28 de agosto de 2010

Meu vício frenético.


Estou me preparando para me acostumar com a tua ausência.

Sei que em dias frios eu não vou poder ter teu calor.

Sei também que em dias quentes eu não vou poder torná-los ainda mais quentes, com teu corpo sobre o meu.

Não desejo o fim, longe disso.

E sei que da sua parte é o que você menos quer agora.

Não consigo ficar satisfeita quando você vai embora, depois de dois dias seguidos que passei com você.

Se passo dois dias sem te ver, a saudade já aperta. Imagina o que em uma semana eu não passo.

É que minha saudade é mais que uma hipérbole.


Por vezes, desejava não ter te conhecido.

Por vezes, desejava não estar apaixonada.

E por vezes, desejava não desejar isso.

Desejo apenas você.

É você, meu vício frenético.

Que não deixa minha cabeça nem nos meus sonhos.


Teu olhar, teu sorriso, tua pele, teu semblante, teu cheiro, teu gosto, tua boca... Tudo isso me hipnotiza.

É nessas horas que eu sinto que você foi feito para mim, assim, com seus feitos e defeitos.


Exijo demais. Peço demais e espero demais. De você.

Mas não há nada que me impeça de te querer mais e mais.

É isso o que eu quero. Hoje e agora.


Porém, tenho que te deixar respirar um pouco, pois a meu ver, parece que eu estou te sufocando com tudo isso.

Tenho que tentar deixar de te ver, por pelo menos uma semana, para poder me acostumar.

Sei que não vai ser uma tentativa frustrada, mas vai ser difícil.

Vai ser difícil não ter teus beijos acalentadores, teu corpo pulsando de prazer...


Ah, odeio ser romântica.

Deixarei a minha hipérbole e te vejo semana que vem. Meu amor, meu vício.







- Sai de mim!

25 de agosto de 2010

Quase um agradecimento; quase uma declaração.

Com ele eu aprendi que quando machucamos alguém, devemos pedir perdão. Essa foi a primeira lição entre tantas outras que durante todos esses anos ele passou. Pergunto-me como eu seria hoje, sem seus ensinamentos. É meio impossível responder algo assim, pois não me vejo como outra pessoa sem essas lições. Ele foi meu professor da matéria chamada vida. Sempre foi sábio, inteligente, um quase filósofo e sabia como usar as palavras em diferentes níveis, com diferentes pessoas e sabia dosar a intimidade na hora certa. Porém não foi só a mim que ele cativou. Muitas pessoas o admiravam, não só pelos seus ensinamentos, mas pela sua garra de viver, superação e paciência com problemas. Ele era apenas um mero taxista. Em seus tempos livres, o que eram poucos, ele usava da melhor forma possível: em palestras. Percebi o quanto esse homem nunca foi egocêntrico. Pensava nas pessoas, em seus problemas e sempre tentava ajudá-las. Em suas palestras, todos o ouviam atentamente, sem sequer virar para comentar, ou levantar-se para ir ao banheiro. Era incrível o poder que ele exercia com suas palavras. Ele prendia qualquer um que fosse, até alguém muito impaciente. Para mim, ele era um mágico, um mago, um artista de peso, que o mundo ainda não conhecia. Subia e descia ladeiras em busca de ouvidos para sua profetização. É claro que em menos de cinco minutos, já tinha sua atenção esperada. Inúmeras vezes notei em seus olhos algo esplendoroso. Era ali que estava o seu segredo. O olhar. Nunca pedi para ele me ensinar como ser assim. Eu não me arriscaria a isso. Só havia ele, ele era o domador de palavras, ele era o símbolo mágico da essência da razão. Faltam-me palavras para descrever o quanto ele era especial para mim e para todos. A importância de seu “povo” estava intrinsecamente em sua alma. Ele me deu coragem, força para viver. Ensinou-me o que é justiça. Deu-me graças, constituiu-me de elementos para a vida. Sou grato a ele, hoje e sempre, meu único e eterno.




- Obs: Coloquei o marcador como conto, mas não acho que se encaixa bem nessa categoria. Bem, não foi endereçado a ninguém, é mais uma da série Insônia.

23 de agosto de 2010

Olhares.


Tem olhos que ficam à espreita, só observando o que está acontecendo. Olhares famintos, devoradores de acontecimentos. Óculos escuros, escondendo por trás a verdadeira sagacidade. Não se pode desviar e não se pode sequer olhar para o lado durante alguns segundos. Segundos, por vezes, valem ouro. Devem ser atentos a tudo, até ir ao encontro de outras miragens. Eles não mentem, sempre sabem a verdade. Mesmo de longe, acompanha cada movimento, cada passo, cada nova investida. Não têm boca nem ouvidos, mas falam e “ouvem” por si só.

20 de agosto de 2010

Ausência de sensações.


Estou no meu apartamento, o único prédio de três andares da rua. Os outros prédios são tão grandes que o meu parece mais uma pequena formiga ao lado deles. A persiana da janela do meu quarto está entreaberta e a luz do poste incide diretamente nela, dando ao meu quarto uma iluminação tênue. Ao longe, ouço sirenes de polícias junto com ambulâncias. Já estou acostumada a ouvir coisas assim, num bairro nobre como esse.

