado pela beleza de Freja, a levou para conhecer o seu mar para lhe mostrar seu mundo das águas salgadas. E sem saber que aquele mar pertencia a Poseidon, Freja entregou-se a ele. Eles ascenderam a intensidade de seus zodíacos, uniram seus poros e fundiram suas almas. Foi neste momento que Freja descobriu Poseidon como o deus das águas, quando ele lhe lançou em seu mar, imergindo-a num oceano de prazer. E no instante em que Freja mergulhou em sua imensidão azul, Poseidon percebeu que era ela, a deusa da beleza.
Não se pode negar: quando dois deuses se unem, o elo é tão resistente que suas energias ultrapassam as barreiras do ar e também do mar. Freja deu seu coração a Poseidon, assim como ele confiou o seu a ela e eles se entrelaçaram numa paixão doce, ardente, avassaladora e incomensurável.


29 de janeiro de 2016

Tu, minha amada.

Tu me apareces. De noite ou de dia. E também de madrugada.
Tem dias que tu somes de minha vida. E eu fico triste com a tua ausência.
Quando te vejo, meu coração se acalma. Fica leve.
Quando te vejo, meus olhos brilham. Eu me encho de emoção com tua luz.
Eu te olho e sinto uma felicidade plena dentro de mim. Vontade de chorar de alegria.
Tu me encantas, me traz paz, me traz tantas sensações boas que eu nem sei ao menos como descrevê-las.
Se fecho os olhos e sinto tua luz sobre mim, é como se tu estivesses me tocando e me acariciando.
Quando tu tocas o mar, meu ser se enche de euforia. Não sabes como é prazeroso observar teu reflexo na água dançante.
Não sei se já percebesses, mas tu és minha fonte de inspiração.
Basta só um olhar para ti que mil pensamentos invadem minha mente. Os melhores, os mais bonitos, os mais cheios de contentamentos.
Queria um dia poder chegar perto de tu e te abraçar, mas fico mesmo satisfeita em te olhar lá no alto do céu, brilhando e iluminando o mundo e a mim.
Tu és a maravilha que acende minha vida. És o satélite mais lindo e esplendoroso que existe dentre todas as galáxias do universo.



"I can't take my eyes off you."

22 de janeiro de 2016

A menina da saia amarela.

