5 de setembro de 2011

Não te leva a lugar nenhum.

Ah, é fácil falar do sol. Vou compor uma poesia:
"O sol, seus raios
Iluminam meu viver
E com seu calor
Não me faz sofrer..."
e por aí vai. É fácil falar das flores, oh, da terra úmida quando chove, dos pássaros cantando, das ondas do mar em seu vai-e-vem, do sorriso de uma criança, oh como é bela a paisagem no horizonte, oh, o céu, em seu crepúsculo, como é lindo aqueles raios coloridos que riscam o céu. É fácil falar da simplicidade dos objetos, dos gestos, dos manifestos. Oh, que deslumbrante, que fascinante é aquele vaso, aquele vaso chinês, em seu formato perfeito-imperfeito, com seus desenhos e pinturas e riscos e arte e escultura e oh, que mimo, como eu aprecio coisa cara. Oh o dinheiro. Que invenção mais perfeita é o dinheiro. Oh se ele não existisse, oh eu não viveria. Eu posso ter tudo o que eu quero, eu posso ter tudo o que eu posso, eu posso ter tudo o que eu posso querer, eu posso ter tudo o que eu posso querer ter. Oh que alegria, a alegria de viver. A alegria de pular de alegria e sorrir de alegria e chorar de alegria e festejar em prol da alegria. A manifestação do mundo, mani-festação, manif-estação. Oh, as estações do ano. Verão, outono, inverno, primavera. O outono, a estação melancolia, a estação melancia, a estação melão, a estação melanina, estação melada, estação do mel, mel, mel. As folhas envelhecidas, as frutas que não nascem, o vento que sopra frio. E que aconchegante é sentar na varanda, e ler num dia claro e confortável, oh. E como é encantadora e fascinante a vida. A vida é simples, simplicidade, naturalidade, ingenuidade, sinceridade. As pequenas coisas que somadas se tornam grande coisas. Como são bonitas as formas, as fórmulas, as fórmulas matemáticas, a trigonometria, seno, cosseno, tangente, equação do primeiro grau, a física, a velocidade, o tempo, o tempo que não existe ou existe de forma espiritual, marginal, intelectual, o empuxo, a mecânica, a física quântica, a altura, o eletromagnetismo da terra, a força que puxa para baixo, a gravidade, a gravidez, e a vida volta. E a vida vai, a morte toma seu lugar, a morte morrida, a morte matada, a morte arranjada, a morte combinada, combinação de números, a matemática novamente, nova, novíssima, novidade. A coerência, a coesão, a consistência, a consciência, o apreço, o desprezo, o menosprezo, menosprezar, respeitar, desrespeitar. Ar, er, ir, or, ur, as conjugações verbais, mas verbo em ur não existe, dizem os gramáticos, os pragmáticos, os problemáticos. Oh, os problemas, eles acabam, mas nunca se resolvem.

6 comentários:

  1. As construções gigantes impressionam, mas são os pequenos gestos que trazem a paz! abraços e boa semana

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  2. Gostei imenso desse teu texto... é tao facil falar de tudo... sentir, penso, é mais "complicado". Uma semana cheia de sorrisos e dias floridos pra vc! :*

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  3. Um homem perguntaria simplesmente se tu tá de TPM, né?

    Rs

    Ah, os homens...Eles também me inspiram poeminhas bobos. ;)

    Um beijo.

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  4. A vida constante nesse vai e vem. Sempre volta, sempre vai. Realmente, tudo constante.

    Um toque poético. Gostei muito, um beijo.

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  5. Eu comecei a ler meio "confusa", e terminei encantada. Simples e complexo, claro e detalhado. Parabéns, Laura, como sempre fez um maravilhoso trabalho! *-* Amei!

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