27 de novembro de 2011


Preciso de coisas inoxidáveis, pois não aguento mais ferrugens.

20 de novembro de 2011

Monologando.

Meu sonho é me tornar escritora. Sim, escritora de verdade, de livros. Não, não estou menosprezando nós, blogueiros, mas é que quero algo mais físico, palpável, mais real. Tenho tantas ideias que, pensando bem, poderiam se sair ótimas em um livro. O problema é saber desenvolvê-las bem. Mas isto está complicado para mim ultimamente. Li em um livro dedicado a jovens escritores que, para ser um escritor, você deve ler bastante. É exatamente isso que estou fazendo, mas parece que quanto mais eu leio, mas eu perco meu desenvolvimento. Não que eu perca minha vontade. Como já escrevi há um tempo, eu sempre tenho vontade de escrever. O problema mesmo é no desenvolvimento e isso acaba me puxando para baixo, deixando de lado minhas ideias e nunca tentando desenvolvê-las. Outro problema está também na revisão dos textos. Quer dizer, não é outro problema, é um problema a parte que resolvi puxar para a minha discussão solitária. Eu quase nunca reviso meus textos. No começo eu revisava, mas hoje não sei por que não consigo mais fazer isso. Eu adoro ler meus textos depois que escrevo, mas acho que eu não consigo enxergar meus erros porque eu fico admirada com o que escrevo (que não é lá essas coisas, mas eu sinto orgulho quando consigo terminar algo que comecei). Por exemplo, deve ter uns erros aqui em cima, ou encima (eu nunca sei qual é o certo e estou com preguiça de procurar), mas eu não vou reler dessa vez para consertar. Voltando ao início, eu quero escrever um livro. Um livro não, uns dois, três, quatro... Mas livros bons, livros que interessem o leitor, que façam com que o leitor entre e faça parte da história, assim como acontece comigo. Mas, se eu só pudesse só escrever um livro, eu escrevia um livro para ela, em homenagem à ela. É por isso que tenho essa vontade. Às vezes me pego pensando como seria o livro, a capa, as páginas e o conteúdo. Seria lindo passar numa livraria e vê-lo numa estante. Eu só preciso saber organizar as ideias e por em prática. Só. Não é fácil, é claro, mas eu sinto que tenho capacidade. Eu sei que antes de morrer eu vou escrever um livro. É de certeza, sabe?

é divertido falar só. mas eu sei que alguém vai me ouvir.

15 de novembro de 2011

Aqueles lindos lábios vermelhos.


Acho que nunca cheguei a vê-la completamente. Ela me atraia de tal maneira que chegava a me hipnotizar. Era a sua boca, pintada de vermelho, o meu imã. Eu, polo positivo, ela negativo. A atração era má, insinuosa, provocante. Por vezes eu via closes do seu corpo, do seu cabelo, mas nunca completamente. Aqueles lábios flamejantes me tiravam toda a atenção, me tiravam o sono. Ao longe, eu já sentia a presença dela. Parecia que deixava rastros quando passava. Os lábios me seduziam, me inebriavam e era como se só eles existissem. Eu não enxergava nada ao redor. Fiquei fascinado por aqueles lábios, cor de morango, cor da paixão. A cada movimento, meu corpo estremecia. Era como se os lábios estivesse me chamando, como se uma atração magnética realmente existisse entre nós dois. E quando os lábios esboçavam um sorriso vinho, uma corrente elétrica passava por todo o meu corpo, provocando um grande e demorado arrepio. Não pensava mais em nada, não queria mais nada. Somente admirá-la, olhar aquela boca e a desejar sempre mais. Passei a viver em função daqueles lábios. Sonhava a todo tempo em que minuto, hora, dia, eu os tocaria. Precisava senti-los nos meus. E quando eu não podia mais vê-los, qualquer outra coisa me remetia a eles. A minha mente projetava uma linda imagem deles sorrindo, se movimentando lentamentem, e meu coração disparava à velocidade da luz só de lembrar de como eram belos, de como eram sedutores, de como eram perfeitos. Eu não podia esquecê-los, eu não podia deixar de vê-los, eu os queria só para mim. E consegui. Aproximei-me, olhei-os de perto, senti seu cheiro e finalmente senti seu gosto. Juntei os meus lábios com os dela, aquilo que eu tanto desejei. Entrei em êxtase naquele momento e me senti completamente entregue àqueles lindos lábios vermelhos.

