29 de novembro de 2010

Sei tudo sobre sua vida - Parte 3.

A nova mensagem tomou conta do seu ser. Quase tombou ao lê-la. Uma coisa era uma mensagem que falava o que aconteceu em uma festa, outra era algo bastante pessoal acontecido no dia anterior. Mais intrigado e frustrado ele ficou. Começou a vasculhar a casa, em busca de câmeras instaladas. Acordou sua namorada às pressas, sem nem levar o café da manhã. Perguntou se tinha câmeras em casa. Procurou em todos os pontos do quarto, mas nada achou. Sua namorada fez cara de quem não tava entendendo nada e voltou a dormir.

Ele foi até o banheiro, molhou a mensagem e fez picadinhos dela. Sentiu-se muito mal com tudo isso e queria descobrir quem o tava importunando. Queria achar a tal pessoa que lhe tirava do sério, aquela que sabia o que ele fazia e o que ele gostava. Mas como? Não tinha um ponto inicial onde fazer essa busca, já que essa pessoa o perseguia em qualquer lugar.

Voltar à boate? Não, seria loucura demais. E, além disso, ele poderia cruzar com o DJ. Mas ali poderia estar a origem, pois foi depois daquela noite que as mensagens começaram a chegar. Coragem era o que lhe faltava, mas mesmo assim decidiu: ele iria até a boate. Ia fazer de tudo para não encontrar o garoto.

Então, mais tarde, ele convidou sua namorada. Com certeza a noite de sábado seria melhor que a de sexta. Ele foi em casa se trocar enquanto sua namorada se arrumava. Ela já estava se sentindo melhor e estava animadíssima para conhecer a nova boate. Após algum tempo, ele chegou a casa dela e foram de carro.

A fila estava enorme, mas andava rápido. Encontraram muitos amigos, que mesmo antes de entrar, já tinham em suas mãos uma lata de cerveja, ou um copo de uísque. Ele comprou duas cervejas e deu uma a sua namorada.

Ao entrarem, nada enxergavam. Muita gente, muita música. Fumaça e luzes fortes no rosto. Foram até o bar e ficaram conversando com os amigos. De lá, poderia se enxergar o palco e lá estava o DJ. Ele virou a cara e sua namorada notou. Ela questionou o que tinha acontecido, mas ele disse que não estava gostando da música.

Dançaram, beberam, conversaram, fumaram. A noite estava tão boa que ele tinha esquecido o seu objetivo. Foi ao banheiro e estava vazio dessa vez. Procurou por câmeras, principalmente na cabine onde ele esteve. Ele não havia esquecido qual era. Mas de nada adiantou. Não tinha câmeras, nem escutas, ou outro qualquer aparelho. Pelo menos, a “olho nu”, ele não via nada.

Cinco horas da manhã e eles estavam voltando para casa. Dirigiu devagar, olhando todas as ruas, para ver se não tinha nenhuma blitz. Levou a namorada para sua casa, pois ali tinha certeza de que não tinha câmera nenhuma. Cansados, deitaram, um ao lado do outro, porém o desejo tomou posse do momento. Fizeram amor em meio ao cansaço, misturado com embriagues, sono e suor. Ele finalmente tinha recuperado o desejo e foi dormir feliz.


Demorei muito, né? Desculpa, leitores. Construí esse parte agora, pois não poderia deixar de postar hoje. Eu não estava muito inspirada, mas escrevi em pouquíssimo tempo. Espero que gostem. Beijos.

25 de novembro de 2010

Sei tudo sobre sua vida - Parte 2.

Acordou surpreso, pois não estava realmente de ressaca para dormir em frente da televisão. A TV continuava ligada, só que agora passava um filme antigo, em preto e branco. Como não queria assistir ao filme, se dispôs a levantar e desligou o aparelho.

Estava se sentindo novo outra vez. Bateu de repente uma felicidade, mesmo com o bilhete que ele encontrara em sua porta permanecendo em seus pensamentos. Provavelmente tinha sido uma piada sem graça, de algum espertinho. Mas ele sabia que existia alguém lá fora que tinha conhecimento do seu segredo. Pensou no próprio garoto, mas era impossível. Não trocaram nome, endereço, telefone, nada. E, naquele escuro, mal se enxergavam as fisionomias.

