9 de julho de 2010

A silhueta.

Era meia-noite e como de costume, eu estava acordada. Meus pais diziam que eu era um zumbi, pois sempre ia dormir tarde. Eu não gostava de ir para a cama cedo, sempre achei chato demais. Gostava de ficar lendo na madrugada ou conversando com amigos, seja no telefone, seja na internet. Fui à cozinha preparar meu leite. Eu tinha essa mania, sabe? Todas as noites, de meia-noite, eu tomava meu leite, leite quente e com açúcar, sem achocolatado. Nunca gostei de achocolatado, eu sempre achei que o leite ficava artificial. Fui tomar meu leite vendo TV, já que essa noite não tinha nada de interessante na internet. Eu tinha um pouco de medo de ficar vendo TV na minha sala, pois, do lado de fora, dava para notar que alguém estava acordado. As janelas eram um pouco transparentes, e a luz da TV era um pouco forte. Estava passando um filme tosco na TV e eu só estava assistindo por que não tinha muito que fazer. O volume estava baixo, mas dava para notar o quão tosca era a dublagem. Minha TV não tinha SAP nem CAPSLOCK, então eu teria que aturar assim mesmo.

Fui à cozinha, lavei meu copo, pois meus pais tinham muita mania de organização e não queriam uma colher sequer na pia. Ouvi um barulho na janela da sala, mas nem me importei, continuei na cozinha. Depois de um tempo, eu voltei para a sala e vi uma silhueta preta através da janela. Não sei dizer como era, só sei que essa silhueta estava tentando abrir minha janela. Provavelmente um ladrão. A janela não era protegida com grade, mas o vidro era muito forte, acho que ele não conseguiria quebrar. Não sei se ele tinha notado minha presença, mas continuou tentando abrir. Eu corri silenciosamente, deixei a TV ligada, a luz acesa e corri. Tentei acordar meus pais, os chamando sem gritar, mas eles não acordaram e o quarto estava trancado à chave. Fiquei nervosa, meu coração acelerava forte e eu não sabia o que fazer. Não pensei na possibilidade de ligar para a polícia, eu estava muito desnorteada para isso.

Depois de várias tentativas de acordar meus pais, eu ouvi um barulho estrondoso: ele conseguiu abrir a janela. Corri para o meu quarto, tranquei a porta e arrastei móveis pesados para a porta. Tremi meu corpo todo, me joguei na cama e me cobri dos pés à cabeça. Ouvi uns ruídos através da porta, mas nada muito alto. Fiquei com muito mais medo só de imaginar meus pais se acordando para fazer algo fora do quarto e dar de cara com o ladrão.

Essa noite ia ser diferente: eu não ia conseguir dormir. Meu quarto estava um breu, do jeito que eu gostava, mas dessa vez eu estava com medo de ficar no escuro. Eu não poderia acender luz alguma, pois ele poderia notar que eu estava acordada. Mas não sei como ele teve coragem de entrar, se viu a TV e a luz ligadas. Ele deve ter pensado que alguém da casa esqueceu ou já imaginava que tinha alguém acordado. Tantas possibilidades, mas eu não sabia qual era a certa.

Os ruídos pararam e deduzi que ele tinha ido embora, mas eu não sairia do meu quarto de jeito algum. Ouvi latidos ao longe, alguns próximos também. Eu não tinha cachorro, mas sempre odiei ouvi latidos assim, na madrugada. Eu imaginava que os cachorros estavam latindo para algum desconhecido ou um espírito, sei lá. Já ouvi dizer que cachorros veem espíritos.

Eu fiquei na minha cama, rolando para esquerda e para a direita, mudando de posição, mas nada de o sono vir. Ainda estava com medo, medo de que esse ladrão tivesse dentro da minha casa, só esperando alguém sair da toca para abordar. Minha barriga roncou um pouco, pois o leite não tinha sido um bom alimento para afastar minha fome. Eu também precisava ir ao banheiro, pois tinha muito líquido para pôr para fora. Fiquei tensa, suando, mesmo com o quarto frio. As vontades de comer e urinar estavam muito grandes e eu não estava aguentando. Acabei urinando no colchão e me envergonhei por isso. Chorei, chorei muito e não sei qual era o real motivo. Não sei se era por causa do ladrão, ou por que eu urinei no colchão, ou por que eu estava solitária... Não sei.

O quarto de repente foi clareando e eu notei que já estava amanhecendo. Olhei pela fresta da porta e uma luzinha um pouco fraca dava para notar. Eu estava me acalmando e resolvi me encorajar e sair do quarto. Ainda estava molhada e fedia muito. Girei a chave devagar, junto com a maçaneta e coloquei o primeiro pé para fora sem fazer algum barulho. Respirei fundo e coloquei o segundo pé quando senti algo o puxando. Soltei um grito e...

Acordei ofegante no sofá da sala. Ainda não tinha amanhecido, mas olhei para o relógio e eram quatro horas da manhã. A TV estava ligada, mas nada além de chiados saiam dela. Meu copo com o leite havia caído no chão e estava cheio de formigas.

Então aquilo foi um sonho... Mas me parecia tão real. Levantei-me um pouco sonolenta para desligar a TV. Meus olhos não estavam abertos completamente, mas quando desliguei a TV, vi uma sombra e olhei para trás. Era uma silhueta preta batendo na janela.




| Voltei a escrever! o/ Criei essa história hoje, mas não curti muito. Achei meio boba e fraca, mas já é alguma coisa. Ah, e queria divulgar esse conto, que meu namorado escreveu Sem Paredes - Instante (ou Segredos). Quem quiser dá uma olhadinha por lá, está a disposição. Beijos. |

5 comentários:

  1. gostei da história, me deixou angustiada a angustia dela. muito bom. e sim eu sou beeem baixa, tenho 1,54 >.<

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  2. Gente, deu até medinho essa silhueta de novo no final! Haha :D

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  3. aaaadoooooreiii a historiiia *----*
    me sentiii dentro dela :x
    fiquei angustiiada demaais por ela , hahaha
    muuitooo bom *-----* QUERO MAIS \o/ haha.

    beijO :*

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  4. Eu tbm fiquei bem angustiada no começo,depois fiquei mais aliviada e tensa pelo final :| !!!ashuiashu
    Ficou lindo o texto todo.Parabéns

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  5. MELDELS! aiuehoiauheiae
    Não tem como eu não me sentir na historia, né. Só conseguia pensar nos minutos de angústia que passamos dia desses.
    Muito bom o texto e o final, surpreendente e tenso.
    :*

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