23 de maio de 2011

Cinema Casual - Parte IX.

Mel não conseguia descrever a sua felicidade ao ser surpreendida por Álvaro. Nada daquilo parecia ser real. Ela abria e fechava os olhos, como que provando para si mesma que aquilo fazia parte de sua imaginação, que aquilo era um sonho. Mas, felizmente, não era um sonho. Tudo em volta era real. Álvaro, ela e o “cinema”.

Álvaro a carregou até o sofá, colocando alguns travesseiros para apoiar as suas costas. Ela sentiu-se uma princesa, com todo aquele cuidado e delicadeza com que Álvaro a tocava, a carregava.

- Confesso que amei tudo isso aqui, estou encantada, Álvaro. Mas não precisava, você teve tanto trabalho...
- Não me venha com essa, Melissa. Eu quis fazer e não foi trabalho nenhum. Pelo contrário, foi um prazer fazer isso. E se isso te deixa mais aliviada, eu fiz para mim também. Afinal, já faz um tempo que não assisto filmes, não é?
- Ai, isso me deixou encabulada, não aliviada. Mas é verdade, e eu estou te devendo uma companhia...
- Exatamente! E que graça teria ir ao cinema sem você?

Mel sorriu sem graça com a confissão de Álvaro, mas gostou muito de ouvir aquilo. Ela também pensava assim. Ir ao cinema sem Álvaro, sem tê-lo como companheiro, para rir, conversar e comentar as cenas dos filmes... É, não teria graça.

- Olha quantos filmes eu trouxe! Alguns eu já assisti e outros não. Mas hoje é você que escolhe.
- Vou acabar me acostumando com isso, ouviu? Não vou querer sair daqui nem tão cedo!
- Ah, você vai sair sim! Afinal, essa TV não se compara com as telas do cinema.
- É verdade! Bem, eu escolho este aqui. – Disse apontando para um filme de comédia. – Você já viu?
- Não, ainda não, mas é uma ótima pedida e está propício para o momento.

Ele levantou-se e colocou o DVD, posicionando tudo, ajeitando o som, a imagem, colocando o áudio e a legenda do filme. Mel observava-o de longe, admirada com toda aquela dedicação de Álvaro. Sentiu algo estranho, um arrepio percorrendo todo seu corpo. Balançou a cabeça para evitar que certos pensamentos predominassem sua mente e disfarçou, olhando para o outro lado, quando Álvaro se aproximou trazendo os lanches e se sentando ao seu lado.

O filme durou quase duas horas e nesse tempo o que os dois mais fizeram foi rir. Riram tanto que não agüentavam mais e em diversas partes do filme, pausaram para rir e riam ainda mais.

- Ótima escolha, hein Mel? – Disse Álvaro, ainda rindo.
- É, foi! É... – Não conseguia falar direito, ainda respirando pausadamente. – Acho que eu nunca ri tanto assim na minha vida. Obrigada... Por esse momento. Por tudo isso que você fez e por não me deixar só.
- Ah Mel, como eu já disse, não foi nada. Mas eu fico muito satisfeito por te fazer feliz nesse momento. E sim, lembrei de uma coisa! Quase ia me esquecendo. – Levantou-se e foi em direção a sua bolsa.
- O que é, o que é? Diz logo, Álvaro, não me deixa curiosa.
- Olha aqui! – Mostrou o DVD que havia comprado no stand de filmes do cinema provisório.
- Não! Não acredito! É sério? Por que não mostrou antes, poderíamos ter assistido.
- Fica tranqüila, vamos poder assistir quando quisermos. Isso é, se você me chamar. Toma, ele é todo seu.
- Meu? Sério mesmo? Onde você conseguiu? Que danado!
- Isso é segredo, Mel. É presente. Eu tinha certeza que você ia gostar.
- Eu não gostei, Álvaro. Eu amei, amei, amei! Você, hein, cada vez mais me surpreendendo. De onde você saiu, garoto?
- Sei lá, de alguma toca por aí. – Os dois sorriram.

