8 de novembro de 2010

O caos da minha noite.

Deitei-me na cama. Espreguicei-me, bocejei. A noite estava fria e em conseqüência, usei dois lençóis, um em cima do outro. O travesseiro estava confortável, cheiroso, aconchegante. O meu cantinho era aconchegante. Deitei-me de bruços, me encolhendo aos poucos. Estava quase dormindo quando você chegou. Eu não podia acreditar. Você chegou de mansinho, sem que eu pudesse notar. Não ouvir você chegar, pois estava um pouco zonza. Mas após algum tempo, senti sua presença. Você entrou por debaixo dos meus lençóis, devagarzinho, como quem não quer nada. Foi aí, nesse momento, que senti sua presença. Notei que você tinha chegado para ficar. Você me queria, por bem ou por mal, pois fazia tempo que não me tinha. Fazia tempo que não vinha ao meu encontro. Você sentia minha falta. Queria-me por completa. E pelo jeito, não iria embora tão cedo. Remexi-me um pouco, tentando com isso te fazer ir embora, mas é claro que isso não adiantou. Seu objetivo, naquela hora, era me tirar o sono. Tentei mais uma vez te afastar, mas você era difícil, insistiu em ficar. Eu me virei de costas, fiquei de bruços, fiquei de lado, fiquei do outro, mas não adiantou. Não adiantou por que você não foi embora. O que eu poderia fazer para você me deixar em paz? Eu não te queria ali, naquele momento, de jeito nenhum. O problema é que você sabe qual é a hora mais inoportuna de chegar em mim. Tentei levantar-me, eu sabia que você iria junto, mas não consegui. A preguiça tomou conta de mim. Coloquei então um pano em meus olhos, para você perceber que eu não estava nem aí, que eu não me importava com sua presença, que eu te ignorava. E o que aconteceu? Nada, simplesmente nada. Você permaneceu do mesmo jeito, no mesmo lugar. Remexi-me mais, rolei pela cama para um lado e para o outro, diversas vezes, sem parar. Mas isso não parecia te incomodar. Por que nada te incomodava! Quem recebia o incomodo era eu, e não você. E numa dessas “rolações” pela cama, acabei no chão. Fiquei lá por algum tempo. E não é que você foi até lá? Não agüentava mais aquela perseguição. Tive vontade de gritar, pular, quebrar a cama. Sair correndo pelo corredor, descer as escadas, pegar meu carro e dirigir sem destino. Mas eu sabia que, se eu fizesse tudo isso, ia estar te trazendo mais para perto de mim e isso eu não queria. Queria que você me deixasse em paz, me deixasse dormir, mas pedir era muito. Tudo o que eu fiz não adiantou. E se eu fizesse mais, também não adiantaria, por que você só iria embora quando quisesse. Era simplesmente assim. Depois dessas e de outras tentativas de te fazer ir embora, notei que estava amanhecendo. O céu estava claro, podia se ouvir pássaros cantando ao longe, um galo, com seu canto estridente, tentando acordar seu dono. E lá estava eu, ainda acordada. Você me pegou de jeito. Chegou, ficou e não me deixou dormir. Acho que por que me incomodei demais. Se não fosse isso, você já teria ido embora, pois aquelas minhas tentativas eram as que te davam mais atenção. E aí, do nada, você simplesmente desapareceu e eu dormi, sem notar, obviamente. Creio que você cansou de me ter. O que você queria fazer já tinha conseguindo, então já não tinha mais graça. Quando acordei, poucas horas mais tarde, senti meu corpo todo dolorido, graças à noite anterior. Acordei com vontade de ficar na cama, enrolada aos meus lençóis, mas você chegou novamente, não para ficar, mas para me avisar que era hora de levantar e que eu não podia mais ficar deitada. Senti um pouco de raiva, pois tinha sido sua culpa por eu ter dormido pouco e mal. Ah, insônia, você é má. Você é o caos da minha noite de sono!


Minha realidade. Total!


P.s: Estou muito feliz com os 100 seguidores. ^^

15 comentários:

  1. Ah, Laurinha, eu me identifiquei demais com o texto passado. Por mais que ele tenha sido uma história real sua. Vai ver por isso que senti ele tão verdadeiro. rs

    Eu gosto do que escreves, tem muito de você.
    E olha só: sou a seguidora de número 101, rs
    um beijo e ótima semana pra você!
    (que ela passe voando)

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  2. Cara, também tenho isso direto, é horrível. Só que não fico na cama, se não me dá desespero, principalmente quando os pássaros começam a cantar xD
    Adorei o jeito que você descreveu a "invasão" da insônia x)

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  3. Belíssima personificação da insônia. Amei!

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  4. HSUAHDSAHSUDAHUSA
    Não sei porquê, mas achei o texto um pouco engraçado. Gostei demais xD

    Ah, aquilo é uma música que eu amo *-*

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  5. Que terror! Ultimamente ando tão cansada que durmo assim que deito a cabeça no travesseiro. Mas sei bem como é... já teve noites que nem de olhos fechados eu conseguia ficar. É agonizante e muito irritante.
    E o pior é que depois, durante o dia, o sono nos persegue!

    Ótimo, como sempre!
    Beijos.

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  6. "Todo dia a insônia me convence de que o céu faz tudo ficar infinito. Cazuza."

    Adoro te ler.

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  7. Nos últimos meses não, mas antigamente eu era completamente insone. Sempre achei (e acho) que funciono melhor a noite, para escrever, para ler, para assistir, enfim...
    E brilhante conto, você me confundiu duas vezes, no início achei que fosse alguém, e depois algo sobrenatural. Gostei!!!

    Beijo!

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  8. Eu jurava que era uma pessoa. Achei super legal e divertido!

    Beijos flor!

    =)

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  9. Muiiito legall.. adoreii que fosse a insônia no final.. :D

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  10. houve um tempo que eu tinha medo da noite...
    beijo!

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  11. Já estou a me sentir melhor, obrigada pelo icentivo.

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  12. Eu imaginei algo como amor, ou alguem mesmo, mas era a insônia! rs
    Adorei, lindo!

    Beeijos!

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  13. Parabéns pelos 100 seguidores *-*
    Ah, e você me enganou direitinho com esse conto menina :P AOKSOAKS' adorei a ambiguidade do texto, ótimo.

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  14. Parabéns pelos 100 seguidores...*-*
    beijos

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  15. Eis um texto cujo tema acerta em cheio uma enormidade de pessoas. E a descrição passo a passo é excelente. Ser “achados” pela insônia é terrível! Não há nada que nos persiga, que seja mais perigoso que aquilo que se instala dentro de nós, pois disso não poderemos fugir. Seja a insônia, que nunca vem sozinha ou porque queira, seja o motivo da insônia, ao qual normalmente somos nós que trazemos, a tentativa de ignorar é o pior dos caminhos, pois estamos tentando ignorar o que nós mesmos trouxemos para a cama. O caminho inverso, pensar naquilo decididamente, conquanto possa ser doloroso, tedioso, ácido, é o melhor dos enfrentamentos. E quando “não se sabe” (a gente sempre sabe, sim!) o que trouxe a insônia, procurar o motivo é sempre o mais adequado caminho... Pois a mente quer pensar naquilo. Pensando, talvez a satisfaçamos e nos voltemos para a deliciosa maciez da cama. Caso não a satisfaçamos, ao menos temos o feliz consolo de que tentamos, e de que tentaremos de novo, se ela voltar...
    Um abraço carinhoso
    Lello

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