28 de dezembro de 2015

Em transe.

Acordou. Era madrugada ainda. O celular tocava sem parar, mas não sabia onde estava. Caiu para debaixo da cama provavelmente, e o quarto estava numa completa escuridão. Não tinha forças para mover um músculo sequer. Um arrepio tomou-lhe o corpo todo. Em frações de segundos, seus pelos estavam todos eriçados. Sentiu uma presença estranha, mas não via e não ouvia nada. Ali, em seu quarto escuro, só se ouvia o silêncio e a sensação de que tinha uma companhia. O medo consumiu todo seu ser. Não sabia se aquilo era real ou apenas mais um pesadelo de suas noites mal dormidas. Cada vez que tentava sair de sua cama, uma força anormal parecia sugar-lhe as energias, segurar-lhe o corpo, dominar-lhe todo o íntimo. Começou a questionar a sua existência naquele momento, assim como a existência do ser que lhe acompanhava naquela noite discrepante. Sua mente já não demonstrava lucidez e começou a criar fábulas inusitadas a partir de suas circunstâncias. Estava na margem de um lago cristalino, se olhava no reflexo mas não via nada. Tocava na água, mas não sentia a água tocar sua pele. Era somente o vazio, a sua inexistência que estava naquele lugar. Decidiu jogar-se e mergulhou até o fundo. Flutuava de olhos fechados nas profundezas do lago raso e se afogou em suas mágoas. Acordou. E já era dia. Ouvia-se os pássaros cantando ao longe. Sua respiração ofegava, porém conseguiu movimentar seu corpo, mas sua estrutura física ainda estava comprometida. Levantou-se devagar e viu uma sombra no canto da parede. Não tinha rosto, não tinha cor, só uma silhueta amedrontadora, que gargalhava tenebrosamente. Tentou correr dali, mas seus pés travaram, grudaram no chão. Começou a levitar devagar, com o corpo na horizontal, e a risada maligna inundava o ambiente, cada vez mais elevada. Seu corpo chegou até o teto e despencou em queda livre na cama. Acordou. Não sabia se era dia ou se era noite. E nada daquilo era real. Irreal, surreal. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Me incentive um pouco mais.