31 de dezembro de 2011

Não adiar.

Todo o problema está em adiar as coisas que devem ser feitas. Eu, por exemplo, estava programando escrever aqui, não hoje, mas há dois ou três dias, sobre a série de livros que tanto me cativou esse ano. Não o fiz por que adiei e agora não dá mais tempo. Sei que ainda é 2011, sei que se eu quisesse, daria tempo. Mas não, decidi por não fazê-lo, não hoje, não agora, não esse ano. E o que na verdade indica no título é o que estou fazendo ao contrário, mas deixa estar. Decidi assim, ora pois. De qualquer forma, ainda esse ano, ainda nessas últimas horas que restam de 2011, eu estarei me desprendendo da série. Lerei o último capítulo, o último que eu nunca tinha lido, do qual eu tinha medo de desfazer. Lerei, ainda hoje. E que a série fique em 2011, e eu possa pensar nela com carinho e relembrar das coisas que aprendi através daquelas tantas palavras que me encantou. Nesse próximo ano, escreverei sobre a série e sobre essa experiência de me desprender. 

Feliz Ano Novo, leitores. E, por favor, tentem não adiar o que deve ser feito. :)

19 de dezembro de 2011

Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.



Estive pensando muito em julgamentos, nos meus julgamentos... O quanto eu falo ou penso de uma pessoa antes de conhecê-la. O quanto eu xingo somente pela aparência. É algo feio, algo ruim, mas eu não consigo evitar. Tem coisas que a gente não consegue evitar de maneira nenhuma. É uma característica minha, que é muito má. Porém, eu me impressiono com as minhas atitudes anteriores e dou uma luz aos meus olhos interiores, que aqui chamarei de "olhos do coração". Acho incrível os olhos do coração. Eles não nos deixam ver maldade, ver feiura, nada de ruim. Eles só nos mostram o que é bom, o que vale à pena ser observado. Vez ou outra, antes de conhecer alguém, penso: "Essa pessoa é feia, ela não é legal". Quase sempre quebro a cara quando a conheço. E depois que a conheço, para mim, essa pessoa é linda. Tanto faz a sua aparência, os seus gostos, se é rico ou pobre, contanto que me conquiste, que me cative, eu só vejo coisas boas.
De uma forma ou de outra, é assim que acontece. Temos mania de só dá importância às aparências, a observar somente o que está fora e descartar o que está dentro. Isso é só ilusão. O que as pessoas nos mostram por fora é só ilusão, é apenas uma minúscula projeção do que elas são. O verdadeiro ser está dentro de cada um, e só poderemos conhecer se soubermos e aprendermos a enxergar isso, sempre com os olhos do coração.

4 de dezembro de 2011

words.


Não as encontro mais. Elas escorrem, correm, fogem de mim. Procuro, mas acho poucas e poucas não me servem muito. Sinto que estou a ponto de perdê-las.

27 de novembro de 2011


Preciso de coisas inoxidáveis, pois não aguento mais ferrugens.

20 de novembro de 2011

Monologando.

Meu sonho é me tornar escritora. Sim, escritora de verdade, de livros. Não, não estou menosprezando nós, blogueiros, mas é que quero algo mais físico, palpável, mais real. Tenho tantas ideias que, pensando bem, poderiam se sair ótimas em um livro. O problema é saber desenvolvê-las bem. Mas isto está complicado para mim ultimamente. Li em um livro dedicado a jovens escritores que, para ser um escritor, você deve ler bastante. É exatamente isso que estou fazendo, mas parece que quanto mais eu leio, mas eu perco meu desenvolvimento. Não que eu perca minha vontade. Como já escrevi há um tempo, eu sempre tenho vontade de escrever. O problema mesmo é no desenvolvimento e isso acaba me puxando para baixo, deixando de lado minhas ideias e nunca tentando desenvolvê-las. Outro problema está também na revisão dos textos. Quer dizer, não é outro problema, é um problema a parte que resolvi puxar para a minha discussão solitária. Eu quase nunca reviso meus textos. No começo eu revisava, mas hoje não sei por que não consigo mais fazer isso. Eu adoro ler meus textos depois que escrevo, mas acho que eu não consigo enxergar meus erros porque eu fico admirada com o que escrevo (que não é lá essas coisas, mas eu sinto orgulho quando consigo terminar algo que comecei). Por exemplo, deve ter uns erros aqui em cima, ou encima (eu nunca sei qual é o certo e estou com preguiça de procurar), mas eu não vou reler dessa vez para consertar. Voltando ao início, eu quero escrever um livro. Um livro não, uns dois, três, quatro... Mas livros bons, livros que interessem o leitor, que façam com que o leitor entre e faça parte da história, assim como acontece comigo. Mas, se eu só pudesse só escrever um livro, eu escrevia um livro para ela, em homenagem à ela. É por isso que tenho essa vontade. Às vezes me pego pensando como seria o livro, a capa, as páginas e o conteúdo. Seria lindo passar numa livraria e vê-lo numa estante. Eu só preciso saber organizar as ideias e por em prática. Só. Não é fácil, é claro, mas eu sinto que tenho capacidade. Eu sei que antes de morrer eu vou escrever um livro. É de certeza, sabe?

é divertido falar só. mas eu sei que alguém vai me ouvir.

15 de novembro de 2011

Aqueles lindos lábios vermelhos.


Acho que nunca cheguei a vê-la completamente. Ela me atraia de tal maneira que chegava a me hipnotizar. Era a sua boca, pintada de vermelho, o meu imã. Eu, polo positivo, ela negativo. A atração era má, insinuosa, provocante. Por vezes eu via closes do seu corpo, do seu cabelo, mas nunca completamente. Aqueles lábios flamejantes me tiravam toda a atenção, me tiravam o sono. Ao longe, eu já sentia a presença dela. Parecia que deixava rastros quando passava. Os lábios me seduziam, me inebriavam e era como se só eles existissem. Eu não enxergava nada ao redor. Fiquei fascinado por aqueles lábios, cor de morango, cor da paixão. A cada movimento, meu corpo estremecia. Era como se os lábios estivesse me chamando, como se uma atração magnética realmente existisse entre nós dois. E quando os lábios esboçavam um sorriso vinho, uma corrente elétrica passava por todo o meu corpo, provocando um grande e demorado arrepio. Não pensava mais em nada, não queria mais nada. Somente admirá-la, olhar aquela boca e a desejar sempre mais. Passei a viver em função daqueles lábios. Sonhava a todo tempo em que minuto, hora, dia, eu os tocaria. Precisava senti-los nos meus. E quando eu não podia mais vê-los, qualquer outra coisa me remetia a eles. A minha mente projetava uma linda imagem deles sorrindo, se movimentando lentamentem, e meu coração disparava à velocidade da luz só de lembrar de como eram belos, de como eram sedutores, de como eram perfeitos. Eu não podia esquecê-los, eu não podia deixar de vê-los, eu os queria só para mim. E consegui. Aproximei-me, olhei-os de perto, senti seu cheiro e finalmente senti seu gosto. Juntei os meus lábios com os dela, aquilo que eu tanto desejei. Entrei em êxtase naquele momento e me senti completamente entregue àqueles lindos lábios vermelhos.

6 de novembro de 2011

Constantes.

Em um dia, um dia inteiro, pode acontecer de tudo ou simplesmente não acontecer nada. O dia pode estar parado, tedioso e nada de surpreendente parece que vai acontecer. Mas têm dias que tudo, até o impossível, pode acontecer. Coisas inimagináveis acontecem e nos acontece, quando o destino trabalha. Às vezes o destino cede o lugar ao acaso, que cede à coincidência, que cede à sorte. Todos trabalham, mas separados. Alguns se juntam, quando um está de férias. Mas acho que no dia em que o tudo aconteceu, o destino, o acaso, a coincidência e a sorte trabalharam juntos, a favor de algo que eles mesmos fizeram acontecer.

Eu nunca saí de casa sem minha camisa xadrez de botão, minha mochila amarela florida e meu tênis listrado. Sei que xadrez, florido e listrado não combinam, mas sempre gostei de ir contra à moda, ou a favor dela, já que uns dizem que é fashion não combinar em nada. De qualquer forma, eu não ligava muito para isso, já que a moda não era o meu campo favorito. Se assim eu me sentia bem, era assim que eu ia sair. Devo ressaltar que eu usava blusas simples, de uma só cor, por baixo da camisa xadrez, para não exagerar tanto. Podem até parecer informações irrelevantes, porém eu sou muito atenta a detalhes, então descrever minha roupa naquele dia é meio que indispensável.

Lugar certo para ir eu não tinha. Saí de casa em busca de inspirações fotográficas para a minha exposição, que estava escassa. Modéstia aparte, eu fotografava muito bem e eram detalhes que poucas pessoas ou até ninguém poderia notar (isso explica minha fixação por detalhes). Minha câmera não era profissional, mesmo assim o foco dela era incrível. Os mínimos detalhes apareciam nas minhas fotos e todo mundo se impressionava quando eu falava que minha câmera era uma simples digital.

Caminhei por ruas arborizadas a fim de evitar a luz forte do sol. E eram nessas ruas que os meus detalhes estavam. Uma campainha quebrada, um lápis de cor no asfalto, um pedaço de tecido agarrado em um galho, uma flor azul no meio de flores brancas, um sapato de criança pendurado na janela e o que mais me intrigou: um chaveiro de um gato preto de coleira no pescoço com o número treze. O chaveiro estava à beira de cair num bueiro, e eu aproveitei aquela chance e fotografei. Dei meia volta e fui andando em direção contrária ao chaveiro , observando sua imagem em minha câmera. Fiquei me perguntando o que um chaveiro como aquele fazia ali. Provavelmente o dono tentou jogá-lo fora, por conter duas imagens de azar em um só objeto. Será que aquele chaveiro duplicava o azar? Não pensei duas vezes, voltei e o peguei. Limpei em minha camisa e o guardei no bolso externo, que ficava na altura do peito. Eu não era supersticiosa e não tinha medo de gato preto, muito menos do número treze. Além do mais, era bonito e eu estava precisando realmente de um.

