29 de dezembro de 2012

O rio e a vida.


O rio, a água do rio... está sempre correndo, passando. Nunca fica no mesmo lugar, apesar de parecer a mesma. Assim é a vida, como a água do rio. Ela passa, ela corre, parece não mudar, mas muda, sempre muda e há sempre novas coisas acontecendo ao redor. 

21 de dezembro de 2012

2012: end of the World.


Dois mil e doze, você vai acabar, e eu não posso dizer que fui feliz contigo. Não mesmo. Você trouxe muita amargura e sofrimento para o meu coração. Na verdade fui feliz em alguns momentos, até por que ninguém aguenta infelicidade a todo tempo, mas eu posso dizer que você me trouxe muita coisa ruim. As  pessoas, no fim de um ano, sempre desejam um feliz novo ano, mas nunca se sabe o que esse novo ano vai trazer. Vai ser diferente? Vai ser igual? Vai ser melhor ou pior? Nunca sabemos. Esperamos, é claro, que nos traga boas coisas, que seja diferente e melhor, mas nem sempre é que imaginamos. 
Dois mil e doze, você me arrancou pessoas e me jogou num abismo, num buraco negro. E eu ainda me encontro perdida, não vejo saída, não há saída, ao menos por enquanto. Não há luz. E todo dia é inverno. 
Dois mil e doze, pode acabar com o mundo mesmo. Ele não está nem aí para mim e eu vou estar nem aí para ele também. Leve tudo de ruim com você. Leve a escória desse mundo, a podridão desse mundo, o lixo desse mundo, as coisas negativas desse mundo, o que há de ruim nesse mundo, pode levar. E o que restar, leve. E me leve junto também. E fique leve e insustentável. 

16 de dezembro de 2012

É do amor que a gente sente mais falta.

Amor, amor carinho
Amor gostoso, amor verdadeiro
Amor familiar, amor amigo, amor de amor
Amor sem cobrança, com troca, mútuo
Amor recíproco, amor intrínseco
Intenso, íntimo, profundo
Amor que vem, mas que não vai
Amor que permanece e que não se distrai
Amor que cura, mesmo sem doença
Amor que cuida, que sorri junto, que chora
Que é feliz e triste ao mesmo tempo
Amor que corre, que alcança, que não se perde
Amor que é amor, duradouro
Amor daqueles, infinito.


Para aqueles que eu amo.  

30 de novembro de 2012

Descobri!

Descobri, é fato. Eu ainda não te esqueci por que eu não quero. Se eu quisesse, já teria esquecido há muito mais tempo do que carrego esse sentimento. Sinto que gosto de prender esse sentimento, de me prender a ele por todo esse tempo. Tenho medo de deixar de senti-lo e não ter mais pelo que sofrer, não ter mais em quem pensar, não ter mais nada de amor que sobre dentro de mim. Quando o sentimento acaba, o sofrimento vai junto e tudo se torna mais leve. A mente, o coração... Tenho esses dois pesadíssimos e gosto de carregá-los. É verdade que dói, dói muito ter que levar tudo isso a todo canto que vou, mas eu sinto essa necessidade de ter algo dentro de mim que brilhe, um brilho opaco. Não tenho explicação para isso, apenas acredito que seja uma loucura minha. É, só pode ser mesmo coisa de louco. Ninguém consegue viver assim, nem conviver com isso todos os dias, sabendo que é insano, sabendo que não vale mais nada. Mas eu vivo assim, vivo assim por que eu sou forte, sempre fui forte, sempre segurei meus sentimentos, sempre me reergui diante das difíceis circunstâncias em que me deparei. E porque não conseguirei agora? Como eu disse, eu só tenho medo desse sentimento ir embora e não ter mais nada dentro de mim. Nem amor próprio? Apesar de tudo isso, eu tenho sim amor próprio, mas carrego amor alheio, amor alheio vazio, amor alheio vazio antigo sem troca, mesmo assim amor. Sei que um dia vou rir de mim e do que guardei, mas até lá, estarei guardando e guardando e guardando. Qualquer dia eu perco de vista, não lembrarei onde guardei, esquecerei. Mas hoje eu vou carregar, desde abrir os olhos pela manhã e fechar  à noite. 


Muito sentimento e nenhum desapego fazem de Laura uma menina idiota (parafraseado The Shining).

25 de novembro de 2012

Vou te gravar.

Vou te gravar na pele
para nunca te esquecer
vou te gravar uma música
para poder te ouvir
e me ouvir
o que eu tenho a dizer
sobre você

Vou te gravar num papel
para poder te ler
e te encontrar nas linhas
linhas que escrevo
para te interpretar dentro de mim mesma

Vou te gravar numa fotografia
e te colocar numa moldura
para atrair curiosos
para enfeitar minha parede

Vou te gravar na minha mente
e te gravar no coração
e depois te jogar no lixo, te jogar no chão
jogar fora minha mente e meu coração
até dizer não
dizer não até todo meu ser concordar
e conformar

Vou te gravar
e depois te apagar
te apagar
para nunca mais tu voltar.

22 de novembro de 2012

Dez-amor.



Rasga por dentro e faz-se feridas
Queima como gelo na pele
Quebra ossos em formas indefinidas
Enquanto o sangue se expele

Sem razão abraça a dor
Naquele gosto de amargar
Descolorido, sem cor
Com lágrimas a desabar

Não encontra nenhum sentido
Só grandes buracos sem fim
E aquilo que foi mantido
Ainda é duro como marfim

Espera-se o melhor do vento
Que para longe leve embora
Este inválido sentimento
Que ainda hoje apavora. 


#rimasbaratas

15 de novembro de 2012

9 de novembro de 2012

Necessidade eterna.


Eu preciso escrever. Preciso escrever sobre qualquer coisa. Não por obrigação, é uma necessidade intrínseca a mim. Preciso por que eu gosto e por que é o que me dá vontade agora. Não precisa ser algo específico, nada detalhado, somente escrever. É algo que abre minha mente, aflora todos os meus pensamentos e sentimentos e minha criatividade, que anda escassa ultimamente. Eu fico à procurar alguma coisa que faça minha mente borbulhar de opções para poder escrever, mas é como quase sempre acontece: eu e minha criatividade entramos em crise. E vem de novo aquela vontade de ter uma máquina de escrever na mente, que possa captar e guardar todo e qualquer pensamento meu quando não tenho nada por perto que sirva de suporte para a escrita. Meus pensamentos fluem sozinhos, mas a minha escrita não. Por vezes ela falha, ela para, ela pausa. Eu só preciso escrever um pouco para esvaziar minha mente já vazia de ideias. Quem sabe assim elas não voltam. 

3 de novembro de 2012

Sobre partir.


Acordei e era quase manhã. Senti uma angústia e uma agonia no meu coração, incompreensíveis. O céu estava desabando no seu choro intranquilo e incessável e aquilo me fez imaginar que tudo tem um propósito e sentimentos não são em vão. Algo havia partido, eu tinha a perfeita noção disso. E havia partido ao meio, quase quebrado em pedaços, rasgado e estava mesmo indo embora. E mesmo assim eu não movi um passo sequer. Pensei: que fosse, que voasse, que viajasse e passasse pelos quatro cantos do mundo. Eu não faria nada, pois aquele mesmo sentimento de angústia que me acordou me dizia que um dia esse algo iria voltar, se fosse para ser. 

