20 de maio de 2014

Flerte no ônibus.


Sentou-se na cadeira mais alta, mas preferiu ficar longe da janela. O sol ia bater assim que o ônibus dobrasse a esquina. Percebeu alguém na parada seguinte e torceu para que esse alguém subisse no veículo. Sorte, pensou. O assento ao seu lado estava vazio e foi preenchido. Com um olhar sem graça, deu passagem. Tensão entre corpos lado a lado. Sem observações, fones de ouvido e música alta. Nenhuma fala foi acrescentada ao momento, que era ao menos propício. A timidez impediu a comunicação. Porém, alguns toques sutis, com a movimentação do ônibus, foi o bastante para demonstrar o interesse. Pernas se encostaram, mãos se sentiram, de forma perceptível apenas para os viajantes inibidos. A chuva se fez presente no caminho e a janela foi fechada. Um mormaço incomum invadiu, a temperatura elevou e dois corpos transpiraram com rapidez e sentiram a respiração ofegar. A parada estava próxima, a chuva continuava. Sem guarda-chuva, um corpo desceu, e sentiu gotas fortes de água na pele. O outro corpo fez a mente trabalhar em um milésimo de segundo e decidiu descer, já com a sombrinha aberta. Sorrisos, mesmo tímidos, surgiram nas duas bocas.

6 comentários:

  1. romances em coletivos são os meus favoritos, pois se tornou um lugar onde cada um fica no seu quadrado e com seu fone, mas quando os nossos olhos e a nossa pele percebe algo a mais isso faz valer qualquer viagem ~~

    beijas, lauritcha! *:
    <3

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  2. Que coisa incrível! Você transcreveu a situação de forma tão minuciosa e ao mesmo tempo envolvente e dinâmica que consegui imaginar perfeitamente a cena, como se ela fosse um curta que estivesse acabado de assistir. Parabéns!

    Beijos =*

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  3. GENTE, acho que tenho a mente muito poluída pra ver uma tensão sexual dentro do ônibus? LoL. HELP. Ah, adorei a cena sendo construída. Olha, que dera que algumas paqueras tímidas de transportes coletivos dessem certo. Algumas vezes elas não passam de olhares escondidos.
    {Emilie Escreve}

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Me incentive um pouco mais.