Estava escurecendo quando notei que tinha andado muito. Fui parar no centro e aproveitei para jantar por ali mesmo. O cheiro de pão de uma padaria próxima de onde eu estava me chamou a atenção. Fui flutuando, como em desenhos, até aquela padaria. Logo na entrada, tinha um tapete, no qual eu quase tropecei, por conta do cadarço solto do tênis. Entrei rapidamente, sem sequer colocar o tapete no lugar. A padaria estava lotada, mas consegui um lugar ao lado de duas senhoras. Coloquei minha bolsa no banco vazio que se encontrava à minha direita. Olhei o cardápio simples, porém interessantíssimo e pedi um suco de abacaxi, sopa e torradas. Enquanto esperava pelo jantar, fotografei algumas imagens, dessa vez pouco atenta aos detalhes. Fotografei alguns rostos, alguns corpos, alguns gestos, mas fui logo interrompida pela garçonete que colocou a bandeja de comida na minha frente, indelicadamente.

Guardei a câmera na bolsa e comi tranquilamente, saboreando cada gole, cada colherada, cada mordida de minha refeição e ainda ouvindo conversas sobre maridos. Mas quando eu estava me levantamento para pagar a conta, um delinqüente entrou na padaria anunciando um assalto. Eu fiquei estatelada, e as duas senhoras que estavam na minha frente ficaram apavoradas, e seus olhos se arregalaram quando viram a arma na mão do bandido. O barulho, que antes dominava todo aquele ambiente, foi substituído por um silêncio tenso. O bandido foi até o caixa e mandou que a operadora colocasse todo o dinheiro dentro de uma sacola plástica, enquanto passava pelo balcão comendo tudo o que via pela frente. Eu estava próxima a porta e resolvi me levantar, com medo que ele resolvesse roubar a todos; eu não queria perder minha câmera, muito menos minhas fotografias. Quando me levantei, o botão da minha camisa xadrez enganchou na cadeira e derrubei o copo de suco - que estava pela metade – em cima da minha bolsa e o líquido começou a escorrer pelo chão. Eu tentei desenganchar minha camisa, mas foram tentativas frustradas. O bandido virou-se e me viu em pé e caminhou em minha direção. Foi aí que o destino, o acaso, a coincidência e a sorte entraram em ação e começaram a trabalhar em conjunto. Quando chegou perto de mim, ele escorregou no suco que eu havia derramado e disparou, no meio do susto, a sua arma. A bala me atingiu e eu fui lançada para trás, caindo no chão e levando a cadeira comigo, por causa de minha camisa presa. Rapidamente, o bandido se levantou, e correu em direção à porta, mas escorregou novamente no tapete que eu tinha tropeçado. Foi de cara ao chão e sua arma voou longe. Por um acaso, um carro de polícia estava passando na frente e viu toda cena acontecer. Os policiais desceram do carro, prenderam o bandido em flagrante e o levaram preso. Por outro acaso, aquele era o bandido que estava assaltando todo o bairro e sendo procurado há meses.

E o que aconteceu comigo? O destino preparou todo esse acontecimento, fazendo com que eu saísse pelas ruas a fim de fotografar; a coincidência fez com que a blusa enganchasse na cadeira no mesmo momento em que o suco caiu e escorreu pelo chão e a sorte fez com que eu achasse o chaveiro do gato preto do número treze. A bala que me atingiu, apesar de ter me lançado ao chão, não atravessou meu corpo, ela simplesmente atingiu o chaveiro, que mais parecia um colete à prova de balas. Foi aquele chaveiro, com os símbolos do azar, que me deixou viva. Foi aí que eu cheguei a uma conclusão (equivocada ou não) que, em conjunto, dois símbolos do azar se excluem mutuamente e resultam em sorte, pois só assim para explicar como o chaveiro havia me salvado.

E eu me pergunto, quando e como o destino, o acaso, a coincidência e a sorte começaram a trabalhar juntos? Eu nunca encontrei a resposta e também nunca mais os encontrei trabalhando juntos. Aquela foi a única vez que eles se dispuseram a trabalhar unidos e ainda mais em favor da minha vida. Esse dia, apesar de surpreendente e traumático, vai ficar na minha memória, pois quatro seres abstratos me salvaram a pele.

29 de outubro de 2011

24 de outubro de 2011

Necessidade de escrever.

A necessidade de escrever implica tantas coisas. O tempo, a imaginação, a criatividade, a mente aberta, o desejo pelas palavras, o sentido das palavras, os objetos à vista, a disposição para tal, os artefatos disponíveis para o ato, o querer e o poder escrever. Eu tenho muito essa necessidade de escrever. Penso constantemente no que escrever, como escrever e quando escrever. Mas eu me deparo com muitos obstáculos à minha frente. São tantos esses que me impedem de fazer o que eu gosto e que me faz bem... Esses obstáculos podem e devem ser vencidos. Isso depende totalmente de mim, é claro. Não falta em mim vontade, de jeito nenhum. Vontade sempre tenho. Quando vejo alguma cena a minha frente, já penso em como descrevê-la e em que história ela poderia se encaixar. Ou simplesmente quando um pensamento paira sobre a minha mente, já penso em como juntar as palavras para formar uma frase. Porém, para escrever, não é somente ter a vontade. É ter todas as coisas que citei lá em cima e mais um pouco. Eu posso dizer que tenho todas essas coisas 'em mão', mas não é sempre que elas aparecem juntas. Mesmo dependendo de mim, mesmo que eu possa vencer os obstáculos, algo irá surgir. Acho que primeiramente, eu tenho que estar bem comigo mesma, organizar as minhas ideias e produzir, mesmo que eu tenha obstáculos. Até porque escrevendo, eu posso vencê-los.




(se bem que não sei se organizei as ideias direito)

15 de outubro de 2011

Amnésia.

A memória é falha. Apenas alguns borrões flutuam na mente. A ordem dos acontecimentos não existe. Os pequenos feitos, as atitudes sem sentido, nada é lembrado. As cenas se passam rapidamente, por corredores estreitos e sem luz. Não há o que fazer para as lembranças voltarem. Foi tudo apagado pelo tempo, como poeira levada pelo vento.

Somente o vazio é enxergado.

9 de outubro de 2011

- Oi, querido! Bom dia!
- Onde você estava a noite passada, mulher?
- Eu estava tomando banho.
- Mentira! Eu te procurei pela casa toda e não te encontrei.
- Querido, não estou mentindo. Eu estava realmente tomando banho.
- Mas o banheiro estava vazio. Não tinha ninguém lá.
- É que eu fui tomar banho no banheiro do nosso vizinho.
- Que vizinho?!
- Fernando, do quarto andar.
- Por que você foi tomar banho lá?
- Querido, eu estava precisando de um banho, mas aqui não tinha água.
- Como assim não tinha água?
- Você não pagou a conta, querido. Cortaram nossa água.
- E por que você foi justamente ao apartamento de Fernando?
- Ah, querido, ele ofereceu o banheiro dele. E ainda mais, não tinha sabonete aqui em casa.
- Você deveria ter saído para comprar.
- E de que adiantaria ter sabonete se não tinha água?
- Você deveria ter me avisado, eu pagaria a conta.
- Mas ia demorar para chegar. E ele foi tão gentil cedendo o banheiro dele.
- Mas você só tomou banho?
- E o que eu mais faria, querido?
- Não sei, ele está sempre olhando para você, acho que ele tem alguma intenção.
- Não, não. Jamais! Ele é muito respeitoso.
- E por que você não voltou depois do banho?
- Querido, você não vai acreditar! Eu estava tomando banho e o sabonete caiu no chão, bem na hora que faltou luz no prédio todo. Gritei por Fernando e ele veio me acudir. Eu não enxergava nada, mas Fernando entrou para me ajudar a procurar o sabonete. Ele tirou a roupa, para que não molhasse, pois o chuveiro estava ligado. Eu me abaixei e por incrível que pareça, achei o sabonete. Só que dei um jeito no meu braço. Eu não conseguia movê-lo e ainda nem tinha terminado o banho. Fernando me ajudou mais uma vez e terminou de me ensaboar. Enxugou meu corpo todo, gota por gota e me levou para cama.
- ELE LHE LEVOU PARA A CAMA?
- Sim, querido, mas calma, ele me levou para a cama para cuidar do meu braço.
- Hm, achei que fosse outra coisa.
- Sim, querido, me deixe terminar. Brincamos de médico. Digo, ele se passou por médico, cuidou do meu braço com tanta delicadeza. Cuidou com tanto carinho de mim, querido, que eu acabei adormecendo. Ele ficou com pena de me acordar, veja só! Me deixou dormir ali, do lado dele. Aí hoje de manhã, me acordei, peguei minha roupa que estava no banheiro e agradeci muito por ele ter feito tudo o que me fez. Está vendo, querido? Fernando não é um homem mau, ele só cuidou de mim, como qualquer outra pessoa faria.
- Desculpe-me por desconfiar de você, meu amor. É que eu cheguei e não vi você, nossa! Fiquei muito desconfiado. Me perdoa, por favor? Eu vou falar com Fernando e agradecer tudo o que ele fez por você.
- Ótimo, querido. É assim que você deve agir. Nada de atritos entre vizinhos.
- Agora vem cá, meu amor, vem me dar um beijinho.
- Ah, querido, estou tão cansada. Meu bracinho ainda dói. Passou a noite todinha assim, acho que vai demorar para sarar. E minhas pernas doem, minha boca dói. Estou toda dolorida. É que dormir em outra cama é tão cansativo... Você entende, não é, querido?
- Entendo sim, meu amor. Vá, vá descansar. Qualquer coisa, é só me chamar, está bem?
- Obrigada, querido. Você é um anjo!


Inspirado em uma encenação.

1 de outubro de 2011

Adeus, pensamentos.


Os maus pensamentos... aqueles que perturbam durante o dia, durante a tarde, durante a noite. Aqueles pensamentos impuros, que não saem da cabeça por um minuto sequer. Aqueles que grudam feito chiclete na mente. Aqueles que já são banalizados. Aqueles que nos tiram o sono.

Aqueles, esses... esses pensamentos foram embora. E espero que não batam na porta nunca mais.

20 de setembro de 2011

14 de setembro de 2011


O amor aparece quando menos esperamos
E cresce à medida que o tempo vai passando
Não tem hora para acabar
Ele veio para ficar
Estará sempre comigo
Até o infinito.

10 de setembro de 2011

7 de setembro de 2011

Aquele triste dia.

Hoje é feriado, mas isso pouco me importa. O que vim aqui para contar é uma triste e verdadeira história que passei e, por mais que ainda seja recente, não consigo para de pensar. Mas para contá-la, prefiro fazê-la do início, para entendimento de todos.

