27 de dezembro de 2010

Acaso inevitável - Parte 2. (END)

Tentei não deixar transparecer meu medo, por estar sozinha numa rua deserta e mal iluminada e com dois psicopatas atrás de mim. “O que querem?”, fui logo perguntando, me encorajando de uma maneira espantosa, como eu nunca tinha feito. Ao que eles me responderam: “Você, boneca!” Fiz cara de desentendida, me tremendo por dentro, e virei a cara. Mas eles não se deram por satisfeitos. Um segurou meus braços e o outro enfiou uma espécie de lenço na minha boca, provavelmente para me fazer calar. O lenço cheirava mal e tinha um gosto salgado.

Eles me carregaram e eu não fui contra. Mantive-me calma, mesmo com o coração quase saindo pela boca. Colocaram uma espécie de algema em minhas mãos e me vendaram. E o lenço fétido continuava entalado na minha boca. Puseram-me em uma camionete espaçosa e aceleraram, cantando pneu.

Criei uma situação para mim naquele estado. Esses caras estavam voltando de algum lugar ou estavam indo e encontraram uma presa fácil. Fingiram não notar minha presença até que eu me distraísse para poderem dar o “bote”. Levariam-me para um lugar distante dali, me colocariam num barco qualquer, jogariam álcool e gasolina, acenderiam um fósforo e meu corpo ou o que restasse dele estaria à deriva, num lago esquecido.

Mas minha situação foi totalmente diferente da que eu criei. Eles eram sim psicopatas, mas não desses que matam só por matar. Eu não tinha criado a situação de que eu era mulher e que eles eram dois homens que estivessem querendo fazer algo, juntos. E foi o que me fizeram. Não tiraram minha venda, mas fizeram questão de tirar o lenço. Meus gritos de dor os instigavam, davam-lhes prazer.

Lembro que dali não saímos. Só pararam a camionete em algum lugar deserto, onde eu sentia cheiro de mato e ouvia canto de grilos. Abriram com força as minhas pernas e cada um segurava uma. Eu não lutei, pois sabia que de nada adiantaria. Deixei que eles fizessem o que estavam pretendendo.

De fato, gritei bastante, pois seus movimentos eram brutos, fortes. Achei que ia morrer. Na verdade, era o que eu queria naquele momento. Assim eu não sentiria nada. Mas quanto mais eles faziam, mais não parecia ter fim. E o meu corpo, suado e sujo, jazia fraco diante daqueles que me violentavam. E eu pensava em tantas coisas... Tentava pensar em algo bom, mesmo naquela situação.

Eu vi rosas, arco-íris, paisagens bonitas, sol, mar... Fechava os olhos para a realidade, que era crua e fria. Rezei, e me senti um pouco mal, por rezar só em momentos ruins. Queria uma ajuda, pois aquilo era desesperador. Queria sair viva, mesmo sabendo que aquilo ia me perseguir durante toda a minha vida.

Acordei no chão, seminua, com a roupa rasgada. Eu estava em um deserto, cercada por mato. Ainda sentia dores em todo meu corpo. Eu estava numa situação infeliz e não sabia como sair dali. Então andei sem rumo, sem saber para onde ir. Andei me apoiando em árvores, pois eu não conseguia ficar em pé totalmente. Depois de muito andar, encontrei um riacho. A água me parecia limpa e nela mergulhei. Naquele riacho eu limpei não só meu corpo, mas também minha alma, que estava suja e corrompida.

Arrependo-me de ter saído de casa e ter voltado àquela hora. Mas quando algo está predestinado para acontecer, não podemos negar. Fui estuprada e vou levar isso comigo, todas as lembranças, sensações, dores, até o momento que meu coração parar de bater.


Eu achei a história meio vaga e depressiva, mas gostei de tê-las escrito. :*

14 comentários:

  1. tem marcas que nem o tempo consegue tirar .-.

    e triste mesmo é saber que essa estória é a história de várias pessoas ;~

    beijas, La :*

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  2. certas cicatrizes nunca fecham

    http://delitosperdidos.blogspot.com/

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  3. É realmente bem triste...Mais sendo a verdade,a gente aguenta!
    Você escreve incrivelmente bem!
    Beijos

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  4. Tem mais um selo pra você no Freescura ♥

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  5. uma história forte, e muito bem escrita como sempre :* Laura.

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  6. Caralho, coitada vei. Muito doloroso ler isto, mas devo admitir que está muito bem escrita chérrie.
    Tás de parabéns. O fato de vce escrever coisas com temas diferentes, nem sempre bonitos é demais.
    beijinhos :*

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  7. Laura, peço desculpas pelo meu sumiço. Minha vida anda de cabeça para baixo nos ultimos dias.
    Não me lembro, se voce estava seguindo o blog, mas mesmo assim vim deixar um aviso : "TIVE QUE 'RESETAR' O BLOG. O DOMINIO AINDA É O MESMO (devaneiovoador.blogspot.com), MAS PERDI MUITOS POSTS E SEGUIDORES :/
    SE CASO NÃO FOR TE ATRAPALHAR, E VOCE SEGUIA O MESMO, PEÇO QUE VOLTE LÁ, E DE UMA OLHADA.
    DESDE JÁ AGRADECIDA !
    Caroline Chiamarelli."
    -

    Eu terminei de ler o "Sei tudo sobre sua vida", e li este de agora :O
    Fiquei extasiada com o desfecho da história e me inspirou a escrever um outro conto. Sempre escrevi, mas de um tempo pra cá, tem sido a penas desabafos e comentários sobre o que acontece no mundo. Agradeço pela fonte de inspiração :)
    Um enorme beijo minha flor, feliz natal atrasado e um próspero ano novo! :*

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  8. Tem selo pra você lá no Petit Poá! ^^

    P.S.: Logo, logo, venho me atualizar aqui denovo, com calma! ;)

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  9. Texto incrivelmente bem feito. Transpôs todos os sentimentos, sentidos e pensamentos. Parecia um filme, pude ver todas as cenas. Triste, mas com um sentimento tão pesado que chega a parecer real. Adorei o blog! Beijos!

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  10. Tem mais um selo! hsauhsua
    Não mandei ter um blog tão incrível. u.u'
    rsrs

    Beijo, beijo.

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  11. Incrível , fantástico , que dom para escrever textos de fortes emoções você tem! Gostei mt!

    ah , falando sobre seu comentário em meu texto : bom , realmente seria ótimo se aceiitasse né ? uma garota com um convite daqueles , poxa ? se eu fosse um cara aceitava logo de primeira , além do mais , é tão bom conhecer os outros profundamente , e deixa-se conhecer tbm ... desvendar segredos ... aventurar-se ...


    beijo , linda!

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  12. triste, mas uma tristeza crua... de quem cospe uma dor e olha amargamente o passado.

    =/

    uma realidade.

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  13. Ai Laura... que dor no coração! Fiquei com muita dó dela! =/
    Fiquei até com medo de sair sozinha de noite agora, se eu ver qualquer pessoa na rua de noite de gravata vou sair correndo! :P

    Deve ser extremamente traumatizante acontecer isso mesmo! :S Nem gosto de pensar... :/

    Você é muito realista, Laura! Adoro, isso!
    Beijos.

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  14. Triste, muito triste e bem escrita.
    Depressiva, acredito que um pouco, a tristeza sempre causa um pouco disso.
    Gostei da mistura que vc fez, entre a realidade e as imaginações da moça.
    Eu acredito que esse, deve ser um dos maiores traumas que um ser humano pode carregar.

    Um Beijo

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Me incentive um pouco mais.