Álvaro foi sentar-se ao lado de Mel e admirá-la. Ela não parava de olhar para o presente que acabara de ganhar. Seus olhos brilhavam muito, estava imensamente feliz.

- E você, vai fazer o que agora?
- Queria poder ficar aqui com você, Mel, mas estou cansado e tenho coisas para fazer em casa. Se importa se eu for? Prometo que volto amanhã.
- Me importo sim, mas você deve ir. Sei que isso lhe tomou o dia e que tem outras coisas para fazer, eu entendo. Mas olha, vou assistir esse aqui hoje, sem você.
- Poxa, você é sem graça, Mel. Queria tanto assistir ao seu lado...
- Estou brincando com você. É claro que não assistirei sem você, até por que quero ver suas reações.
- Mas eu já assistir a esse filme e você também, não é?
- Claro que sim! Mas nunca assistimos juntos, então vai ser como a primeira vez, companheiro.
- Então está certo. Marcaremos. E vai ser na minha casa, ok?
- Está ótimo! Daí você vai cozinhar para mim e eu ficarei só olhando.
- Como você é esperta, Melissa! – Os dois sorriram. – Agora vou indo mesmo. Fica bem, viu? E qualquer coisa, liga para mim, que eu venho.
- Está bem. Cuidado na volta. E mais uma vez, obrigada.

Álvaro sorriu e se aproximou de Melissa, para abraçá-la e beijar sua bochecha, mas Melissa virou seu rosto e Álvaro beijou sua boca, num selinho. Os dois se olharam e Melissa o puxou para perto, beijando sua boca com vontade. Álvaro, que já estava de pé, sentou-se ao lado de Mel no sofá e a tomou nos braços, deitando-a com cuidado, para não machucá-la. Seus lábios colaram-se, como se aquele momento fosse único, como se aquele beijo fosse o último de suas vidas.




Adorei escrever esta parte. Estou voltando a me empolgar! :D

17 de maio de 2011

Eu, você e a lua.


E onde quer que eu vá, lá está ela, a lua. Para onde eu vou, ela vai atrás. Ela me persegue e toda vez que eu olho para o céu e a vejo, eu me lembro de você. Acho que é isso que ela quer, ela está ali presente para eu te ver. Por que é assim, quando a olho, eu vejo você. Vejo seu belo rosto e seu sorriso, aquele sorriso só meu. E vendo tudo isso, algo brilhou em mim e me fez perceber que eu sentia sua falta e que eu precisava de você. A verdade é que eu não queria admitir a mim mesma o que eu estava sentindo, que essa falta toda significava que o meu amor por você estava mais forte que nunca, que ele crescia vertical e horizontalmente, e sua velocidade de propagação era mais rápida que a velocidade da luz. Eu nunca deixei de te amar, apesar de algumas vezes as dúvidas terem pairado sobre a minha mente. Mas essas dúvidas foram embora rapidamente, pois foram elas mesmas que me deram a certeza do que eu sentia. A certeza se apossou de mim, o que me fez crer que o nosso amor era verdadeiro. Sim, ele continua sendo verdadeiro. E hoje, quando eu tenho saudades, olho pro céu e procuro a lua. Imagino que você também está olhando e que nossos olhares estão se cruzando através dela. Só assim para eu te sentir perto de mim, com seus beijos, abraços e calor.





Logo mais estarei postando a próxima parte do conto. Tenho estado sem tempo e imaginação.

10 de maio de 2011

Cinema Casual - Parte VIII.

Mel acordou na cama do hospital, com algumas ataduras e a perna engessada. Seu corpo todo estava dolorido, e ela não conseguia se movimentar muito bem. Estava desnorteada, não sabia como havia parado ali. Procurou o botão da enfermeira e acionou-o. A enfermeira, que se chamava Vivian, chegou logo após Mel ter acionado o botão. Provavelmente já estava no meio do caminho, pois trazia uma bandeja com o café da manhã. Mel começou a questioná-la sobre como havia parado ali, mas ela não sabia, pois tinha sido transferida de andar naquele dia. Vivian esperou Mel comer e disse que logo mais o Dr. Baronelli apareceria para ver como ela estava e ele explicaria tudo.