Estávamos eu e uns amigos, depois da aula, indo para um bar ao redor da faculdade. Costumamos passar pela roleta, que é a entrada precária que a faculdade fornece como acesso, mas nesse dia, decidimos ir por uma abertura das grades que cercam o campus, só por ficar um pouco mais perto de onde queríamos chegar. Não poderíamos chamar aquilo nem de entrada, nem de saída, é apenas uma abertura que a maioria dos alunos utiliza como acesso. E como fazemos parte da maioria, geralmente passamos por lá. É estreita, mas mesmo assim, todos conseguem passar. Então, a passar por essa abertura, avistamos um cãozinho, deitado entre palhas, matos e pedaços de roupas velhas. Nesse dia tinha chovido, mas a chuva já havia cessado e notamos que o cãozinho estava molhado, tremendo de frio e muito, mais muito magro. Olhamos para ele com uma pena tão grande e sem saber o que fazer para ajudá-lo. Ele estava fraco, com a aparência muito triste e eu digo que, pelo olhar dele, estava chorando. Eu senti isso e ainda sinto até hoje que aquele olhar era de uma tristeza imensa que carregava em seu ser (nesta parte da escrita, minhas mãos tremem). Perguntei se alguém tinha comida, algo que pudesse alimentar o cãozinho. Uma amiga tinha um salgadinho e jogou um pouco perto dele, mas ele nem sequer cheirou a comida. Dava para ver que ele não tinha forças nem para mastigar e que, como estava muito magro e fraco, provavelmente fazia tempo que não comia e quando isso acontece, mesmo que tenha fome e comida, ele não conseguiria. Não tínhamos ideia do que fazer com aquele cãozinho e então deixamos ele lá, junto com a sua sorte. Meu coração doeu quando eu fui andando e virei as costas para aquele ser tão indefeso, tão fraco, tão só. E eu olhei para trás e ele nos olhava, com aquela mesma carinha de triste que encontramos (nesta parte da escrita, meus olhos lacrimejam). Chegamos ao bar e contamos o que vimos. Eu ainda estava incomodada com a nossa anti-atitude. Sei que, depois desse dia, não mais fomos no bar, não mais passamos por ali. Mas ontem, quando eu passei por lá com uma amiga, vimos o que já imaginávamos. Não preciso nem descrever, pois vocês já imaginam, assim como eu imaginei. E aí meu coração doeu mais ainda. Doeu por que eu me senti a responsável de deixar que a sorte levasse aquele cãozinho. Doeu por que eu nada fiz, virei as costas para aquele ser inofensivo, aquele ser que não tinha como se cuidar, como se defender das leis da natureza ou outro ser que pudesse ajudá-lo. O arrependimento tomou conta de mim e eu preferia não ter visto nem ontem e nem no dia que o encontramos ainda com vida. Digo isso por que há sofrimento dentro de mim. Mas eu ainda penso: outras pessoas passaram por ali, e provavelmente viram o cãozinho. Assim como nós, essas outras pessoas não fizeram nada por ele. Assim como nós, essas pessoas viraram a cara para ele, deixando a sorte ao seu lado.

Vou dizer uma coisa que eu sinto... Eu sinto mais pena de ver um cãozinho, assim como esse que eu vi, sozinho à própria sorte, que ver um ser humano. O ser humano é tão vil, que não é digno de pena, assim como eu. O ser humano pode se defender, a vida, digamos, é mais fácil para ele, se for comparar com a vida de um animal. O animal vive sozinho, mas o ser humano não.

Se um dia alguém encontrar um animal assim como eu encontrei, por favor, não vire as costas, não faça o que eu fiz. Poupe a vida dele e sinta-se feliz por ter tirado este ser de seu terrível destino.

5 de setembro de 2011

Não te leva a lugar nenhum.

Ah, é fácil falar do sol. Vou compor uma poesia:
"O sol, seus raios
Iluminam meu viver
E com seu calor
Não me faz sofrer..."
e por aí vai. É fácil falar das flores, oh, da terra úmida quando chove, dos pássaros cantando, das ondas do mar em seu vai-e-vem, do sorriso de uma criança, oh como é bela a paisagem no horizonte, oh, o céu, em seu crepúsculo, como é lindo aqueles raios coloridos que riscam o céu. É fácil falar da simplicidade dos objetos, dos gestos, dos manifestos. Oh, que deslumbrante, que fascinante é aquele vaso, aquele vaso chinês, em seu formato perfeito-imperfeito, com seus desenhos e pinturas e riscos e arte e escultura e oh, que mimo, como eu aprecio coisa cara. Oh o dinheiro. Que invenção mais perfeita é o dinheiro. Oh se ele não existisse, oh eu não viveria. Eu posso ter tudo o que eu quero, eu posso ter tudo o que eu posso, eu posso ter tudo o que eu posso querer, eu posso ter tudo o que eu posso querer ter. Oh que alegria, a alegria de viver. A alegria de pular de alegria e sorrir de alegria e chorar de alegria e festejar em prol da alegria. A manifestação do mundo, mani-festação, manif-estação. Oh, as estações do ano. Verão, outono, inverno, primavera. O outono, a estação melancolia, a estação melancia, a estação melão, a estação melanina, estação melada, estação do mel, mel, mel. As folhas envelhecidas, as frutas que não nascem, o vento que sopra frio. E que aconchegante é sentar na varanda, e ler num dia claro e confortável, oh. E como é encantadora e fascinante a vida. A vida é simples, simplicidade, naturalidade, ingenuidade, sinceridade. As pequenas coisas que somadas se tornam grande coisas. Como são bonitas as formas, as fórmulas, as fórmulas matemáticas, a trigonometria, seno, cosseno, tangente, equação do primeiro grau, a física, a velocidade, o tempo, o tempo que não existe ou existe de forma espiritual, marginal, intelectual, o empuxo, a mecânica, a física quântica, a altura, o eletromagnetismo da terra, a força que puxa para baixo, a gravidade, a gravidez, e a vida volta. E a vida vai, a morte toma seu lugar, a morte morrida, a morte matada, a morte arranjada, a morte combinada, combinação de números, a matemática novamente, nova, novíssima, novidade. A coerência, a coesão, a consistência, a consciência, o apreço, o desprezo, o menosprezo, menosprezar, respeitar, desrespeitar. Ar, er, ir, or, ur, as conjugações verbais, mas verbo em ur não existe, dizem os gramáticos, os pragmáticos, os problemáticos. Oh, os problemas, eles acabam, mas nunca se resolvem.

3 de setembro de 2011


E quando a noite vem, eu me recolho. Finjo que não vejo ninguém, fujo e me escondo no meu cantinho. Fecho todas as portas, todas as janelas. Não abro espaço para a luz entrar. Ninguém entra, ninguém pode entrar. Tranco tudo, toda e qualquer abertura que tiver. Mas somente uma coisa eu deixo aberta: minh'alma.

26 de agosto de 2011

Vento na janela.

Acordei em um dia cinza, há quilômetros de casa. A viagem havia sido longa e cansativa, então tombei na cama do quarto de hotel, que eu tinha reservado dias antes da minha partida. Eu precisava sair de casa, respirar novos ares, conhecer novas pessoas e ter um momento somente meu. Minha vida não estava bem, os problemas com a família sugavam toda a minha paciência, as brigas e confusões pareciam nunca cessar e o único jeito de deixar isso de lado por um tempo era viajando. Creio que minha atitude não foi nem um pouco madura, afinal eu virei as costas para os problemas e fugi, mas estava precisando disso há muito tempo.

Não tinha sido fácil fazer minhas malas de madrugada, sem fazer barulho. Eu queria sair sem que ninguém me visse, pois poderia escutar algumas palavras que me fizessem voltar atrás. Pensei em como todos iriam se sentir quando soubessem que eu os tinha deixado para trás, sem me importar, sem dizer para onde eu ia, então deixei um recado, na porta da geladeira, explicando meu motivo, que eu ia ligar todos os dias para dizer que eu estava bem e que o tempo da minha viagem era indeterminado.

Levantei-me e fui diretamente para o banheiro tomar um bom banho. Apesar da ameaça de chuva, a temperatura estava altíssima, gerando aquele mormaço, como praia em dia de domingo. Como era meu primeiro dia por ali, resolvi sair cedo para conhecer um pouco da história da cidade e os lugares interessantes para se visitar. Era uma cidade simples, porém muito bonita e o que me encantavam eram as pessoas, todas bem vestidas e muito educadas. Sempre que alguém passava pelo meu lado, dizia um ‘Bom Dia!’ com um grande sorriso estampado no rosto.

Conheci pessoas maravilhosas e muito acolhedoras, tanto que fiz amizade com uma senhora que insistiu que eu deixasse o hotel para passar meus dias em sua casa. Era viúva, seus filhos moravam longe e se sentia muito sozinha numa casa que guardava muitas lembranças. Pensei bastante e dois dias depois fui me hospedar em seu cantinho. A casa era bonita, muito bem decorada e com um cheiro que lembrava a minha casa; eu não poderia me sentir tão melhor quanto eu estava.

A senhora me deu toda a liberdade que eu podia, mas não queria ter. Disse que se sentia muito bem quando alguém passava os dias em sua casa. Todos os dias ela me lembrava de ligar para casa e me deixava o tempo necessário, mas é claro que eu não gostava de abusar. Contou-me diversas histórias, de seu tempo de menina até sua velhice. Suas histórias me prendiam a atenção e passávamos as tardes em sua varanda tomando chá e comendo biscoitos. Eu me distraia e não me lembrava dos meus problemas; eu estava feliz ali.

Todas as noites, ela preparava um jantar e me impedia de chegar perto da cozinha. Às vezes chegava a trancar a porta, só para eu não desobedecer às suas ordens. Servia tudo com muito gosto e eram comidas maravilhosas. Tinha gosto de fazer aquilo, de cozinhar para alguém e ter companhia nos jantares. Notei que ela sentia muita falta dos filhos e do marido falecido e eu era como uma filha, por me tratar tão bem e me mimar.

Dias se passaram, recebi ótimas notícias de casa, estava tudo bem. As brigas não mais existiam e a paz reinava em minha casa. Eu sabia que já era hora de voltar, não só por que estava tudo bem, mas eu já estava a um bom tempo fora de casa. A senhora insistiu que eu ficasse mais uma semana, não queria me deixar ir embora de jeito nenhum. Como eu devia toda a minha gratidão a ela, resolvi aceitar. Mudei um pouco a rotina, consegui convencê-la de que eu podia cozinhar e agora era eu que contava histórias. Ela sorria, entendia tudo o que eu falava e até me dava conselhos.

