28 de março de 2011

Cinema Casual - Parte VI.

Álvaro pensava mil coisas sobre o porquê de Mel não ter comparecido ao encontro. Ele sabia, apesar de conhecê-la há pouco tempo, que ela amava cinema. O tanto que eles já tinham conversado e compartilhado era o suficiente para ele saber o que ela gostava. Ele pensava, pensava e pensava. À noite, quando chegou em casa depois de esperar por Mel, não conseguiu dormir por um longo tempo. Ficou se perguntando se tinha feito algo que ela não gostou ou simplesmente se ela enjoou de ir ao cinema com ele, pois antigamente ela ia sozinha.

Decidiu não mais ligar para ela. Sabia que, se estivesse errado em seus pensamentos, ela iria atrás dele. Ou não, pois ela também poderia estar esperando por ele. Mas naquele caso, o bolo quem deu foi ela, e não ele. Apesar de ter decidido assim, passou horas e horas olhando para o celular. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem. Por fim, cansado de olhar o celular e só ver as horas passando, acabou desligando-o. Não queria ficar preso a isso, não queria perder sua noite por uma bobagem. Desligou e finalmente conseguiu dormir, quando o dia estava começando a clarear.

Quando acordou, não achou estranho ao lembrar que sonhou com Mel. Quando pensava muito em algo, acabava sonhando. No sonho, tudo tinha sido diferente do dia anterior. Ela tinha comparecido ao encontro e os dois assistiram a todos os filmes do dia e quando saíram da última sessão, foram andar na praia. A noite estava bonita em seu sonho. A lua iluminava toda aquela praia deserta e sem iluminação própria. Estavam embaixo de um coqueiro, com Mel deitada em seu colo. Ela falava, mas não o olhava e ele, enquanto ouvia, acariciava seus cabelos, com muita delicadeza. E quando Mel o olhou, ele aproximou seu rosto do dela e ele simplesmente acordou.

Depois desse sonho, não aguentou ignorar o que estava sentindo. Deixou de lado o pequeno orgulho que estava sentindo e ligou o celular. Não tinha nenhuma chamada, nem mensagem, mas mesmo assim ele ligou. O celular, desta vez, não estava desligado e começou a chamar.

- Alô?
- Mel? Nossa, como é bom ouvir tua voz! Eu fiquei preocupado com você, sabia? Por que não apareceu ontem? Eu fiquei te esperando, peguei nossos ingressos, assisti a uma sessão sozinho e você não apareceu e nem me ligou. Tentei falar contigo, mas teu celular estava dando na caixa postal. O que aconteceu, você está bem?
- Quem fala?
- Como assim, quem fala? Sou eu, Álvaro. Marcamos de ir ao cinema ontem. Está esquecida?
- Olha Álvaro, quem está falando aqui não é Mel.
- Oi? Mas esse celular é dela.
- Desculpa, mas acho que você não soube.
- Do que você está falando?
- Vou ser franca com você. Eu não conheço essa Mel de quem você está falando, mas eu a vi. Na verdade, acho que a culpa foi toda minha por ela não ter ido ao seu encontro.
- Poderia ser mais clara, por favor?
- Bem, na noite retrasada, eu estava saindo de um bar com meu carro. Estou dizendo com sinceridade e com toda a verdade, eu não bebi nessa noite. Você pode não acreditar agora, mas eu tenho como provar. Eu saí sozinha, apesar de ter estado com uns amigos. A avenida estava vazia, mas estava tudo muito escuro. Eu não conseguia enxergar direito e uma garota passou correndo na frente do meu carro. Acho que ela não olhou para os lados, mas eu fui totalmente pega de surpresa.
- Não precisa dizer mais nada. Eu quero saber onde ela está e o que você está fazendo com o celular dela.
- Olha, eu entendo sua aflição, mas é bom manter a calma. Eu, como disse, fui a culpada e por isso estou arcando com minhas conseqüências. Como ela não tinha plano, trouxe para o hospital que o meu irmão trabalha. Vou lhe dar o endereço daqui e quando você chegar, eu lhe explico melhor.

