5 de novembro de 2010

Belo adormecido.

A minha intenção era esta: chegar junto dele quando não tivesse ninguém por perto. Mas parecia-me muito difícil. Estávamos sempre cercados de pessoas e eu não tinha coragem de chamá-lo para mim. Era uma festa, então cada um ficava de um lado, e eu sempre à espreita, observando-o, de longe. Nesse dia, eu não estava para bebidas alcoólicas, justamente nesse dia, em que eu poderia disfarçar com o álcool. Álcool é o “desinibidor” universal. A vergonha não existe e a audácia comanda perfeitamente nossas atitudes. No caso, as minhas.

Fiquei então curtindo o sol quente embaixo de um guarda-sol. O que mais me estressava era aquele sol escaldante, que tirava mil litros de suor de mim. Estava bastante ansiosa para sair dali, não só por que eu queria chegar junto dele, mas por que eu não agüentava aquilo. Era demais para mim. A falta de estímulo que o lugar causava em mim era grande demais, até para eu desistir do que pretendia fazer.

O engraçado é que fui pega de surpresa. Não imaginava que ele estaria por aqui, até porque morava longe e as esperanças de vê-lo eram mínimas. Foi estranho no começo, mas meio que me acostumei com a ideia. Mesmo assim, a presença dele me perturbava. Tentava me distrair e não lhe olhar diretamente, mas era quase que impossível. Ele chegava perto de onde eu estava para pegar bebidas e ia novamente para onde estava. Fez isso diversas vezes. Deu para notar que ele estava começando a ficar ébrio.

Então finalmente deu a hora de ir embora. Todos se recolheram, cansados e fatigados. Fomos todos para uma casa tranquila, para poder passar a noite. A verdade é que estávamos na cidade ao lado da nossa e ninguém poderia sair dirigindo, pois a lei seca não perdoa ninguém.

Chegamos a casa e a primeira coisa que fiz foi tomar um belo banho. Ali tirei todo o meu cansaço. Um alívio percorreu todo o meu corpo e pude respirar melhor. Logo depois de mim, todos os outros fizeram o mesmo. Apesar de estarem ébrios, conseguiram se banhar.

Ficamos a assistir TV no andar de cima, tranquilos. As conversas eram poucas, mas ainda se ouviam uns sussurros fracos. Ninguém queria jantar, pois haviam comido bastante na festa e perderam totalmente a fome. Assim que o jornal acabou, começou a arrumação dos colchões. Decidiram quem dormiria no canto da parede, na ponta e enfim, se arranjaram por ali. Eu aproveitei a situação e coloquei meus travesseiro e lençol no colchão do meio, para fazer com que ele dormisse do meu lado. E consegui!

Minutos depois, estavam todos indo para seus devidos lugares e acabei indo também. Como a insônia sempre se apossava de mim, fiquei a conversar com ela enquanto todos estavam dormindo. Eu não tinha nada a fazer, nenhum livro para ler, nem meu MP4 para ouvir músicas ou meu celular para me distrair. Comecei a ficar agoniada ali, principalmente por que ele estava dormindo ao meu lado e eu não podia fazer nada.

Eu adorava ver as pessoas dormindo, observar seus rostos, sua tez e fiquei observando-o sob as sombras das luzes do corredor. Dormia tranquilamente, mas dava para notar o quanto estava cansado. De repente, por um impulso meu não consegui ter controle. Ele só estaria ali até o outro dia e depois disso, ia demorar para vê-lo novamente. Dei um beijo rápido e esperei, mas ele não pareceu se mexer. Não tive coragem de fazer novamente e fui me ajeitando para o lado oposto ao dele. Ao me virar, sinto um toque leve em meu ombro: ele havia acordado com o meu beijo, como um “belo adormecido”. Perguntou-me com olhos entreabertos o que eu havia feito. Eu não disse nada, apenas fiquei lhe olhando. Perguntou-me então se eu o havia beijado, ao que respondi que sim. E foi nesse momento que ele me puxou para si.

Então senti sua boca colar na minha e sua língua quente dançar freneticamente junto com a minha. Sua respiração estava ofegante e a minha ainda mais. Naquele momento, éramos a química perfeita, combinando todas as moléculas e na iminência de entrar em uma grande combustão. Nos beijávamos em silêncio enquanto nossa adrenalina comandava-nos. Meu coração batia aceleradamente, por vontade, por desejo.

Aos poucos fui perdendo minha respiração. Ele havia me roubado o ar e da mesma forma que o impulso me levou a beijá-lo, fugi o mais rápido que pude. Senti uma queimação percorrer todo o meu corpo e desci as escadas em busca de água. Ao voltar, me deparo com uma silhueta, que me puxa e me empurra contra a parede. Mais uma vez, lá estava ele, me puxando para si e tirando meu ar. Minha imaginação foi a mil e se estivéssemos sós, imagino o que teríamos feito.

Com medo que algum ébrio acordasse para vomitar o álcool do dia, eu voltei para o colchão. Após algum tempo, ele também voltou. Não tive coragem de olhá-lo naquela hora e ele também não. Mostrou-me o seu celular e lá tinha uma mensagem endereçada a mim: “Você tirou meu sono”. Respondi: “Desculpa, tive de fazer isso”. E então, como se nada tivesse acontecido, nos viramos para lados opostos para assim tentarmos dormir.

Não demorou muito tempo e eu já estava acordada. Fui a última a se levantar e a primeira pessoa que vi foi ele. Olhou-me com certo cinismo e sorriso nos lábios e me perguntou: “Conseguiu dormir?” E eu, ainda drogada pelo sono, disse-lhe: “É, eu acho que sim”.

16 comentários:

  1. Uow.. que beleza de história... Adoro esse tipo de ação escondida =) Sorte a dela que conseguiu o que queria!

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  2. Adoro histórias assim. Elas me atraem! kkkk

    Amei a história amoree!

    Bjinhos

    Nina

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  3. Ain, eu quero mais! *----*
    hsuahsuahusa
    Muito perfeitinha! Fica aquela vonta de "quero mais" mesmo! Adorei, adorei!

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  4. Adorei! suas histórias são tão envolventes! me senti no lugar dela enquanto lia! que garota sortuda!! ;)

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  5. Nooooooooooooossa, adorei!
    Também gosto muito de histórias assim, elas me prendem e eu consigo imaginar cada cena direitinho!

    Perfeita.
    Bom final de semana flor, beijos.

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  6. Quanta imaginação, amiga. Parabéns pelo texto! Adorei o vocabulário mais hermético, você está cada vez melhor!
    Grande beijo, continue melhorando! *-*

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  7. Awwwm, que delícia de conto, Laura! A moça era encanada mesmo com o rapaz, né? hahaha. E dá um gostinho de "quero mais".

    Laura, amo tua escrita! <3

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  8. Laura que saudade!

    Amei o conto, palavras bem dispostas, muit bacana ocê escrever conforme vai sentindo, nessa linguagem simples.
    Gostei muito e sinceramente, quero mais!


    Beijos

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  9. eita porra, essa dessa vez deu um ar de sherlock holmes.. achei muito gostosa de ler florzinha!
    aaaai que saudades daqui!
    *.*

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  10. Ain que coisa linda!
    rss..
    Adoro ler essas histórias de amor..

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  11. Que lindo. Enfim.. isso me deu mais vontade de estar mais perto do meu amor.

    Escreves muito bem! bjs.

    ps: esta historia foi real?

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  12. Nooossa! Quero muito passar por isso um dia!

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  13. Ain, que lindo *-* Adorei a parte que ela deu um beijo nele e ele puxou ela *----*

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Me incentive um pouco mais.