24 de janeiro de 2011

Relato da noite passada.

É algo real, mas transformei em conto.

Eram onze e dez da noite. Eu estava na internet tentando conversas interessantes e lendo coisas. Abri um vídeo idiota de cinqüenta e sete minutos, com uma risada quase infinita. Não conseguia deixar de ri no instante que eu colocava os olhos na criatura. Eu estava me divertindo, não só com o vídeo, mas com algumas conversas. A irmã, que estava na cozinha, chamou-me para ajudá-la nos salgadinhos de queijo. Aumentei o som da risada quase infinita e fui à cozinha. Comecei a enrolar a massa do salgadinho, até formar uma bolinha. Era o que irmã também fazia. A luz piscou uma, duas, três vezes e em poucos segundos se fez o escuro. E agora eu não escutava mais a risada e sim o medo da minha irmã. Nossas mãos estavam sujas da massa e não podíamos tatear nada. Vela? Não tinha. Celular com lanterna? A sorte era que um amigo do meu irmão estava aqui e o celular dele era com lanterna. Então terminamos de enrolar os salgadinhos, para logo colocar no forno, que já estava esquentando há alguns minutos. Justamente esse amigo do meu irmão disse que tinha uma vodca no carro dele. E o que fazer em meio ao tédio de uma noite chuvosa e escura?

Ele trouxe a vodca e eu cacei no armário um daqueles sucos que só coloca água e está pronto. Tinha manga e tangerina; como eu não suporto manga, peguei o de tangerina. Tinha uma garrafa com água na geladeira e então despejei o conteúdo ali mesmo. Tampei a garrafa e chacoalhei o líquido. Estava pronto nosso suco. Confesso que deixei água demais na garrafa e ficou um pouco aguado, mas para que eu iria me importar com aquilo?

Enchemos nossos copos e nos pusemos a conversar. Não eram aleatórias as conversas, era algo revelador, algo engraçado... Não tínhamos pudor. O que vinha à mente era assunto. E é claro que a bebida ajudava um pouco nessas conversas, mas não tinha tanta sobriedade. Houve algumas tentativas de desempate (desempate esse que não me posso por a falar), que deixaram de ser tentativas.

A fome bateu em certa hora. Nada havia de prático para fazer. Achei uns pastéis recheados de queijo só esperando para serem fritados. Estavam colados uns aos outros, mas não deixei de fritá-los. Fui pegando pedaços e mais pedaços e não liguei se eles estavam abertos ou não. Fritei-os mesmo assim e os comi. O suco não era eterno, uma hora acabou, mas não a vodca. O gelo já estava derretido dentro do congelador e eu não ia arriscar a tomar vodca pura. Acabando o suco, não se tem mais bebida. Pelo menos para mim.

Fui deitar. A janela do quarto estava aberta, mas o calor reinava. Não ventava. E a conversa ao lado também não me deixava. A chuva tinha cessado, mas voltou com toda força naquela hora. A janela foi fechada e uma ideia surgiu: fumar. Levantei-me num pulo, aceitei a ideia. Fui até o terraço; a noite naquele ambiente estava fantástica. Posso dizer que foi a melhor hora dessa noite. E luz não precisava, pois o cinza do céu iluminava um pouco. Foi incrível. Eu, fumando um cigarro, deixando que a cinza se formasse e não caísse, a chuva caindo lá fora e eu presenciando tudo aquilo, sozinha. O vento forte que estava vindo não parecia me incomodar. Eu sentia e apreciava. Era como se ele estivsse entrando pelos meus poros. Foi um momento único e se houvesse luz não seria igual. Verdade é que eu queria que aquilo se repetisse.

Após esse episódio, outras coisas mirabolantes aconteceram. Saí do terraço, pois havia um estranho muito louco andando na chuva. Eu achava que seria impossível de ver alguém naquela chuva, mas cada louco tem suas loucuras. Terminei meu cigarro dentro de casa, e meu irmão e seu amigo ficaram encarando o estranho, que por sorte, foi embora. Tentei dormir novamente, migrando o colchão para a sala, que tinha uma porta direcionada para o terraço, que de lá vinha ar. Mas conversas e bulinações não me deixaram, de novo. E quando fiquei só no colchão, o medo apareceu. Eu dei às costas a ele. Mas apareceu outra coisa: mosquitos. Calor ou picadas de mosquitos? Escolhi o calor, claro. E finalmente, quando eu já estava entregue a essa noite sem luz, algo pisca, reacende. Reacendeu a felicidade para mim. Às quatro horas da manhã a luz voltou. Corri para o meu quarto. Pude enfim dormir.

