7 de julho de 2011

Cinema Casual - Parte X.

Alguns dias haviam se passado. Mel tinha recebido alta do hospital e já estava em casa. Apesar de estar inteira, ela tem marcas em seu corpo que deixava claro que o acidente tinha sido recente. Mas Melissa não se importava com isso. Ela estava bem e tinha quem mais queria ao seu lado, Álvaro. Após a noite do cine no hospital, os dois perceberam que aquele encontro casual no cinema não foi apenas uma coincidência. Estava para acontecer, como obra calculista do destino. Como se fosse escrito nos mínimos detalhes, tudo para acontecer. O lugar vazio ao lado de Álvaro estava marcado para ela, o celular estava escondido entre as milhares de coisas que havia dentro da bolsa de Mel, a carteirinha de estudante adorava comprovar a lei da gravidade e se pôs no chão, num lugar que os olhos de Álvaro pudesse enxergar e claro, a coragem do menino tímido de ligar para uma estranha que conheceu no cinema.

Às nove horas de uma noite quente, Álvaro passou na casa de Melissa para pegá-la. Haviam combinado como costumavam combinar, ir ao cinema. Aquela era uma noite especial, pois fazia exatamente dois meses que o encontro no cinema tinha unido os dois amantes de filmes. Como o primeiro mês passou despercebido aos olhos deles, resolveram comemorar o segundo mês.

Foram caminhando até o cinema. Era perto da casa de Mel e como sugestão de Álvaro, eles deveriam ir caminhando, apreciando a noite e aproveitando para conversar tranquilamente.

- Sabe, geralmente eu me pego lembrando aquele dia... À caminho do cinema, eu pensava que filme eu iria assistir. E eu vejo que eu escolhi o filme certo.
- Claro, você sabia que ia me encontrar lá e escolheu o filme. Você me viu e quis sentar perto de mim e ainda deu a desculpa de que não encontrou o celular, só para pegar meu número.
- Não seja convencido. Eu disse que escolhi o filme certo, por que realmente aquele filme era bom. E eu nem olhei para você direito, garoto, só sentei lá por que era um bom lugar, a posição era ótima. E eu não dei desculpa nenhuma, eu realmente precisava achar meu celular. Mas lembre-se, quem se gratificou com o número foi você, me ligando naquela noite. O primeiro passo foi seu. – disse, rindo e beijando o pescoço de Álvaro.
- Quantas explicações, hein? Está com medo que eu pense que foi você que se interessou primeiro? Se bem que eu nem sei como eu tive coragem de te ligar naquele dia. Eu até pensei em ficar com a sua carteirinha, para ter uma desculpa e te ligar. Mas liguei mesmo assim, sem nenhuma desculpa. Arrisquei e consegui, viu?
- Você deveria levar um prêmio de “O garoto mais tímido e mais corajoso”.
- Bem que você poderia me dá esse prêmio, né? – olhou com uma cara fofa, se aproximando dos lábios de Melissa.

Os dois pararam no meio da rua. Mel subiu no meio fio da calçada, colocou os braços em volta do pescoço de Álvaro e tascou-lhe um beijo, que chegou a surpreendê-lo.

- Nossa, Melissa!
- Você não pediu o prêmio? Está achando ruim, é?
- Na verdade, achei sim, porque foi muito rápido. Posso receber um segundo prêmio?
- Pode, mas só depois do cinema. Se liga, Álvaro, só se recebe o Oscar depois dos filmes. – olhou bem fundo nos olhos de Álvaro, com cara de malícia.
- Hmmm, Oscar é sempre um ótimo prêmio. Acho que não vou agüentar assistir ao filme de tanta ansiedade.
- Vamos logo, está perto da hora da sessão. – puxou pela mão de Álvaro, apresando os passos.

A sessão que pegaram estava praticamente vazia. Havia muitos lugares vazios, que podiam ser escolhidos. Sentaram-se na última fila, que ficava bem na parede da sala. As luzes se apagaram e os trailers começaram a passar na tela. Álvaro cochichava coisas no ouvido de Mel e ela se segurava para não rir alto. Ele a puxava para perto, dava beijos e não a deixava olhar para a tela. Quando começou os créditos iniciais, ele se afastou e deixou que ela se concentrasse no filme.

