27 de maio de 2012

Sentindo. Sentido.

"Bom dia, boa tarde, boa noite, minha linda!" Sinto falta disso. Das mensagens, que eu recebia todo dia, em todos os horários possíveis. Estive pensando em tanta coisa para escrever, mas creio que metade dos meus pensamentos não estará neste texto. Tenho certo problema, sabe, em escrever meus pensamentos. Até por que eles passam por mim, se vão. Mas isso não quer dizer que não penso mais, que não sinto mais. Sei lá, é complicado dizer. Engraçado é que sempre que vou dormir, esses pensamentos vem à tona. É como dizem: é de noite que tudo faz sentido. Ou melhor, acho que não faz sentido, pelo menos pra mim. Não faz sentido eu ficar pensando em você toda vez que vou dormir. Mas o que fazer? Não controlo meus pensamentos, eles vêm sozinhos. Hoje é esta a minha insônia. Viro e mexo, mudo de posição, levando e deito novamente, mas não durmo. Digo, demoro a dormir. Tento não pensar, mas é complicado. Passo horas e finalmente durmo, mas quando acordo, lá está o pensamento de novo. Eu não escolhi assim, não queria que fosse assim, mas como eu disse, não controlo pensamentos, muito menos sentimentos, esses os quais você não acreditou e não acredita. Eu queria não pensar, queria não sentir, mas de fato penso, de fato sinto. E de fato, vêm aquelas lembranças, doces lembranças. Seu rosto liso, que eu adorava tocar. Seu sorriso, meio bobo, mas que ainda hoje admiro. Das noites que deitávamos juntos, do vento que vinha do mar que tocava nossos rostos, daquele frio na barriga. Foi tão pouco tempo, mas que significou tanto pra mim. Eu nunca consegui entender por que as pessoas passam pouco tempo juntos. Sempre acreditei em algo duradouro, não para uma vida inteira, até por que acho um tanto demais. Mas um tempo, mais do que alguns meses. E mesmo que não estivéssemos juntos de verdade, acreditei que passaríamos mais tempo. Isso só acontece quando há sentimentos, e creio que fiquei sozinha neste quesito. Acho que só existia meu sentimento, que ainda hoje existe. O problema é que você deixou indícios de que voltaria. Sim, você deixou. E eu acreditei nisso. Mas em poucos dias, você foi embora, logo depois de ter deixado esses indícios. Como pode, hein?  Eu tive que questionar para descobrir os motivos, estes que ainda não me são convincentes. Como tudo na vida um dia passa, acredito que esse meu sentimento vá passar. Foi uma pena eu não poder aproveitá-lo, por que foi tudo tão recente e terminou de repente, que eu não pude nem senti-lo direito. Queria ter um coração como o seu, que faz logo o esquecimento. Deixa estar, vou aqui guardar as minhas lembranças, de algo que, mesmo pouco, me foi importante. Minhas palavras e meus sentimentos, mesmo que vivos, não irão mudar, então só me resta deixar passar. Se esperança já não cabe mais em mim, procurarei outro sentimento que caiba, que se aloje e que me deixe em paz.

17 de maio de 2012

Relato de uma viagem.

Às duas da manhã o avião decolou. Era a primeira vez que eu estava voando. Tive sensações estranhas, mas não de nervosismo. Pelo contrário, estava mais calma do que imaginava que estaria. Meu coração não parecia bater. Procurava senti-lo, tocava-o com as mãos, mas não captava nenhum batimento. Vai ver eu estava tocando no lugar errado, vai ver ele tinha se deslocado para outro lugar do corpo, ou quem sabe, o seu lugar estava completamente vazio. Mas era como se eu soubesse que ele estava lá, e de fato estava. Minha mente me levava a acreditar e saber que estava lá, guardando e carregando coisas importantes. Sempre gostei de janelas, pois eu podia observar paisagens. Sentei-me então próxima a uma, mesmo sabendo que, naquele momento, não tivesse realmente uma paisagem para se apreciar. Mas eu via um céu diferente, extraordinário, incomum do que costumava ver. Um céu límpido, estrelado, mais do que o normal. Eu via estrelas, muitas estrelas. E era como se eu as enxergasse mais de perto, como se elas tivessem num quadro de parede, prontas para serem admiradas. Pareciam-me maiores, mais brilhantes e muito mais bonitas vendo daquele ângulo. Foi difícil dormir e na verdade, não o fiz. Cochilei algumas vezes, mas não encontrava posições confortáveis. Desejava que a hora passasse depressa, para acabar com a minha briga com a poltrona. Ao acordar de um cochilo, provavelmente de menos de cinco minutos, olho para a paisagem e me deparo com a lua, com um grande sorriso, como o do Gato de Cheshire. Não havia mais estrelas, mas a luz daquele satélite natural compensava o panorama. Achei que chegaria a ver o nascer do sol, ainda no ar, mas quando pousei, a cidade ainda se encontrava escura. Escura e cinza. O céu não era o mesmo que eu tinha visto horas antes. Ao sair do aeroporto, um vento gélido tocou meu rosto, de um modo suave. Entendi aquilo como as boas-vindas da cidade, mesmo querendo que fosse um sol forte que me tocasse a pele. Meu corpo tiritava, como se estivesse recebendo descarga elétrica. Então acendi um cigarro e fumei, enquanto esperava o ônibus que finalmente me levaria para o meu destino.

