23 de outubro de 2012

Às duas da manhã.

Duas da manhã e uma noite serena e ventilada. Na janela sinto o vento e meu pensamento. Queria um cigarro e a tua companhia, mas não tenho nenhum dos dois. Fecho a janela e vou dormir.


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20 de outubro de 2012

Ainda existe.

Olhei pro céu e não encontrei a lua, aquele astro que iluminava meu coração e me fazia sorrir e lembrar de bons momentos. Senti falta e notei que há muito tempo eu não a via, como se tivesse me abandonado. Mas eu vi as estrelas, que mesmo não iluminando como a lua, piscavam em minha direção. Então eu sorri e pensei: ainda existe algo que brilha e traz luz para mim!



they shine for you

17 de outubro de 2012

Vermelho.

vermelho cor de vinho
cor de sangue, cor de amor
vermelho estou usando
sem vergonha e nem pudor

vermelho é carinho
chamativo e condutor de calor
vermelho tem chama que inflama
com gosto de licor

vermelho da maçã
fruta doce, envenenada
traz na boca o sabor
de ternura apaixonada

vermelho inebria
incendeia e traz desejo
joga na cama e mata
mas termina com um beijo

vermelho por vermelho
é a cor da paixão
que aquece a alma
inventando dor ao coração

12 de outubro de 2012

Hoje sou.

Hoje sou tua música, teu cinema, teu esquema.
Hoje sou teu vício, teu gemido, teu latifúndio.
Hoje sou tua mania, teu recado, tua esfinge.
Hoje sou tua mantra, teu remédio, teu lençol.
Hoje sou tua cama, teu pijama, teu epigrama.
Hoje sou teu café, tua mesa, teu telefonema.
Hoje sou teu cigarro, tua droga, tua bebida. 
Hoje sou teu passado, teu futuro, menos teu presente.

7 de outubro de 2012

Mudez e nudez.

A noite naquele dia estava fria, escura e monótona. Saí de casa de casaco e com cigarro na boca pois senti que a noite me chamava para dentro de si, com aquele ar convidativo, com cheiro de intensidade e olhar de curiosidade. Pouco ou nenhum movimento encontrei nas esquinas que passei. O vento se escondia de vez em quando por algum tempo, mas voltava e se encontrava comigo pelas esquinas, me surpreendendo e me assustando. E foi esse mesmo vento, assustador, porém benigno, que me trouxe algo belo. Os cabelos eram laranjas, da cor do fogo e vieram dançando no bailado do vento, parecendo as ondas do mar. Naquele momento, eu queria entrar naquelas ondas cor de fogo e nadar até o lugar mais profundo que eu encontrasse. Parei naquela esquina, a mais escura pela qual passei e fiquei a observar aquele ser coberto de incêndio, vindo em minha direção, trazendo luz e calor para a minha solidão da noite. Parou na minha frente justamente no meu último trago e a fumaça ficou no ar, bem na frente dos nossos rostos. Quando se dissipou, a vi vestida de mudez e nudez. Tentei falar, mas ela não me respondia, apenas pegou na minha mão e foi me levando. Tinha um corpo magnífico, em traços e contornos quase perfeitos e uma pele que brilhava  muito, mesmo nas trevas daquela noite caliginosa. Quando dei por mim, ela estava cobrindo meu corpo com o seu, me fazendo deitar na relva de uma esquina que eu não conhecia até aquele instante. Senti que estava deitando num colchão de plumas, com um lençol macio de seda. Envolvi-me em seus beijos, em seus toques, no seu cheiro, naquele mar de fogo que quase me afogava. Minha pele ardia, queimava em contato com a pele dela, mas eu a consumia, enquanto ela me devorava cada vez mais. Suas unhas se enterravam nas minhas costas, rasgando e fazendo sangrar. O cheiro forte de sangue subia, mas estávamos distraídos, mergulhados em nossa libido. Fui até o fim, sangrando, ardendo, suando e me deleitando. Deitei ofegando na relva, consumido pelo fogo que aquele ser jogou em mim. Não me dei conta quando ela foi embora, pois logo depois que me virei não vi mais nenhum sinal de incêndio, de pele brilhosa, nada. Voltei para casa e minha noite se tornou quente, iluminada e agradável.