17 de janeiro de 2012

A noite e meu último cigarro.


A noite estava tão agradável... Decidi fumar, o meu último cigarro. A minha janela era estreita, mas sou pequena, então, ali era o lugar perfeito. Coloquei uma almofada redonda, colorida e sentei. Foi difícil me posicionar, mas como eu disse, sou pequena. Consegui uma posição boa, confortável. O céu estava com nuvens, mas não chovia. A brisa me tocava com delicadeza. Que sensação boa eu estava sentindo. Acendi o cigarro, o último que tinha sobrado de uma festa. Sorte a minha. Traguei devagar, para durar mais. As cinzas caiam sozinhas, tinham paciência por estarem ali. Senti umas gotas de água e me deixei molhar, por um tempo. As nuvens não estavam ali para me expulsar, estavam me dando boas vindas. Senti-me tonta e era aquela tontura que eu estava precisando. Olhei para o céu e algumas estrelas sorriam para mim. As poucas estrelas que se encontravam nas pequenas partes do céu que não estava coberta pelas nuvens. Eu não via a lua, mas eu sabia que ela estava ali. Iluminou todo o meu quintal. Eu gostava de ver aquilo, eu gostei de estar onde eu estava. O galo cantava e eram só três horas da manhã. Acho que ele também estava me dando boas vindas. Que noite inspirável. E eu estava só, completamente só. Foi aí que descobri que é possível ser feliz sozinho, por uma noite. Não precisei ter ninguém ao meu lado para me sentir bem. Eu estava bem comigo. Com a noite e com meu último cigarro. Sem ninguém para atrapalhar. Eu poderia passar o resto da minha vida assim, sentada na minha estreita janela e fumando mil últimos cigarros. O céu se abriu para mim e eu sorri, em agradecimento. Tudo tão calmo e tão silencioso. Eu era invisível e me senti infinito, como Charlie.  





two years blogging. same day, same time. and i don't feel that fear.

12 comentários:

  1. Olá, podemos ser amantes de nós nessas noites encantadas, lindo texto o seu, abraços

    ResponderExcluir
  2. "Eu era invisível e me senti infinito." Gostei demais, demais, demais! Ficou maravilhoso o texto, de verdade.

    Agora, postei uma ajuda no meu blog, poderia dar uma olhadinha? Obrigada.

    ResponderExcluir
  3. imaginei toda a cena. Adorei seu jeito de escrever!

    ResponderExcluir
  4. Uma cena tão pura de se ver. As vezes subestimamos a nossa capacidade de auto-felicidade e isso é tão primordial.

    Não deveríamos nos esquecer da agradabilidade de nossa própria companhia, da paz individual que precisamos alimentar todos os dias.

    O seu relato é inspirador.

    ResponderExcluir
  5. O último cigarro é o melhor companheiro, não deixa solidão nenhuma ser cruel.

    ResponderExcluir
  6. Oi Laura, não me mate por sumir de novo! >.< Você sabe que no fim, eu sempre volto, né?! rsrs
    Só pra variar, estou morrendo de saudades! Como você está? Como está a faculdade?

    Adorei o continho, (só não aprovo o vício do cigarro, ele já levou embora duas pessoas que eu amo muito. :/) mas a essência do momento foi simples e mágica. Adoro essa sensação quando estamos sozinhos, e nos sentimos tão bem, tão completos. Perfeito! *-*

    ResponderExcluir
  7. Que delícia ler seu texto. É puro e sincero também.
    Achei bonito demais!

    ResponderExcluir
  8. E parabéns pelo blog, pelo tempo que o tem e ainda assim conseguir escrever de forma tão bonita.

    ResponderExcluir
  9. Hey.

    Dois anos de blog? Sério? E a gente já se conhece esse tempo todo... Nossa!

    É em momentos como esse que vejo como o tempo passa.

    Flor, amei o mini-conto, ele me inspirou super pra escrever algo nesse estilo. E sim, eu voltei.

    Descobri que agora dá para postar pelo celular e comentar também. Sabe o que isso significa? Não tem porque eu me manter ausente do blog mais!

    Beijos.

    ResponderExcluir
  10. Fofinha!
    Parabéns por se sentir bem sozinha. Isso é sinal de felicidade, independência. Pode apostar.
    E parabéns pelo blog *-*

    ResponderExcluir
  11. adorei esse texto.
    demais, demais, demais!
    é daquele tipo que a gente se identifica tanto.
    beijos!

    ResponderExcluir
  12. Além de bem escrito, um conto forte, reflexivo e de nos causar ânsias por dentro.

    ResponderExcluir

Me incentive um pouco mais.