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23 de outubro de 2012

Às duas da manhã.

Duas da manhã e uma noite serena e ventilada. Na janela sinto o vento e meu pensamento. Queria um cigarro e a tua companhia, mas não tenho nenhum dos dois. Fecho a janela e vou dormir.


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20 de outubro de 2012

Ainda existe.

Olhei pro céu e não encontrei a lua, aquele astro que iluminava meu coração e me fazia sorrir e lembrar de bons momentos. Senti falta e notei que há muito tempo eu não a via, como se tivesse me abandonado. Mas eu vi as estrelas, que mesmo não iluminando como a lua, piscavam em minha direção. Então eu sorri e pensei: ainda existe algo que brilha e traz luz para mim!



they shine for you

17 de outubro de 2012

Vermelho.

vermelho cor de vinho
cor de sangue, cor de amor
vermelho estou usando
sem vergonha e nem pudor

vermelho é carinho
chamativo e condutor de calor
vermelho tem chama que inflama
com gosto de licor

vermelho da maçã
fruta doce, envenenada
traz na boca o sabor
de ternura apaixonada

vermelho inebria
incendeia e traz desejo
joga na cama e mata
mas termina com um beijo

vermelho por vermelho
é a cor da paixão
que aquece a alma
inventando dor ao coração

12 de outubro de 2012

Hoje sou.

Hoje sou tua música, teu cinema, teu esquema.
Hoje sou teu vício, teu gemido, teu latifúndio.
Hoje sou tua mania, teu recado, tua esfinge.
Hoje sou tua mantra, teu remédio, teu lençol.
Hoje sou tua cama, teu pijama, teu epigrama.
Hoje sou teu café, tua mesa, teu telefonema.
Hoje sou teu cigarro, tua droga, tua bebida. 
Hoje sou teu passado, teu futuro, menos teu presente.

7 de outubro de 2012

Mudez e nudez.

A noite naquele dia estava fria, escura e monótona. Saí de casa de casaco e com cigarro na boca pois senti que a noite me chamava para dentro de si, com aquele ar convidativo, com cheiro de intensidade e olhar de curiosidade. Pouco ou nenhum movimento encontrei nas esquinas que passei. O vento se escondia de vez em quando por algum tempo, mas voltava e se encontrava comigo pelas esquinas, me surpreendendo e me assustando. E foi esse mesmo vento, assustador, porém benigno, que me trouxe algo belo. Os cabelos eram laranjas, da cor do fogo e vieram dançando no bailado do vento, parecendo as ondas do mar. Naquele momento, eu queria entrar naquelas ondas cor de fogo e nadar até o lugar mais profundo que eu encontrasse. Parei naquela esquina, a mais escura pela qual passei e fiquei a observar aquele ser coberto de incêndio, vindo em minha direção, trazendo luz e calor para a minha solidão da noite. Parou na minha frente justamente no meu último trago e a fumaça ficou no ar, bem na frente dos nossos rostos. Quando se dissipou, a vi vestida de mudez e nudez. Tentei falar, mas ela não me respondia, apenas pegou na minha mão e foi me levando. Tinha um corpo magnífico, em traços e contornos quase perfeitos e uma pele que brilhava  muito, mesmo nas trevas daquela noite caliginosa. Quando dei por mim, ela estava cobrindo meu corpo com o seu, me fazendo deitar na relva de uma esquina que eu não conhecia até aquele instante. Senti que estava deitando num colchão de plumas, com um lençol macio de seda. Envolvi-me em seus beijos, em seus toques, no seu cheiro, naquele mar de fogo que quase me afogava. Minha pele ardia, queimava em contato com a pele dela, mas eu a consumia, enquanto ela me devorava cada vez mais. Suas unhas se enterravam nas minhas costas, rasgando e fazendo sangrar. O cheiro forte de sangue subia, mas estávamos distraídos, mergulhados em nossa libido. Fui até o fim, sangrando, ardendo, suando e me deleitando. Deitei ofegando na relva, consumido pelo fogo que aquele ser jogou em mim. Não me dei conta quando ela foi embora, pois logo depois que me virei não vi mais nenhum sinal de incêndio, de pele brilhosa, nada. Voltei para casa e minha noite se tornou quente, iluminada e agradável. 

29 de setembro de 2012

Tão mais, tão menos.

Está tão mais bonito.
Mais atraente. 
Mais distante. 
Está tão mais longe... das minhas mãos.
Está tão mais curioso.
Está tão menos presente.
Menos aberto. 
Menos falador.
Está tão menos sorridente. 
Tão menos sutil...

Está tão mais do mundo, mais da vida
e tão menos meu. Não meu.

23 de setembro de 2012

A encomenda.

Certo dia recebi uma encomenda bastante inusitada. Era um envelope não muito grande, de coloração rosa, com um conteúdo que muito me intrigou, mas me deixou com um grande volume nas calças. Era uma calcinha. Uma calcinha simples, branca, com um odor impecável, ou melhor dizendo, totalmente pecável. O destinatário era anônimo e aquilo me fez enlouquecer. Como poderia alguém me enviar uma calcinha sem nome? Não havia também nenhuma carta, nem recado. Só a calcinha e nada mais. De qualquer forma, parecia recente e eu fiquei saciado naquela noite, imaginando como seria minha destinatária. Claro, eu torcia para que não fosse apenas uma brincadeira de mal gosto, mas pensei bem e conclui ser difícil alguém ceder uma calcinha somente para este fim.
Passei dois dias louco de curiosidade e farejando cada vez mais a calcinha quando chegou outro envelope em minha casa. Era do mesmo tamanho que o anterior, porém a cor tinha mudado. Desta fez chegou um envelope vermelho e de dentro retirei outra calcinha: era preta. Preta, minha cor preferida em lingerie. E dessa vez não era simplesmente uma calcinha, era uma de fio dental. Dentro, encontrei um pedaço de papel, da mesma cor que o envelope, com letras em negrito dizendo: "Olá!" Fiquei pasmo, excitado, morrendo por dentro, cada vez mais, de desejo. O cheiro parecia mais forte e intenso. A minha destinatária queria me enlouquecer, era isso. Dormi com as duas perto de mim, imaginando que a destinatária secreta estivesse ali, do meu lado, me desejando, me querendo. Porém, passou-se uma semana, e nada de novo chegar, nem um cartão, nenhuma resposta.
Passei esses dias como um louco, olhando a cada momento minha caixa dos correios, procurando carteiros pela rua, não dormindo direito, achando que possivelmente uma nova encomenda poderia chegar a qualquer hora. E chegou. Lá estava um pacote menor que os anteriores, desta vez laranja. Tinha apenas um cartão amarelo, indicando um endereço e um horário. Minha surpresa não poderia ser maior: finalmente a minha destinatária queria me encontrar. Faltavam duas horas para o mais desejado encontro e eu estava bem mais que ansioso. Corri então para me arrumar e chegar no meu local de encontro bem magistral. Coloquei uma camisa branca e vesti uma calça preta, também fazendo o jogo da minha destinatária. Levei os envelopes, os cartões e as calcinhas no bolso. Não poderia, de maneira nenhuma, perder o endereço mais ansiado por mim.
Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um prédio antigo, mas muito bem cuidado. Disquei no interfone o número indicado e esperei. Alguém atendeu. Tinha uma voz majestosa, não perguntou nada, apenas disse para eu subir. A escada parecia infinita. A cada degrau que eu subia, eu estremecia. Não sabia o que me esperava, mas senti que era algo bom e fui ficando nervoso cada vez mais próximo do meu objetivo. Enfim, atingi o ponto máximo das escadarias: o apartamento da minha destinatária secreta. A porta estava aberta, o local além de aconchegante, tinha um cheiro bom, de incenso. Fui me guiando pelo aroma e cheguei até uma porta, que estava entreaberta. Para minha surpresa, dei de cara com duas mulheres deitadas na cama. Não era somente uma destinatária, mas duas. Duas mulheres lindas, uma de calcinha branca e a outra de calcinha preta. Eu não desejava mais nada, somente aquelas duas: a virgem e a viúva. 