Infelizmente, o dia de ir embora estava chegando. Na última noite, ficamos acordadas quase a noite inteira, comendo doces e assistindo filmes. Foi uma ótima despedida. Eu cativei e fui cativada e isso me deixou com o coração apertado por ter de partir. Fui me deitar quase pela manhã, com a certeza de que um dia eu não tardaria a voltar lá. Acordei poucas horas depois com o sol em meu rosto. A janela estava aberta, as cortinas esvoaçavam muito e o vento estava muito frio. Cheguei a me perguntar se havia esquecido a janela aberta, mas eu tinha plena certeza de que estava trancada quando me deitei.

Olhei para fora e vi um céu bonito, azul, diferentemente daquele céu que me recepcionou. O dia estava belo, como eu nunca tinha visto. Pássaros brancos voavam baixo, próximos da casa. Alguns pousaram nos fios de energia, de frente para casa. Fiquei admirada com a atitude incomum dos pássaros e fui chamar a anfitriã da casa para admirar junto comigo. Procurei em seu quarto, mas ela não estava. Passei pela sala e a encontrei sentada na poltrona, cochilando. Cheguei perto e balancei levemente seu braço, para não assusta-lá, mas ela não se moveu. Seu rosto estava sereno, parecia que sua alma sorria. Balancei mais uma vez seu braço, mas foi em vão, ela não se mexeu de jeito nenhum. Percebi então que ela não mais respirava e comecei a balançar todo o seu corpo, quase gritando. Todas as minhas tentativas foram em vão; eu não queria admitir que ela não estava mais ali.

Chorei em seu colo, pedindo para me ouvir, prometendo ficar quantos dias quisesse, mas ela não me escutava, pois só o seu corpo estava ali. Percebi então que aquele vento na janela tinha sido sua alma entrando no quarto, me convidando para admirar o dia em que partiu e para mostrar seu novo lar, aquele céu límpido, sem nuvens e muito azul. Os pássaros foram buscar sua alma, deixando apenas seu corpo como prova de que ela tinha passado pela terra. Eu estava muito triste com a sua partida, mas por um lado, feliz, por ter conhecido alguém tão especial e bondosa como ela.

23 de agosto de 2011

Lembranças de um criado-mudo.

Velharias. Eu costumava guardá-las e não dar a mínima. Deixava nos seus devidos cantos, não mexia por anos e quando inventava de vasculhar essas relíquias, encontrava coisas que me levavam a tempos distantes. Costumo ser uma pessoa organizada, que não guarda besteiras, só coisas úteis. Mas na verdade, eu gosto de guardar lembranças, pois mesmo que não sirva para alguma coisa física, serve para meus pensamentos, para me transportar para tempos passados. Aconteceu que, num dia qualquer, eu resolvi fazer uma arrumação no meu quarto. Tinha tanta coisa que eu não precisaria mais, tanto lixo, tanta sujeira e eu precisava fazer isso.

Fui fazendo por etapas, para não me complicar. Olhei para o criado-mudo, que ficava ao lado da cama. Estava intacto, consequentemente com aparência tão nova, mas o que ali guardava eram coisas que faziam parte de mim e de toda minha vida. Eu não esperava encontrar o que encontrei e fiquei muito surpresa a cada coisa que eu tirava dali.

Como gosto de ordem inversa, comecei pela última gaveta das três que me esperavam. Logo que abri, o cheiro de nostalgia flutuou no ar. Encontrei fotos antigas da família, num grande e pesado álbum, alguns objetos desnecessários que logo pus na sacola de lixo. Parei a arrumação e abri o álbum. Ao ver as primeiras fotos, meus olhos ficaram marejados. Algumas lágrimas caíram, mas enxuguei rapidamente. Passei um bom tempo admirando aquelas fotos e me esqueci que estava ali para organizar e não observar. Limpei então a gaveta, guardei de volta o álbum e fechei, antes que eu atrasasse mais a arrumação. Na segunda gaveta encontrei livros de autores renomados, que eu costumava ler, esmaltes velhos e secos, uma caixinha com brincos e anéis e um óculos. Cada objeto ali me transportava para um dia distante. Os livros me levavam às pessoas que me presentearam e os esmaltes, brincos e anéis e o óculos à ocasiões que os utilizei. Incrível é que a maioria desses objetos me faziam lembrar exatamente os dias antepassados. Desta vez não chorei, sorri com minhas boas lembranças.

A primeira gaveta (a última que abri) tinha cheiro de aconchego e melancolia ao mesmo tempo. Encontrei uma sacola cheia de lenços estampados e listrados, floridos e lisos; uma variedade de lenços. Lenços esses que pertenceram a uma pessoa querida, que sempre morou em meu coração. Retirei a sacola de dentro da gaveta e fui observar. Desta vez não me contive, pois a cada lenço que eu retirava da sacola, lágrimas e mais lágrimas caíam sobre meu rosto. Lembrei de como essa pessoa ficava bela e elegante quando usava aqueles lenços, de como os lenços davam mais graça a sua aparência. Retirei todos, um de cada vez, sempre cheirando e ao mesmo tempo enxugando minhas lágrimas. Olhei dentro da gaveta e ainda restava algo que eu não tinha visto. Era uma agenda anual, daquelas que vem calendário. As páginas estavam coladas umas nas outras, mas com delicadeza consegui descolar. Não tinha anotações importantes, nem pensamentos escritos, mas apenas alguns rabiscos e anotações relevantes. A pessoa, dona da agenda, era a mesma dona dos lenços, o que me fez recordar que eu não tinha nada escrito por ela. Então, retirei as páginas que tinha suas belas letras, que desde sempre admirei. Coloquei a agenda na sacola de lixo e fiquei com as páginas na mão, encantada com o que eu havia encontrado.

Apesar de muito chorar com as lembranças que eu encontrei, eu estava feliz. Sintia-me bem, por ter visto tanta coisa em apenas um dia. Enxergar o passado apenas com objetos é uma forma de lembrar como foi bom ter vivido tais experiências e conhecido tantas pessoas. Eu ria da graça que era fazer uma arrumação e ser presenteada com boas lembranças. Ainda faltava vários outros setores do quarto, mas após eu ter visto tudo aquilo, adiei a arrumação. Queria ficar sozinha, com as minhas lindas e boas lembranças.

21 de agosto de 2011

Inspiração.


A inspiração vem quando menos espero. De todos os lados, de todos os lugares, em qualquer hora. Quando me deito e não consigo dormir, a insônia dá espaço à imaginação, fazendo com que eu me levante, cace um papel e comece a escrever. Às vezes vejo um objeto, uma frase e um gesto e algo pisca em minha mente. Quando o tempo está passando, olho para o nada e simplesmente escrevo. Escrevo o que minha mente me manda escrever; o que minha mente me mostra. E é ela que me mostra o mundo e todas as possibilidades. Ela move meus dedos, move todo meu ser. E sempre que escrevo, acabo fazendo parte da história, por ser algo meu. Vez por outra, acontecimentos reais me inspiram. Escrevo uma história baseada naquilo que eu vivi ou que outras pessoas viveram. E é assim. A ideia surge, minha mente trabalha e pronto, a história está criada.

18 de agosto de 2011

De drogue em poudre.


Encaminharam-me para o fim da existência
O fim que nunca teve um começo, apenas fim
E o sol derreteu todas as possibilidades de um ser existente
Inexistente
Tanto me derreteu que virei pó
Pó de drogas, droga em pó
Eu fui repassado
Eu fui diluído
Eu fui inalado
Jogaram-me para o além
Além do infinito
Onde tudo é nada
Eu sou tudo
Logo, eu sou nada.


16 de agosto de 2011

Anello.

Quando duas pessoas criam um laço, um laço forte, de afetividade, é muito difícil esse laço se desatar. Às vezes acontecem coisas que podem prejudicar um pouco esse laço, mas de alguma forma, ele está ali, firme, com o seu nó indesatável, fazendo de tudo para sobreviver. E ele sobrevive a tudo, não importando o que acontece. Ele se segura em qualquer tipo de abismo, leva chuva, leva sol, sofre, mas não perece. E é assim que acontece até hoje, com Guilherme e Clarisse, que desde pequenos estruturam uma linda amizade. Há quem duvide desta amizade, há quem inveje esta amizade, mas Guilherme e Clarisse preferem não dar a mínima para estas dúvidas e invejas, pois a certeza que vem de dentro deles é bem maior do que os outros acham e pensam por aí.

Compartilhar alegrias e tristezas, ganhos e perdas, dizer a verdade e nunca mentir fazia parte de seu acordo de amizade. O cumprimento desse acordo era feito nem nenhum esforço, a confiança era mantida e o amor, é claro, sempre guardado com muito cuidado. Guilherme gostava dos trejeitos de Clarisse, da forma como ela se comportava, da maneira como ela lhe abraçava. Já Clarisse admirava o sorriso de Guilherme, o modo de como ele enxergava o mundo e os pensamentos que lhe rodeavam.

Acontece que, um dia, o destino resolveu trabalhar na vida de Guilherme. Uma tragédia lhe arrebatou, lhe deixando sem chão. Para ele, a vida não tinha mais sentido, o pranto não cessava e parecia que todo aquele sofrimento ia durar para sempre. Foi como se um pedaço de seu corpo fosse arrancando à força e a dor tomasse conta de todo o ser. Apesar de tudo, existia um ponto de esperança na vida de Guilherme e se chamava Clarisse.

No dia que tudo se finalizou por completo, Guilherme estava abalado, mas que qualquer outra pessoa ao redor e Clarisse não o deixou sozinho nem um minuto. Por mais que Clarisse não soubesse de verdade o que Guilherme estava sentindo, ela sentiu a dor dele. O abraçou fortemente, compartilhando lágrimas, num gesto inédito em sua vida. Ela sofreu com ele, ela sentiu a dor dele como se fosse dela, ela chorou com ele, ela chorou por ele, pela tristeza que afligia o amigo, garantindo que nunca ia deixá-lo só, que o acordo nunca seria cancelado e o laço nunca desatado.


12 de agosto de 2011

Arvorezinha.

