27 de março de 2014

Minha Leona.

Ela apareceu num dia chuvoso de Junho, tão pequenina, indefesa e chorona. A pretinha, com manchas brancas e bigode grande. Não teve nome por muito tempo, até eu aceitar a sua presença. Leona me conquistou aos poucos e me escolheu como sua dona, como sua mamãe. Todo dia de manhã me acordava ronronando e eu a rejeitava, porém abracei a ideia de cuidar daquela gatinha. Tinha uma doença comum dos gatinhos quando nasce de uma mãe infectada, mas eu cuidei para que ficasse boa e com saúde. E foi assim nos últimos meses que sua presença encheu a casa: com alegria e energia. Leona nunca gostou muito de carinho, mas eu sempre dei, mesmo que dessa vez a rejeição fosse para mim. Trouxe felicidade nos momentos tristes e melancólicos e tantas outras vezes me deixou preocupada com sua ausência. Logo que cresceu e descobriu que não mais tinha medo de altura, começou a escalar e descobriu uma ponte de fuga para a rua. E a angustia se apoderava de mim, tentando imaginar onde ela estava e o que andava fazendo. Mas o alívio se fazia presente quando retornava à casa em busca de comida. Miava e corria em direção ao seu potinho, que sempre esteve cheio, mas não parecia suficiente. 
Quanta saudade eu tenho de te colocar na bolsinha e te levar pra passear de bicicleta. Quando te prendi, não foi por maldade e sim cuidado. Queria tu ali sempre perto de mim, pra eu poder fazer carinho no teu corpinho peludo e macio. Que falta eu sinto daquele teu miado rouco. Que falta eu sinto quando tu me mordia e me arranhava. E de te levar no braço pra olhar a rua. De te dar banho, mesmo sem tu gostar e te aninhar numa toalha para tu não sentir frio. De olhar pra tu e dizer "mãe ama", mesmo tu não entendendo nada. Ah, Leonina, se tu soubesse a saudade que tu me trouxe com esse adeus que eu nem pude dar. Fui tão apaixonada, cuidei tanto, mas não foi o suficiente. Sei que o carinho e o amor que te dei durante esses sete meses foi o suficiente para me fazer feliz e te fazer feliz. É isso o que ao menos me conforta. Vou lembrar sempre de você, minha gatinha. Sempre


4 comentários:

  1. Lindo o seu desabafo! Um gatinho que eu cuidava aqui no meu prédio tbm foi atropelado. Tou arrasada!
    Bjo

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  2. Que Lindo Nêssa! Tadinha foi embora tão cedo.

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  3. fiquei sem entender, ela morreu ou fugiu? '-'

    eu tive um gatinho quando criança e depois que ele foi assassinado eu nunca mais quis animais de estimação ;T

    beijas, Lau *:

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  4. Eu estive ausente, mas não foi por falta de sentimento e olha que se eu estivesse retornado antes, conheceria a Leona que me encantou nas suas fotos.

    Suas emoções transbordam nesse relato, sua sinceridade me sensibiliza e me alcança, obrigada por partilhar isso Laura.

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