29 de dezembro de 2010

Desabafo de fim de ano.

Acho meio clichê escrever sobre um determinado tempo só porque está no tempo. O que venho tratar aqui é sobre esse fim de ano que está chegando. Não fico nem um pouco triste que este ano de 2010 esteja nas últimas, até por que contei muito com o fim dele. De todo, não posso dizer que foi um ano extremamente ruim, pois isso é muito difícil de acontecer, a não ser se você estiver encarcerado (foi isso que eu comentei um dia desses numa conversa). Não posso dizer que meu ano foi produtivo, pelo contrário. Foi um ano meio vergonhoso para mim, admito, pois passei mais de seis meses sem fazer absolutamente nada, sem ir atrás de um emprego, sem estudar, nada! Muitos dizem, e estão certos, que eu perdi um grande tempo, um tempo precioso, que muita gente gostaria de ter e não têm. E eu fiz questão de jogar esse tempo fora.

Em parte, me arrependo, por não ter feito nada produtivo nesse tempo. Se pelo menos eu tivesse passado na faculdade, eu não me importaria de ter passado esses mais de seis meses sem fazer alguma coisa, pois seriam umas férias, para relaxar a tensão. Mas não foi isso que aconteceu. Eu não passei no vestibular, fiquei confusa quanto ao curso e simplesmente esqueci a responsabilidade. E nessa época de Enem, 2ª Fase, me bateu uma grande nostalgia do ano de 2009. Fui feliz naquele ano e não sabia. Apesar de querer ter me livrado logo ano passado, eu tenho muita saudade do cursinho e não é pouca. E justamente nesses meses de Novembro e Dezembro foi que eu senti saudade disso. Quando a nostalgia bate é assim. Eu penso que se tivesse estudado um pouco mais no ano passado, hoje eu estaria na faculdade. Mas isso pode ser sido um sinal, pois, como eu disse, eu fiquei em dúvida quanto ao curso e poderia estar errada.

2010 foi, para mim, um ano normal, sem muitos acontecimentos. Teve coisas que fiz que valeram à pena, e coisas que não fiz de que me arrependo. Isso geralmente acontece e sei que não é só comigo. Aconteceram coisas também que me deixaram triste, que é impossível de não lembrar. E é por esses e outros motivos que quero enterrar esse ano. Estou esperando por 2011 ansiosamente, pois ele vai decidir o que farei durante todo o ano. Ele pode me dá uma felicidade extrema ou uma tristeza temporária e o que eu quero mesmo é a felicidade extrema. Enquanto isso não chega, vou tentar esquecer um pouco, pois não gosto de pensar muito, fico ansiosa demais e acabo sonhando com essas coisas.

Que dois-mil-e-onze venha com tudo!

Escrevi esse texto dia 21 e se eu estivesse escrito depois, eu não diria tudo isso. Mas a noite do Natal (sem ser na da véspera) foi uma noite incrível e diferente de todas do ano. Não me arrependo de nada, só sei que me diverti bastante e fiz o que eu queria fazer. Foi uma noite para fechar com chave de ouro o ano. Daquelas que você possivelmente irá lembrar num futuro mais próximo e rir de tudo. :)

Beijos, leitores. Esse é o último post do ano, mas eu ainda estarei presente por aqui. Ótima passagem de ano! :D




Ah, ganhei dois selos das queridas Bruna, do Freescura e Bell, do Petit Poá. Fico muito feliz pelo carinho e sempre que posso, eu retribuo.

Vou indicá-los a todos os meus fiéis seguidores. :)


27 de dezembro de 2010

Acaso inevitável - Parte 2. (END)

Tentei não deixar transparecer meu medo, por estar sozinha numa rua deserta e mal iluminada e com dois psicopatas atrás de mim. “O que querem?”, fui logo perguntando, me encorajando de uma maneira espantosa, como eu nunca tinha feito. Ao que eles me responderam: “Você, boneca!” Fiz cara de desentendida, me tremendo por dentro, e virei a cara. Mas eles não se deram por satisfeitos. Um segurou meus braços e o outro enfiou uma espécie de lenço na minha boca, provavelmente para me fazer calar. O lenço cheirava mal e tinha um gosto salgado.

Eles me carregaram e eu não fui contra. Mantive-me calma, mesmo com o coração quase saindo pela boca. Colocaram uma espécie de algema em minhas mãos e me vendaram. E o lenço fétido continuava entalado na minha boca. Puseram-me em uma camionete espaçosa e aceleraram, cantando pneu.

