24 de dezembro de 2010

Acaso inevitável - Parte 1.

Eram nove horas da noite e as ruas já estavam desertas. O ônibus que eu tinha pegado estava lotado, apesar da hora. Desci rapidamente e sozinha. Para o meu azar, ninguém do ônibus descia na mesma parada que eu. Fui andando pela calçada do lado esquerdo, sempre olhando para trás e com um passo mais apressado. Muitos falavam que eu era paranóica, mas na verdade eu era cautelosa. Nunca que eu ia andar tranquilamente numa rua deserta, mesmo estando acompanhada.

Eu não gostava de ter homem na minha cola, me seguindo o tempo todo, como meu antigo namorado fazia, mas nessas horas era no que eu pensava: uma companhia masculina. Se acontecesse algo, ele não poderia fazer muita coisa, mas eu já ia me sentir mais segura e creio que não ia chamar tanto a atenção como chamo quando estou sozinha.

Minha casa não era tão perto nem tão longe da parada. Eu tinha que andar uns dez minutos para chegar. Andando rápido como eu estava, eu chegaria em seis ou sete minutos. Dobrei a esquina da rua que estava seguindo e vi ao longe, num boteco de esquina, bêbados sendo enxotados. Estava cedo demais para se fechar um boteco, mas creio que esses tais bêbados estavam atrapalhando ou não quiseram pagar a conta.

Vendo uma situação de longe, eu sempre imagino o que seja. Gosto de criar histórias para esses ébrios. Eles sempre têm histórias, apesar de insignificantes. Algum dentre eles voltou estressado do trabalho e foi beber, aproveitando para passar a perna no garçom. Bebeu seis garrafas e na hora de pagar a conta, fingiu que esqueceu a carteira no carro que não tinha. Mas garçons de botecos já conhecem seus clientes caras de pau. Um dia eles pagam.

Cansada de tentar imaginar essas situações, voltei para o meu foco: chegar em casa o mais rápido possível. Novamente pela calçada do lado esquerdo fui andando apressadamente. Olhei para trás e vi do outro lado da calçada dois homens, bem vestidos, de gravata, provavelmente voltando de alguma audiência que durou o dia inteiro. O silêncio entre eles transpassava para mim o quão exaustivo fora o dia deles. Deu-me vontade de ir logo atrás deles, para ter um pouco de segurança. Mas quando olhei para trás de novo, eles já não estavam mais ali. Imaginei outra situação: o destino deles era naquela rua e eles entraram em alguma casa por ali.

Com medo por não ter mais uma mísera companhia, andei mais rápido do que eu estava andando. Ouvi passos atrás de mim e quando olhei, eram os dois homens de gravata. “Aonde pensa que vai, boneca?” Achei que era graça, por notarem que eu estava com medo, mas não era. De perto, pude ver seus rostos, pareciam psicopatas, e a vontade de fazer algo diferente nessa noite. E eu achando que poderia ficar segura ao lado deles.


Esse conto escrevi há um tempo e há pouco o terminei. Como ficou meio grande, decidi dividir em duas partes.
E aproveitando a deixa, desejo a todos meus leitores um Feliz Natal! Beijo grande.
:*

10 comentários:

  1. Olá, vim desejar um ótimo Natal e um próspero Ano Novo. Que sua vida se torne melhor em 2011 e que você seja mais feliz ainda do que já é!

    Obrigada pela sua presença em meu blog. É muito importante pra mim ver seu comentário lá!

    Mil beijinhos

    Nina

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  2. é aquela história, nada é o que parece ser :)

    beijas, La :*

    ps: feliz natal ♥

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  3. Nossa, um novo conto! haha
    Você tem talento mesmo, hein? *-*

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  4. Você e suas histórias de mais de um post né dona Laura (:
    Estou adorando essa história, vê se não vai demorar pra postar o resto ^^
    Feliz Natal!
    Bjs flor.

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  5. Agora eu quero o resto né... Mergulhei no conto!
    :)

    Um feliz Natal, flor! (:
    desculpa a ausência (ou falta de sentimentos) da minha parte. Final de ano foi corrido, mas agora estou de volta! Um beijo

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  6. Brigadão pela força, Laura!

    Ah, e voltando ao seu texto... as aparências enganam né verdade ?

    pelo jeito ta muito bom... posta a segunda parte!!!
    Beijão!

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  7. Olha a atrasadinha aqui de novo! :P

    Ain, to morrendo de curiosidade, (pra variar rsrs), vou lá passar para o outra parte logo! *o*

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  8. Super me mordendo de arrependimento por não ter vindo ler antes, preciso de mais tempo...

    E quanto ao conto, está envolvente e muito bem escrito Laura...

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Me incentive um pouco mais.