25 de agosto de 2010

Quase um agradecimento; quase uma declaração.

Com ele eu aprendi que quando machucamos alguém, devemos pedir perdão. Essa foi a primeira lição entre tantas outras que durante todos esses anos ele passou. Pergunto-me como eu seria hoje, sem seus ensinamentos. É meio impossível responder algo assim, pois não me vejo como outra pessoa sem essas lições. Ele foi meu professor da matéria chamada vida. Sempre foi sábio, inteligente, um quase filósofo e sabia como usar as palavras em diferentes níveis, com diferentes pessoas e sabia dosar a intimidade na hora certa. Porém não foi só a mim que ele cativou. Muitas pessoas o admiravam, não só pelos seus ensinamentos, mas pela sua garra de viver, superação e paciência com problemas. Ele era apenas um mero taxista. Em seus tempos livres, o que eram poucos, ele usava da melhor forma possível: em palestras. Percebi o quanto esse homem nunca foi egocêntrico. Pensava nas pessoas, em seus problemas e sempre tentava ajudá-las. Em suas palestras, todos o ouviam atentamente, sem sequer virar para comentar, ou levantar-se para ir ao banheiro. Era incrível o poder que ele exercia com suas palavras. Ele prendia qualquer um que fosse, até alguém muito impaciente. Para mim, ele era um mágico, um mago, um artista de peso, que o mundo ainda não conhecia. Subia e descia ladeiras em busca de ouvidos para sua profetização. É claro que em menos de cinco minutos, já tinha sua atenção esperada. Inúmeras vezes notei em seus olhos algo esplendoroso. Era ali que estava o seu segredo. O olhar. Nunca pedi para ele me ensinar como ser assim. Eu não me arriscaria a isso. Só havia ele, ele era o domador de palavras, ele era o símbolo mágico da essência da razão. Faltam-me palavras para descrever o quanto ele era especial para mim e para todos. A importância de seu “povo” estava intrinsecamente em sua alma. Ele me deu coragem, força para viver. Ensinou-me o que é justiça. Deu-me graças, constituiu-me de elementos para a vida. Sou grato a ele, hoje e sempre, meu único e eterno.




- Obs: Coloquei o marcador como conto, mas não acho que se encaixa bem nessa categoria. Bem, não foi endereçado a ninguém, é mais uma da série Insônia.

6 comentários:

  1. Gostei da quase 'carta' ficou singela.

    Beijos

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  2. A gratidão é coisa linda. Escrever assim, é gratificante e quase um bálsamo!!

    1 bj

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  3. perfeito, nao tem como colocar um quase, adorei!

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  4. Adorei, e fiquei curiosa pra saber quem era esse tal "mágico" :P
    ^^

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Me incentive um pouco mais.