31 de outubro de 2010

Quando você deixou de me amar...

A vida se tornou amarga

As ruas ficaram vazias

Os dias, cinzentos

E as noites já não tinham mais estrelas


Passei a caminhar sozinho

Contando as folhas velhas caídas ao chão

Olhando a chuva cair do céu

Chutando latas de lixo


Desfrutei a tristeza

Com mil milhares de objetos

E de olhares incertos

Fui a procurar


O sentido que tanto almejava

Foi parar num fundo de um poço

Ali estava o meu amor

Que você fez questão de jogar fora


A brasa que arde dentro de mim

Não me queima ao todo

Pois é pouco que resta

Em algum segundo pode apagar


Quando você deixou de me amar

Eu não tinha para onde ir

Então fui ao inferno

E nunca mais voltei.



Não é real. Veio das profundezas. :)

26 de outubro de 2010

Desafio dos sete.

Recebi esse desafio de Tati, do [Re]Construções. Adorei a ideia de fazer algo assim, apesar de ser meio difícil. Não é à toa que se chama desafio, né?


7 coisas que tenho que fazer antes de morrer

Visitar a Alemanha

Escrever um livro

Madrugar na praia e ver o nascer do sol

Ver a aurora boreal *-*

Viajar num cruzeiro

Assistir a um jogo da Copa

Nadar (nua) numa cachoeira

7 coisas que mais digo

Quê?

Elaio!

Não creio.

Cacete de agulia! (é com I mesmo)

Aí...

Enfim (essa é clássica)

Tipo...

7 coisas que faço bem

Escrever (é o que dizem)

Esperar

Bolo

Comer besteiras

Arrumar meu quarto (quando to inspirada)

Cantar desafinada

Pensar (tanto que faço sem pensar hehe)


7 defeitos meus

Me distraio fácil (muito!)

Esqueço de fazer coisas importantes e até de comer

Não falar de algo se não me perguntarem

Demente

Tímida

Medrosa

Surda (tem que falar três vezes para eu ouvir)

7 coisas que eu amo

Chocolate quente

Ouvir música no ônibus (ignorando o caos e os passageiros)

Família, amigos e namorado

Minha cadelinha linda

Escrever contos

Ficar só em casa (se for de dia)

Dormir

7 qualidades

Organizada ao extremo (quando não to com preguiça)

Esperta (nem sempre)

Racional (quando não sou irracional)

Boa ouvinte

Pontual (quando nada atrapalha)

Simples

Audaciosa

7 pessoas para fazerem o jogo dos 7

Tatá, do No Divã

Bruna, do Freescura

Any, do Depois de Tempos

Isa, do assinado eu

H. Steiner, do Alquimista de Sonhos

Juliana, do Rainha do Drama

Agatha, do Será que é verdade ou ficção


É óbvio que não é obrigado fazer isso, mas é divertido. Tentem! :D

24 de outubro de 2010

Nunca se sabe...

- Se eu morresse amanhã, você transaria comigo?
- Com certeza!
- Hmm...
- ...
- Vou morrer amanhã.

21 de outubro de 2010

O teste - 7º capítulo: Libertação.

E o norte, onde se encontra? Ele não sabia. Perdeu aquilo que ele mais almejava naquele quarto. Sentiu sua mão formigar, caçando algo que pudesse servir de lápis ou caneta. Olhou para o teto, com a esperança que fosse de gesso, mas era de laje. Entristeceu-se ainda mais. Aquele homem que nunca chorava, encontrou ali sua resposta: era preciso estar trancado para poder sentir o que é chorar. Desabou suas lágrimas no chão, fazendo ali um córrego lacrimal. Pensou em outras possibilidades para poder escrever. Lembrou-se do Marquês, que usou suas próprias fezes para escrever suas perversões. Ah, disso ele não seria capaz. Poderia haver outra saída ou realmente não tinha saída.

O que poderia fazer? Não lembrava mais de nada, do que fazia antes de entrar no Sunshine Room e isso o colocava ainda mais para baixo. Tocou em seu rosto para tentar imaginar sua fisionomia e sentiu sua barba furar. Estava grande, ele notou. Foi apalpando o resto. Seu nariz era pontiagudo, tinha cílios grandes, a testa um pouco enrugada. Não era velho, ele sentia isso, mas o que sentiu em suas mãos afirmava o contrário.

As comidas chegavam pelo tal quadrado oco, mas ele não tinha fome. Só pensava em sua melancólica situação e em seu diário. Andava de um lado para o outro, tentando descobri algo para fazer, mas era difícil. Tentou dormir, mas seus olhos não fechavam de maneira nenhuma. Novas comidas chegaram e assim foi se acumulando por um bom tempo. Quando ele realmente sentiu que precisa comer, viu que os pratos estavam praticamente empilhados e jogados. Algumas comidas pareciam podres, então pegou o último prato, que parecia ser o mais recente.

Ninguém pode dizer mais do que ele o quanto foi torturante passar esse tempo todo sem algo que lhe desse apoio. A sua rotina, depois que diário foi tirado de sua posse, era beliscar a comida, tomar um banho demorado e dormir. Às vezes brincava de arrancar o cabelo com a raiz e fazia uma tufa com os que havia tirado.