29 de agosto de 2012

Abstinência.

Um, dois, quatro, seis meses. Não, um ano, um ano e meio, quem sabe. Na verdade, ela não sabia. Ela não contava. Preferia não fazê-lo, para não ficar frustrada lembrando de sua abstinência. Sabia, claro, que fazia muito tempo, mas só de pensar nesse tempo, ficava irritada, à flor da pele, como diriam algumas pessoas vendo seu estado. O sono não vinha pela noite e de manhã tinha de estar de pé. Resolveu então que acabaria com essa situação, terminaria com suas dúvidas quanto ao tempo de meses ou anos. Assim que uma nova noite surgiu no horizonte, preparou-se. Tomou seu banho completo, que não tomava há meses, anos, mas agora isso não estava mais importando. Decidiu não usar preto, muito menos vermelho. Achava dramático, chamativo demais e a denunciava. Saiu básica, sem exageros. Ela iria conseguir o que queria, independentemente do que estava usando. Passou por bares, boates, restaurantes, bebeu tipos de álcool possíveis, enquanto observava as pessoas que entravam e saiam do lugar. Fitava os dedos anelares, estes sempre ocupados. Voltou desolada, triste e impaciente. Pensou que o problema era sua roupa e prometeu a si mesma que ia melhorar isso na próxima vez. Quando chegou em seu prédio, o porteiro, um homem bonito e másculo, que tinha o anelar vazio, estava saindo de seu turno. Não conhecia aquele, ou ao menos não tinha reparado, mas arriscou chamá-lo para um café. E por que não? Nesta noite, não teve insônia. Dormiu bem, afinal. Não sentia mais irritação. E ao sair de casa, seu tempo estava em minutos, não mais em meses ou anos. Sorriu ao lembrar de sua noite e caminhou em direção ao ponto de ônibus.

21 de agosto de 2012

Quem?

Ele tem medo. Medo.
Medo de mim?
Ele tem medo.
Ele tem moda.
Ele não tem moda.
Ele não se importa.
Ele não se importa com a moda.
Nem com o medo. Ele não se importa com o medo.
Nem comigo, nem contigo, nem com ela ou até com ele mesmo.
Ele não se importa e nem se incomoda.
Ele vem e vai. Mas não volta atrás.
Ele puxa e solta. Ele não se revolta.
Ele fala, mas ele cala.
E cala, cala, cala, mas depois volta a sua fala.
Ele anda, para, anda. E some.
Ele usa, abusa, recusa e me deixa confusa.
Ele não se retrai, muito menos se contrai.
Ele emerge, nunca afunda. Nem num dia de segunda.
Ele ri e faz graça, quando bebe sua cachaça.
Ele desarruma, não se acostuma com a fumaça de sua espuma.
Ele é patético e desdenhoso até num dia chuvoso.
Ele não se cansa de bancar uma criança e sendo adulto, se mostra muito astuto.
Sua verdadeira face está escondida na melodia de um suicida.
Ele não morre, nem se decompõe.
Ele nasce, mas também se põe.

14 de agosto de 2012

Horizonte cardíaco.

O mundo é pequeno
E tem veneno
A linha reta do horizonte cardíaco.

Não há mais coração
Nem perdão
A linha reta do horizonte cardíaco.

Tentando reviver
Sem deixar adormecer
A linha reta do horizonte cardíaco.

Exauriram-se os batimentos
Entrando em estados sonolentos
A linha reta do horizonte cardíaco.

Já morreu
Logo que nasceu
A linha reta do horizonte cardíaco.
.

10 de agosto de 2012

A noite abrindo (e fechando) mentes.

Tem vez que falamos demais ou de menos. Penso demais e penso que é impossível falar tudo o que pensa e pensar tudo o que fala. Queria poder falar e pensar sobre tudo e nada ao mesmo tempo, mas o tempo é um lugar pequeno, e ouvidos e olhos não se encontram em qualquer espaço do tempo. Temos essa necessidade, de expor nossos sentimentos, pensamentos, sensações, experiências, mas não conseguimos tudo de uma vez, tudo para todos. Vou dizer que é impossível, por que o impossível existe sim. É tanta coisa, tanto tudo, tanta ideia e revolução que faz minha mente desequilibrar para baixo e voltar para cima, como uma gangorra em movimento. Tenho tão pouco do mundo, mas o mundo tem muito de mim.

7 de agosto de 2012

Dirty.

Ela passou a mão na minha bunda achando que estava certa. Peguei-a pelos braços e a empurrei com força na cama, jogando-a como um saco de batatas. Pronunciei com todas as sílabas: "sua vadia!" Sorriu ao me ouvir e disse que achava doce aquele modo de tratamento. Aquilo foi uma brecha para a sua insinuação e começou, dali mesmo, a me provocar. Não virei o rosto, encarei, como ela achou que eu não faria, mas fiz. Não fiquei duro, nem precisei me controlar; aquilo já não me estimulava mais. Com raiva e vergonha, bateu a porta na minha cara e foi dormir no sofá.

14 de julho de 2012

Reencontro.

Ela deitou em seu colo, fechou os olhos e pediu para que ele acariciasse seus cabelos. Uma sensação de infinito invadiu o corpo dela e era como se estivesse flutuando, como se o mundo ao redor não existisse. Não era uma nova sensação, ela já sentira outras vezes, outras muitas vezes, mas parecia uma sensação renovada, e de fato diferente, pois há tempos não sentia aquelas mãos pesadas sobre si. Os olhos dela continuavam fechados, mas sabia que os dele se mantinham sobre ela e por isso sorria, imaginando aqueles olhos brilhantes admirando a sua face serena. Não pronunciavam nenhuma palavra, aquele momento não precisava. Os toques bastavam. O barulho de suas respirações bastavam. Mas, em algum momento, foi como se se entregassem novamente a um antigo sentimento. A vontade de toques mais profundos surgiu e foi ele que iniciou, descendo a mão por sua cintura, chegando em suas pernas. Ela tinha suas vontades e acreditou que ele também, e esperava, ansiosa e um pouco ofegante, que ele a tocasse. Um beijo adocicado surgiu de repente, e ela o recebeu, surpresa, mas com uma retribuição incrível. Os corpos se tocaram novamente e ambos tremiam, de ânsia, de desejo, de carinho, e por que não?, de amor. Sentiram a pele, o calor, a energia, um do outro, e mesmo aquele instante passando rapidamente, transmitiu uma sensação de eternidade. E a julgar pelos olhares, ainda havia, sim, mesmo que pequena e remota, uma chama de amor.  

6 de julho de 2012

Três.