Criei uma situação para mim naquele estado. Esses caras estavam voltando de algum lugar ou estavam indo e encontraram uma presa fácil. Fingiram não notar minha presença até que eu me distraísse para poderem dar o “bote”. Levariam-me para um lugar distante dali, me colocariam num barco qualquer, jogariam álcool e gasolina, acenderiam um fósforo e meu corpo ou o que restasse dele estaria à deriva, num lago esquecido.

Mas minha situação foi totalmente diferente da que eu criei. Eles eram sim psicopatas, mas não desses que matam só por matar. Eu não tinha criado a situação de que eu era mulher e que eles eram dois homens que estivessem querendo fazer algo, juntos. E foi o que me fizeram. Não tiraram minha venda, mas fizeram questão de tirar o lenço. Meus gritos de dor os instigavam, davam-lhes prazer.

Lembro que dali não saímos. Só pararam a camionete em algum lugar deserto, onde eu sentia cheiro de mato e ouvia canto de grilos. Abriram com força as minhas pernas e cada um segurava uma. Eu não lutei, pois sabia que de nada adiantaria. Deixei que eles fizessem o que estavam pretendendo.

De fato, gritei bastante, pois seus movimentos eram brutos, fortes. Achei que ia morrer. Na verdade, era o que eu queria naquele momento. Assim eu não sentiria nada. Mas quanto mais eles faziam, mais não parecia ter fim. E o meu corpo, suado e sujo, jazia fraco diante daqueles que me violentavam. E eu pensava em tantas coisas... Tentava pensar em algo bom, mesmo naquela situação.

Eu vi rosas, arco-íris, paisagens bonitas, sol, mar... Fechava os olhos para a realidade, que era crua e fria. Rezei, e me senti um pouco mal, por rezar só em momentos ruins. Queria uma ajuda, pois aquilo era desesperador. Queria sair viva, mesmo sabendo que aquilo ia me perseguir durante toda a minha vida.

Acordei no chão, seminua, com a roupa rasgada. Eu estava em um deserto, cercada por mato. Ainda sentia dores em todo meu corpo. Eu estava numa situação infeliz e não sabia como sair dali. Então andei sem rumo, sem saber para onde ir. Andei me apoiando em árvores, pois eu não conseguia ficar em pé totalmente. Depois de muito andar, encontrei um riacho. A água me parecia limpa e nela mergulhei. Naquele riacho eu limpei não só meu corpo, mas também minha alma, que estava suja e corrompida.

Arrependo-me de ter saído de casa e ter voltado àquela hora. Mas quando algo está predestinado para acontecer, não podemos negar. Fui estuprada e vou levar isso comigo, todas as lembranças, sensações, dores, até o momento que meu coração parar de bater.


Eu achei a história meio vaga e depressiva, mas gostei de tê-las escrito. :*

24 de dezembro de 2010

Acaso inevitável - Parte 1.

Eram nove horas da noite e as ruas já estavam desertas. O ônibus que eu tinha pegado estava lotado, apesar da hora. Desci rapidamente e sozinha. Para o meu azar, ninguém do ônibus descia na mesma parada que eu. Fui andando pela calçada do lado esquerdo, sempre olhando para trás e com um passo mais apressado. Muitos falavam que eu era paranóica, mas na verdade eu era cautelosa. Nunca que eu ia andar tranquilamente numa rua deserta, mesmo estando acompanhada.

Eu não gostava de ter homem na minha cola, me seguindo o tempo todo, como meu antigo namorado fazia, mas nessas horas era no que eu pensava: uma companhia masculina. Se acontecesse algo, ele não poderia fazer muita coisa, mas eu já ia me sentir mais segura e creio que não ia chamar tanto a atenção como chamo quando estou sozinha.

Minha casa não era tão perto nem tão longe da parada. Eu tinha que andar uns dez minutos para chegar. Andando rápido como eu estava, eu chegaria em seis ou sete minutos. Dobrei a esquina da rua que estava seguindo e vi ao longe, num boteco de esquina, bêbados sendo enxotados. Estava cedo demais para se fechar um boteco, mas creio que esses tais bêbados estavam atrapalhando ou não quiseram pagar a conta.

Vendo uma situação de longe, eu sempre imagino o que seja. Gosto de criar histórias para esses ébrios. Eles sempre têm histórias, apesar de insignificantes. Algum dentre eles voltou estressado do trabalho e foi beber, aproveitando para passar a perna no garçom. Bebeu seis garrafas e na hora de pagar a conta, fingiu que esqueceu a carteira no carro que não tinha. Mas garçons de botecos já conhecem seus clientes caras de pau. Um dia eles pagam.