Álvaro estava agoniado com a calma da mulher e ao mesmo tempo com raiva dela. Como ela pôde deixar isso acontecer?, ele se perguntava. Anotou o endereço rapidamente e não pensou duas vezes. Do mesmo jeito que estava, saiu de casa e pegou um táxi, sem paciência para esperar por um ônibus. Não via a hora de ver Mel e saber se ela estava fora de perigo.

24 de março de 2011

Quebra-cabeça incompleto.


Quando perdemos algo precioso, algo de valor inestimável sabemos que nada no mundo poderá substituir. Aquele vazio, de forma alguma, poderá ser preenchido, pois não há volta. Aparecem peças de quebra-cabeça querendo se encaixar, porém o buraco é diferente. Por mais que essas peças tentem ser semelhantes, nunca serão. É inútil querer ser aquilo que foi único. Aquele vazio do quebra-cabeça ficará ali para sempre. E esse quebra-cabeça nunca vai ser completado.
A morte, sempre a temi. Quando pensava nela, tentava não mais pensar. Ela é tão abstrata, mas sabemos que a cada passo que damos menos passos daremos. Podemos até nos encontrar com ela nos corredores da vida. E um dia acontece. Somos pegos de surpresa por ela. Ela é sorrateira, e até parece que faz de propósito. E aí, quando aparece, é tão rápido que parece mentira. Ela chega e arranca tanto de nós. A dor nos sai por todos os poros e as lágrimas, inconsequentes, descem ligeiro pelo nosso rosto e acabam se tornando em algo físico. É difícil definir todos os sentimentos nesses momentos. São tantos, que ficamos absurdamente confusos. É por que não sabemos lidar com ela. Não quando acontece com sua peça de quebra-cabeça insubstituível. Aquela peça que dividiu certo cordão quando nós viemos ao mundo. A nossa primeira ligação com o mundo. Nosso primeiro laço. E com um simples agir, a morte desfaz esse laço.
Hoje faz oito anos que esse laço foi desfeito, que a minha pecinha foi embora. Mas guardo as minhas lembranças na minha memória fraca. Guardo fotos, gestos, sorrisos. E no meu coração, a saudade, que está eternamente estampada.
Sei que, em algum lugar dessa imensidão azul que fica acima de nossas cabeças, está tendo festa.

21 de março de 2011

Cinema Casual - Parte V.

Por várias semanas, Álvaro e Mel iam incansavelmente ao cinema. Não importava se estava chovendo, se o dia estava muito quente pedindo por uma praia, ou se havia trânsito em toda a cidade. Passaram a visitar outros cinemas, onde eram exibidos filmes ‘antigos’ mas nunca visto por eles. Alguns dias, quando nenhum compromisso era previsto para depois, assistiam mais de um filme. E não achavam nada cansativo. Por eles, passariam vinte e quatro horas dentro de uma sala de cinema, contanto que tivesse algo para comer, frisava Mel.

E, a cada encontro, sempre sentiam uma ansiedade. Na maioria das vezes, Álvaro era o primeiro a chegar e ficava vagando, demonstrando um ar de nervoso, andando de um lado para o outro, esperando por Mel. Ela não se atrasava, mas chegava na hora, ou alguns minutos antes. Mas quando acontecia de um olhar para o outro ao longe, os sorrisos estampados em seus rostos não enganavam a felicidade que cada um sentia ao se encontrarem.

A ansiedade sempre fez parte dos dois. Quando Mel caminhava ao encontro de Álvaro, o que ela sentia no momento em que colocava os olhos nele era pressa. Sempre tivera a vontade de correr ao seu encontro, mas achava uma atitude patética demais, mesmo por que até aquele momento, Álvaro era apenas seu companheiro de cinema.

Nesses incansáveis dias de cinema, era difícil fazer uma contagem certa de quantos filmes os dois tinham assistido. Eles não se importavam com a quantidade, apesar de parecer. Porém a cada filme assistido, novas experiências eles extraiam. Debatiam entre si, em certos pontos concordavam, em outros divergiam tanto que discussão quase não tinha fim. Por fim, riam daquela situação e acabavam por ouvir as opiniões, aceitando-as, mesmo não concordando.