- E então, você vai ligar para ela?
- Tem certeza disso?
- Já pensei muito sobre isso e seus argumentos acabaram me convencendo. Então, eu tenho certeza!
- Tudo bem então, vou ligar.

Teresa sempre deve dúvidas quanto ao que pretendiam fazer, mas Tomas tinha um incrível poder de persuasão e ela por fim se deu por vencida pelas palavras do namorado. Meia hora depois do telefonema, o interfone toca e logo depois a campainha. Sabina chegou ao minúsculo apartamento de Tomas e Teresa num vestido amarelo queimado provocante, observando tudo ao seu redor. O casal estava sentado no sofá e havia certa tensão entre eles e Sabina não duvidava que seria assim, por isso, logo ao entrar no apartamento, tirou da sacola que trazia consigo um vinho importado. Era um grande início para a noite que pretendiam ter. 

Teresa já estava jogada no tapete da sala, com sua taça praticamente vazia, pedindo por mais vinho. Sabina se encontrava na varanda com Tomas, acariciando a nuca dele, entre uns beijos e outros, ao que Tomas respondeu com um beijo devorador em sua boca. Aquele panorama incentivou Teresa e ela mesma se levantou, encheu sua taça e bebeu o líquido de uma só vez e foi em direção à varanda para se juntar aos dois audaciosos. Sabina e Tomas ainda se beijavam quando Teresa entrou no ritmo deles, invadindo o beijo de maneira ousada. Após a entrada de Teresa, Sabina saiu de cena para observar os dois e aproveitou para fazer carícias duplas. Tomas então começou a acariciar o corpo de Teresa e foi abrindo sua blusa, enfiando a mão à procura dos seios da namorada. Vendo aquilo, Sabina, já excitada, foi se despindo, ali mesmo. Deixou seu vestido amarelo queimado provocante deslizar pelo seu corpo até cair no chão. Mais provocante ainda era a a lingerie que usava: preta, com rendas minuciosamente detalhadas. 


Em poucos minutos, os três já estavam no quarto, totalmente despidos, tanto de roupas, quanto de vergonha ou pudor. Beijos lésbicos foi o que mais aconteceu no início. Teresa, que nunca teve nenhum tipo de experiência como aquela, estava bastante excitada e empolgada com tudo aquilo que não largava a boca de Sabina. Tomas observava as duas se beijando e aproveitava para agradá-las com a boca, cada uma individualmente. Os gritos e os gemidos eram abafados pelos beijos ardentes das novas amantes. O ambiente ficava cada vez mais quente, os corpos cada vez mais molhados de suor, desejando os prazeres carnais, a luxúria, alimentando e aumentando a libido, o desejo e o anseio pelo corpo alheio. 


Fizeram de tudo o que podiam fazer entre quarto paredes e pela feição dos três ao se deitarem, um ao lado do outro, depois de três horas ativas, pode-se dizer que aquela foi a melhor e maior experiência que tiveram, até mesmo para Sabina, que já tinha se deitado com vários casais. O álcool já havia saído pelos poros deles, mas mesmo assim não sentiam mais vergonha daquilo. Estavam tranquilos, se sentiam bem e confortáveis diante daquela situação. Esgotados de todas as ações, optaram por dormir como estavam, nus. 


Ao acordar, Teresa sentiu uma dor de cabeça imensa, mas sorriu ao lembrar da noite que tiveram. Tomas dormia tranquilamente, com sua respiração pesada e alta. Não havia nenhum sinal de Sabina. Teresa procurou por todos os cantos, mas percebeu que ela não dormiu com eles. Era como se a presença de Sabina naquela noite não passasse de uma visão fantasmagórica, pois nem mesmo a garrafa de vinho ali se encontrava. Ainda exausta, porém despreocupada, Teresa voltou para a cama e se aninhou ao corpo nu de Tomas. Do outro lado da cidade, Sabina, em seu vestido amarelo queimado, sorria e se preparava para sua próxima noite. 

29 de junho de 2012

yours.



sei que você nunca mais será meu, mas eu estarei sempre pronta para ser sua novamente




four years, germany.

25 de junho de 2012

Leia-me.

Leia-me. Através dos meus olhos, olhando-os profundamente, encontrando o brilho e seu interior. Leia-me, observando meus passos, meu modo de caminhar, os passos que eu dou e meus modos bruscos de estagnar. Leia-me reparando em meus gestos, o que faço, o que fiz, o que deixo de fazer. Leia-me, enquanto eu estiver dormindo, enquanto eu estiver sonhando, perceba meus movimentos noturnos, meu jeito de deitar e me deixar entrar no mais profundo do mundo paralelo. Leia-me, quando meus cabelos voam e balançam com o vento, fazendo uma dança embalada pelo ar atmosférico. Leia-me, pelo suor que sai dos meus poros, escorrendo pela minha pele, à medida que os odores exalam do meu corpo. Leia-me, quando ouvir minha voz, atente a cada detalhe do meu tom, das minhas palavras e me ouça cantando uma canção qualquer. Leia-me, de ponta à cabeça, me devore, tire a minha roupa, explore cada detalhe meu, tudo o que puder encontrar em minhas entrelinhas, me tenha por inteira, sinta minha pulsação, ouça meu coração, sinta meu gosto, me cheire, me beije, me trague, me rasgue, me queime, me incendeie, me odeie, me ame. Mas lembre-se: não se pode ler alguém por completo. Nunca se lê ninguém por completo. Leia-me, mas saiba que suas interpretações não serão suficientes para me conhecer totalmente. Faça quantas quiser e quantas for possível. Você nunca deixará de ler. Ou deixará. Mas poderá voltar, sempre que quiser. Porém, você nunca vai me compreender, mesmo voltando, mesmo tentando enxergar além. Por que você nunca chegará ao final, você nunca saberá onde está o meu final.

16 de junho de 2012

Toda noite.


E toda noite é assim. Tenho tanto medo quando essa hora chega, cheia de mistérios, cheia de encantos e desencantos profundos, cheia de tons, mas ao mesmo tempo ausente de cores, de sensações, de bons pensamentos... E todo fim de noite algo, que não sei o que é, se desperta, como se se escondesse de dia propositalmente e escolhesse o momento mais inoportuno para aparecer. Há um grande buraco, um vazio em tudo, e eu não encontro respostas, não encontro nada que me faça entender o que é essa lacuna que não é preenchida. É um sentimento melancólico, triste e sensível. Não sei ao certo quando apareceu, até por que nem ao menos sei o que significa, do que faz parte, se está relacionado a algo ou a alguém. Só sei de sua existência e ele sempre chega na hora mais reflexiva do dia, onde tudo que está dentro do ser transborda e divaga pelo ar. É um daqueles questionamentos que não existe mesmo resolução, onde todas as interrogações são inúteis, onde nada leva a nada. Mas, quem sabe... Pode ser que em alguma dessas noites escuras, algo finalmente se ilumine e a resposta surja, sem ao menos uma pergunta. E eu vou esperar, toda noite, toda noite, mesmo que se demore, que esse vazio sem nome seja respondido e finalmente preenchido.

7 de junho de 2012

Harmonia.