6 de novembro de 2011

Constantes.

Em um dia, um dia inteiro, pode acontecer de tudo ou simplesmente não acontecer nada. O dia pode estar parado, tedioso e nada de surpreendente parece que vai acontecer. Mas têm dias que tudo, até o impossível, pode acontecer. Coisas inimagináveis acontecem e nos acontece, quando o destino trabalha. Às vezes o destino cede o lugar ao acaso, que cede à coincidência, que cede à sorte. Todos trabalham, mas separados. Alguns se juntam, quando um está de férias. Mas acho que no dia em que o tudo aconteceu, o destino, o acaso, a coincidência e a sorte trabalharam juntos, a favor de algo que eles mesmos fizeram acontecer.

Eu nunca saí de casa sem minha camisa xadrez de botão, minha mochila amarela florida e meu tênis listrado. Sei que xadrez, florido e listrado não combinam, mas sempre gostei de ir contra à moda, ou a favor dela, já que uns dizem que é fashion não combinar em nada. De qualquer forma, eu não ligava muito para isso, já que a moda não era o meu campo favorito. Se assim eu me sentia bem, era assim que eu ia sair. Devo ressaltar que eu usava blusas simples, de uma só cor, por baixo da camisa xadrez, para não exagerar tanto. Podem até parecer informações irrelevantes, porém eu sou muito atenta a detalhes, então descrever minha roupa naquele dia é meio que indispensável.

Lugar certo para ir eu não tinha. Saí de casa em busca de inspirações fotográficas para a minha exposição, que estava escassa. Modéstia aparte, eu fotografava muito bem e eram detalhes que poucas pessoas ou até ninguém poderia notar (isso explica minha fixação por detalhes). Minha câmera não era profissional, mesmo assim o foco dela era incrível. Os mínimos detalhes apareciam nas minhas fotos e todo mundo se impressionava quando eu falava que minha câmera era uma simples digital.

Caminhei por ruas arborizadas a fim de evitar a luz forte do sol. E eram nessas ruas que os meus detalhes estavam. Uma campainha quebrada, um lápis de cor no asfalto, um pedaço de tecido agarrado em um galho, uma flor azul no meio de flores brancas, um sapato de criança pendurado na janela e o que mais me intrigou: um chaveiro de um gato preto de coleira no pescoço com o número treze. O chaveiro estava à beira de cair num bueiro, e eu aproveitei aquela chance e fotografei. Dei meia volta e fui andando em direção contrária ao chaveiro , observando sua imagem em minha câmera. Fiquei me perguntando o que um chaveiro como aquele fazia ali. Provavelmente o dono tentou jogá-lo fora, por conter duas imagens de azar em um só objeto. Será que aquele chaveiro duplicava o azar? Não pensei duas vezes, voltei e o peguei. Limpei em minha camisa e o guardei no bolso externo, que ficava na altura do peito. Eu não era supersticiosa e não tinha medo de gato preto, muito menos do número treze. Além do mais, era bonito e eu estava precisando realmente de um.