Amor é um sentimento lindo, mas um tanto complicado. É como uma árvore. Primeiro, temos a semente em mãos. Se a queremos transformar em uma linda árvore, a plantamos. Cuidamos, regamos, até ela começar a crescer e mostrar seus galhinhos. Aos poucos, ela vai sofrendo mutações, dos galhinhos aos galhos fortes, inquebráveis, com folhas e frutas maduras. E quando ela está assim, forte, só precisamos dar carinho e afeto. Regamos de vez em quando, pois ela já está muito forte. Se regamos demais, ela se afoga, fica encharcada. Aí notamos que regamos muito e paramos. Ela não reclama, ela agradece. Tornamos a cuidar dela do jeito que cuidávamos antes, mas às vezes, quando estamos em sua sombra, ela nos joga um fruto seu em nossa cabeça, fazendo com que nos machuque, por causa da forma como é arremessada. E quando nos machucamos, ficamos com raiva, damos chutes, puxamos suas folhas, arrancamos seus galhos, tiramos um pedaço de seu caule. E a reviravolta acontece. Agora os dois estão machucados, agora os dois estão tristes. E os dois estão a ponto de nunca mais ter comunicação, de nunca mais se tratar dignamente. Só há um jeito de consertar os machucados: um cuidar do outro. Se não houver essa cumplicidade, não há mais a árvore e seu fertilizador. Mas, de toda a forma, a árvore e o fertilizador percebem que sozinhos não vivem e deixam as diferenças de lado, para viver como sempre viveram, cúmplices um do outro, fertilizando amor.

7 de agosto de 2011

Amargo.

E para ela era demais não ouvir mais o som da voz dele. Não ouvir o seu coração bater enquanto deitava a cabeça em seu peito. Não ouvir seus sussurros numa noite de amor. Não ouvir a chave girando na maçaneta quando ele chegava em casa. Não ouvir seus passos, indo em direção ao banheiro, quando acordava de madrugada. E o que seria dela, agora que não podia mais sentir seu nariz enroscando em seu pescoço? Não sentir seus dedos acariciando toda a sua pele. Não sentir o cheiro do seu perfume quando ele chegava para lhe dar um abraço. Não sentir mais o gosto de uva quando os lábios dele encontravam os dela.
Ela não mais ouvia, ela não mais sentia. Não tinha refúgio, não tinha escolhas. Sem seu porto seguro, ela era um nada. E era isso que ela era, o que ela foi. Ela já não é mais nada.

27 de julho de 2011

História (des)Encantada.


Era uma vez uma menina muito palácio que vivia num bonita encantado. Ela era a única lugar daquele princesa, pois seus príncipes eram irmãos. Seu rei, o pai, era muito princesa e não deixava que a severo saísse do palácio. A mundo chorava, pois queria conhecer o princesa. Então, numa bela cavalo, um tarde veio montado num bonito rapaz branco. O reino muito distante, que vinha de um bonito rapaz, veio conhecer o todo o mundo que era tão famoso em palácio. Chegou no baile certo, em que haveria o grande dia. Vestiu-se de baile e foi até o branco. No bonitas tinha muitas meninas baile, mas ele ficou sentada por uma que estava encantado sozinha. Aproximou-se da bela menina cumprimentou e a sozinha. Apaixonou com ela e se conversou. A apaixonou também se princesa e o casamento a pediu em bonito rapaz. Mas o rei não prometida, pois a princesa estava permitiu para casar-se com um príncipe. No dia do bonito rapaz, o casamento roubou a altar e ela abandonou o princesa e o príncipe, abdicando de sua história para viver uma coroa de amor. E eles sempre felizes para viveram.

14 de julho de 2011

Ele e Ela


Aviso, leitor: o que aqui se encontra é uma linda história de amor, que começou há um tempo. Se está disposto a conhecê-la, tenha uma boa leitura e se encante e concordem comigo, que o amor é inexplicável. Se não está disposto, é uma pena. Vai perder uma leitura que lhe fará bem. A escolha é sua. Cabe a você decidir.





Ninguém podia imaginar que um dia, Ele e Ela poderiam vir a se conhecer. Eles não estavam em mundos distantes, viviam na mesma cidade, mas como uma cidade grande se torna pequena a tanta gente, eles um dia cruzaram o caminho. Não é impossível isso acontecer, pois todos os dias estamos cruzando por aí, pelas ruas, com pessoas desconhecidas e que, se viéssemos a conhecê-las, poderíamos ver o quanto são boas. Mas isso não vem ao caso. O caso é que Ele e Ela, apesar de morarem na mesma cidade, cruzaram-se num mundo virtual, em que não importava onde você estivesse; sempre havia um jeito de cruzar com alguém, qualquer que seja. E foi assim que começou. Ela foi a primeira a manter contato, mas por uma coincidência incrível. Em um bate-papo virtual, Ela viu que Ele estava presente em sua lista. Não se lembrava de ninguém com o nome Ele e decidiu investigar, levada pela curiosidade que sempre brotava em sua mente quando via algo diferente em qualquer lugar. O primeiro contato, de tantos outros que haveriam de vir, mas Ela não imaginava que isso poderia acontecer num mundo virtual como aquele. Para disfarçar sua curiosidade e investigação, Ela comentou com Ele sobre a frase que vinha após o seu nome no bate-papo virtual. E assim nasceram e cresceram as conversas. Ela lhe falava como gostava de doces e abóboras e Ele lhe falava que adorava andar na praia quando estava chovendo. A conversa foi ficando tão prazerosa que Ela havia esquecido de lhe perguntar como havia surgido em sua lista. Mas a aquela altura, isso já não importava mais.

Todos os dias, Ela entrava ansiosa em seu bate-papo, na esperança de encontrá-lo para conversar mais uma vez. Alguns dias teve a inesperada surpresa de não encontrá-lo e quando isso acontecia, o mundo virtual não tinha graça para Ela. Porém, quando o encontrava, a felicidade era tanta, que seu coração pulava ao ver o nome de Ele em sua lista. Passavam horas e horas conversando, e não se importavam quando as horas passavam demais. O dia amanhecia e lá estavam eles, conversando. Ninguém sabe ao certo que tipo de conversa eles tinham, para segurar o papo por tanto tempo, mas isso não tem importância. O que importava mesmo era que os dois sempre mantivessem contato, por mais que em algumas vezes isso não pudesse acontecer.

Decidiram, após um tempo, trocar telefone. Já estava na hora. Ela tinha vergonha de ligar para Ele e vice-versa. Mesmo assim, quando não podiam se falar no mundo virtual, trocavam mensagens de bom dia, boa tarde, boa noite, como você está. Era assim que se viravam, era assim que eles alimentavam a saudade que tinha um do outro, apesar de nunca terem admitido que fosse isso que sentiam.

Depois de muito trocarem mensagens, Ela sentiu uma necessidade de conhecer a voz de Ele, saber se as palavras que saiam de sua boca fariam o mesmo efeito das palavras que saiam de seus dedos. Ligou de um número desconhecido, pois temia que, se Ele percebesse que era Ela que estava ligando, não atendesse a sua chamada. Chamou quatro ou cinco vezes até que Ele atendeu. No primeiro momento, não soube o que dizer ao ouvir sua linda voz do outro lado da linha. Quando Ele falou alô pela segunda vez, Ela disse um oi e perguntou se Ele sabia quem estava falando. Por mais incrível que pareça, Ele disse seu nome e Ela ficou impressionadíssima. Apesar de ter ficado sem graça, gostou muito de Ele ter adivinhado quem era. Ela, com seu jeito curioso de ser, perguntou como Ele tinha adivinhado e Ele respondeu que naquele momento estava pensando nela. O coração de Ela palpitou logo após ouvir as palavras de Ele.

Ao mesmo tempo em que Ela percebeu que já sentia algo por Ele, Ele também percebeu que gostava de Ela. E essa percepção atingiu aos dois com tanta intensidade que a ânsia não era mais conversar no mundo virtual e sim conversar no mundo real, cruzar o caminho e compartilhar do mesmo ar. A necessidade foi tão intensa que decidiram marcar um encontro, num lugar que os dois pudessem ir, num lugar próximo para eles. Escolheram a praia, por ser calma e agradável.

No dia do encontro, eles não estavam agüentando a ansiedade. As horas pareciam não passar, diferentemente das horas que passavam rapidamente quando estavam no mundo virtual. Quando, afinal, chegou a hora, ambos correram para o ponto de encontro. Ela chegou primeiro ao local, por ficar mais próximo de onde morava, por isso teve de esperar um pouco. Devo mencionar aqui que os dois nunca tinham se visto por webcam, fotos e ou outras formas que se pudesse ver. Mas como o coração sabe, quando certo rapaz alto e magro, de óculos apareceu ao longe, colocando desajeitadamente o seu cabelo, que estava para cortar, atrás da orelha, Ela soube naquele momento: era Ele.

A primeira coisa que Ela notou em Ele foi o nariz, afilado, empinado e de tamanho médio. Ela era louca por narizes e ficou admirava por encontrar um nariz perfeito em alguém que gostasse. Ele se aproximou, desajeitado como era, e deu-lhe um abraço. Ela, que era tão pequenina, teve de ser erguer para alcançá-lo. Ele achou fofo o gesto que Ela fez para lhe abraçar, por ser uma garota baixinha.

Foram então caminhando pela praia, conversando, até achar um bom lugar para sentar. Sentaram na areia, há alguns metros do mar e repousaram, observando aquele dia tão bonito, que se tornou cenário de um dia especial. De repente, Ele teve uma ideia: para observar melhor o céu, sugeriu que eles se deitassem na areia. Ela, que nunca havia deitado e geralmente não aceitaria uma coisa dessas, não pensou duas vezes; deitou seu corpo na areia, sem reclamar ou fazer objeções. Assistiram deitados ao espetáculo que o céu lhes reservou. Cores, nuvens, pássaros... era o que viam naquele momento. Em certos instantes, os olhares se desviavam do céu e se cruzavam. Seus corações sentiam uma vibração e batiam sincronicamente aos olhares cruzados. E Ela admirava ainda mais o nariz de Ele. Então, num ímpeto, levantou-se e deu um beijo na ponta de seu nariz e voltou a sua posição. Ele, surpreso por sua atitude, lhe sorriu. Em vez de ser ímpetuoso como Ela, Ele lhe pediu permissão para beijar a ponta de seu nariz. No que Ela permitiu, Ele se aproximou, beijou-lhe a ponta do nariz e a olhou diretamente nos olhos e lhe beijou a boca. O beijo foi suave, doce e bastante delicado. Ela correspondeu ao beijo, tornando aquele instante único e inesquecível, tão inesquecível, que hoje, após três anos, Ela e Ele não esqueceram e continuam eternizando momentos, só seus.