Certo dia marcaram de assistir a um filme num cinema provisório no centro da cidade. Era financiado pelo governo, portanto a entrada era gratuita. O programa ia durar uma semana e tinha três horários diferentes por dia: um no começo da tarde, outro entre a tarde e a noite e o cinema das nove horas, que era o principal. Mel viu o folheto no ônibus e ficou super feliz e contou a Álvaro. Ele, obviamente, aceitou.

No primeiro dia, houve um evento inaugural, onde, depois da sessão de cada filme, haveria um debate. Álvaro e Mel decidiram participar e ficaram até o final. O evento acabou quase a meia-noite. Mel estava cansada, pois passara o dia todo fora de casa. Álvaro se ofereceu para acompanhá-la até a sua casa, mas ela não quis lhe dar trabalho, pois, argumentou, ele teria que pegar outro ônibus para voltar para sua casa. E assim, o dia acabou, mas prometeram um ao outro voltar no outro dia.

- Olha, mesmo que eu caia de uma escada, sofra um acidente e quebre a perna, amanhã estarei aqui. Não perco por nada essas sessões.

- Então a gente se encontra amanhã, Mel.

E assim se despediram, timidamente, mas com um abraço forte.

No outro dia, como de praxe, Álvaro chegou cedo. Dessa vez estava tranqüilo, não muito ansioso. Acabou se distraindo com um stand na entrada do cinema, onde vendia filmes clássicos. Ele decidiu fazer uma surpresa para Mel presenteando-a com um daqueles. Entre tantos foi difícil escolher, mas a vendedora o ajudou.

Foi até a bilheteria e tirou os dois ingressos gratuitos (era preciso entrar com ingresso para fazer a contagem por dia). Começou a ficar preocupado, pois já estava na hora da sessão e Mel ainda não tinha chegado. Mandou uma mensagem para ela, dizendo que estava na sala do cinema com seu ingresso, pedindo para avisá-lo quando chegasse. A primeira sessão terminou e nada de Mel. Álvaro encheu a caixa de mensagens de Mel, lembrando-a do combinado. Ela não respondia. Tentou ligar, mas estava dando na caixa postal. Decidiu esperar até a próxima sessão, mas ela não veio. Desistiu e foi para casa, triste, com o presente na mão.



Esqueci que também sou blogueira. Ultimamente tenho entrado
só para ver os comentários e ler os blogs. Agora sim, escrevi. :)



15 de março de 2011

Cinema Casual - Parte IV.

Álvaro chegou e cumprimentou Mel com um abraço. Os dois ficaram meio sem graça com a situação, mas se sentiram confortáveis com o abraço. Mel ia falar algo, abriu a boca e a fechou no mesmo tempo. Álvaro notou e fez cara de que estava esperando ela falar. Por fim, Mel conseguiu soltar suas palavras:

- Achei que você estava atrasado. É que sou meio paranóica com essa coisa de horário, sabe?
- Ah, eu também sou. Por isso que cheguei aqui há uma hora atrás.
- Você está falando sério? – Mel ficou impressionada com a atitude do rapaz.
- Pode acreditar se quiser. Mas aí, como achei que você chegaria na hora exata, fui passear um pouco e acabei comprando umas coisas. Da última vez não tive tempo de comprar, e hoje aproveitei. Você gosta?

Álvaro mostrou a sua sacola, com chocolates, salgadinhos, algumas guloseimas e refrigerante. Mel apenas ficou observando o que tinha dentro, como se averiguando tudo aquilo e se estava a seu gosto.

- Ah, está de brincadeira comigo, não é? Por acaso andou lendo minha mente? Aposto que sim, pois todas essas coisas que você comprou são incrivelmente minhas besteirinhas preferidas!
- Jura? Nossa, fiquei com medo de que não gostasse. E até fiquei pensando que você não ia gostar da ideia, afinal muita gente compra aqui no cinema. Mesmo assim, resolvi arriscar.
- Que nada, eu gosto dessas coisas diferentes. Aqui nunca tem essas coisas, ou quando tem, é tudo caro.
- Exatamente.

Após essas conclusões, os dois ficaram sem palavras, se olhando e sorrindo. Ao mesmo tempo, eles começavam a falar, mas desistiam, dando a vez ao outro. E continuaram assim por um tempo, até que Álvaro resolveu quebrar o silêncio confuso:

- Bem, acho que viemos aqui para assistir a um filme, não é? Já pensou em algum?
- É, por um breve momento eu tinha esquecido disso. Eu pensei em alguns sim, na verdade nos que ainda não vi. Mas vai ficar difícil de escolher, já que somos dois e provavelmente você já viu alguns.
- Me diga os que você já viu e eu vou dizendo o que eu já vi. Provavelmente irá sobrar algum que nenhum dos dois viram.