A água estava geladinha, numa temperatura perfeita para um bom banho numa tarde de verão. As gotas d'água escorriam pela minha pele, como se apostassem corrida. Pareciam dançar pelo meu corpo, se esquivando das curvas e fugindo dos abismos. O tempo parava para mim na hora do banho. Não tinha pressa, me entregava totalmente àquele momento precioso do dia. Quase nunca interrompia e quando o fazia, meu mau humor se retirava das cavernas.

O celular tocou justamente na hora em que eu lavava meu cabelo. Se não fosse pelas dezenove vezes que ele tocou, eu não atenderia. Saí do banho, molhando o quarto todo à procura do maldito aparelho que insistia em me tirar do sério. Um número não identificado apareceu no visor. Já impaciente, atendi. "Quem é!?", perguntei. "Abre aqui, Samara, faz um tempão que estou tocando a campainha". Era Nico, o safado do Nico. Fiquei me perguntando o que ele estava fazendo na minha porta à essa hora. "Olha, Nico, você vai esperar, que eu estou no meio do meu precioso banho, ok?" Já ia desligar, quando teve a audácia de me responder: "Marinha, abre essa porta para eu entrar nesse meio também!" Era só o que me faltava. Dessa vez desliguei e voltei para o banho. Que ele ficasse esperando, oras!

Lá estava Nico, sentado no chão, com cara de retardado cansado quando eu abri a porta. Carregava alguma coisa na mão, uma sacola cheia de treco dentro que eu não tive trabalho de imaginar. "Olha só o que eu trouxe para gente, Marinha!" E mostrou o que tinha dentro na sacola. Uma garrafa de vinho importado, duas taças, que ele fez questão de dizer com todas as letras que eram de cristal, uma caixa de bombom de licor, uma bandeja de frios e uma carteira de cigarro. "Pra quê tudo isso, Nico? Estamos comemorando alguma coisa?" "Samara, você esqueceu que dia é hoje!?" Foi aí que me lembrei que era nosso aniversário de namoro.

Nico relevou meus esquecimentos. Mas é claro que tinha de aceitar. Depois de tudo o que aprontou, era o que estava precisando. E isso não era nem uma pitada do que merecia, mas mesmo assim resolvi esquecer e comemorar o nosso dia. Era o que ele fazia, toda vez que tínhamos uma briga: trazia mimos para acalmar a fera. Da última vez, trouxe um buquê de flores, bem ridículo, de umas flores mais ridículas ainda. O tonto esqueceu que eu era alérgica e quando jogou o buquê bem na minha cara quando abri a porta, o presenteei com um espirro na cara. Mereceu, ele sempre merece! 

Mas eu gostava demais de Nico e eu tinha certeza de que ele também correspondia aos meus sentimentos, apesar das besteiras que sempre fazia. Eu até que gostava, sabe, pois ele sempre vinha com seus mimos para me agradar. E quem é que não gosta de ser agradada? O vinho já estava gelado, "tudo no ponto", como Nico falou. Sentamos no tapete da sala, encostando no sofá. Nico tinha colocado uma música romântico no som, mesmo eu protestando. Não curtia muito esse tipo de clima romântico, acho brega e fora de moda, mas no fim gostei do que estava ouvindo e deixei a música tocar. E o engraçado foi que ele me puxou para dançar, quando tocou a que ele mais gostava. "Vamos, Marinha, é a minha preferida!" Só eu mesmo para aturar aquelas palhaçadas, mas acabei cedendo, como sempre costumo fazer. Dançamos com a taça na mão, já meio tontos, derramando vinho no tapete. Não me importei, eu até que estava me divertindo. E quando então a música parou, ele me lançou no tapete, daquele jeito que só ele sabia fazer, e me beijou profundamente, tirando minha roupa. E como sempre, me deixei levar naquele impulso de Nico.

2 de junho de 2012

Home (?)

Todo dia ele vem. Sim, a presença dele por aqui já não é mais uma novidade. De manhã cedo ou no começo da noite, ele passa por aqui. Vem sempre ver como estão as coisas, se está tudo em ordem, se falta algo e se sobra algo, também. Pergunta como vai tudo por aqui, se está tudo bem, tudo tranquilo, se está faltando algo e simplesmente vai embora. Muitas vezes chega com sacolas na mão, algumas compras para incrementar a geladeira semi vazia, como que afirmando que nada por aqui vai faltar (mas esquecendo que o que falta mesmo é a tal presença). São passagens rápidas, que nem posso chamar de visitas, visto que não chegam a durar nem mais que dez minutos. 
Seu antigo quarto virou depósito e ele finge ligar, mas não faz diferença, pois não é mais lá que ele dorme. Está sujo, cheio de poeira e o cheiro não é agradável. Para um quarto que antes era considerado o melhor lugar da casa, o mais aconchegante, atualmente não tem o mesmo valor. Coisas velhas são ali depositadas, quase sempre jogadas ao léu, não são nem guardadas, pois ali não tem móvel nenhum sequer. A janela, que sempre vivia aberta, agora se encontra fechada, por causa das estranhezas de certo habitante. Nada mais parece ser como era antes. A atmosfera do lar não é a mesma, tem um quê de melancolia, de tristeza, como um rádio quebrado, que sem determinada parte, não funciona corretamente. E era assim que a casa funcionava: de um jeito estranho, de um jeito incomum, de um jeito errado. 
Mas, de um jeito ou de outro, ainda há um pouco de vida neste lar, mesmo que pouco. A vida dentro dele não morreu, então continua sendo um lar, mesmo que diferente, mesmo sem a ambiência agradável de antes, mesmo sem aquela antiga harmonia, que era quebrada por briguinhas fúteis, mas que acabavam voltando ao normal. Havia a sensação de que, um dia, aquilo iria mudar novamente, só que desta vez, pra melhor. 

27 de maio de 2012

Sentindo. Sentido.

"Bom dia, boa tarde, boa noite, minha linda!" Sinto falta disso. Das mensagens, que eu recebia todo dia, em todos os horários possíveis. Estive pensando em tanta coisa para escrever, mas creio que metade dos meus pensamentos não estará neste texto. Tenho certo problema, sabe, em escrever meus pensamentos. Até por que eles passam por mim, se vão. Mas isso não quer dizer que não penso mais, que não sinto mais. Sei lá, é complicado dizer. Engraçado é que sempre que vou dormir, esses pensamentos vem à tona. É como dizem: é de noite que tudo faz sentido. Ou melhor, acho que não faz sentido, pelo menos pra mim. Não faz sentido eu ficar pensando em você toda vez que vou dormir. Mas o que fazer? Não controlo meus pensamentos, eles vêm sozinhos. Hoje é esta a minha insônia. Viro e mexo, mudo de posição, levando e deito novamente, mas não durmo. Digo, demoro a dormir. Tento não pensar, mas é complicado. Passo horas e finalmente durmo, mas quando acordo, lá está o pensamento de novo. Eu não escolhi assim, não queria que fosse assim, mas como eu disse, não controlo pensamentos, muito menos sentimentos, esses os quais você não acreditou e não acredita. Eu queria não pensar, queria não sentir, mas de fato penso, de fato sinto. E de fato, vêm aquelas lembranças, doces lembranças. Seu rosto liso, que eu adorava tocar. Seu sorriso, meio bobo, mas que ainda hoje admiro. Das noites que deitávamos juntos, do vento que vinha do mar que tocava nossos rostos, daquele frio na barriga. Foi tão pouco tempo, mas que significou tanto pra mim. Eu nunca consegui entender por que as pessoas passam pouco tempo juntos. Sempre acreditei em algo duradouro, não para uma vida inteira, até por que acho um tanto demais. Mas um tempo, mais do que alguns meses. E mesmo que não estivéssemos juntos de verdade, acreditei que passaríamos mais tempo. Isso só acontece quando há sentimentos, e creio que fiquei sozinha neste quesito. Acho que só existia meu sentimento, que ainda hoje existe. O problema é que você deixou indícios de que voltaria. Sim, você deixou. E eu acreditei nisso. Mas em poucos dias, você foi embora, logo depois de ter deixado esses indícios. Como pode, hein?  Eu tive que questionar para descobrir os motivos, estes que ainda não me são convincentes. Como tudo na vida um dia passa, acredito que esse meu sentimento vá passar. Foi uma pena eu não poder aproveitá-lo, por que foi tudo tão recente e terminou de repente, que eu não pude nem senti-lo direito. Queria ter um coração como o seu, que faz logo o esquecimento. Deixa estar, vou aqui guardar as minhas lembranças, de algo que, mesmo pouco, me foi importante. Minhas palavras e meus sentimentos, mesmo que vivos, não irão mudar, então só me resta deixar passar. Se esperança já não cabe mais em mim, procurarei outro sentimento que caiba, que se aloje e que me deixe em paz.

