17 de fevereiro de 2011

Príncipio.

Era Dezembro. No centro da cidade, nessa época, sempre tinha festivais e dessa vez era um festival maior, com bandas de todas as regiões do país. Lorena não poderia faltar, pois adorava os festivais do centro (que sempre eram gratuitos) e seu namorado, amigos e familiares iam estar por lá. Ela já estava de férias e, portanto não se preocupava muito com o horário da volta, afinal, era tranqüilo. Tinha o famoso ônibus bacurau para voltar.

Arrumou-se cedo em casa e encontrou-se com seus primos numa parada próxima de casa, para não ir sozinha. Não demorou muito, o ônibus chegou, porém lotado. Em menos de meia hora ela e seus primos já se encontravam no centro. O alívio era grande, pois ir em pé no ônibus não era seu forte.

Desceram no cais da cidade, o local mais próximo para chegar ao palco. Não tiveram de andar muito; atravessaram a ponte e já estavam lá. O local, que era a céu aberto, estava lotado e de todo tipo de gente. Tinha os coloridos, os góticos, os pagodeiros e outras mil tribos.

Os shows começaram. Alguns iam para frente do palco, cantar e pular com a banda, outros olhavam de longe aquela algazarra e milhares de mãos para cima. Lorena arriscou um ou outro, pois não gostava de multidões. Mas a animação, o contagio, a energia a fazia sorrir, se divertir. Ficava ao longe, observando. Era bonito de se ver o público acompanhando a atração.

Mesmo tendo outras atrações para se apresentarem, Lorena e seu grupo decidiram que já era hora de ir embora. Os ônibus da volta eram piores que os da ida, então quanto mais cedo, melhor. Então se dirigiram novamente para o cais, a fim de pegar o tão famoso bacurau.

O ônibus estacionou na linha e ficou parado durante cinco minutos, o tempo de todos os passageiros subirem. Lorena e o grupo, que já estavam no começo da fila, entraram e conseguiram lugares para sentarem uns próximos dos outros.

A viagem de volta parecia tranqüila, pois a maioria dos passageiros estava cansada e descansava sua cabeça no encosto da poltrona. Alguns engraçadinhos, que tomaram duas cervejas e achavam que estavam bêbados, arriscavam soltar piadas sem graça, que nem o próprio ria.

Mas o que parecia ser tranqüilo deixou todos tensos. O ônibus, ao entrar em uma avenida, foi atingido por uma pedra. E a graça foi tomada pelo pânico. Lorena, que descansava no ombro do seu namorado, despertou imediatamente. Pedaços de vidro voaram para todos os lados. Algumas pessoas ficaram feridas. Outras se preocupavam como ia ser na hora de descer. O ônibus parou alguns metros depois do local em que foi atingido. Os passageiros, ainda tensos, gritaram para o motorista não parar o ônibus. E seguiu, quase sem parar.

Mais a frente, na mesma avenida, as pessoas que se encontravam com Lorena desceram. No meio da agonia e da pressa, ela preferiu ir para sua casa, que se encontrava a algumas paradas depois, com o namorado. Lorena, que ainda estava tensa com o que acabara de acontecer, pegou logo sua chave do bolso e segurou com força em sua mão fechada.

O ônibus dobrou um posto de esquina e parada era logo ali. Um rapaz, que aparentava ter vinte e três anos andava sozinho naquela rua e encarou todos do ônibus, bradando algo que não chegaram a entender, mas pelo tom, boa coisa não era. Lorena, seu namorado e mais um casal desceram na mesma parada. Enquanto desciam, o rapaz observava da esquina. Algum passageiro falou: “Vão com Deus” e o ônibus partiu. O outro casal foi numa direção contrária e Lorena e seu namorado foram por uma rua descalçada e não olharam para o rapaz.

Quando deixaram de estar no campo de visão do rapaz, eles começaram a correr pela rua descalçada, sem olhar para trás, sem parar. Mas chegou um momento que tiveram de dobrar numa rua, que provavelmente entrariam no campo de visão de rapaz.

Começaram a andar devagar e Lorena falou: “Não olhe para trás”. Como seu namorado nunca escutava o que ela dizia, ele acabou olhando. Olhou uma vez e outra. E a última coisa que ele disse foi: “Corre!”. Lorena não pensou duas vezes e começou a correr. Chegou à rua de casa e correu ainda mais rápido e gritou: “Pula o muro”, mas novamente seu namorado não escutou. Ela pulou e ele abriu o portão, fazendo então um barulho. Quando Lorena pulou, algumas plantas a atrapalharam e ela praticamente voou em direção ao chão, com mãos e barriga. No meio da tensão, não sentiu dor alguma e se dirigiu o mais rápido possível para o portão, enquanto seu namorado corria agachado.