O filme durou duas horas, mas para Álvaro foi como se tivesse durado três, quatro horas. Não chegou a prestar muita atenção ao filme. Quando a tela iluminava toda a sala, ele olhava para o rosto sério de Mel e ficava admirando, com a vontade de tocá-lo, de beijá-lo, mas se segurou, pois não queria atrapalhá-la.

- Não gostou do filme?
- Gostei sim, do filme “Melissa, o perfil”.
- Ah, seu bobo! Deveria ter prestado atenção, foi muito bom.
- Que nada. O que eu assisti foi muito melhor. Qualquer dia você assiste.
- Pode ser, mas eu prefiro a outra versão, “Álvaro, o perfil”.
- É, Mel, ótima ideia. Esse filme é incrível, você vai ver, vai adorar, vai amar!
- Vem cá, seu convencido. – tornou a beijá-lo, cada vez mais o deixando louco.
- E agora, vamos para onde?
- Qualquer lugar que você quiser me levar.
- Que tal minha casa? Posso cozinhar para você.

Pegaram um táxi na frente do cinema e se dirigiram para a casa de Álvaro. Era mais de meia-noite quando eles entraram na casa. Foram diretamente para a cozinha. Álvaro dizia que já tinha ideia do que ia cozinhar e pediu que Mel lhe fizesse companhia. Mel brincou, dizendo que estava assistindo a “Álvaro, o perfil” naquele momento. Enquanto Mel ‘assistia’ ao filme, Álvaro cozinhava. Parecia saber o que estava fazendo e o cheiro que saia das panelas arriscava um bom palpite.

Em menos de meia hora, já estavam na mesa, comendo e saboreando a comida. Melissa constatou que Álvaro era, realmente, um bom cozinheiro. Após a refeição, arrumaram a cozinha e foram se sentar no sofá, já um pouco esgotados do dia. Entreolharam-se diversas vezes, tentando invadir suas mentes, adivinhando o que estavam pensando. Álvaro não pensou duas vezes. Pegou Melissa no braço e a levou para o seu quarto. Mel não fez nenhuma objeção à atitude de Álvaro, deixou que ele a carregasse. Ele a deitou em sua cama e em seu ouvido revelou tudo aquilo que sentia, todo o seu sentimento de amor por ela. Ela respondia o mesmo, com palavras que saiam de sua alma. E ali, no meio de tantas demonstrações de afeto, selaram, pela primeira vez, um amor que foi construído em telas de cinema.

THE END.





Finalmente! Desde Fevereiro com esse conto-série, mas hoje, finalmente, terminei. Apesar de não haver preparado o final, eu esperava um pouco mais dele. Mas não posso exigir muito. Espero que tenham gostado. Na próxima, não vou me demorar tanto assim.

6 comentários:

  1. Simplesmente AMEI **não tinha como ficar melhor, a historia ficou tão suave, tão gostosa de se ler, e tão verdadeira que por um momento pensei que podia ter um amor assim, vindo de um cinema.
    Parabéns Laurinha, adorei XD

    jmsdramaqueen.blogspot.com

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  2. Pode demorar!
    Pode demorar até mais, leve sempre o tempo que precisar pra riscar os teus contos.
    Eles são sempre ótimos. Roteiro, cenário, tudo perfeito. Eu amei mesmo!

    Precisa de umas revisões, mas nada que interfira tanto no conto... Eu amei e quero ler mais coisas suas.

    Saudades Laura.

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  3. Obrigada pela visita :)
    Desculpa pela ausência que venho... ando reorganizando tudo por aqui ainda.

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  4. ficou incrivel o fim, assim como toda história, mito bem escrita, tudo muito bom, os personagens incriveis e uma levesa adoravel. me faça um favor, PARE DE SUMIR, grata, rs! *-*

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  5. AWM! Adorei o fim, adoro um sexo selando tudo. hahaha! E quem dera eu esbarrar com um rapaz feito esse Alváro por aí, viu... Awm, os dois são muito fofinhos juntos *-*

    Adorei, Laura! E concordo com a Tati, pode demorar quanto tempo precisar. Assim os contos saem mais naturais e seus. Como sempre são, aliás.

    Beijos, saudades.

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  6. Eu ameeei! Coisa mais fofa, mais delicada, mais romântica, mais amada! De verdade Laura, me encantei! Parabéns! *-*

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