17 de maio de 2012

Relato de uma viagem.

Às duas da manhã o avião decolou. Era a primeira vez que eu estava voando. Tive sensações estranhas, mas não de nervosismo. Pelo contrário, estava mais calma do que imaginava que estaria. Meu coração não parecia bater. Procurava senti-lo, tocava-o com as mãos, mas não captava nenhum batimento. Vai ver eu estava tocando no lugar errado, vai ver ele tinha se deslocado para outro lugar do corpo, ou quem sabe, o seu lugar estava completamente vazio. Mas era como se eu soubesse que ele estava lá, e de fato estava. Minha mente me levava a acreditar e saber que estava lá, guardando e carregando coisas importantes. Sempre gostei de janelas, pois eu podia observar paisagens. Sentei-me então próxima a uma, mesmo sabendo que, naquele momento, não tivesse realmente uma paisagem para se apreciar. Mas eu via um céu diferente, extraordinário, incomum do que costumava ver. Um céu límpido, estrelado, mais do que o normal. Eu via estrelas, muitas estrelas. E era como se eu as enxergasse mais de perto, como se elas tivessem num quadro de parede, prontas para serem admiradas. Pareciam-me maiores, mais brilhantes e muito mais bonitas vendo daquele ângulo. Foi difícil dormir e na verdade, não o fiz. Cochilei algumas vezes, mas não encontrava posições confortáveis. Desejava que a hora passasse depressa, para acabar com a minha briga com a poltrona. Ao acordar de um cochilo, provavelmente de menos de cinco minutos, olho para a paisagem e me deparo com a lua, com um grande sorriso, como o do Gato de Cheshire. Não havia mais estrelas, mas a luz daquele satélite natural compensava o panorama. Achei que chegaria a ver o nascer do sol, ainda no ar, mas quando pousei, a cidade ainda se encontrava escura. Escura e cinza. O céu não era o mesmo que eu tinha visto horas antes. Ao sair do aeroporto, um vento gélido tocou meu rosto, de um modo suave. Entendi aquilo como as boas-vindas da cidade, mesmo querendo que fosse um sol forte que me tocasse a pele. Meu corpo tiritava, como se estivesse recebendo descarga elétrica. Então acendi um cigarro e fumei, enquanto esperava o ônibus que finalmente me levaria para o meu destino.

9 de maio de 2012

Myself se manifestando (ou eu, eu mesma e as crises).

O que há de errado, o que está acontecendo? Páginas em branco, cursor que não para de piscar. Espaços preenchidos e imediatamente apagados. Onde está, onde perdi? E como encontrar? Forço tanto tanto e não surge nada. Na realidade, surge sim. O problema está na forma que surge. Coisas estranhas, aleatórias e geralmente comuns. Não quero nada assim, quero algo novo, algo surpreendente, algo que eu sinta prazer e diga: agora sim, está quase perfeito (até por que não acredito em perfeição). Mas no caso, não consigo achar a 'quase perfeição'. Sumiu, simplesmente. Sinto que é preciso fazer alguma coisa para isso voltar e não é difícil, é fácil, eu gostava, digo, eu gosto. Por que não faço mais? Falta de tempo? Não, claro que não. Estímulo? Também não. Preguiça? Pode ser. E então, o que é que vai ser, hein? Vou voltar a ler!

1 de maio de 2012

A letter.

"Oi, meu amor, meu antigo amor, ex-amor. Bom dia, boa tarde, boa noite! Não sei a hora que você vai ler esta carta, então prefiro desejar todas as horas boas para você, já que quero sempre seu bem, sempre. Eu estou bem e creio que você também. Ouvi falarem de você por aí, sua vida está boa, tranquila e pelo visto, você está feliz. Eu também estou, meu amor, ex-amor, acredite. A vida me fez levantar, sabe? Mas hoje decidi te escrever esta carta para te dar uma notícia, que é boa, mas tem um lado ruim. Sabe, eu engravidei. Pois é! Vou ter meu bebê, aquele que eu sempre sonhei. Você lembra bem, não é? Tínhamos planos para um bebê, pensávamos em vários nomes, como ele ia ser, onde ia estudar, como ia ser o quarto dele. Lembro tão bem dos nossos planejamentos, dos nossos sonhos... É, meu amor, eu vou ter um bebê! Estou tão feliz com isso. Mas uma parte do meu coração não está e você bem sabe o por quê. Meu coração não completou a felicidade, pois o meu bebê, o meu lindo bebê não é seu. É claro que não é, não poderia ser seu, pois já faz um bom tempo que eu não vejo você, não é, meu amor? O que será que mudaria se ele fosse seu? Acho que não mudaria em nada. Quer dizer, por mais que eu não tivesse você em minha vida, ia ter pelo menos a tua presença, para ver nosso bebê, cuidar um pouco dele, me ajudar a criá-lo. Eu errei muito, sabe, e por causa disso vou ter meu bebê sozinha, mas vou dá todo meu amor a ele e vou cuidar dele como se fosse nosso, vou usar nossos planos para me manter firme, vou fazer de tudo para ser feliz ao lado dele. Ainda não sei se é menino ou menina, mas torço para que seja menino e se quer saber, darei seu nome a ele, mesmo não sendo fruto do nosso amor, nosso antigo amor. Ah meu amor, se você estivesse aqui comigo seria tão mais fácil... Mas não vou lamentar, vou me virar sozinha, até por que antes de você eu sabia fazer isso e não vai ser agora que vou me desestruturar. Sabe que eu sou forte, não é? E vou ser, por mim, por meu bebê. Meu amor, ex-amor, espero que um dia nós nos encontremos, para que eu possa ver como você está, para conversarmos, quem sabe tomar um café juntos. Espero que realmente esteja bem. Um beijo grande para você. Até algum dia."