Por um momento, Mel se lembrou de Álvaro. Das tardes em que os dois iam para o cinema, em que conversavam... Sentiu saudades. Ficou se perguntando onde ele estaria naquele exato momento e se ele também estava pensando nela, se ele sabia de seu estado. Sorriu ao lembrar-se de como se conheceram. Foi algo incomum, mas que resultou em algo gratificante para ela. Estava quase perdida nos seus pensamentos quando o Dr. Baronelli chegou em seu quarto. Fez um exame geral, somente olhando para o estado físico de Mel e tudo se encontrava conforme esperava. Antes mesmo que o Doutor falasse, Mel o bombardeou com suas perguntas. O Doutor explicou como tudo aconteceu e como ela havia parado ali. Foi aí que Mel começou a lembrar aos poucos do ocorrido. Mesmo lembrando, ainda estava impressionada. O Doutor disse que ela teria alta no dia seguinte, pois só precisava de um pouco mais de repouso. Quando ele chegou perto da porta, Mel se lembrou de uma pergunta que não havia feito:

- Doutor... Sabe dizer que alguém passou por aqui quando eu não estava acordada?
- Você está falando do menino Álvaro? Se sim, ele chegou aqui ontem desesperado, mas não pudemos o deixar entrar, por regra do hospital quando alguém dá entrada. Mas não se preocupe, provavelmente ele vai passar aqui.

Mel ficou feliz em saber que Álvaro tinha estado por lá. Mesmo não a vendo, ela sentiu que ele estava preocupado com ela. Obviamente, pois ela não dera notícias e tinha “furado” com ele no cinema provisório da cidade.

Passou a hora do almoço, a hora do jantar e nenhuma notícia de Álvaro. Toda vez que alguma enfermeira entrava, Mel perguntava se ela já podia receber visitas ou se alguém tinha estado lá procurando por ela. Todas as perguntas eram recebidas da mesma forma: um balançar negativo com a cabeça. Entristeceu-se, pois queria ver Álvaro e queria que essa vontade fosse recíproca.

Após o jantar, o Dr. Baronelli apareceu em seu quarto com duas enfermeiras, avisando que ela seria transferida, pois aquele quarto seria utilizado por outro paciente. Não podendo contestar, aceitou numa boa. As enfermeiras a colocaram numa cadeira de rodas e a levaram para o quarto em que ela passaria a noite, antes de receber alta.

O quarto estava com a porta aberta, mas não estava iluminado. As enfermeiras deixaram Mel na porta e pediram para ela esperar um pouco. Mel, curiosa que era, ficou observando o quarto, tentando enxergar alguma coisa. De repente, alguém lhe leva para dentro do quarto e fecha a porta. Tudo fica escuro, mas logo se ilumina, quando Álvaro acende o interruptor e fala “Surpresa!”. Mel olha em volta e vê o quarto como uma sala de cinema. Uma TV de plasma e um home theater montados numa mesa, com vários DVDs empilhados ao lado, um sofá grande com aparência confortável e uma mesinha ao lado com vários lanches. Os olhos de Mel brilharam ao ver que tudo aquilo tinha sido preparado por Álvaro.

- Desculpa a demora, mas é que tomei o dia todo para fazer isso.
- Estou impressionada! Por que fez isso? – Mel e sua mania de fazer questionamentos.
- Porque você não pode ir ao cinema. E já que você não pode, o cinema veio até você.





  • Não gosto de sumir assim, mas estou tentando não ficar muito ausente como estou. Mas tá complicado... Não é nem o tempo, pois sempre se arranja uma brecha, mas é a falta de inspiração que não ajuda. Se minha inspiração estivesse tão ativa quando antes, essa série seria melhor. Enfim, ainda não acabou, mas vou tentar fazer um bom final.