Mel mostrou o papel com os filmes e seus pequenos resumos. Foram marcando com uma caneta o que já tinham assistido e ao final sobraram dois filmes. A dúvida pairou entre os dois. Qual escolher: o de drama ou o romântico? Para o momento, pensava Mel, o romântico seria estranho. Ela não assistia a filmes românticos com ninguém ao lado. A verdade era que ela nunca assistia a um filme romântico no cinema. Ficava sem graça quando tinha alguém ao seu lado. E quando era no cinema, sempre tinha um casal apaixonado ao seu lado, aos beijos e abraços. Ela não gostava disso.

- Por mim, assisto a qualquer um dos dois. Pelo que eu estou lendo aqui, a proposta deles são ótimas.
- É que não sou acostumada a ver filmes românticos no cinema e drama eu sempre choro, mas prefiro chorar sozinha.
- Então vamos fazer o seguinte. Eu não me importo de ver outro filme que já vi. Esse de comédia é ótimo. – Disse apontando com o indicador onde o filme se encontrava no papel.
- Ah, que isso! Não vou fazer você ver um filme que já viu.
- Não tem problema. Eu até gosto de fazer isso.
- Quer saber? Vamos ver o romântico mesmo. Hoje é dia de estréia para mim, já que não estou indo sozinha ao cinema. Então...

Foram até a bilheteira e compraram os ingressos. O filme estava marcado para começar dali a uma hora, então decidiram andar um pouco. Caminhavam pelo local lado a lado, sem falar. Mel olhava para as lojas e parava em frente às suas vitrines, fingindo interesse. Álvaro apenas parava ao seu lado, curioso, olhando os objetos ou roupas à venda. Sem pensar duas vezes, entraram numa livraria, movidos pela curiosidade. Riram da coincidência, pois não precisaram de nenhum convite da parte do outro para poderem entrar.
Por mais que as ocasiões e os gostos fossem coincidentes, não bastaram. Lá estavam Mel e Álvaro na mesma seção de livros: literatura nacional. Havia diversas prateleiras e os dois iam correndo os olhos por elas, procurando algum livro especifico. Quando finalmente Mel pôs o olho no livro que ela queria, Álvaro alertou, com uma cara sorridente, quase entrando em desespero:

- Acho que estamos atrasados. O filme começou a cinco minutos.

Correram feito loucos pelo local, esbarrando em algumas pessoas. Mel se sentia esquisita, pois nunca tinha se atrasado para um filme. Não gostava de chegar após as luzes se apagarem por que nunca conseguia achar um bom lugar.

Chegaram à sala. Mel ficou parada, tentando enxergar algo, mas não conseguia. Álvaro disse a ela que conhecia aquela sala muito bem, pegou em sua mão e a guiou para uma fileira que estava vazia. Mel ficou um pouco sem graça por ele ter pego em sua mão, mas notou que foi apenas para guiá-la. Sentaram em suas respectivas poltronas e incrivelmente a sorte estava a favor deles: o filme tinha começado naquele exato instante.


Como prometido. Mas achei tão besta esse.
A insônia prefiriu assim, então...
O próximo será melhor :)

12 de março de 2011

Voltei, blog, foi a saudade que me trouxe pelo braço.

Parafraseando um frevo... deu certo! :)