11 de julho de 2011

O descarado.

Ele era jovem e destemido. Um rapaz cheio de audácia e astúcia. Fazia coisas sem pensar nas conseqüências e quando elas vinham, ele não se importava; afinal, dizia-se um rapaz corajoso. Muitos adijetivos o definiam, mas o que melhor se encaixava era devasso. Adorava uma libertinagem, ou, partindo para o popular, aquela velha e boa sacanagem. Onde morava, era conhecido como o “cara-de-pau” por paquerar as mulheres alheias. Vez ou outra chegava em casa derrotado, cheio de hematomas. Era o que ganhava por mexer com quem não devia.

Aventura era com ele mesmo e um dia qualquer ele foi se aventurar. Como um bom descarado, resolveu que aquele dia era dia de “trepar, trepar e trepar”, em suas palavras. Saiu de casa às quatro horas da tarde, a fim de caçar alguma mulherzinha que estivesse a sua disposição. Foi até a casa do vizinho pedir a bicicleta emprestada, já que a caçada exigia que fosse a lugares mais distantes.

Estava pronto. Bicicleta em mãos, disposto, não precisava de mais nada. Passou por diversas ruas do seu bairro, mas não encontrou nenhuma mulher com quem pudesse se engraçar. Feias, gordas, velhas; nenhuma lhe agradava. Era exigente demais, um jovenzinho safado. Já quase desistindo, teve uma brilhante ideia: ir até a avenida para carregar uma prostituta. Era mais fácil, não precisava de conversa e sempre estava disponível para o sexo.

Não demorou muito e achou logo a que ele queria. Não era gorda, nem velha, apenas feinha. Mesmo assim ele a quis; tinha uma bunda enorme e era disso que ele gostava. Chegou perto e a chamou para conversar, sendo bastante direito.

- Quanto é que tá o negócio aí?
- Com tudo é cinquenta pau.
- Eita, é de ouro, é? Tá caro demais!
- Então vaza, moleque!
- Peraí moça, vamo negociar.
- Não tem conversa. Já disse, é 50.
- Tá, mas e uma rapidinha, fica quanto?
- Aí é 10.
- Então fechado.

Colocou a prostituta no bagageiro da bicicleta e saiu em direção a um matagal.; estava liso, não queria pagar um motel. A prostituta olhou com uma cara estranha, mas até achou melhor, pois como ia ser rápido, poderia logo voltar para o seu ponto. Ele deixou a bicicleta no chão, baixou as calças e mandou a prostituta levantar a saia e ficar de costas. Pegou em seu pau, ainda mole e começou uma punheta, olhando para a grande bunda que estava à sua frente. Não demorou muito e já estava duro. Pôs a camisinha, se aproximou da bunda, tirou sua calcinha e meteu com força, mas com agilidade. Em pé, do jeito que estava, ele trepou. A cada entra e sai, ele acelerava mais o ritmo. Foi tão rápido e tão forte que acabou derrubando a prostituta no chão.

- Eita! Sabe trepar direito não, é?
- Foi mal aí, é que não to conseguindo gozar. Vou ali rapidinho.

Antes que a prostituta se levantasse, ele pegou a bicicleta sem que ela visse e foi embora, sem pagar. Pedalou ligeiro, sem olhar para trás, achando graça do que tinha feito. Assim como tinha sido veloz na hora da trepada, foi veloz na hora de fugir. Tanto foi que, ao passar por uma rua esburacada, se enganchou num buraco e caiu. Não se machucou, estava inteiro, mas ao se levantar, viu um resultado não muito agradável. A corrente tinha se prendido nos raios e torado. Impaciente e furioso foi caminhando até encontrar uma oficina, para ver quanto dava o prejuízo.

- E aí? Quanto que dá mais ou menos o conserto dessa joça?
- Olha, pelo que eu estou vendo aqui, a corrente levou alguns dos raios e torou, né? Acho que em torno dos quarenta, cinqüenta reais, dá pra fazer o conserto direitinho.
- É o quê, moço? Peraí, tá muito caro esse troço aí.
- Ah camarada, a bike é do modelo novo. E o material é caro mesmo. Eu já tô fazendo uma pechincha pra tu, quer mais o quê?
- Puta que pariu! Pra quê que eu fui trepar hoje?











Ain gente, desculpa pelas palavras que pus no texto, mas queria colocar algo bem real, de acordo com o que eu imaginei. A inspiração para esse conto é uma história muito engraçada e eu já estava querendo trabalhar nela. Só espero que o resultado seja positivo hehehe.

7 de julho de 2011

Cinema Casual - Parte X.

Alguns dias haviam se passado. Mel tinha recebido alta do hospital e já estava em casa. Apesar de estar inteira, ela tem marcas em seu corpo que deixava claro que o acidente tinha sido recente. Mas Melissa não se importava com isso. Ela estava bem e tinha quem mais queria ao seu lado, Álvaro. Após a noite do cine no hospital, os dois perceberam que aquele encontro casual no cinema não foi apenas uma coincidência. Estava para acontecer, como obra calculista do destino. Como se fosse escrito nos mínimos detalhes, tudo para acontecer. O lugar vazio ao lado de Álvaro estava marcado para ela, o celular estava escondido entre as milhares de coisas que havia dentro da bolsa de Mel, a carteirinha de estudante adorava comprovar a lei da gravidade e se pôs no chão, num lugar que os olhos de Álvaro pudesse enxergar e claro, a coragem do menino tímido de ligar para uma estranha que conheceu no cinema.

Às nove horas de uma noite quente, Álvaro passou na casa de Melissa para pegá-la. Haviam combinado como costumavam combinar, ir ao cinema. Aquela era uma noite especial, pois fazia exatamente dois meses que o encontro no cinema tinha unido os dois amantes de filmes. Como o primeiro mês passou despercebido aos olhos deles, resolveram comemorar o segundo mês.

Foram caminhando até o cinema. Era perto da casa de Mel e como sugestão de Álvaro, eles deveriam ir caminhando, apreciando a noite e aproveitando para conversar tranquilamente.

- Sabe, geralmente eu me pego lembrando aquele dia... À caminho do cinema, eu pensava que filme eu iria assistir. E eu vejo que eu escolhi o filme certo.
- Claro, você sabia que ia me encontrar lá e escolheu o filme. Você me viu e quis sentar perto de mim e ainda deu a desculpa de que não encontrou o celular, só para pegar meu número.
- Não seja convencido. Eu disse que escolhi o filme certo, por que realmente aquele filme era bom. E eu nem olhei para você direito, garoto, só sentei lá por que era um bom lugar, a posição era ótima. E eu não dei desculpa nenhuma, eu realmente precisava achar meu celular. Mas lembre-se, quem se gratificou com o número foi você, me ligando naquela noite. O primeiro passo foi seu. – disse, rindo e beijando o pescoço de Álvaro.
- Quantas explicações, hein? Está com medo que eu pense que foi você que se interessou primeiro? Se bem que eu nem sei como eu tive coragem de te ligar naquele dia. Eu até pensei em ficar com a sua carteirinha, para ter uma desculpa e te ligar. Mas liguei mesmo assim, sem nenhuma desculpa. Arrisquei e consegui, viu?
- Você deveria levar um prêmio de “O garoto mais tímido e mais corajoso”.
- Bem que você poderia me dá esse prêmio, né? – olhou com uma cara fofa, se aproximando dos lábios de Melissa.

Os dois pararam no meio da rua. Mel subiu no meio fio da calçada, colocou os braços em volta do pescoço de Álvaro e tascou-lhe um beijo, que chegou a surpreendê-lo.

- Nossa, Melissa!
- Você não pediu o prêmio? Está achando ruim, é?
- Na verdade, achei sim, porque foi muito rápido. Posso receber um segundo prêmio?
- Pode, mas só depois do cinema. Se liga, Álvaro, só se recebe o Oscar depois dos filmes. – olhou bem fundo nos olhos de Álvaro, com cara de malícia.
- Hmmm, Oscar é sempre um ótimo prêmio. Acho que não vou agüentar assistir ao filme de tanta ansiedade.
- Vamos logo, está perto da hora da sessão. – puxou pela mão de Álvaro, apresando os passos.

A sessão que pegaram estava praticamente vazia. Havia muitos lugares vazios, que podiam ser escolhidos. Sentaram-se na última fila, que ficava bem na parede da sala. As luzes se apagaram e os trailers começaram a passar na tela. Álvaro cochichava coisas no ouvido de Mel e ela se segurava para não rir alto. Ele a puxava para perto, dava beijos e não a deixava olhar para a tela. Quando começou os créditos iniciais, ele se afastou e deixou que ela se concentrasse no filme.

O filme durou duas horas, mas para Álvaro foi como se tivesse durado três, quatro horas. Não chegou a prestar muita atenção ao filme. Quando a tela iluminava toda a sala, ele olhava para o rosto sério de Mel e ficava admirando, com a vontade de tocá-lo, de beijá-lo, mas se segurou, pois não queria atrapalhá-la.

- Não gostou do filme?
- Gostei sim, do filme “Melissa, o perfil”.
- Ah, seu bobo! Deveria ter prestado atenção, foi muito bom.
- Que nada. O que eu assisti foi muito melhor. Qualquer dia você assiste.
- Pode ser, mas eu prefiro a outra versão, “Álvaro, o perfil”.
- É, Mel, ótima ideia. Esse filme é incrível, você vai ver, vai adorar, vai amar!
- Vem cá, seu convencido. – tornou a beijá-lo, cada vez mais o deixando louco.
- E agora, vamos para onde?
- Qualquer lugar que você quiser me levar.
- Que tal minha casa? Posso cozinhar para você.

Pegaram um táxi na frente do cinema e se dirigiram para a casa de Álvaro. Era mais de meia-noite quando eles entraram na casa. Foram diretamente para a cozinha. Álvaro dizia que já tinha ideia do que ia cozinhar e pediu que Mel lhe fizesse companhia. Mel brincou, dizendo que estava assistindo a “Álvaro, o perfil” naquele momento. Enquanto Mel ‘assistia’ ao filme, Álvaro cozinhava. Parecia saber o que estava fazendo e o cheiro que saia das panelas arriscava um bom palpite.

