30 de dezembro de 2015

Eu.

Hoje, aqui, agora, sou eu.
Eu, eu mesma. 
Eu, que ontem já não era mais nada. 
Eu, que voltei e fiquei. 
Estou de volta, pra não mais ir embora. 

Onde eu estava? 
Procurei-me e encontrei-me na escuridão. 
A luz, aquela iluminação, trouxe-me de volta. 
E aqui estou eu.
Onde sempre estive. 
Onde devo estar. 
E de onde nunca mais irei sair.
De mim.

28 de dezembro de 2015

Em transe.

Acordou. Era madrugada ainda. O celular tocava sem parar, mas não sabia onde estava. Caiu para debaixo da cama provavelmente, e o quarto estava numa completa escuridão. Não tinha forças para mover um músculo sequer. Um arrepio tomou-lhe o corpo todo. Em frações de segundos, seus pelos estavam todos eriçados. Sentiu uma presença estranha, mas não via e não ouvia nada. Ali, em seu quarto escuro, só se ouvia o silêncio e a sensação de que tinha uma companhia. O medo consumiu todo seu ser. Não sabia se aquilo era real ou apenas mais um pesadelo de suas noites mal dormidas. Cada vez que tentava sair de sua cama, uma força anormal parecia sugar-lhe as energias, segurar-lhe o corpo, dominar-lhe todo o íntimo. Começou a questionar a sua existência naquele momento, assim como a existência do ser que lhe acompanhava naquela noite discrepante. Sua mente já não demonstrava lucidez e começou a criar fábulas inusitadas a partir de suas circunstâncias. Estava na margem de um lago cristalino, se olhava no reflexo mas não via nada. Tocava na água, mas não sentia a água tocar sua pele. Era somente o vazio, a sua inexistência que estava naquele lugar. Decidiu jogar-se e mergulhou até o fundo. Flutuava de olhos fechados nas profundezas do lago raso e se afogou em suas mágoas. Acordou. E já era dia. Ouvia-se os pássaros cantando ao longe. Sua respiração ofegava, porém conseguiu movimentar seu corpo, mas sua estrutura física ainda estava comprometida. Levantou-se devagar e viu uma sombra no canto da parede. Não tinha rosto, não tinha cor, só uma silhueta amedrontadora, que gargalhava tenebrosamente. Tentou correr dali, mas seus pés travaram, grudaram no chão. Começou a levitar devagar, com o corpo na horizontal, e a risada maligna inundava o ambiente, cada vez mais elevada. Seu corpo chegou até o teto e despencou em queda livre na cama. Acordou. Não sabia se era dia ou se era noite. E nada daquilo era real. Irreal, surreal. 

10 de dezembro de 2015

Black Mirror: a ausência da dependência por um dia.

Segunda e terça (dias 7 e 8) acompanhei um seriado da Netflix que me fez refletir bastante, além de me ter feito um pouco mal, diante das realidades dos episódios assistidos. A série fala sobre a conexão entre o ser humano e a tecnologia, onde o "espelho preto" é aquele o qual se encontra no nosso dia-a-dia: a TV, o monitor e principalmente o smartphone. Em cada um dos sete episódios da série encontra-se a dependência tecnológica que estamos criando, cada vez mais distante da nossa vida real. A maioria dos episódios mostra uma realidade futura, com uma tecnologia que pode vir a existir ou quem sabe já está sendo estudada. A série é sombria e perturbadora, que mexe com a mente até os últimos segundos que, mesmo fazendo mal, a vontade é de assistir mais e mais e entender qual universo se vive atualmente. 
Então, a partir do que assisti, resolvi passar exatamente um dia sem os espelhos pretos que tanto "aprisiona". A minha regra era não olhar ou não me fixar em nenhum espelho preto, exceto no trabalho em que o uso é imprescindível. Diante deste dia sem essas tecnologias, eu fiz e aprendi algumas coisas. Fiz coisas que não fazia há muito tempo, como: fazer minhas sobrancelhas e minhas unhas, meditar, ler um livro, entre coisas necessárias de se fazer em casa, como lavar prato, cozinhar, varrer, arrumar quarto, geladeira, cozinha, enfim, deixar as coisas em ordem, coisa que eu não costumava fazer com muita frequência quando estou utilizando os espelhos pretos. 
E o que aprendi foi o seguinte: o tempo não passa depressa, somos nós que fazemos um mau uso dele. Andar de cabeça erguida é mais sensato e racional, pois se encontra um mundo diferente do que se está acostumado a contemplar. Confesso que durante o dia tive algumas vontades de usar os aparelhos, mas resisti e resolvi ir até o fim. Para não correr o risco, meu smartphone ficou em casa, dentro de uma gaveta. 
O quão estamos dependentes a chegar a tal ponto? Em suma, este foi um dia de uma experiência inusual, que me trouxe aprendizados que preciso levar adiante. Minha sugestão é: assista a série, reflita e faça o teste por um dia. É uma experiência inusitada e única.