4 de janeiro de 2012

Eu só queria que alguém me amasse.

Nasci na rua e até hoje permaneço nesse caos interminável. A vida aqui é muito difícil. Tenho que sair do meu abrigo, o pequeno e único abrigo que tenho, para procurar comida. É complicado, pois às vezes volto para o meu cantinho sem nada. Observo as pessoas ao meu redor quando saio na rua, mas todas elas fingem não me ver. Sorrio para elas, mas é como se meu sorriso não contagiassem essas pessoas, que passam apresadas, com medo de ser atacadas. Ainda não consigo entender por que são assim, por que não me querem. É difícil, muito difícil para mim.
Hoje escapei de um tormento, como várias vezes escapei. Tive sorte, como sempre, mas não sei até quando essa sorte vai andar ao meu lado. Já briguei muitas vezes, saí arranhado, todo quebrado, mas me curei, sozinho. Tenho marcas, é claro, marcas que carregarei por toda a minha vida. Outras vezes escapei de acidentes trágicos, como atropelamentos e cair de uma ponte. Foi duro para mim ter de sair do abrigo depois desses acontecimentos; eu tinha medo de passar por isso mais uma vez.
Tive um amor. Encontrei-a em outro abrigo, na mesma situação que a minha. Era linda! Seus olhos brilhavam tanto e seu sorriso me dava esperanças. Mas ela não teve a mesma sorte que eu. Vi quando ela foi tentar pegar comida para nós e ser levada, abaixo de murros, tapas e choques. Deveria ser eu no lugar dela. Sempre teimou em buscar comida e eu nunca deixei. Não sei se ela ainda está viva...
Não tenho amigos. Vejo grupos se formarem, mas ninguém me aceita. É que eu tenho pulgas e eles não gostam, não querem pegar. As pulgas são minhas únicas companhias e elas nem sequer são minhas amigas. Sugam todo meu sangue e toda a minha energia, mas eu não me dou por vencido. Não são elas que vão me fazer morrer.
Eu só queria que alguém me amasse, me adotasse e me desse um lar. Já sofri bastante aqui na rua e queria ter um dono. Alguém que me desse amor, carinho, um lar quentinho, comida e água. Que cortasse meus pêlos e minhas unhas quando estivessem grandes, que me levasse para passear pelo parque para conhecer amigos. Não é pedir muito, sei que não é, pois eu vejo outros por aí com seus donos, sorrindo e esbanjando felicidade. Mas eu tenho esperanças. Um dia eu sei que alguém vai me querer e levar para casa e cuidar de mim. 





A todos os cães que vivem na rua e não conhecem o amor.

13 comentários:

  1. Você não sabe como amo cachorros, tenho três! Todos de rua... Os cachorros tbm precisam de amor!
    Amei o post!

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  2. AOKSOAKSAS' no início do texto achei que fosse um menino de rua :P

    Lindo texto, amo cães abandonados.

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  3. Eles merecem carinho, merecem amor, alguém que cuide deles. Mas ainda existe muito desprezo pelos cães de rua. Seu texto expressa muito amor, e isso é muito bom e lindo.
    Beijos.

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  4. Laurinha lindona, tu me questionou no Freescura como eu faço o layout dos títulos do blog né? Não é HTML não. O blog inteiro é sim, através das edições do próprio blogger, mas aquele título lá em cima é um banner que eu faço. Pretendo agora deixar aquele da gaiola por um bom tempo. Quero ver se dá certo como logomarca do blog. Enfim... Mas eu faço tipo uma foto, e daí coloco ao invés do título o banner. Se tu for em EDITAR vai ver uma guiazinha onde diz o nome do teu blog e (cabeçalho) do lado. É ali que eu adiciono o banner e escolho que quero que ele fique no lugar do título. E faço meus banners todos no photoshop. Qualquer ajuda que precisar é só falar comigo ;D

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  5. rapaz, isso me fez lembrar de um causo que passou no jornal daqui. o dono de um cachorro foi internado e morreu, desde então o cachorro não sai da frente do hospital, esperando pelo dono .-.
    mas, diferente desse cachorro da reportagem, o da sua história ainda pode ter um final feliz (:

    como sempre, essa sou eu me emocionando com seus textos! :')

    beeijas, Laura! ;*
    s2

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  6. uma coisa que postei ontem no face...
    "erra é humano, perdoar, é canino"
    há algo mais verdadeiro?

    mas ñ me retiro quando falo de cachorros os gatos...
    the cats is perfect

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  7. Oi, tudo bem?
    O Refúgio das Palavras começa 2012 com grandes novidades e vim lhe convidar para conferir.

    http://iasmincruz.blogspot.com/2012/01/novidades.html

    Tenha um ótimo fim de semana.

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  8. Ah, que texto lindo e triste. Me encantou...
    Estou seguindo, seu blog é realmente ótimo, não sei como não havia vindo aqui antes.
    Achei lindo!

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  9. Como me prendeu ao ecrã este post, eu tenho uma cadela que andava na rua, perdida, só, implorei e consegui ficar com ela e hoje amo-a e não sei viver sem ela, amei de verdade este post, tocou-me mesmo.

    Que belo coraçao você tem, não há amigo como um animal fiel.

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  10. Que texto mais tocante.
    Adorei!
    Lindo seu blog.
    Beijos <3

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  11. Nossa, Laura, tô toda arrepiada! Que dó me deu... Eu adoro cachorro, tenho duas! ^^ E eu não suporto crueldade com os pobres bichinhos... :(
    Eu achei esse texto a cara da Bruna, do Freescura. Ela é maluca por animais também, sonha até em fazer uma ONG de animais um dia. :)
    Ainda bem que existem pessoas assim ainda.

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  12. Na composição desse você acertou em cheio Laura - Palavras bem dispostas, bem escolhidas - Sentimentos tão bem descritos que chegamos a sentir todas as emoções do cãozinho.

    Adorei.

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Me incentive um pouco mais.