Gente, desculpem-me a ausência ou a falta de sentimentos (roubando a ideia de @), mas estava realmente complicado para aparecer por aqui. Não por eu não querer, pois se vocês não sabem, vão saber agora: eu sou viciada nesse troço aqui hehe
Mas as circunstâncias não estavam me deixando dar as caras por aqui. O carnaval acabou quarta-feira, e de lá pra cá já são três dias. Não sei o que me deu. Na verdade, eu estava tão louca, era tanto blog pra ler, que eu fiquei adiando, adiando, e só consegui agora. E sabe aquele respirar profundo, de 'ufa', que a gente dá quando terminamos algo? Pois é. Respirei assim quando acabei de ler todas as atualizações. É, sou louca mesmo. Foram mais de vinte blogs lidos e alguns comentados. Como eu disse, sou viciada e não gosto de deixar nada pra trás. É ruim ficar esse tempo todo sem o blog, pior ainda é ficar sem escrever. Poxa, eu juro que eu ia escrever a quarta parte, mas eu quis logo atualizar meu blog, antes que ele ficasse pras baratas. Não gosto de abandoná-lo assim, muito menos de abandonar vocês.
Recado a quem me lê: segunda ou terça estarei, sem falta, postando a próxima parte. Prometo!


E o carnaval de vocês, como foi? O meu não poderia
ser melhor. E agora é esperar para o próximo ano! (:

Beijo a todos.

4 de março de 2011

Cinema Casual - Parte III.

- Olha Álvaro, foi um prazer enorme falar com você, mas preciso ir embora.
- Não tem problema, eu também devo ir. Digo o mesmo.
- Bem, até qualquer dia então.
- Ah, espera! É... Eu meio que... Notei que você foi ao cinema sozinha e... Eu também fui e gosto muito, mas... Será que você... É...
- Pode falar, estou aqui.
- Vocênãogostariadeiraocinemacomigo? – Álvaro estava nervoso e falou tão rápido que Mel quase não entendeu.
- Se eu gostaria de ir ao cinema com você, é isso?
- É, é!
- Pode ser! Por que não mudarmos a nossa rotina, não é? Quando?
- Ah... Sei lá, qualquer dia. Quando você estiver disponível...
- Pode ser amanhã, então? No mesmo horário?
- Claro, claro... Amanhã, no mesmo horário... Tá ótimo pra mim.
- Então a gente se vê lá, Álvaro.
- Ok, Melissa. Até amanhã. Tchau.
- Tchau.


Mel notou que Álvaro ficou nervoso ao convidá-la para o cinema. Não era normal aceitar um convite desses, mas aquilo seria uma exceção. Por que não arriscar e fazer diferente? Ela notou também que ele conversava normalmente, mas que às vezes ficava nervoso. Mas bem, iria encontrar o rapaz bonito e tímido no dia seguinte e tentaria fazer com que ele não ficasse tão nervoso assim.

Já passava das duas horas da manhã quando olhou para o relógio de sua cabeceira. Não se importou de ir dormir tão tarde, pois gostou muito da conversa que teve com Álvaro. Ele era realmente simpático, como havia percebido, mas precisava apenas se sentir mais à vontade para conversar. A voz dele era bonita, e tinha um sotaque charmoso. A atração que havia sentido por ele no cinema acabou voltando. Não via a hora de encontrá-lo.

No dia seguinte Mel acordou cansada, porém animada com o encontro. Era algo inédito e ela estava um pouco nervosa, apesar de ter conversado bastante com Álvaro, como se já o conhecesse há um tempo. Achou engraçada a forma como se conheceram e como aquilo rendeu. Riu sozinha daquela situação e ficou pensando que, se não tivesse ‘perdido’ seu celular, não teria conhecido o rapaz bonito que sentou ao seu lado.

Tomou um banho sem pressa e foi preparar seu almoço. De instante em instante, ela olhava para o relógio. A hora simplesmente passava devagar. Ela já havia notado que isso acontecia quando estava ansiosa para algo. Então começou a procurar o que fazer, para a hora passar mais rápido. Arrumou seu quarto, organizou a geladeira, varreu a casa e finalmente almoçou.

A hora chegou e ela saiu apressada, como se estivesse atrasada para uma prova de vestibular. Por sua sorte, o ônibus estava estacionado na parada, enquanto os passageiros subiam. Ela foi a última a entrar e suspirou aliviada.

Desceu do ônibus e foi andando depressa para o cinema, olhando a hora em seu relógio. Chegando lá, olhou para os lados, andou para um lado e para o outro, mas não encontrou Álvaro. Achou que ele estava atrasado, mas quando olhou para o corredor, lá estava ele, bem apresentável e muito sorridente.



Só escrevi até aí, então agora tenho que parar
para escrever, mas só depois do carnaval :D
Um beijo e aproveitem o feriado.