Preparou um café forte, com leite e banana e mel para acompanhar. O lanche da tarde era a sua rotina. Preferia tomar café à tarde que a noite, pois não gostava de ter insônias. Levou seu lanche para o pequeno escritório que havia em sua casa e usou a internet. A primeira coisa que fez foi ver o site da festa, para checar as fotos. Poderia ter ali alguma prova que afirmaria o que tinha escrito no papel.

Nada encontrou senão fotos de gente sorrindo, gente bêbada, gente bonita e feia. Procurou fotos dos DJs da festa e só encontrou uma em que o garoto estava. Não era muito alto e tinha um rosto bonito, com pêlos dispersos. Ficou a observar a foto por alguns minutos, relembrando, mas logo voltou à realidade e fechou o site.

Lembrou-se que não tinha jogado fora a mensagem e correu pela casa para procurá-la. Achou num canto muito escondido e não lembrava de jeito nenhum de ter posto ali. Amassou o papel, jogou um pouco de álcool e queimou. Não queria nenhuma evidência daquilo.

Quando anoiteceu, decidiu ir à casa de sua namorada, já que tinha deixado-a sozinha, sem explicação. Pegou-se com saudades e queria cuidar dela, já que ainda se encontrava um pouco doente. Dialogaram pouco, pois ele evitava que ela fizesse perguntas sobre a festa. Assistiram a um filme e foram deitar-se.

Ela queria o sexo dele, mas ele não sentia vontade. Perdeu o desejo no momento em que ela abriu sua calça. Tentou esquecer o que tinha acontecido, mas olhando-a ali, com a boca em seu sexo, não tinha como não lembrar. Então nu e não ereto, abraçou-a em conchinha e dormiram.

Acordou muito cedo e aproveitou para fazer o café da manhã. Sentia-se na obrigação de fazê-lo, já que ela sempre fazia, tanto na casa dele quanto na dela. Fritou ovos, queijos, fez café, suco, cortou frutas. Tudo como ela gostava.

Colocou tudo numa bandeja e estava indo em direção ao quarto quando viu, do corredor, um papel próximo a porta. Poderia ser uma correspondência da sua namorada, mas resolveu checar. Deitou a bandeja na mesa da sala e pegou o papel. Era uma mensagem.

“Mas você é um danado mesmo, hein? Broxou na frente da sua namorada enquanto ela fazia o que você mais gostava. Fico pensando comigo: uma boca sem barba deve ser sem graça, né? Não esquenta, amigo. É só você pedir que ela coloca uma barba de mentira pra te satisfazer!”

22 de novembro de 2010

Sei tudo sobre sua vida - Parte 1.

O sol acabara de raiar quando ele entrou em casa. Era raro chegar a essa hora da manhã, mas a noite anterior exigiu longas horas. A festa tinha ocorrido na maior boate da cidade e gente de todos os cantos tinha comparecido.

Deitou-se na cama com a roupa que estava apenas tirando os sapatos. Estava exausto, tinha bebido bastante e dançado até seus pés desistirem. Não se importou com o calor, pois ébrio do jeito que estava era o que menos importava. Para ele, o melhor era deitar-se e dormir até a hora em que seu corpo não mais desejasse permanecer na cama.

Acordou ao meio-dia, crente que já havia passado das três da tarde. Ficou admirado quando olhou para o despertador. Achou estranho acordar a essa hora, mas mesmo assim se levantou. A fome estava corroendo seu estômago, pois a última coisa que havia comido fora um hambúrguer às nove da noite, antes de chegar à boate.

Foi até a cozinha preparar algo para comer quando o telefone tocou. Era a sua namorada, convidando-o para almoçar em sua casa. Ela não havia ido para a festa por causa da gripe que a pegou um dia antes. Pegou as chaves do carro e foi até a porta da frente quando se deparou com um papel dobrado perto da porta. Intrigado e ao mesmo tempo curioso, abriu o papel. Era uma mensagem curta, mas que lhe pegou de surpresa. Atento, leu a mensagem, que dizia:

“A festa rendeu boas experiências, hein? O que dirá sua namorada quando souber que você beijou o DJ da festa? E que dirá ela quando souber que ele te pegou no banheiro e te levou para a cabine e praticou sexo oral ali mesmo?”

