20 de abril de 2011

Cinema Casual - Parte VII.

Parece que, quando se tem pressa, nada sai do jeito que se quer. Álvaro passou uma hora dentro do táxi para chegar até o hospital. Não era tão longe, mas, por incrível que pareça, neste dia, a cidade estava em trânsito. A impaciente tomou-lhe, junto com a preocupação. Assim, veio a dor de cabeça, o cansaço, mas não o desestímulo. Queria ver Mel o quanto antes, por isso não chegou a pensar em desistir um segundo sequer. Pensou em ir a pé, mas logo o trânsito andou, e Álvaro finalmente chegou ao hospital. Foi imediatamente à recepção, esbarrando em algumas pessoas que iam saindo do hospital.

- Onde está Mel? – chegou à recepcionista, como se estivesse interrogando-a, com cara impaciente e ofegante.
- Calma, senhor. O senhor gostaria de dizer o nome completo da paciente?
- Eu não sei. Droga, droga, droga, eu não lembro! Melissa! É esse o primeiro nome. Ela deu entrada anteontem no hospital, sofreu um acidente de carro.
- Um momento, que eu vou checar aqui.

Em menos de um minuto, a recepcionista disse o número do quarto. Após ouvir o último número, Álvaro já estava no corredor, indo em direção ao quarto. Na verdade, não ouviu as indicações da recepcionista quanto ao andar e que corredores pegar, mas ele saiu procurando por si só. O quarto ficava no primeiro andar e por sorte, ele o achou rapidinho. A porta estava fechada e ele não pôde entrar. A mulher, com quem ele falou ao telefone, estava lá, a sua espera.

- Bom dia, Amaro. Meu nome é Marcela e...
- Meu nome é Álvaro! E por que eu posso entrar no quarto?
- Oh, desculpe-me, Álvaro. Ela está dormindo, os médicos acabaram de dar uns remédios e por isso você não pode entrar.
- E quando eu poderei falar com ele, hein, Mar-ce-la!?
- Ainda não sei, mas deixe-me explicar a situação. Como eu disse a você, ela passou pela frente do meu carro, sem olhar para os lados. Eu atingi seu corpo e ela caiu já desacordada. A avenida estava vazia, eu poderia muito bem deixar a garota lá, sozinha. Mas sou uma pessoa consciente, e sei que os erros que eu faço, tenho de consertá-los. Eu estava nervosa, achei que tinha matado a garota, mas vi que ela ainda respirava. Coloque-a em meu carro, numa grande dificuldade. Fiz isso depressa, pois tinha medo de ser assaltada. Dei partida no carro e parei num lugar mais movimentado. Olhei seus documentos, foi preciso. Vi que ela não tinha nenhum plano de saúde, então liguei para o meu irmão e expliquei o que aconteceu. Ele falou para eu levá-la até o hospital que ele trabalhava. Foi o que eu fiz. Depois de certo tempo, pensei que alguém a estaria procurando, peguei seu celular, que estava desligado, liguei e procurei na agenda alguém para ligar. Não tinha nenhuma pista para quem ligar. As mensagens estavam trancadas e as chamadas recentes apagadas. O que eu poderia fazer? Deixei ligado, na esperança de que alguém ligasse. E você foi o primeiro.
- Foi culpa minha! Eu insisti para levá-la em casa e ela não quis. Eu deveria ter insistido! – Álvaro falava quase chorando, como se ele pudesse ter evitado tal acontecimento.
- Não foi culpa sua, Álvaro. Entenda, certas coisas acontecem. Tudo por culpa do acaso. Mas fique tranquilo, ela está fora de perigo. Ela só precisa ficar em observação, pois tem alguns ferimentos.
- Engraçado, foi por culpa do acaso que eu a conheci. E por culpa do acaso ela se acidentou. Finalmente, o acaso é bom ou ruim?
- Sinceramente, eu não sei te responder. Bem, Álvaro, estou aqui há muito tempo e gostaria de ir para casa, afinal, já encontrei alguém que a conhece. Desculpe-me por lhe estar causando essa tristeza, mas eu te garanto que isso vai passar, fique tranquilo.
- Vou tentar. E, obrigada, Marcela. Não precisa se desculpar, eu agradeço pelo que você fez e imagino como deve ter sido. Só tenho a agradecer pelo que você fez, pois se fosse outro, não faria isso.
- Obrigada pela compreensão. Bem, aqui está meu número, é só ligar. – disse entregando um cartão. – E, se precisar de alguma coisa, peça para chamar Dr. Baronelli. Com certeza ele vai lhe atender.

Assim, Álvaro ficou sozinho, à porta do quarto onde Mel estava. Impossibilitado de vê-la, pediu a uma enfermeira para chamar o Dr. Baronelli. O Dr. Baronelli estava por perto e logo chegou ao encontro de Álvaro. Conversaram um pouco e o Doutor sugeriu que Álvaro fosse para casa e voltasse no outro dia, pois Mel estava sob o efeito de calmantes.

Apesar de contestar um pouco, Álvaro aceitou a sugestão, prometendo a si mesmo voltar ao hospital logo quando o sol raiasse, com uma surpresa para Mel.




Não morri, gente! As últimas semanas foram complicadas para mim, não pude estar aqui, não pude fazer as visitas que eu sempre fiz, não pude escrever. Isso é deprimente! Mas cá estou eu, aproveitando esse feriado, começando por hoje, para me atualizar em tudo. Espero que vocês gostem desse capítulo. O próximo postarei em breve, não vou deixar que isso aconteça novamente. Digo, vou tentar.
Que saudade! *-*