Em menos de meia hora, já estavam na mesa, comendo e saboreando a comida. Melissa constatou que Álvaro era, realmente, um bom cozinheiro. Após a refeição, arrumaram a cozinha e foram se sentar no sofá, já um pouco esgotados do dia. Entreolharam-se diversas vezes, tentando invadir suas mentes, adivinhando o que estavam pensando. Álvaro não pensou duas vezes. Pegou Melissa no braço e a levou para o seu quarto. Mel não fez nenhuma objeção à atitude de Álvaro, deixou que ele a carregasse. Ele a deitou em sua cama e em seu ouvido revelou tudo aquilo que sentia, todo o seu sentimento de amor por ela. Ela respondia o mesmo, com palavras que saiam de sua alma. E ali, no meio de tantas demonstrações de afeto, selaram, pela primeira vez, um amor que foi construído em telas de cinema.

THE END.





Finalmente! Desde Fevereiro com esse conto-série, mas hoje, finalmente, terminei. Apesar de não haver preparado o final, eu esperava um pouco mais dele. Mas não posso exigir muito. Espero que tenham gostado. Na próxima, não vou me demorar tanto assim.

19 de junho de 2011

O prefácio de Wilde.


"O artista é o criador de coisas belas.
Revelar a arte e ocultar o artista é a finalidade da arte.
O crítico é aquele que pode traduzir, de um modo diferente ou por um novo processo, a sua impressão das coisas belas.
A mais elevada, como a mais baixa, das formas de crítica é uma espécie de autobiografia.
Os que encontram significações feias em coisas belas são corruptos sem ser encantadores. Isto é um defeito.
Os que encontram belas significações em coisas belas são cultos. Para estes há esperança.
Existem os eleitos, para os quais as coisas belas significam unicamente Beleza.
Um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.
A aversão do século XIX ao Realismo é a cólera de Calibã por ver seu rosto num espelho.
A aversão do século XIX ao Romantismo é a cólera de Calibã por não ver o seu próprio rosto no espelho.
A vida moral do homem faz parte do tema para o artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito. O artista nada deseja provar. Até as coisas verdadeiras podem ser provadas.
Nenhum artista tem simpatias éticas. A simpatia ética num artista constitui um maneirismo de estilo imperdoável.
O artista jamais é mórbido. O artista tudo pode exprimir.
Pensamentos e linguagem são para o artista instrumentos de uma arte.
Vício e virtude são para o artista materiais para uma arte.
Do ponto de vista da forma, o modelo de todas as artes é o do músico. Do ponto de vista do sentimento, é a profissão do ator.
Toda arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que buscam sob a superfície fazem-no por seu próprio risco.
Os que procuram decifrar o símbolo correm também seu próprio risco.
Na realidade, a arte reflete o espectador e não a vida.
A divergência de opiniões sobre uma obra de arte indica que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos divergem, o artista está de acordo consigo mesmo.
Podemos perdoar a um homem por haver feito uma coisa útil, contanto que não a admire. A única desculpa de haver feito uma coisa inútil é admirá-la intensamente.
Toda arte é completamente inútil."




- pra mim, o melhor prefácio (extraído do livro O retrato de Dorian Gray). a primeira vez que li isso, me encantei e decidir ler o livro todo e até já o li pela segunda vez. se se encantarem pelo prefácio, como eu, não deixem de ler o livro.
acho que é a primeira vez que posto algo não escrito por mim aqui no blog. os tempos estão difícies para a escrita. me organizarei nas férias (estão chegando o/) e acho que antes delas, escreverei a próxima parte da minha história. eu não quero abandonar esse lugar! :D

23 de maio de 2011

Cinema Casual - Parte IX.

Mel não conseguia descrever a sua felicidade ao ser surpreendida por Álvaro. Nada daquilo parecia ser real. Ela abria e fechava os olhos, como que provando para si mesma que aquilo fazia parte de sua imaginação, que aquilo era um sonho. Mas, felizmente, não era um sonho. Tudo em volta era real. Álvaro, ela e o “cinema”.

Álvaro a carregou até o sofá, colocando alguns travesseiros para apoiar as suas costas. Ela sentiu-se uma princesa, com todo aquele cuidado e delicadeza com que Álvaro a tocava, a carregava.

- Confesso que amei tudo isso aqui, estou encantada, Álvaro. Mas não precisava, você teve tanto trabalho...
- Não me venha com essa, Melissa. Eu quis fazer e não foi trabalho nenhum. Pelo contrário, foi um prazer fazer isso. E se isso te deixa mais aliviada, eu fiz para mim também. Afinal, já faz um tempo que não assisto filmes, não é?
- Ai, isso me deixou encabulada, não aliviada. Mas é verdade, e eu estou te devendo uma companhia...
- Exatamente! E que graça teria ir ao cinema sem você?

Mel sorriu sem graça com a confissão de Álvaro, mas gostou muito de ouvir aquilo. Ela também pensava assim. Ir ao cinema sem Álvaro, sem tê-lo como companheiro, para rir, conversar e comentar as cenas dos filmes... É, não teria graça.

- Olha quantos filmes eu trouxe! Alguns eu já assisti e outros não. Mas hoje é você que escolhe.
- Vou acabar me acostumando com isso, ouviu? Não vou querer sair daqui nem tão cedo!
- Ah, você vai sair sim! Afinal, essa TV não se compara com as telas do cinema.
- É verdade! Bem, eu escolho este aqui. – Disse apontando para um filme de comédia. – Você já viu?
- Não, ainda não, mas é uma ótima pedida e está propício para o momento.

Ele levantou-se e colocou o DVD, posicionando tudo, ajeitando o som, a imagem, colocando o áudio e a legenda do filme. Mel observava-o de longe, admirada com toda aquela dedicação de Álvaro. Sentiu algo estranho, um arrepio percorrendo todo seu corpo. Balançou a cabeça para evitar que certos pensamentos predominassem sua mente e disfarçou, olhando para o outro lado, quando Álvaro se aproximou trazendo os lanches e se sentando ao seu lado.

O filme durou quase duas horas e nesse tempo o que os dois mais fizeram foi rir. Riram tanto que não agüentavam mais e em diversas partes do filme, pausaram para rir e riam ainda mais.

- Ótima escolha, hein Mel? – Disse Álvaro, ainda rindo.
- É, foi! É... – Não conseguia falar direito, ainda respirando pausadamente. – Acho que eu nunca ri tanto assim na minha vida. Obrigada... Por esse momento. Por tudo isso que você fez e por não me deixar só.
- Ah Mel, como eu já disse, não foi nada. Mas eu fico muito satisfeito por te fazer feliz nesse momento. E sim, lembrei de uma coisa! Quase ia me esquecendo. – Levantou-se e foi em direção a sua bolsa.
- O que é, o que é? Diz logo, Álvaro, não me deixa curiosa.
- Olha aqui! – Mostrou o DVD que havia comprado no stand de filmes do cinema provisório.
- Não! Não acredito! É sério? Por que não mostrou antes, poderíamos ter assistido.
- Fica tranqüila, vamos poder assistir quando quisermos. Isso é, se você me chamar. Toma, ele é todo seu.
- Meu? Sério mesmo? Onde você conseguiu? Que danado!
- Isso é segredo, Mel. É presente. Eu tinha certeza que você ia gostar.
- Eu não gostei, Álvaro. Eu amei, amei, amei! Você, hein, cada vez mais me surpreendendo. De onde você saiu, garoto?
- Sei lá, de alguma toca por aí. – Os dois sorriram.

Álvaro foi sentar-se ao lado de Mel e admirá-la. Ela não parava de olhar para o presente que acabara de ganhar. Seus olhos brilhavam muito, estava imensamente feliz.

- E você, vai fazer o que agora?
- Queria poder ficar aqui com você, Mel, mas estou cansado e tenho coisas para fazer em casa. Se importa se eu for? Prometo que volto amanhã.
- Me importo sim, mas você deve ir. Sei que isso lhe tomou o dia e que tem outras coisas para fazer, eu entendo. Mas olha, vou assistir esse aqui hoje, sem você.
- Poxa, você é sem graça, Mel. Queria tanto assistir ao seu lado...
- Estou brincando com você. É claro que não assistirei sem você, até por que quero ver suas reações.
- Mas eu já assistir a esse filme e você também, não é?
- Claro que sim! Mas nunca assistimos juntos, então vai ser como a primeira vez, companheiro.
- Então está certo. Marcaremos. E vai ser na minha casa, ok?
- Está ótimo! Daí você vai cozinhar para mim e eu ficarei só olhando.
- Como você é esperta, Melissa! – Os dois sorriram. – Agora vou indo mesmo. Fica bem, viu? E qualquer coisa, liga para mim, que eu venho.
- Está bem. Cuidado na volta. E mais uma vez, obrigada.

Álvaro sorriu e se aproximou de Melissa, para abraçá-la e beijar sua bochecha, mas Melissa virou seu rosto e Álvaro beijou sua boca, num selinho. Os dois se olharam e Melissa o puxou para perto, beijando sua boca com vontade. Álvaro, que já estava de pé, sentou-se ao lado de Mel no sofá e a tomou nos braços, deitando-a com cuidado, para não machucá-la. Seus lábios colaram-se, como se aquele momento fosse único, como se aquele beijo fosse o último de suas vidas.




Adorei escrever esta parte. Estou voltando a me empolgar! :D

17 de maio de 2011

Eu, você e a lua.


E onde quer que eu vá, lá está ela, a lua. Para onde eu vou, ela vai atrás. Ela me persegue e toda vez que eu olho para o céu e a vejo, eu me lembro de você. Acho que é isso que ela quer, ela está ali presente para eu te ver. Por que é assim, quando a olho, eu vejo você. Vejo seu belo rosto e seu sorriso, aquele sorriso só meu. E vendo tudo isso, algo brilhou em mim e me fez perceber que eu sentia sua falta e que eu precisava de você. A verdade é que eu não queria admitir a mim mesma o que eu estava sentindo, que essa falta toda significava que o meu amor por você estava mais forte que nunca, que ele crescia vertical e horizontalmente, e sua velocidade de propagação era mais rápida que a velocidade da luz. Eu nunca deixei de te amar, apesar de algumas vezes as dúvidas terem pairado sobre a minha mente. Mas essas dúvidas foram embora rapidamente, pois foram elas mesmas que me deram a certeza do que eu sentia. A certeza se apossou de mim, o que me fez crer que o nosso amor era verdadeiro. Sim, ele continua sendo verdadeiro. E hoje, quando eu tenho saudades, olho pro céu e procuro a lua. Imagino que você também está olhando e que nossos olhares estão se cruzando através dela. Só assim para eu te sentir perto de mim, com seus beijos, abraços e calor.