Todo dia ela passava na frente do meu prédio. E ela vinha, com seus cabelos ao vento, como se estivesse numa passarela esperando ser fotografada. Ela caminhava a passos lentos, sempre olhando para frente, como se nada existisse ao seu redor. Tinha um rosto angelical de menina e jeito e corpo de mulher. Era aquilo que me atraia e me chamava atenção nela; doce e ao mesmo tempo ardente. Eu não podia me conter ao vê-la, estava sempre a espreitá-la. Sabia exatamente o horário em que ela ia passar por aqui e já ficava em minha janela, ansioso, esperando ela passar. Aqueles segundos eram preciosos para mim, faziam meu dia inteiro valer a pena. Todo dia ela estava a usar aquela saia amarela, amarelo cor de fogo. Parecia que era intencional usar aquela saia, para deixar-me louco e delirar por ela. Eu queria era arrancar aquela saia e mergulhar dentro dela, me queimar e me incendiar com as chamas de seu corpo, me perder em suas curvas e encontrar o caminho do prazer. 
Certo dia tive coragem de sair da minha janela e esperá-la na calçada. Cheguei bem adiantado para não perdê-la de vista, mas as horas, os minutos, os segundos pareciam uma eternidade. Eu não sabia o que fazer enquanto a esperava, me tremia, estava ansioso, com o corpo quente e suando, com frio na barriga... E eis que ela surge lá de longe, com sua saia amarela, com seus olhos brilhantes. E que olhos! Parecia uma deusa, um ser extraordinário de outro mundo, alguém que não parecia existir na realidade. Mas era ela, a fascinante menina da saia amarela, que me tomava todos os pensamentos e me arrancava todas as noites, me deixando numa insônia interminável, imaginando poder tê-la em meus braços. Ela parecia mais linda que nunca, vista de perto. E como num filme, ela caminhou em minha direção em câmera lenta, seus olhos se encontraram com os meus e ela sorriu ao me ver observando-a. Senti um calafrio pelo corpo ao notar que aquele sorriso encantador era direcionado para mim. Não tinha ninguém próximo, éramos só nós dois, eu e ela, a menina da saia amarela. A distância entre nós parecia muito longa, eu quis ir ao encontro dela, mas minhas pernas petrificaram no chão, não consegui mover nenhum músculo sequer. Que efeito era esse que ela tinha sobre mim? Eu me senti alucinado, entrando em devaneios. Ela aparentava ser uma miragem, eu achei que estava sonhando acordado, mas ela chegou perto de mim, senti um vento forte me tirar do lugar, quase caí no chão, mas ela me segurou pelo braço. Aquilo fez estremecer meu coração, chacoalhou tudo aqui dentro, como se fosse sair da minha boca. Senti seu perfume adocicado no ar e quase me embriaguei com o aroma.
Ainda segurando pelo meu braço para me manter de pé, ela me guiou por um caminho sinuoso, que eu não conhecia até então. Eu não conseguia falar nada e ela também não se expressava verbalmente, apenas me olhava com um olhar abrasador de me tirar o fôlego. Eu não sabia para onde ela estava me levando, mas não estava me importando muito com o destino. Só de estar sendo guiado por ela já satisfazia todas as minhas vontades. Ela me levou a um campo aberto e me conduziu para uma relva, onde deitou seu corpo, desejando que eu fizesse o mesmo. Eu não conseguia parar de olhar para ela e para aquela saia amarela que eu tanto queria arrancar. Passei alguns segundos inerte, mas deitei sobre ela, a livrei da saia amarela e afundei-me em todo o seu ser.

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15 de janeiro de 2016

Madrugada.

Por que a madrugada é tão nostálgica e tão inspiradora? Me peguei pensando nessa pergunta e ainda não consigo encontrar uma resposta para ela. Não sei, a madrugada me parece muito maior do que ela é, do que ela costuma me mostrar. Ela me traz aqueles fantasmas profundos, anjos e demônios, me traz paz e guerra, numa constante yin yang, trazendo felicidade e tristeza, dor e prazer... Ela é mágica e decepcionante ao mesmo tempo, confunde meus pensamentos e sentimentos. Me coloca no topo do mundo e no fundo do mar. Me faz voar e me afogar, em suas horas que se entranham por mim. Ela é finita, mas parece nunca ter um fim. É sombria, mas me presenteia com iluminação. 
A madrugada, hora mais serena e sossegada do dia, me abraça, me acalma, me laça. Me prende em suas vísceras e me transporta para um outro lugar, outra região, outro mundo. O meu mundo.

11 de janeiro de 2016

Desire.

Foram anos de desejos escondidos, estes que agora estavam bem salientes. E após esses anos, eles se encontraram. Nenhuma vontade foi apagada pelo tempo, somente estavam secretamente ocultas, no mais profundo de seus íntimos. Houve, em tempos atrás, algo que liberasse este apetite, mas nada que pudessem fazer, pois suas vidas eram diferentes e o momento deveras inoportuno para ambos. Porém, o instante era aquele: um encontro imprevisível numa noite de poucas expectativas, que resultou em inúmeras possibilidades de acontecimentos. Foi repentino, nada programado ou esperado, simplesmente aconteceu. Não parecia real, nada parecia estar ocorrendo de verdade, um sonho que se sonha quando se está acordado, algo além do surreal. E por ser desta forma, como foi, é que deu magia e encanto a todos os segundos vividos, de um modo especial. Apenas uma noite, aquela inevitável noite, que poderia ser guardada e lembrada pelo resto de suas vidas.