Cansada de tentar imaginar essas situações, voltei para o meu foco: chegar em casa o mais rápido possível. Novamente pela calçada do lado esquerdo fui andando apressadamente. Olhei para trás e vi do outro lado da calçada dois homens, bem vestidos, de gravata, provavelmente voltando de alguma audiência que durou o dia inteiro. O silêncio entre eles transpassava para mim o quão exaustivo fora o dia deles. Deu-me vontade de ir logo atrás deles, para ter um pouco de segurança. Mas quando olhei para trás de novo, eles já não estavam mais ali. Imaginei outra situação: o destino deles era naquela rua e eles entraram em alguma casa por ali.

Com medo por não ter mais uma mísera companhia, andei mais rápido do que eu estava andando. Ouvi passos atrás de mim e quando olhei, eram os dois homens de gravata. “Aonde pensa que vai, boneca?” Achei que era graça, por notarem que eu estava com medo, mas não era. De perto, pude ver seus rostos, pareciam psicopatas, e a vontade de fazer algo diferente nessa noite. E eu achando que poderia ficar segura ao lado deles.


Esse conto escrevi há um tempo e há pouco o terminei. Como ficou meio grande, decidi dividir em duas partes.
E aproveitando a deixa, desejo a todos meus leitores um Feliz Natal! Beijo grande.
:*

22 de dezembro de 2010

Opostos.

Sou tudo, sou nada.
Sou alguém, sou ninguém.
Água e fogo.
Frio e calor.
Terra, água.
Sol e chuva.
Sou o caos e a calma.
A liberdade e a prisão.
A fé e a descrença.
Sou a razão e a emoção.
O começo, o fim.
Tristeza e alegria.
Tédio e agitação.
Preto e branco.
O ódio e o amor.
Eu sou o oposto, e por ser oposto, sou o igual.

20 de dezembro de 2010

Confusão em pensamentos.

Às vezes fico presa a um só pensamento
Enquanto os outros se esvaem
Uns correm junto com as águas de canos estourados
Outros passam por debaixo da porta
E aquele velho permanece
Enquanto mil e um flutuam à minha frente
Eu tento pescá-los, fisgá-los
Mas eles voam mais alto e vão embora
E minha capacidade vai junto com eles

São tantos
Que eu penso e tento pensar em qual pensar
E acabo pensando em um só
Ou simplesmente não pensando.


16 de dezembro de 2010

Caixa preta ou Universo.


A ideia de infinito às vezes me deixa maluca. Mas é verdade que eu nunca poderia afirmar ao meu racionalismo lógico que o universo é finito. Nunca mesmo. Geralmente penso no universo, na galáxia que vivemos, por exemplo, como uma caixinha preta. Está lá a Terra, o Sol, os outros planetas e etc. Mas não é só a isso que se resume o universo. Essa caixa preta, por exemplo, está em um grande quarto, com várias caixas pretas semelhantes. Ou seja, o ponto em que quero chegar é que existem coisas muito mais além do que imaginamos. E esse quarto, onde “vivem” várias caixas pretas, tem milhares de quartos vizinhos e assim por diante. As paredes existem apenas para separar um quarto do outro. Não tem fim, não tem barreira. O universo é mais imenso do que temos ideia. Se pensarmos que só existe vida em um planeta nesse lugar imenso, estamos muito enganados. Eu não acredito muito em óvnis ou ETs, mas sei que deve haver vida em qualquer outro lugar, que não seja somente aqui.

Posso comparar o universo com as ruas. Se estivermos andando, dificilmente acharemos uma rua sem saída, onde não tenha mais lugar para ir. Andaremos por diversas ruas, mas nosso caminho nunca terá fim. Isso se não acharmos uma ruela. Mas digamos que na minha “tese” não existe ruelas.

É complexo demais para eu resumi em um texto apenas. É também grande demais. Olhando de cima, nem chego a ser um ponto preto. A minha existência, comparando com tudo isso, é quase nada, ou posso dizer que é mesmo nada. Mas posso estar errada, pois se juntar a existência de todos os seres vivos, vai dá um tudo, ou quase tudo.

O mundo é pequeno demais pra nós dois”. Eu sei a intenção dessa frase, que é metafórica e hiperbólica, pois se o mundo é mundo e é grande desse jeito, imagina o universo?

Eu não sei o que vocês vão entender desse texto, mas é o que eu penso.

13 de dezembro de 2010

Sei tudo sobre sua vida - Parte 6 (FINAL).