Logo mais estarei postando a próxima parte do conto. Tenho estado sem tempo e imaginação.

10 de maio de 2011

Cinema Casual - Parte VIII.

Mel acordou na cama do hospital, com algumas ataduras e a perna engessada. Seu corpo todo estava dolorido, e ela não conseguia se movimentar muito bem. Estava desnorteada, não sabia como havia parado ali. Procurou o botão da enfermeira e acionou-o. A enfermeira, que se chamava Vivian, chegou logo após Mel ter acionado o botão. Provavelmente já estava no meio do caminho, pois trazia uma bandeja com o café da manhã. Mel começou a questioná-la sobre como havia parado ali, mas ela não sabia, pois tinha sido transferida de andar naquele dia. Vivian esperou Mel comer e disse que logo mais o Dr. Baronelli apareceria para ver como ela estava e ele explicaria tudo.

Por um momento, Mel se lembrou de Álvaro. Das tardes em que os dois iam para o cinema, em que conversavam... Sentiu saudades. Ficou se perguntando onde ele estaria naquele exato momento e se ele também estava pensando nela, se ele sabia de seu estado. Sorriu ao lembrar-se de como se conheceram. Foi algo incomum, mas que resultou em algo gratificante para ela. Estava quase perdida nos seus pensamentos quando o Dr. Baronelli chegou em seu quarto. Fez um exame geral, somente olhando para o estado físico de Mel e tudo se encontrava conforme esperava. Antes mesmo que o Doutor falasse, Mel o bombardeou com suas perguntas. O Doutor explicou como tudo aconteceu e como ela havia parado ali. Foi aí que Mel começou a lembrar aos poucos do ocorrido. Mesmo lembrando, ainda estava impressionada. O Doutor disse que ela teria alta no dia seguinte, pois só precisava de um pouco mais de repouso. Quando ele chegou perto da porta, Mel se lembrou de uma pergunta que não havia feito:

- Doutor... Sabe dizer que alguém passou por aqui quando eu não estava acordada?
- Você está falando do menino Álvaro? Se sim, ele chegou aqui ontem desesperado, mas não pudemos o deixar entrar, por regra do hospital quando alguém dá entrada. Mas não se preocupe, provavelmente ele vai passar aqui.

Mel ficou feliz em saber que Álvaro tinha estado por lá. Mesmo não a vendo, ela sentiu que ele estava preocupado com ela. Obviamente, pois ela não dera notícias e tinha “furado” com ele no cinema provisório da cidade.

Passou a hora do almoço, a hora do jantar e nenhuma notícia de Álvaro. Toda vez que alguma enfermeira entrava, Mel perguntava se ela já podia receber visitas ou se alguém tinha estado lá procurando por ela. Todas as perguntas eram recebidas da mesma forma: um balançar negativo com a cabeça. Entristeceu-se, pois queria ver Álvaro e queria que essa vontade fosse recíproca.

Após o jantar, o Dr. Baronelli apareceu em seu quarto com duas enfermeiras, avisando que ela seria transferida, pois aquele quarto seria utilizado por outro paciente. Não podendo contestar, aceitou numa boa. As enfermeiras a colocaram numa cadeira de rodas e a levaram para o quarto em que ela passaria a noite, antes de receber alta.

O quarto estava com a porta aberta, mas não estava iluminado. As enfermeiras deixaram Mel na porta e pediram para ela esperar um pouco. Mel, curiosa que era, ficou observando o quarto, tentando enxergar alguma coisa. De repente, alguém lhe leva para dentro do quarto e fecha a porta. Tudo fica escuro, mas logo se ilumina, quando Álvaro acende o interruptor e fala “Surpresa!”. Mel olha em volta e vê o quarto como uma sala de cinema. Uma TV de plasma e um home theater montados numa mesa, com vários DVDs empilhados ao lado, um sofá grande com aparência confortável e uma mesinha ao lado com vários lanches. Os olhos de Mel brilharam ao ver que tudo aquilo tinha sido preparado por Álvaro.

- Desculpa a demora, mas é que tomei o dia todo para fazer isso.
- Estou impressionada! Por que fez isso? – Mel e sua mania de fazer questionamentos.
- Porque você não pode ir ao cinema. E já que você não pode, o cinema veio até você.





  • Não gosto de sumir assim, mas estou tentando não ficar muito ausente como estou. Mas tá complicado... Não é nem o tempo, pois sempre se arranja uma brecha, mas é a falta de inspiração que não ajuda. Se minha inspiração estivesse tão ativa quando antes, essa série seria melhor. Enfim, ainda não acabou, mas vou tentar fazer um bom final.

20 de abril de 2011

Cinema Casual - Parte VII.

Parece que, quando se tem pressa, nada sai do jeito que se quer. Álvaro passou uma hora dentro do táxi para chegar até o hospital. Não era tão longe, mas, por incrível que pareça, neste dia, a cidade estava em trânsito. A impaciente tomou-lhe, junto com a preocupação. Assim, veio a dor de cabeça, o cansaço, mas não o desestímulo. Queria ver Mel o quanto antes, por isso não chegou a pensar em desistir um segundo sequer. Pensou em ir a pé, mas logo o trânsito andou, e Álvaro finalmente chegou ao hospital. Foi imediatamente à recepção, esbarrando em algumas pessoas que iam saindo do hospital.

- Onde está Mel? – chegou à recepcionista, como se estivesse interrogando-a, com cara impaciente e ofegante.
- Calma, senhor. O senhor gostaria de dizer o nome completo da paciente?
- Eu não sei. Droga, droga, droga, eu não lembro! Melissa! É esse o primeiro nome. Ela deu entrada anteontem no hospital, sofreu um acidente de carro.
- Um momento, que eu vou checar aqui.

Em menos de um minuto, a recepcionista disse o número do quarto. Após ouvir o último número, Álvaro já estava no corredor, indo em direção ao quarto. Na verdade, não ouviu as indicações da recepcionista quanto ao andar e que corredores pegar, mas ele saiu procurando por si só. O quarto ficava no primeiro andar e por sorte, ele o achou rapidinho. A porta estava fechada e ele não pôde entrar. A mulher, com quem ele falou ao telefone, estava lá, a sua espera.

- Bom dia, Amaro. Meu nome é Marcela e...
- Meu nome é Álvaro! E por que eu posso entrar no quarto?
- Oh, desculpe-me, Álvaro. Ela está dormindo, os médicos acabaram de dar uns remédios e por isso você não pode entrar.
- E quando eu poderei falar com ele, hein, Mar-ce-la!?
- Ainda não sei, mas deixe-me explicar a situação. Como eu disse a você, ela passou pela frente do meu carro, sem olhar para os lados. Eu atingi seu corpo e ela caiu já desacordada. A avenida estava vazia, eu poderia muito bem deixar a garota lá, sozinha. Mas sou uma pessoa consciente, e sei que os erros que eu faço, tenho de consertá-los. Eu estava nervosa, achei que tinha matado a garota, mas vi que ela ainda respirava. Coloque-a em meu carro, numa grande dificuldade. Fiz isso depressa, pois tinha medo de ser assaltada. Dei partida no carro e parei num lugar mais movimentado. Olhei seus documentos, foi preciso. Vi que ela não tinha nenhum plano de saúde, então liguei para o meu irmão e expliquei o que aconteceu. Ele falou para eu levá-la até o hospital que ele trabalhava. Foi o que eu fiz. Depois de certo tempo, pensei que alguém a estaria procurando, peguei seu celular, que estava desligado, liguei e procurei na agenda alguém para ligar. Não tinha nenhuma pista para quem ligar. As mensagens estavam trancadas e as chamadas recentes apagadas. O que eu poderia fazer? Deixei ligado, na esperança de que alguém ligasse. E você foi o primeiro.
- Foi culpa minha! Eu insisti para levá-la em casa e ela não quis. Eu deveria ter insistido! – Álvaro falava quase chorando, como se ele pudesse ter evitado tal acontecimento.
- Não foi culpa sua, Álvaro. Entenda, certas coisas acontecem. Tudo por culpa do acaso. Mas fique tranquilo, ela está fora de perigo. Ela só precisa ficar em observação, pois tem alguns ferimentos.
- Engraçado, foi por culpa do acaso que eu a conheci. E por culpa do acaso ela se acidentou. Finalmente, o acaso é bom ou ruim?
- Sinceramente, eu não sei te responder. Bem, Álvaro, estou aqui há muito tempo e gostaria de ir para casa, afinal, já encontrei alguém que a conhece. Desculpe-me por lhe estar causando essa tristeza, mas eu te garanto que isso vai passar, fique tranquilo.
- Vou tentar. E, obrigada, Marcela. Não precisa se desculpar, eu agradeço pelo que você fez e imagino como deve ter sido. Só tenho a agradecer pelo que você fez, pois se fosse outro, não faria isso.
- Obrigada pela compreensão. Bem, aqui está meu número, é só ligar. – disse entregando um cartão. – E, se precisar de alguma coisa, peça para chamar Dr. Baronelli. Com certeza ele vai lhe atender.

Assim, Álvaro ficou sozinho, à porta do quarto onde Mel estava. Impossibilitado de vê-la, pediu a uma enfermeira para chamar o Dr. Baronelli. O Dr. Baronelli estava por perto e logo chegou ao encontro de Álvaro. Conversaram um pouco e o Doutor sugeriu que Álvaro fosse para casa e voltasse no outro dia, pois Mel estava sob o efeito de calmantes.

Apesar de contestar um pouco, Álvaro aceitou a sugestão, prometendo a si mesmo voltar ao hospital logo quando o sol raiasse, com uma surpresa para Mel.




Não morri, gente! As últimas semanas foram complicadas para mim, não pude estar aqui, não pude fazer as visitas que eu sempre fiz, não pude escrever. Isso é deprimente! Mas cá estou eu, aproveitando esse feriado, começando por hoje, para me atualizar em tudo. Espero que vocês gostem desse capítulo. O próximo postarei em breve, não vou deixar que isso aconteça novamente. Digo, vou tentar.
Que saudade! *-*