29 de setembro de 2012

Tão mais, tão menos.

Está tão mais bonito.
Mais atraente. 
Mais distante. 
Está tão mais longe... das minhas mãos.
Está tão mais curioso.
Está tão menos presente.
Menos aberto. 
Menos falador.
Está tão menos sorridente. 
Tão menos sutil...

Está tão mais do mundo, mais da vida
e tão menos meu. Não meu.

23 de setembro de 2012

A encomenda.

Certo dia recebi uma encomenda bastante inusitada. Era um envelope não muito grande, de coloração rosa, com um conteúdo que muito me intrigou, mas me deixou com um grande volume nas calças. Era uma calcinha. Uma calcinha simples, branca, com um odor impecável, ou melhor dizendo, totalmente pecável. O destinatário era anônimo e aquilo me fez enlouquecer. Como poderia alguém me enviar uma calcinha sem nome? Não havia também nenhuma carta, nem recado. Só a calcinha e nada mais. De qualquer forma, parecia recente e eu fiquei saciado naquela noite, imaginando como seria minha destinatária. Claro, eu torcia para que não fosse apenas uma brincadeira de mal gosto, mas pensei bem e conclui ser difícil alguém ceder uma calcinha somente para este fim.
Passei dois dias louco de curiosidade e farejando cada vez mais a calcinha quando chegou outro envelope em minha casa. Era do mesmo tamanho que o anterior, porém a cor tinha mudado. Desta fez chegou um envelope vermelho e de dentro retirei outra calcinha: era preta. Preta, minha cor preferida em lingerie. E dessa vez não era simplesmente uma calcinha, era uma de fio dental. Dentro, encontrei um pedaço de papel, da mesma cor que o envelope, com letras em negrito dizendo: "Olá!" Fiquei pasmo, excitado, morrendo por dentro, cada vez mais, de desejo. O cheiro parecia mais forte e intenso. A minha destinatária queria me enlouquecer, era isso. Dormi com as duas perto de mim, imaginando que a destinatária secreta estivesse ali, do meu lado, me desejando, me querendo. Porém, passou-se uma semana, e nada de novo chegar, nem um cartão, nenhuma resposta.
Passei esses dias como um louco, olhando a cada momento minha caixa dos correios, procurando carteiros pela rua, não dormindo direito, achando que possivelmente uma nova encomenda poderia chegar a qualquer hora. E chegou. Lá estava um pacote menor que os anteriores, desta vez laranja. Tinha apenas um cartão amarelo, indicando um endereço e um horário. Minha surpresa não poderia ser maior: finalmente a minha destinatária queria me encontrar. Faltavam duas horas para o mais desejado encontro e eu estava bem mais que ansioso. Corri então para me arrumar e chegar no meu local de encontro bem magistral. Coloquei uma camisa branca e vesti uma calça preta, também fazendo o jogo da minha destinatária. Levei os envelopes, os cartões e as calcinhas no bolso. Não poderia, de maneira nenhuma, perder o endereço mais ansiado por mim.
Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um prédio antigo, mas muito bem cuidado. Disquei no interfone o número indicado e esperei. Alguém atendeu. Tinha uma voz majestosa, não perguntou nada, apenas disse para eu subir. A escada parecia infinita. A cada degrau que eu subia, eu estremecia. Não sabia o que me esperava, mas senti que era algo bom e fui ficando nervoso cada vez mais próximo do meu objetivo. Enfim, atingi o ponto máximo das escadarias: o apartamento da minha destinatária secreta. A porta estava aberta, o local além de aconchegante, tinha um cheiro bom, de incenso. Fui me guiando pelo aroma e cheguei até uma porta, que estava entreaberta. Para minha surpresa, dei de cara com duas mulheres deitadas na cama. Não era somente uma destinatária, mas duas. Duas mulheres lindas, uma de calcinha branca e a outra de calcinha preta. Eu não desejava mais nada, somente aquelas duas: a virgem e a viúva.