Entraram finalmente em casa e não foram checar se o tal rapaz estava pela rua. Disso não teriam coragem. Lorena se jogou no chão, tentando conter a respiração e então notou que estava machucada. Seu namorado a levou ao banheiro, para ela lavar suas mãos, que tinham pequenos pontos de sangue. Ela, nervosa, chorava e seu namorado a acalmava, passando a mão em seus cabelos e dizendo: “Já passou, estamos bem”.


Essa história é real e aconteceu comigo. Poucas coisas são ilustrações, mas o pico da história é verdadeiro. Eu quis, há um tempo, escrever sobre isso e finalmente me dediquei a escrever. Não ficou do jeito que eu queria, mas dá para entender o ocorrido. Pois é, é que hoje, o blog faz 1 ano e 1 mês (o dia 17 de Janeiro foi passado despercebido). Foi mais ou menos a partir dessa história que o blog nasceu. Essa história foi em Dezembro, mas o blog foi criado em Janeiro (2010). Esse Janeiro foi um mês complicado para mim, eu dormia todo dia às 5h da manhã, com medo de algo que eu não sabia o que era. Bem, o ocorrido de Dezembro me deixou traumatizada. Mas enfim, criei o blog, comecei a escrever e driblei esse trauma. Por um lado, foi bom isso ter acontecido, pois o blog não existiria hoje. Digo, ele poderia existir, de alguma outra circunstância. Mas quando, eu não sei. Parabéns ao Inercya, por 1 ano e 1 mês de vida, rs.

14 comentários:

  1. Nossa, que história... .-.

    E meus parabéns pelo Blog, estou sempre por aqui curtindo a tua arte e vida ^^

    bjos.

    ResponderExcluir
  2. Imagino o trauma que você deve ter passado! Parabéns pelo blog viu amoree! É sempre bom ler seus posts!

    bjinhos

    ResponderExcluir
  3. Há males que vem para bem. rs.

    Nossa, Laura, que tensa essa história, flor! Mas ainda beeem que hoje em dia está tudo bem.
    E, afinal, hoje é dia de comemorar, certo? haha.
    Parabéns pelo um ano e um mês! Mais sucesso ainda ao seu blog!

    Beijos! <3

    ResponderExcluir
  4. minha irmã passou por algo parecido, ela ficou um bom tempo com medo de sair de casa. que bom que você superou e criou o blog *-* :* Laura.

    ResponderExcluir
  5. Caramba, Laura, que história legal. Adoro quando detalhas a tua ficção/realidade. É, sua vida tem muita história (:

    Olha, fico feliz que estejas gostando de "Uma história de amor". Estou escrevendo a 5ª parte, pretendo postar a 4ª parte no blog quando perceber que mais ou menos 30 pessoas estão acompanhando a história.

    Bom fim de semana, amor.

    Beijos *

    ResponderExcluir
  6. Tá, não me imagino passando por algo assim. Logo eu que sou a mais medrosa de todas, já sairia correndo loucamente sem pensar no amanhã! Não sei me controlar :(
    E parabéeeeens *_*

    ResponderExcluir
  7. Eu queria ter muitos textos "antigos" pra postar D:

    ResponderExcluir
  8. Ah tenho algo mais pra falar sobre o teu post: coisas emocionantes nunca acontecem comigo '-'
    só não sei se isso é algo bom ou ruim rs

    ResponderExcluir
  9. Ual... que coisa apavorante. Odeio gente estranha que parece estar seguindo a gente.
    Uma vez presenciei um assalto à um micro ônibus onde eu e minha mãe estávamos. Foi muitooo horrível, mas nada aconteceu com ninguém do ônibus, os dois rapazes que estavam assaltando apenas roubaram o dinheiro do motorista, mesmo assim foi horrível.

    ResponderExcluir
  10. Primeiro, PARABÉNS PARA ESSE BLOG LINDO! *---*
    Segundo, ain flor, que horror! :S Eu acho que eu ficaria que nem você, traumatizada. Ainda bem que você estava com seu namorado. :S
    De qualquer forma, a males que vem para o bem!
    Ainda bem, que no fim, ficou tudo bem.

    Beijos.

    ResponderExcluir
  11. Nossa que história!!!!

    Apesar da tensão eu amei.

    ResponderExcluir

Me incentive um pouco mais.