9 de maio de 2012

Myself se manifestando (ou eu, eu mesma e as crises).

O que há de errado, o que está acontecendo? Páginas em branco, cursor que não para de piscar. Espaços preenchidos e imediatamente apagados. Onde está, onde perdi? E como encontrar? Forço tanto tanto e não surge nada. Na realidade, surge sim. O problema está na forma que surge. Coisas estranhas, aleatórias e geralmente comuns. Não quero nada assim, quero algo novo, algo surpreendente, algo que eu sinta prazer e diga: agora sim, está quase perfeito (até por que não acredito em perfeição). Mas no caso, não consigo achar a 'quase perfeição'. Sumiu, simplesmente. Sinto que é preciso fazer alguma coisa para isso voltar e não é difícil, é fácil, eu gostava, digo, eu gosto. Por que não faço mais? Falta de tempo? Não, claro que não. Estímulo? Também não. Preguiça? Pode ser. E então, o que é que vai ser, hein? Vou voltar a ler!

1 de maio de 2012

A letter.

"Oi, meu amor, meu antigo amor, ex-amor. Bom dia, boa tarde, boa noite! Não sei a hora que você vai ler esta carta, então prefiro desejar todas as horas boas para você, já que quero sempre seu bem, sempre. Eu estou bem e creio que você também. Ouvi falarem de você por aí, sua vida está boa, tranquila e pelo visto, você está feliz. Eu também estou, meu amor, ex-amor, acredite. A vida me fez levantar, sabe? Mas hoje decidi te escrever esta carta para te dar uma notícia, que é boa, mas tem um lado ruim. Sabe, eu engravidei. Pois é! Vou ter meu bebê, aquele que eu sempre sonhei. Você lembra bem, não é? Tínhamos planos para um bebê, pensávamos em vários nomes, como ele ia ser, onde ia estudar, como ia ser o quarto dele. Lembro tão bem dos nossos planejamentos, dos nossos sonhos... É, meu amor, eu vou ter um bebê! Estou tão feliz com isso. Mas uma parte do meu coração não está e você bem sabe o por quê. Meu coração não completou a felicidade, pois o meu bebê, o meu lindo bebê não é seu. É claro que não é, não poderia ser seu, pois já faz um bom tempo que eu não vejo você, não é, meu amor? O que será que mudaria se ele fosse seu? Acho que não mudaria em nada. Quer dizer, por mais que eu não tivesse você em minha vida, ia ter pelo menos a tua presença, para ver nosso bebê, cuidar um pouco dele, me ajudar a criá-lo. Eu errei muito, sabe, e por causa disso vou ter meu bebê sozinha, mas vou dá todo meu amor a ele e vou cuidar dele como se fosse nosso, vou usar nossos planos para me manter firme, vou fazer de tudo para ser feliz ao lado dele. Ainda não sei se é menino ou menina, mas torço para que seja menino e se quer saber, darei seu nome a ele, mesmo não sendo fruto do nosso amor, nosso antigo amor. Ah meu amor, se você estivesse aqui comigo seria tão mais fácil... Mas não vou lamentar, vou me virar sozinha, até por que antes de você eu sabia fazer isso e não vai ser agora que vou me desestruturar. Sabe que eu sou forte, não é? E vou ser, por mim, por meu bebê. Meu amor, ex-amor, espero que um dia nós nos encontremos, para que eu possa ver como você está, para conversarmos, quem sabe tomar um café juntos. Espero que realmente esteja bem. Um beijo grande para você. Até algum dia."