7 de outubro de 2010

O teste - 4º capítulo: Pequena descoberta.

A fome que estava sentindo era tamanha. Pensamentos inundaram-lhe a mente. Como se comunicar com o exterior, para avisar que precisa de comida? Isto é, se o exterior estava disposto a alimentá-lo. Poderia ser que o colocaram ali para morrer de fome, já que ele próprio se tratava de uma cobaia. O teste provavelmente era para saber quantos dias ele viveria ali, sem comida e água. E somente quando morresse, seu corpo seria liberado.

Não tendo comida, resolveu comer papel. Arrancou duas páginas detrás do caderno e começou a mastigar (era sua mania quando criança). De nada serviu. O que sentiu foi mais fome ainda e por estar tão desesperado, correu para o banheiro e bebeu a água da torneira. Morrer de fome ele até poderia morrer, mas não de sede, tendo ali água a vontade.

“Se eles pensam que eu vou morrer fácil, estão muito enganados! A ‘cobaia’ aqui não vai passar no teste.” Mas minutos após esse pensamento, sentiu um cheio diferente no ar, que só depois conseguiu distinguir: era comida. Então por ali tinha alguém. Como sua especialidade naquele quarto era gritar por alguém que não respondia, ele gritou. E como sempre, ninguém respondeu.

Mas algo fez seus olhos brilharem. Um envelope igual ao anterior passou por debaixo da porta. Abriu-o rapidamente e se deparou com a mensagem: “Comer papel não faz parte do teste. Comporte-se ou jamais sairá do Sunshine Room. Estamos mandando mais duas folhas e ordenamos que as coloque no caderno e não pense jamais em fazer isso. A sua encomenda está embaixo da cama. Bom apetite!” Ficou pensando como ‘eles’ souberam que ele tinha comido o papel. Já estava intrigado antes e depois disso, ainda mais. Achou interesse o nome do quarto, pois pensara assim, que ali era o quarto do sol. Como um bom curioso que era, logo tirou a cama do lugar para ver o que tinha embaixo e lá se encontrava duas folhas de caderno e um prato de comida.

Viu que ao redor de sua encomenda tinha um quadrado. Tirou a encomenda de cima e bateu fraco, com o punho fechado. O som era oco. Bateu com a força que podia, mas o quadrado estava intacto. Era oco, mas não destrutível. Aquele quadrado oco seria seu contato com o mundo exterior. Dali surgiria mais coisas concretas que um simples envelope preto.

13 comentários:

  1. É você é muito boa nisso Laura. Amei cada detalhe. Surpreendenteenvolvente e me faz querer mais.

    Beijos

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  2. Nossa, é impressão minha ou isso me lembra alguns filmes? shaudhusahdsua
    muuito bom!
    continua *-*

    ah, mas tire um dia pra conversar mais com seus pais :) é muito bom, acredite

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  3. Mais, mais, maaaais! haha

    O começo me lembrou SAW, mas tá ficando diferente, envolvente... estou curiosíssima para saber o final!

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  4. to sempre acompanhando também :) muito boa

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  5. Ola, obrigada pelo que me disse. Te seguindoo!! =D
    Bjao

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  6. Amei teu blog querida, tá de parabéns!!! Suas escritas são tão perfeitas!


    Tô seguindo (com muito prazer!)

    Bjos

    Nina

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  7. Esperando o próximo capítulo...
    Está muito bom, bem envolvente!

    Viu, te indiquei 2 selos la no meu blog.

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  8. Eu sei que já comentei esse post,mais vim responder a sua pergunta....kkk
    Sim,a contagem é para o meu casamento,mais ainda não estou noiva...é de prata a aliança!rs.
    Mais o dia a gente já tem sim! ^^.
    Tem problema nenhum perguntar não...
    beijinhos...
    Bom fim de semana..e obrigada por estar sempre presente..

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  9. Amei seu comentário no meu blog. Me deixou muito feliz!!!

    SE PUDER, poderia seguir meu blog? (Se não quiser, não precisa tá?)

    http://doce-meio-amargo.blogspot.com/

    Bjos

    Nina

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  10. Olha, hoje eu peço perdão do fundo do coração, mas só vim mesmo avisar que como o meu blog http://lenjob.blogspot.com está completando CINCO ANOS eu postei lá DEZ POEMAS novinhos de presente e aguardo sua visita prometendo voltar aqui para degustar do seu.

    João Lenjob.

    Rosas Vermelhas
    João Lenjob

    Foi a alegria que tanto me deu
    E das juras que fizemos porém
    Das rosas vermelhas que eu lhe dei
    Num buquê as promessa tão cheias de amor
    Do presente o sorriso sincero tão bom
    Da alegria que me ensinou a viver
    E da vida que só eu pude dar.

    Da pureza do encanto que sentimos
    A inocente ternura que nos rodeava
    nos mais nobres momentos que soubemos estar
    Viver.

    Nas rosas vermelhas da vida
    O amor nunca fora escondido
    Um segredo vale tanto
    O brinquedo em encanto de nunca perdido
    Viver, você
    Perpetuamente num jardim de rosas vermelhas.

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  11. Desafio do capítulo: será a morte o destino trágico do ser humano? ou, como expressou Nietzsche, será ela a grande libertadora? Que azar, ser raptado por filósofos! Era melhor serem triviais seqüestradores que pedem resgate... Papel contém alguma vitamina essencial aos bebês, porque eles gostam muito desse alimento. Mas aos adultos, comer só deve ser no sentido figurado, como por exemplo tantas pessoas saboreiam esse texto, sem mastigar o monitor. O pobre ficou em tal estado que demorou a distinguir o cheiro de comida, coisa que nos prova que adolescente ele não era... Tão mau estado o consumia, que ele não percebe que, se sabem o que ele faz, há uma câmera a observá-lo, de modo que o teste pode ser: o quanto um ser grita, mesmo sabendo que isso é em vão? Psicologicamente, é interessante (e corretíssimo) que, apesar de já ter comido papel, de tanta fome, ele não voa para cima da comida assim que sabe dela, mas tenta uma saída pelo quadrado oco! Isso nos leva a que a maioria de nós tem certas “necessidades”, como a fome, bem mais suportáveis do que nos queixamos. Costumamos dizer que estamos morrendo de frio, mesmo estando agasalhados e dentro do nosso carro, e nem reparamos que a menininha que nos pede esmola no sinal está praticamente nua.
    Um trecho maravilhoso do conto!
    Um abraço carinhoso
    Lello

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Me incentive um pouco mais.