22 de abril de 2012

Happiness.

essa sou eu. :)
Quem proporciona a felicidade a não ser nós mesmos? Vivemos num mundo tão cruel, onde atos e palavras nos ferem, nos agridem e nos tornam infelizes. Acontecimentos que nos colocam para baixo, tiram a paz e a razão de viver e ser feliz, como se deve ser. Descobri que ser feliz só depende de mim, só de mim. Não vou esperar para ser feliz, não vou esperar para me fazerem feliz. Eu vou ser feliz, independente de tudo e de todos. Vou fazer a minha própria felicidade, vou ser feliz da minha maneira. Pois só assim serei feliz de verdade, só assim deixarei de me abalar pelas coisas que não me fazem bem. Dizem que a felicidade está do nosso lado, é só saber enxergar. Portanto, vou abrir meus olhos, vou abrir minha mente e meu coração, vou abrir portas e deixar que coisas boas entrem e quando entrarem, irei fechar e jogar as chaves fora, para que nada de ruim entre e para que a felicidade não saia de mim.

10 de abril de 2012

Hug.


É que nos seus braços que eu me sentia mais segura.
Me acalentava e me dava a certeza do amor.
Eu encostava meu ouvido em seu peito e ouvia os batimentos cardíacos.
Aqueles que batiam por mim.
Mas que hoje não mais.


Nenhum abraço será igual ao seu.

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4 de abril de 2012

whywords.

Fui atrás delas. Faz tempo que não as encontro. Sumiram assim de mim e não se importaram em voltar. Não entendo o porquê, já que nos meus momentos solitários, eram elas que me faziam companhia, que me davam alegria. Fui atrás delas então. E procurei por todo canto. Embaixo da cama, em cima dos móveis, dentro da geladeira, no ar... Mas não as encontrei. Por onde andavam? Por que insistiam em me deixar só? Compreendi então que elas estavam me dando um tempo, tempo esse que achei longo demais. Mas isso eu não podia escolher. Elas também tinham as suas escolhas e nada que eu fizesse poderia mudar isso. Então, o que fazer? Ainda faço, que é esperar. Esperar que elas voltem para mim, que voltem com tudo, que voltem felizes e quando voltar, que se demorem a me deixar, pois eu sei que elas vão me deixar mais uma vez, mas sempre vão voltar.

22 de março de 2012

Dentro de mim.


 É tão gostoso recordar aquele dia. O nosso primeiro encontro. Seu rosto não tinha formas antes de te ver e era como se eu já o conhecesse, mesmo sem tê-lo visto, mesmo sem ter imaginado. O coração balançou, bateu forte quando você virou a esquina. Eu soube, naquele momento, que era você. Era o que eu esperava. Andamos até à praia, nosso cenário clichê ideal. E quando deitei pela primeira vez na areia, eu senti que podia eternizar aquele momento em minha memória. E eu eternizei. Está até hoje guardado em minha mente e em meu coração. Não preciso chorar quando lembro. Sinto falta, é claro, mas eu não choro. Sorrio, porque foi lindo, porque foi bom. E será eterno, dentro de mim. 



18 de março de 2012

Domingo, calor, domingo.

créditos: LaryssaQueiroz
O sono se fez breve. Coisa rara para quem costuma dormir muito. E era domingo, dia de dormir mais ainda. Mas na cama parecia ter formiga. Não aquela que incomoda, mas aquela que distrai. Vira e mexe, cinco da manhã, dorme e vira e mexe outra vez, oito da manhã. Não dorme mais, não com aquela visão. Chamativa, convidativa. Real. Calor de domingo, calor de sólidos. Transparência e transpiração no ar. Água doce, água gelada. Refrescância. Caminhada, sol e mais calor. Odores, sol, coqueiros, miragens e aquela sensação de alívio. Suco, suco doce, muito doce, porém gostoso, gelado, forte. Últimos minutos, ainda tem sol muito forte e o calor aumenta e mais caminhada. Está longe, está perto, está chegando e ainda são os últimos minutos. Agradecimento e um beijo de despedida. 

13 de março de 2012

E eu esperei...

Esperei você chegar ansiosamente. A hora parecia não passar enquanto eu procurava o que fazer. Me distraí com bobagens, mas por pouco tempo. Eu levantava diversas vezes da cadeira e sentava novamente. Uma inquietude se apossou de mim e eu já não aguentava mais. Por que você demora tanto, hein? Quando recebi a mensagem de que você logo mais chegaria, comecei a calcular o tempo, para ter uma noção de que horas você chegaria aqui. Sou dessas, sabe?
Enquanto os minutos passavam, pensei numa noite que te fiz uma pergunta e você não quis responder na hora. Ficou intrigado por que perguntei isso e pouco depois eu recebi uma mensagem sua no celular dizendo "sim". Olhei para você e senti aquele frio na barriga que senti várias vezes ao teu lado. Só que foi um frio mais intenso e creia, essa sensação confirmava também a minha resposta, mesmo sem você fazer pergunta qualquer.
Mas finalmente a espera acabou e você chegou com aquele sorriso cheio de pintinhas e eu não precisei mais ficar presa em meus pensamentos. 


...

12 de fevereiro de 2012

Conectados.

Ela chegou completamente suada em minha casa. O encontro foi marcado há uns dias atrás e eu estava esperando ansiosamente por esse dia. Eu tinha fome, ainda não havia almoçado. Mas minha fome só ela podia saciar e eu estava certo de que ela já sabia disso. Pediu-me uma toalha para tomar banho; queria ter seu corpo cheiroso para mim. Mas eu bem que a queria daquele jeito, com o corpo todo molhado. Enquanto eu saciava a minha falsa fome, ela tomava banho. Ouvi o barulho do chuveiro e desejei muito estar ali, mas ela preferiu se banhar sozinha naquele momento. Saiu vestida, com a mesma roupa suada que chegou. Pensei que sairia de toalha para me provocar, mas não, estava ela quase totalmente igual quando chegou, só que bem mais provocante, com seus cabelos molhados. Trocamos olhares demorados, ela parecia querer me provocar ainda mais. Sentou em meu colo e beijou minha orelha. Um arrepio correu pelo meu corpo todo. Retribui o gesto e ela se contorcia enquanto se arrepiava. Eu adorava vê-la assim; me excitava rapidamente, me fazia querer tê-la o quanto antes. Mas ela não parecia ter pressa. Então a despi, tirei peça por peça, devagar, como ela queria. E ela fez o mesmo comigo, me despindo todo. Quando estávamos completamente nus, percorri todo o corpo dela, alterando entre toques e beijos. Sua respiração ofegava a cada toque, a cada beijo meu. Me repelia e me puxava ao mesmo tempo, sempre indicando para onde eu deveria ir. Eu não podia mais esperar, não naquele estado de êxtase em que nos encontrávamos. Levei-a nos meus braços e a coloquei em minha cama. Sua expressão facial me fazia um pedido e eu não precisei pensar duas vezes para poder entender. Conectamos-nos, à luz do dia, enquanto o tempo passava lá fora. Nossa pele ardia e o atrito parecia magnético. Mas num determinado momento nossos corpos desfaleceram e repousaram lado a lado. Horas depois eu estava só novamente e um único pensamento vagava em minha mente: Que os dias passem rápido para eu tê-la novamente em minha cama.

7 de fevereiro de 2012

Le temps détruit tout.



