7 de setembro de 2011

Aquele triste dia.

Hoje é feriado, mas isso pouco me importa. O que vim aqui para contar é uma triste e verdadeira história que passei e, por mais que ainda seja recente, não consigo para de pensar. Mas para contá-la, prefiro fazê-la do início, para entendimento de todos.

Estávamos eu e uns amigos, depois da aula, indo para um bar ao redor da faculdade. Costumamos passar pela roleta, que é a entrada precária que a faculdade fornece como acesso, mas nesse dia, decidimos ir por uma abertura das grades que cercam o campus, só por ficar um pouco mais perto de onde queríamos chegar. Não poderíamos chamar aquilo nem de entrada, nem de saída, é apenas uma abertura que a maioria dos alunos utiliza como acesso. E como fazemos parte da maioria, geralmente passamos por lá. É estreita, mas mesmo assim, todos conseguem passar. Então, a passar por essa abertura, avistamos um cãozinho, deitado entre palhas, matos e pedaços de roupas velhas. Nesse dia tinha chovido, mas a chuva já havia cessado e notamos que o cãozinho estava molhado, tremendo de frio e muito, mais muito magro. Olhamos para ele com uma pena tão grande e sem saber o que fazer para ajudá-lo. Ele estava fraco, com a aparência muito triste e eu digo que, pelo olhar dele, estava chorando. Eu senti isso e ainda sinto até hoje que aquele olhar era de uma tristeza imensa que carregava em seu ser (nesta parte da escrita, minhas mãos tremem). Perguntei se alguém tinha comida, algo que pudesse alimentar o cãozinho. Uma amiga tinha um salgadinho e jogou um pouco perto dele, mas ele nem sequer cheirou a comida. Dava para ver que ele não tinha forças nem para mastigar e que, como estava muito magro e fraco, provavelmente fazia tempo que não comia e quando isso acontece, mesmo que tenha fome e comida, ele não conseguiria. Não tínhamos ideia do que fazer com aquele cãozinho e então deixamos ele lá, junto com a sua sorte. Meu coração doeu quando eu fui andando e virei as costas para aquele ser tão indefeso, tão fraco, tão só. E eu olhei para trás e ele nos olhava, com aquela mesma carinha de triste que encontramos (nesta parte da escrita, meus olhos lacrimejam). Chegamos ao bar e contamos o que vimos. Eu ainda estava incomodada com a nossa anti-atitude. Sei que, depois desse dia, não mais fomos no bar, não mais passamos por ali. Mas ontem, quando eu passei por lá com uma amiga, vimos o que já imaginávamos. Não preciso nem descrever, pois vocês já imaginam, assim como eu imaginei. E aí meu coração doeu mais ainda. Doeu por que eu me senti a responsável de deixar que a sorte levasse aquele cãozinho. Doeu por que eu nada fiz, virei as costas para aquele ser inofensivo, aquele ser que não tinha como se cuidar, como se defender das leis da natureza ou outro ser que pudesse ajudá-lo. O arrependimento tomou conta de mim e eu preferia não ter visto nem ontem e nem no dia que o encontramos ainda com vida. Digo isso por que há sofrimento dentro de mim. Mas eu ainda penso: outras pessoas passaram por ali, e provavelmente viram o cãozinho. Assim como nós, essas outras pessoas não fizeram nada por ele. Assim como nós, essas pessoas viraram a cara para ele, deixando a sorte ao seu lado.

Vou dizer uma coisa que eu sinto... Eu sinto mais pena de ver um cãozinho, assim como esse que eu vi, sozinho à própria sorte, que ver um ser humano. O ser humano é tão vil, que não é digno de pena, assim como eu. O ser humano pode se defender, a vida, digamos, é mais fácil para ele, se for comparar com a vida de um animal. O animal vive sozinho, mas o ser humano não.

Se um dia alguém encontrar um animal assim como eu encontrei, por favor, não vire as costas, não faça o que eu fiz. Poupe a vida dele e sinta-se feliz por ter tirado este ser de seu terrível destino.

10 comentários:

  1. Deve de ter sido muito difícil para ti. Eu amo os animais. Não sei se eu tivesse no teu lugar se agiria de maneira diferente mas isso foi uma cena muito marcante. Os animais são indefesos. Tenho muita pena que ele tenha tido um fim tão triste. Sabe-se lá, como foi a sua vida, se sofreu maus tratos, se foi abandonado por quem amava... É triste. É mais fácil ignorar do que tomar uma atitude. Não te estou a julgar mas certamente que a próxima vez que te deparares com uma situação semelhante, vais pensar duas vezes. =)
    beijinhos**

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  2. OLÁ,

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  3. Eu ja passei por isso, a gente se sente culpada, a consciencia pesa, mas o tempo não pode voltar, porém fica como lição de vida, sempre fazer aquilo que está a nosso alcançe . bjin ;*

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  4. Tenha um ótimo feriadão para você, ;*
    Beijos !

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  5. Olha, quando você citou "nesta parte da escrita, minhas mãos tremem", eu já estava com os olhos lacrimejados, imagine ao final.
    Enfim. Todos os dias nos deparamos com cenas como essas que passam muitas vezes despercebidas aos nossos olhos vendados à realidade da sociedade.
    Mas, não sinta-se culpada. Qualquer um pode ver com esse seu texto (lindo, por sinal), que há um arrependimento e com ele, um aprendizado. E isso vale mais que tudo.
    É bem triste, mas com toda certeza, sei que da próxima vez... Você, eu ou qualquer um que ler isso, tomará a atitude certa!
    Fique bem e mantenha a paz em seu coração! ;)
    Um abraço!

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  6. Eu acredito que nada é por acaso e que os sinais de Deus nem sempre são claros e diretos. Naquele dia não havia nada que tu pudesse fazer de fato pelo cão, como levá-lo pra casa, penso, mas algo em ti se modificou e certamente as tuas atitudes em outras situações serão diferentes a partir de agora.

    É a minha visão das coisas.

    Um beijo. Não chora mais, tá bem?

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  7. Que triste.. me emocionei mt, amo animais, amo cachorros! E tb me revolto ocm a hipocrisia humana de maltratar e abandonar esses pobres bichinhos indefesos. Deus me perdoe, mas me doi mt mais ver um animal nessas condicoes do que um ser humano... :(
    Desejo uma dia lindo a voce, com sorrisos largos e cheiro de flor quando ri.

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  8. Deve ser horrível ter que virar as costas e ir embora. Aconteceu comigo uma vez, mas era um gatinho. Ele estava tão magro que não conseguia andar e ainda era filhote. Acabei levando pra minha vó, que adora gatos. Achei que ele fosse se quebrar no meio do caminho de tão magro que estava. No final ele acabou fugindo e morreu atropelado, mas eu fiz minha parte e deixei com alguém que sabia que ia cuidar dele direitinho.

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  10. Ain, que dósinha! Eu não suporto ver crueldade ou qualquer coisa assim com animais. :/
    Entendo como você se sentiu, Laura.

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