É madrugada, mas não sei a hora exata. Levanto-me para preparar um café, pois é isso que meu paladar pede. Não ligo luz alguma, os postes da rua já iluminam aqui direto. Acendo uma vela ao chegar à cozinha e preparo o café. O fogão ajuda um pouco na iluminação e eu apago a vela com um simples sopro. Abro a geladeira e me deparo com a escassez que tomou conta daquelas prateleiras. Não há nada pronto, então decido fiscalizar a dispensa. Encontro um cereal do mês passado, velho e mole, mas é o que eu tenho no momento. Procuro um prato e jogo o que resta do cereal ali mesmo. Como puro, sem leite, sem nada.

Vou até a varanda com meu café e meu cereal para observar o vazio da rua. Não há carros, pessoas, nem animais por ali. Sento-me na cadeira para sentir um pouco da brisa da madrugada. Ouço um barulhinho por algum canto, corro meus olhos e vejo uma sombra se mexendo atrás de um carro estacionado, sentado no meio-fio, ali perto. Identifico um homem, um mendigo talvez. Ele remexe um saco preto, provavelmente sua sucata. Fico observando, intrigada com aquilo, me perguntando o que um homem faz a essa hora na rua. De repente ele se levanta do meio-fio e me nota, de alguma forma, como soubesse que tinha alguém o observando. Olha pela segunda vez para ter certeza, mas fico estatelada para ele pensar que é apenas uma visão construída por sombras. Quando ele se senta e volta para sua sacola, vou saindo de fininho, sem movimentos, para ele não me notar. Não gosto de ser notada quando estou a observar. Sinto-me uma bisbilhoteira, como aquelas de filmes.

De volta para a cozinha, coloco as louças que sujei na pia e volto para o meu quarto. Não lavo louça de madrugada, pois a água é fria e muitas vezes tenho preguiça. Assim, deixo as formigas e baratas fazerem a festa. Volto para o meu quarto e vejo o quanto a iluminação é perfeita, com sombras delineadas na parede. Aproveito a luz e pego minha câmera. Deixo-a em cima da cômoda, coloco em automática e vou para perto da janela, aproveitando para ver se o tal homem ainda se encontra com seu saco preto. Não encontro e então decido voltar para a cama. A fotografia saiu como eu esperava.

Sinto que nem tão cedo vou dormir, pois acabei de tomar um café. Não costumo fazer isso, mas decidi pegar um livro qualquer na prateleira do quarto. Há tantos que eu nunca sequer passei os olhos, mas dessa vez algo me impulsionou a ler. Não escolho a dedo, pego o da cor vermelha, minha predileta. Já me falaram do livro e achei bem interessante. Sento-me na poltrona próxima a janela, para poder usar a luz da rua. Leio até o céu riscar cores diversas em sua “superfície”.

Meu sono vai ser longo pela manhã, por isso desligo imediatamente o despertador. Sinto um arrepio com o frio da manhã, corro para debaixo do meu edredom para dormir tranquilamente.

17 de agosto de 2010

De(mais) ninguém.


No escuro da tua alma
Eu vejo uma pequena luz
Que me dá esperança
E me ocorre uma lembrança
Dos dias inteiros
Que passávamos juntos a caminhar
Na beira mar.
Eu não entendo
Como fui me apaixonar
Assim de repente
Sem mais nem mais
Mas eu sei que eu
Eu sou tua
Toda tua
De mais ninguém.

15 de agosto de 2010

Palavras sãs (?)

Olho para trás e percebo o quanto eu não fiz nesses anos todos. Deixei de lado coisas importantes e fui à busca de aventuras. Minha vida se resumia em uma só coisa: libertação. Não pensei de outra forma. Basicamente tracei um caminho sem volta. Assim eu vivia; assim eu queria viver. Eu achava, às vezes, que estava sendo controlada por algo. Algo que me deixava covarde. Nunca consegui me libertar desse controle. Até parece contraditório: tenho libertação de tudo, menos do próprio controle. É engano meu, ou não. Sinto-me cada vez mais inútil nessa terra de infortúnios. Mas quem gostaria de ser útil numa terra assim? Mesmo assim, não sei. Não sei o que faço aqui. Sou completamente uma pessoa sem respostas. Há perguntas em minha vida, há sim. Mas o que faltam são respostas. Onde as achar? Isso já se torna uma pergunta, portanto, já é fácil de imaginar o que seja. Mas esses meus pensamentos me tem deixado louca. Sou uma louca desafortunada. Vivo da miséria de um país desgastado. Vivo da miséria dos miseráveis. Vivo do pão que o diabo amassou. Vivo do estrago, do vício, da inconseqüência, do desalento, do mistério, do desamor. Morro no cais, no porto, na hora de dormir. Morro no chão da estrada, na quinta rua. Morro no céu. No infinito.



Micro-conto, na verdade. Coisas que me vêm na cama na hora de dormir. Esses pensamentos não são meus. É apenas uma personagem que criei das profundezas. Que fique claro. hehe