25 comentários:

  1. Somente eu ou alguém achou o final bem meigo? Nem sei porque, mas achei rs

    Af eu sou lesada ome,
    devo ter visto o curso mas nem me toquei ¬¬

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  2. Ai, ficou um conto muito fofo. Sim, eu me impressiono com suas escritas. Tenho grande admiração por ti. Vim cá hoje apenas para retribuir a visitinha e seu comentário. Mas o texto me chamou a atenção, e decidi lê-lo então. E, bom, não me arrependi (nem tinha como). Adorei **

    Ah, quem manda ter um nlog fantástico de textos super bons e com cada mistério que eu adoroooo? Tinha mesmo que ser recompensada de alguma forma. hehe*

    Beijos, e ótima semana para ti, FERA 2011 *-*

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  3. Ficou um conto bem bacana mesmo.
    Adorei o jeito que nos contou da sua noite. A senti um pouco nostalgica, não sei se foi isso que sentiu tbm.
    Adorei!

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  4. achei interessante seu conto.
    A história do cotidiano sempre me cativa.
    So uma curiosidade. Realmente aconteceu ou é fruto de sua fértil imaginação de escritora?
    qualquer que seja a resposta eu adorei, simplesmente.

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  5. Caramba, vc escreve muito!! Toda vez que eu preciso de um empurraozinho pra minha imaginaçao formar palavras que sejam coerentes eu venho aqui ler seus textos. Nossa amei esse, sao noites assim as mais legais, adoro quando aconetce esse tipo de coisa comigo, que sempre temos os amigos juntos... Muito obrigada pela força, saiba que seus comentarios sao mais que isso em meu blog.

    Beeijo

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  6. Ah Laura, Laura, sempre me cativando! *-* Amei seu conto-realidade! Conversar assim com os amigos nãe há preço no mundo que pague! haha. E fumar, poxa, fumar é lindo apesar de tudo. haha. Sinceramente, não acho nada mais sexy do que fumar. rs.

    Beijos, adorei, como sempre!

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  7. hehe, na verdade, nós estudamos juntas, no mesmo colégio, na mesma sala!

    Ah, e sim, ainda vamos nos encontrar um dia (:

    Obrigada pelo carinho. Beijos **

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  8. Hahah, colegas de profissão sim \o/ E já adiantando, todo ano temos congresso nacionais do nosso curso, o ENEBD (encontro nacional de estudante de biblioteconomia e documentação), ano passado foi em João Pessoa e esse ano será aqui em Manaus \o/ E é uma boa oportunidade de conhecer e interagir com outros estudantes de todo o país e trocar idéias e novidades.. Esperamos vocês, calouros de Pernambuco! ^^

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  9. você fuma ? Me too ! haha :D
    ADOREI O CONTO/REALIDADE ! \õ/

    1 beeijo !

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  10. Bem bacana a história
    embora eu tenha pensado que ia acontecer algo mal no fim ahuahua

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  11. Eu quero uma noite dessas. Divertida enquanto se bebe e calma enquanto se fuma na varanda. Me dá uma noite dessas de presente?

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  12. Super interessante, uma noite bem divertida não? Você escreve contos ótimos! E parabéns por ter passado na federal!!! \o/

    bjo

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  13. nossaa.. quanta diversão. a noite é uma criança querida. tem problema ficar acordada naum..
    hihi

    um bjãO

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  14. *batendo palmas*

    E o mais gostoso é a realidade que o conto passa.
    A delícia de uma descrição, um mero dia, uma mera felicidade :D

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  15. será que quando eu for praí você pode repetir isso tudo?! '-'
    (hi hi)

    beijas, La. :*
    <3'

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  16. "E finalmente, quando eu já estava entregue a essa noite sem luz, algo pisca, reascende. Reascendeu a felicidade para mim."

    E eu não cansarei de falar que você escreve muito bem. Mais um lindo texto, parabéns!

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  17. Faltou luz, mas não faltou inspiração.

    Tudo pode faltar, enquanto elementos
    pudermos desenhar em nossas telas letradas,
    virtualmente disseminadas;
    ah(!)então que se dane a falta,
    que me carregue os ventos de uma noite de
    penumbra clara.

    Yokoso, Calura!

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  18. Você é uma escritora de mão cheia. Seus contos são M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O-S!

    tá de parabéns!

    Bjinhos

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  19. Gostei...=)
    Eh real? Ou soh conto mesmo? rs
    ^^

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  20. janeiro tá quase no fim e fevereiro é curto, daí falta pouco pra julho chegar.! *o*

    beijas, La. :*

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  21. O conto ficou legal. Mesmo!
    Gostei.

    Obrigada pelo comentário.

    Beijos, Laura!

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  22. texto maravilhosos minha amiga...

    ativou varios sentidos meus que estavam adormecidos...lindo-lindo..



    bj

    ah, mudei a cara do meu blog..acho q sua visao nao vai doer mais na hora de ler...rsrrsr..passa la e vota na enquete se melhorou ou nao...

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  23. Laura, você fuma? O.o Não sabia. :P

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  24. Laura, Laura, Laura, como eu gosto de ler você. Sempre brigo comigo por sumir assim.
    Adorei o conto e que NOITE hein.

    Beijos

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