Por onde começar a procura pela letra? Seria uma tarefa muito árdua e primeiro ele teria que deduzir quem poderia ter feito isso com ele. Não voltaria à boate, pois tinha certeza de que não era o DJ que havia começado com isso, afinal ele não teria motivos. Então por mais que lhe doesse, ele decidiu investigar sua namorada. Pegou umas antigas cartas que ela havia escrito para ele e comparou. Eram bastante diferentes. Sentiu-se culpado por desconfiar dela.

Logo decidiu investigar no trabalho. Poderia ser o estagiário, que disputou uma vaga com ele e perdeu. Inimigos no trabalho eram sempre os mais prováveis a fazer esse tipo de coisa. Já pronto, quando deu a hora de ir ao trabalho, pegou as coisas, juntou a carta e foi. Chegando lá, a primeira coisa que fez foi ir até onde o estagiário se encontrava. Em cima da mesa, tinha uns papéis assinados e carimbados pelo estagiário e essa seria a sua chance. Pegou disfarçadamente um dos papéis e levou ao banheiro para fazer a comparação. Ficou decepcionado, pois a letra do estagiário era feminina demais em comparação àquela da mensagem.

Decidiu parar com a investigação e foi fazer seu trabalho. Por mais paranóico que estivesse, teve de esquecer, pois muita coisa tinha para fazer. Nesse dia, chegou tarde em casa, pois o trabalho tinha consumido seu tempo. Não reclamou disso, pois acabou esquecendo-se das cartas, por estar distraído.


Passaram-se dias e nesses dias, recebeu mais mensagens e todas escritas à mão. O mensageiro atormentador queria ser descoberto, era isso. Em todas as mensagens, tentava dá pistas, mas estava difícil de captá-las. Porém, em certa mensagem, o atormentador disse:

“Sei que me procura, e você não está longe de descobrir. O fato é que se eu me revelasse você não acreditaria. Pegue seu antigo diário, que só você sabe onde está. Ali estão todas as respostas!”

Ficou com medo de enfim saber a resposta, pois só quem sabia da existência daquele diário era ele próprio. Por mais que estivesse com medo, decidiu de uma vez por todas checar o diário. Seu sofrimento e sua angústia estavam prestes a acabar, ou pelo menos era isso que achava. Foi até o guarda-roupa, tirou uma caixa de uma das portas. Ali dentro estava o diário. Não hesitou, abriu a caixa e pegou o diário.

Tentou encontrar um lugar para se apoiar, pois sua descoberta era inacreditável. Suas mãos tremiam, seu corpo todo estremecia. Olhou-se no grande espelho que tinha na porta do guarda-roupa. Aquela imagem não era ele. Ela estava sorrindo, mas ele não sentia a pele do rosto contrair. Aquela imagem era seu outro eu, sua outra personalidade. Então, como numa espécie de lembranças, imagens passaram-se pela sua cabeça. Enquanto ele supostamente dormia, seu outro eu agia. Buscava em seu mais profundo ser suas fraquezas e seus pensamentos, para assim atingir seu ego principal. “Viu-se” digitando, imprimindo, escrevendo e colocando as mensagens em lugares estratégicos. A esperteza do seu outro eu lhe incomodou e se sentiu humilhado diante de tudo aquilo. Tinha vergonha e ao mesmo tempo ódio de si mesmo, por ter construído tudo aquilo, mesmo que sem saber. A imagem, vendo sua decepção, se animava mais ainda e ria às suas custas. Perturbado com tudo isso, tomou diversos calmantes para dormir. Após doze horas de sono, ele acorda e vê uma mensagem no seu espelho:

“Se há alguém que sabe de toda a sua vida, esse alguém só pode ser você mesmo!”


Decepcionados? Espero que não. Eu não ia acabar na parte 6, mas como fiquei muito tempo sem escrever, já estava perdendo a inspiração e sei que esse final para algumas pessoas foi previsível, mas eu já pensava nisso desde o começo, então não tinha outro final digno. Apesar de estar ausente na escrita, não estou nas visitas. Todo dia entro aqui e vejo as atualizações de vocês. Raramente perco uma. Mas agora vou voltar com mais frequência na escrita. Tenho coisas em mente para esse mês, afinal o ano está acabando. Ah, e, por favor, se vocês acharem algum erro, me avisem. Meu antigo revisor (namorado) só lê depois de séculos, então seria bom se alguém falasse, pois não sou muito atenta nisso e deixo coisas passar. Obrigada! Beijos, leitores.