Ao ler essas palavras, sua memória foi iluminando-se e ele lembrou aos poucos o que havia feito na noite anterior. Ele estava mal e foi até o banheiro para vomitar. Um garoto, de sua idade, viu sua situação e tentou ajudá-lo. Com o banheiro praticamente vazio, o tal garoto o levou para a cabine, primeiramente sem intenção de agarrá-lo. Ele começou a cair e o garoto ajudou-o a se levantar e com os rostos muito próximos, ele próprio teve a iniciativa e o beijou. Assim, o garoto, que mais tarde ele descobriu ser um dos DJs da festa, fechou a cabine e o agarrou. O garoto sentiu a excitação dele e pôs a mão dentro da sua calça, o estimulando. Ele tirou o cinto, desabotoou a calça e guiou o garoto. Não lembra como saiu do banheiro, só sabe que ao voltar para perto dos amigos, viu o garoto em cima do palco, com um fone gigante no ouvido.

Ligou para sua namorada tentando arranjar uma desculpa para não vê-la, mas ela insistiu e ele foi até sua casa. Ela não aparentava saber de nada, estava sorridente como sempre e preparou um ótimo almoço para os dois. Ele fingiu ainda estar de ressaca e disse que queria ir para casa. Ela pediu que ele ficasse, mas ele queria descansar sozinho.

Chegou em casa, procurando outra mensagem, mas não havia. Aliviado, sentou no sofá para assistir TV e acabou cochilando.



Como algumas pessoas, após lerem a série O Teste, pediram por uma nova série, acabei me incentivando e comecei a escrever uma nova. Deu pra perceber que eu gosto de mensagens, ne? Pois é. É que gosto de mistérios e acho que mensagens fazem parte disso. De jeito nenhum quero ser repetitiva. Mas digo uma coisa, a semelhança entre a série passada é só essa: mensagens. Espero que curtam esse primeiro capítulo. Daqui a alguns dias, postarei o próximo. Beijos, queridos leitores.


19 de novembro de 2010

Escrevo histórias com o sangue da minha alma.

Rasgo a pele que se faz sangrar
E pingo as gotas vermelhas num papel branco
Fazendo desenhos (in) significantes

Substituo minha tinta antiga pelo sangue
Pinto quadros reais e surreais
Faço formas disformes e desiguais

Brinco com o tom da cor
Vermelho-sangue vermelho-vinho
Vermelho

Inebrio-me com o odor
Exalado pelo sangue
Que em gotas pingou
Na minha alma
E assim se lubrificou.





Mais uma da série "Insônia". Certos casos, como esse, nem entendo o que eu mesma escrevi.
Sei lá,
deve vir de algum lugar sombrio.
O título é meio a parte. Espero que gostem disso aí. :P

16 de novembro de 2010

Um beijo inesquecível.

Ela o esperava na janela. Era a primeira vez que ele ia a sua casa formalmente, como o seu namorado. A ansiedade tomou conta de seu coraçãozinho. A todo instante, ela olhava para a esquina, para poder vê-lo chegar. E ao que um rapaz alto, esguio, dobra a esquina, seus lábios se esticam num sorriso encantador. Corre para o portão para esperá-lo. Ele chega com os olhos brilhando e o coração palpitando. Ela abre o portão e lhe abraça forte. Se sente pequena nos braços dele, mas muito protegida. Ele, com delicadeza, pega em seu queixo e o ergue. Os dois se fitam por um instante que mais parecia uma eternidade. E com a mesma delicadeza que ele pegou em seu queixo, se aproxima de sua boca e lhe beija apaixonadamente. Um beijo terno, carinhoso, sem alvoroços. Ao término do beijo, ele a olha, bem no fundo dos seus olhos.

- Sabe o que foi isso? – Ele diz.

- O que? – Mal saem as palavras de sua boca, inebriada ainda pelo beijo.

- Um eu te amo! – Transpõe essas palavras pela primeira vez a sua amada.

E ela, ainda mais inebriada com a declaração, abraça-o fortemente, beijando o seu peito e dizendo: - Eu também te amo.