Em seis meses ele voltaria. A viagem seria curta. O tempo, esse que corre, correria ainda mais, para não angustiar o coração de quem ama. Vai passar rápido, você vai ver, uns diziam, tentando confortá-la. Mas ninguém queria estar em seu lugar, ninguém queria passar por esse sofrimento. Todos a entendia, é claro, mas tentavam afugentá-la da dor e da tristeza. Ela trancava-se em seu quarto, não queria ver ninguém; chorava só. A melancolia se esvaia através de seus poros, inundando todo o ambiente, fazendo-a afogar-se. Ela sabia que o tempo pararia, que andaria devagar, como se não tivesse pressa de passar, como se quisesse aumentar o sofrimento, retardar ainda mais a volta daquele a quem tanto tinha apreço, a quem tanto amava. Por noites, se jogava na bebida, sozinha ou em companhias amigas. Com o álcool lhe correndo as veias, não pensava mais em nada; ou na verdade, não queria pensar. Dormia em camas desconhecidas e quando acordava o arrependimento encontrava sua porta. Não queria mais isso, não queria mais nada; somente que o tempo passasse. E depressa. E o tempo passou. Seu coração vibrava agitado. O sorriso lhe voltou à boca. O abraço foi o mais demorado possível. O beijo acalentador, grudado. Os dias pareciam correr bem e o amor o mesmo de antes. Porém algo mudou. Nada se sabe. E simplesmente o amor não era o mesmo de antes. Por todo esse tempo, nunca foi. Perdeu-se no tempo, ficou preso em algum lugar. Não se podia achar. E o que ficou no tempo nunca mais voltou.




saudade daqui. voltarei e responderei aos comentários assim que puder. :*

23 de janeiro de 2012

Imperativos.


Não preciso que me digam o que deve ser feito. Não me servem. Eu não gosto deles.

17 de janeiro de 2012

A noite e meu último cigarro.


A noite estava tão agradável... Decidi fumar, o meu último cigarro. A minha janela era estreita, mas sou pequena, então, ali era o lugar perfeito. Coloquei uma almofada redonda, colorida e sentei. Foi difícil me posicionar, mas como eu disse, sou pequena. Consegui uma posição boa, confortável. O céu estava com nuvens, mas não chovia. A brisa me tocava com delicadeza. Que sensação boa eu estava sentindo. Acendi o cigarro, o último que tinha sobrado de uma festa. Sorte a minha. Traguei devagar, para durar mais. As cinzas caiam sozinhas, tinham paciência por estarem ali. Senti umas gotas de água e me deixei molhar, por um tempo. As nuvens não estavam ali para me expulsar, estavam me dando boas vindas. Senti-me tonta e era aquela tontura que eu estava precisando. Olhei para o céu e algumas estrelas sorriam para mim. As poucas estrelas que se encontravam nas pequenas partes do céu que não estava coberta pelas nuvens. Eu não via a lua, mas eu sabia que ela estava ali. Iluminou todo o meu quintal. Eu gostava de ver aquilo, eu gostei de estar onde eu estava. O galo cantava e eram só três horas da manhã. Acho que ele também estava me dando boas vindas. Que noite inspirável. E eu estava só, completamente só. Foi aí que descobri que é possível ser feliz sozinho, por uma noite. Não precisei ter ninguém ao meu lado para me sentir bem. Eu estava bem comigo. Com a noite e com meu último cigarro. Sem ninguém para atrapalhar. Eu poderia passar o resto da minha vida assim, sentada na minha estreita janela e fumando mil últimos cigarros. O céu se abriu para mim e eu sorri, em agradecimento. Tudo tão calmo e tão silencioso. Eu era invisível e me senti infinito, como Charlie.  





two years blogging. same day, same time. and i don't feel that fear.

11 de janeiro de 2012

Hüpnoos.

A madrugada é vazia, solitária. Nada ouço. Limpo os ouvidos; nada ouço novamente. O escuro se aprofunda cada vez mais, escondendo-me coisas. A madrugada é uma ótima casa. Sinto-me à vontade, respiro um ar calmo, porém denso. Não me importa. Na prateleira, ao longe, pequenos blocos de páginas enchem meus olhos de encanto, me chamam, me convidam para entrar. Sou atraída pelo som, pelo cheiro, pelo sabor. Encontro-me em um corredor, longo e estreito. Vejo uma pequena iluminação em seu final. O convite ainda está feito e estou caminhando, em direção a eles. Meus passos são calmos, cautelosos. Algo me diz que abaixo de mim se encontra o fim. Quanto mais ando, mais o caminho se alonga. O convite ainda está de pé, eu quero encontrá-los. Incomodo-me com a demora, com a distância. Peço que venham até mim. Negam-se. Procuro desistir, mas o caminho atrás de mim não mais existe. O escuro o engoliu, trancou tudo o que eu tinha. O chão começa a tremer. O fim está abaixo de mim. Quebram-se em toras as madeiras. Tento correr, mas sou sugada, pelo escuro, pelo fim. A madrugada é vazia, solitária. Nada ouço. Os devaneios caem em letargia.

4 de janeiro de 2012

Eu só queria que alguém me amasse.

Nasci na rua e até hoje permaneço nesse caos interminável. A vida aqui é muito difícil. Tenho que sair do meu abrigo, o pequeno e único abrigo que tenho, para procurar comida. É complicado, pois às vezes volto para o meu cantinho sem nada. Observo as pessoas ao meu redor quando saio na rua, mas todas elas fingem não me ver. Sorrio para elas, mas é como se meu sorriso não contagiassem essas pessoas, que passam apresadas, com medo de ser atacadas. Ainda não consigo entender por que são assim, por que não me querem. É difícil, muito difícil para mim.
Hoje escapei de um tormento, como várias vezes escapei. Tive sorte, como sempre, mas não sei até quando essa sorte vai andar ao meu lado. Já briguei muitas vezes, saí arranhado, todo quebrado, mas me curei, sozinho. Tenho marcas, é claro, marcas que carregarei por toda a minha vida. Outras vezes escapei de acidentes trágicos, como atropelamentos e cair de uma ponte. Foi duro para mim ter de sair do abrigo depois desses acontecimentos; eu tinha medo de passar por isso mais uma vez.
Tive um amor. Encontrei-a em outro abrigo, na mesma situação que a minha. Era linda! Seus olhos brilhavam tanto e seu sorriso me dava esperanças. Mas ela não teve a mesma sorte que eu. Vi quando ela foi tentar pegar comida para nós e ser levada, abaixo de murros, tapas e choques. Deveria ser eu no lugar dela. Sempre teimou em buscar comida e eu nunca deixei. Não sei se ela ainda está viva...
Não tenho amigos. Vejo grupos se formarem, mas ninguém me aceita. É que eu tenho pulgas e eles não gostam, não querem pegar. As pulgas são minhas únicas companhias e elas nem sequer são minhas amigas. Sugam todo meu sangue e toda a minha energia, mas eu não me dou por vencido. Não são elas que vão me fazer morrer.
Eu só queria que alguém me amasse, me adotasse e me desse um lar. Já sofri bastante aqui na rua e queria ter um dono. Alguém que me desse amor, carinho, um lar quentinho, comida e água. Que cortasse meus pêlos e minhas unhas quando estivessem grandes, que me levasse para passear pelo parque para conhecer amigos. Não é pedir muito, sei que não é, pois eu vejo outros por aí com seus donos, sorrindo e esbanjando felicidade. Mas eu tenho esperanças. Um dia eu sei que alguém vai me querer e levar para casa e cuidar de mim. 





A todos os cães que vivem na rua e não conhecem o amor.