Certa vez, depois de um logo sono, foi checar o quadrado oco e lá tinha um espelho e uma sacola. Primeiramente, ele pegou o espelho e levou até a altura do rosto. Uma crise existencial se apossou naquele momento: quem era aquele cara de olhos negros, barba gigante e nariz pontiagudo? Deixou de lado as perguntas e abriu a sacola. Dentro tinha roupas novas e um barbeador. Pegou aquilo tudo e levou ao banheiro. Ao sair, era outra pessoa. Estava vestido com uma calça azul clara e camisa listrada e sua aparência era jovial.

Quando pôs os pés para fora do banheiro, se deparou com a porta aberta, aquela que nunca se abria e que ele tanto gritou para ser tirado dali. Hesitou bastante antes de ter a coragem de chegar ali perto. Ao passar pela porta, se viu num corredor que dava direto para uma cozinha vazia. Percebeu que aquilo era um apartamento e andou em volta procurando a saída. Ao chegar a porta de entrada e saída daquele apartamento, viu um embrulho amarelo no chão, com um envelope preto em cima. Ficou mais curioso com o envelope que pelo embrulho.

“Parabéns! Você finalmente passou no teste. Espero que tenha gostado da nossa lembrança. Vá em paz.” Não tinha assinaturas como os outros cartões. Ao abrir o embrulho, se deparou com um livro com uma capa amarela e ao fundo, um pouco embaçado, um homem sentado numa cadeira, escrevendo em um caderno. Folheou as primeiras páginas e sentiu algo familiar: aquelas palavras eram dele. Olhou novamente a capa e viu o nome de três autores.

Foi aí que toda a sua memória voltou. Lembrava-se quem era e o quanto tinha sofrido naquele quarto. Percebeu que foi usado para que essas pessoas pudessem escrever um livro e se sentiu amargurado. Deve ódio de si mesmo, por ter escrito tudo aquilo e entregar de mão beijada o mérito para três criaturas. Sabia que não conseguiria provar que aquilo era obra sua e que não adiantava correr atrás dessas criaturas, pois não precisa de provas que elas eram poderosas.

Não conseguiria viver no mundo externo com isso. Imaginou as pessoas lendo o seu livro, gratificando outras pessoas, que não a ele. Seria o maior Best-seller do mundo, com certeza. Caminhou lentamente até a varanda e viu, pendurado na parede, um calendário, com várias anotações. O dia que estava ali marcado, refletiu ele, era a data do seu aniversário de trinta e cinco anos. Folheou o calendário, com todas as anotações, até achar o dia em que chegou ali: exatamente um ano. Se via amargurado e então decidiu o que fazer. Subiu no parapeito da varanda e se jogou do trigésimo quinto andar.

THE END


É tão ruim ter que acabar com uma história. E aí está o final. Espero não ter decepcionado as expectativas. Acho que só assim ele teria sua salvação. Obrigada por todos os comentários. Foi o que mais me deu coragem de continuar escrevendo. Beijos, leitores.

18 de outubro de 2010

O teste - 6º capítulo: Mundo externo.

A sala, que era grande e marrom, ficava no último andar de um prédio de trinta e cinco andares. Havia uma mesa enorme, com uma quantidade infinita de lugares, mas só três homens se encontravam ali sentados. Discutiam diversos assuntos, até que o mais focado tocou no principal, que os reunia naquele lugar.

- Quando vamos começar a edição?

- Calma, a gente não pode fazer isso de uma hora para a outra. O material está conosco desde ontem e não podemos fazer tudo tão rápido.

- Mas acontece que precisamos começar de agora. Foi para isso que nos reunimos aqui.

- Então o que você sugere?

- Eu divido o material em partes e distribuo entre nós. Cada qual lê a sua parte em três dias, no máximo, e a gente se reúne aqui novamente para discutir.

- É, concordo. É o melhor que podemos fazer.

- Tá bem. Eu quero a primeira parte então. Mas até lá, o que faremos com a cobaia?

- Deixe por minha conta que eu resolvo.

Após três dias exatos, eles se reuniram naquela sala. Tiraram suas conclusões a partir da leitura isolada e fizeram um debate do que colocar e não colocar no tal livro que eles iriam lançar dentro em pouco tempo.

“Entre quatro paredes amarelas” seria o título do livro. Ao fim de diversas opiniões, o que melhor que se encaixou foi esse. As histórias e acontecimentos narrados pela cobaia, entre aquelas paredes amarelas, era muito mais interessante do que eles imaginavam.

- Como ele está se sentindo?

- Os gritos e batidas na porta são incessantes. Nem comer ele quer.

- Você acha que deveríamos mandar outros caderno e caneta?

- Não, isso aqui já basta.

E caminharam em direção à porta. Não debateram quando iam soltar a cobaia ou se realmente iam soltá-lo. O que eles queriam, estavam conseguindo, depois de tantas tentativas.




Achei esse capítulo o mais fraco de todos. Mas forcei muito minha mente. O sétimo será o último da série. Espero que tenham gostado. E desculpem por essa demora