17 de maio de 2012

Relato de uma viagem.

Às duas da manhã o avião decolou. Era a primeira vez que eu estava voando. Tive sensações estranhas, mas não de nervosismo. Pelo contrário, estava mais calma do que imaginava que estaria. Meu coração não parecia bater. Procurava senti-lo, tocava-o com as mãos, mas não captava nenhum batimento. Vai ver eu estava tocando no lugar errado, vai ver ele tinha se deslocado para outro lugar do corpo, ou quem sabe, o seu lugar estava completamente vazio. Mas era como se eu soubesse que ele estava lá, e de fato estava. Minha mente me levava a acreditar e saber que estava lá, guardando e carregando coisas importantes. Sempre gostei de janelas, pois eu podia observar paisagens. Sentei-me então próxima a uma, mesmo sabendo que, naquele momento, não tivesse realmente uma paisagem para se apreciar. Mas eu via um céu diferente, extraordinário, incomum do que costumava ver. Um céu límpido, estrelado, mais do que o normal. Eu via estrelas, muitas estrelas. E era como se eu as enxergasse mais de perto, como se elas tivessem num quadro de parede, prontas para serem admiradas. Pareciam-me maiores, mais brilhantes e muito mais bonitas vendo daquele ângulo. Foi difícil dormir e na verdade, não o fiz. Cochilei algumas vezes, mas não encontrava posições confortáveis. Desejava que a hora passasse depressa, para acabar com a minha briga com a poltrona. Ao acordar de um cochilo, provavelmente de menos de cinco minutos, olho para a paisagem e me deparo com a lua, com um grande sorriso, como o do Gato de Cheshire. Não havia mais estrelas, mas a luz daquele satélite natural compensava o panorama. Achei que chegaria a ver o nascer do sol, ainda no ar, mas quando pousei, a cidade ainda se encontrava escura. Escura e cinza. O céu não era o mesmo que eu tinha visto horas antes. Ao sair do aeroporto, um vento gélido tocou meu rosto, de um modo suave. Entendi aquilo como as boas-vindas da cidade, mesmo querendo que fosse um sol forte que me tocasse a pele. Meu corpo tiritava, como se estivesse recebendo descarga elétrica. Então acendi um cigarro e fumei, enquanto esperava o ônibus que finalmente me levaria para o meu destino.

8 comentários:

  1. Consegui sentir cada sensação que você tentou passar com esse texto.
    A melhor viagem de todas, sempre será essa que fazemos dentro de nossa mente.
    ;*

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  2. Belo relato de uma viagem. De fato, lendo esse texto é como se tivesse também fazendo a mesma viagem e sentindo a mesma sensação.

    Mas, me diga uma coisa menina, desde quando vc fuma, hein?

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  3. Menina, tanto tempo e você cresceu tanto na sua escrita. Continuo a admirar seus textos, li os de baixo também, e estou admirada como você não perdeu seu dom pelo caminho. Parabéns, viu?!

    E sobre esse texto... parece ter sido baseado na minha primeira viagem de avião, foi igualzinha. As mesmas sensações, admirando as estrelas, a lua, o céu: tão lindos vistos assim de "pertinho", não é? Parabéns, Inercya!

    ;*

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  4. Ah, eu nunca cheguei a viajar de avião sabe, apesar de querer muito fazer isso e ter planos ainda nesse ano. Achei tão mágica essa descrição, deve ser tão legal. *-*
    Sua narrativa está incrível e profunda, quase me senti no lugar da personagem!

    Beijos.

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  5. Adorei esse texto, quando viajei pela primeira vez de avião fiquei nervosa demais, sempre sinto frio na barriga, até hoje, para ser sincera. Mas fico sempre observando os detalhes da cidade pela janela, observando o céu. É lindo.

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  6. Ah, que bonito relato! Confesso que me deixou com uma inveja boa sua, sabia? Quer dizer, ao mesmo tempo que fico insegurança quanto andar de avião, tenho uma imensa vontade de o fazer. É como tu descreveste, deve ser maravilhoso observar o céu mais de perto, o melhor brilho das estrelas, a sensação que parece dar é que você faz parte de tudo aquilo, não é? Aliás, o céu por si só, aqui do chão mesmo, já me dá essa sensação às vezes. Mas daí já é outra história... Hahaha.
    Um grande abraço, @pequenatiss.

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  7. Opa, relatando algo aqui...
    gostei demais do teu espaço aqui.
    Muito bom. Seguindo aqui com prazer!!
    Se puder me visite ok. Feliz ficarei.

    Bom fim de semana pra você.
    Grande abraço!! Dan

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  8. E qual é afinal o meu/seu/nosso destino?
    Fico sempre me perguntando isso - o que realmente devemos fazer, onde deveríamos realmente pisar - é tudo tão abstrato e misterioso.

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Me incentive um pouco mais.