Estava escurecendo quando notei que tinha andado muito. Fui parar no centro e aproveitei para jantar por ali mesmo. O cheiro de pão de uma padaria próxima de onde eu estava me chamou a atenção. Fui flutuando, como em desenhos, até aquela padaria. Logo na entrada, tinha um tapete, no qual eu quase tropecei, por conta do cadarço solto do tênis. Entrei rapidamente, sem sequer colocar o tapete no lugar. A padaria estava lotada, mas consegui um lugar ao lado de duas senhoras. Coloquei minha bolsa no banco vazio que se encontrava à minha direita. Olhei o cardápio simples, porém interessantíssimo e pedi um suco de abacaxi, sopa e torradas. Enquanto esperava pelo jantar, fotografei algumas imagens, dessa vez pouco atenta aos detalhes. Fotografei alguns rostos, alguns corpos, alguns gestos, mas fui logo interrompida pela garçonete que colocou a bandeja de comida na minha frente, indelicadamente.

Guardei a câmera na bolsa e comi tranquilamente, saboreando cada gole, cada colherada, cada mordida de minha refeição e ainda ouvindo conversas sobre maridos. Mas quando eu estava me levantamento para pagar a conta, um delinqüente entrou na padaria anunciando um assalto. Eu fiquei estatelada, e as duas senhoras que estavam na minha frente ficaram apavoradas, e seus olhos se arregalaram quando viram a arma na mão do bandido. O barulho, que antes dominava todo aquele ambiente, foi substituído por um silêncio tenso. O bandido foi até o caixa e mandou que a operadora colocasse todo o dinheiro dentro de uma sacola plástica, enquanto passava pelo balcão comendo tudo o que via pela frente. Eu estava próxima a porta e resolvi me levantar, com medo que ele resolvesse roubar a todos; eu não queria perder minha câmera, muito menos minhas fotografias. Quando me levantei, o botão da minha camisa xadrez enganchou na cadeira e derrubei o copo de suco - que estava pela metade – em cima da minha bolsa e o líquido começou a escorrer pelo chão. Eu tentei desenganchar minha camisa, mas foram tentativas frustradas. O bandido virou-se e me viu em pé e caminhou em minha direção. Foi aí que o destino, o acaso, a coincidência e a sorte entraram em ação e começaram a trabalhar em conjunto. Quando chegou perto de mim, ele escorregou no suco que eu havia derramado e disparou, no meio do susto, a sua arma. A bala me atingiu e eu fui lançada para trás, caindo no chão e levando a cadeira comigo, por causa de minha camisa presa. Rapidamente, o bandido se levantou, e correu em direção à porta, mas escorregou novamente no tapete que eu tinha tropeçado. Foi de cara ao chão e sua arma voou longe. Por um acaso, um carro de polícia estava passando na frente e viu toda cena acontecer. Os policiais desceram do carro, prenderam o bandido em flagrante e o levaram preso. Por outro acaso, aquele era o bandido que estava assaltando todo o bairro e sendo procurado há meses.

E o que aconteceu comigo? O destino preparou todo esse acontecimento, fazendo com que eu saísse pelas ruas a fim de fotografar; a coincidência fez com que a blusa enganchasse na cadeira no mesmo momento em que o suco caiu e escorreu pelo chão e a sorte fez com que eu achasse o chaveiro do gato preto do número treze. A bala que me atingiu, apesar de ter me lançado ao chão, não atravessou meu corpo, ela simplesmente atingiu o chaveiro, que mais parecia um colete à prova de balas. Foi aquele chaveiro, com os símbolos do azar, que me deixou viva. Foi aí que eu cheguei a uma conclusão (equivocada ou não) que, em conjunto, dois símbolos do azar se excluem mutuamente e resultam em sorte, pois só assim para explicar como o chaveiro havia me salvado.

E eu me pergunto, quando e como o destino, o acaso, a coincidência e a sorte começaram a trabalhar juntos? Eu nunca encontrei a resposta e também nunca mais os encontrei trabalhando juntos. Aquela foi a única vez que eles se dispuseram a trabalhar unidos e ainda mais em favor da minha vida. Esse dia, apesar de surpreendente e traumático, vai ficar na minha memória, pois quatro seres abstratos me salvaram a pele.