28 de julho de 2010

Queda livre.


Eu sempre quis fazer um teste, bem anormal por sinal: jogar meu corpo de uma altura considerável, para sentir o impacto. Não sou suicida e nem pretendo ser, longe disso, mas se eu pudesse me jogar desse prédio de trinta andares, sentir o impacto, sentir meu corpo encontrando o chão e não morrer, eu com certeza faria. Faria sem hesitar.
Algumas pessoas acham que eu gosto de altura, mas não é bem isso. Confesso que morro de medo de cair, mas quando estou em um lugar muito alto como esse, eu tenho uma enorme vontade de me jogar. Sei que a queda duraria poucos segundos, mas eu gostaria que fosse quase eterna. Às vezes penso em ir para o espaço e cair eternamente.
Eu queria entender o que leva uma pessoa a estraçalhar o seu corpo. Fico imaginando: O que será que se passa na cabeça de um suicida durante os últimos segundos de vida? Será que dá tempo de pensar? Levo essa curiosidade comigo, mas sei que nunca saberei a resposta. O que sei é que eles não podem voltar atrás, como aqueles que cortam os pulsos propositalmente de maneira errada.
Imagino, por vezes, que, enquanto eles estão caindo, um filme de suas vidas passa por suas mentes. Durante três, quatro, cinco segundos, no máximo. Começo, meio e o terrível fim...
Acabei de ouvir alguém me chamando a atenção. Estou numa sacada de um prédio, olhando para baixo. Há alguns carros numa avenida próxima, mas o que me chama a atenção é a piscina em construção desse prédio. Seria o lugar perfeito para eu cair, até por que é mais profundo...
Minha mãe disse para eu ficar longe dessa sacada, pois está ameaçada. Ao ouvir essa palavra “a-me-a-ça-da” me deu uma excitação. Seria lindo, eu e sacada caindo. Em direção ao chão, em direção ao fim de tudo. Mas não, eu já falei, não sou suicida. Mesmo se fosse, não faria isso na frente de pessoas que eu amo.
Fiz o que minha mãe disse, fiquei longe da sacada. O que eu acho impressionante é que deixaram a sacada desse jeito...
Minha prima chegou aqui perto de mim, disse que eu estava distante, ‘com pensamentos na lua’. Comecei a conversar sobre minhas vontades, mas fui logo dizendo que era só uma curiosidade e que eu nunca faria isso. Ela achou isso muito estranho, mas ficou aliviada quando eu disse que era só uma vontade e voltou para o que estava fazendo. Essas pessoas não sabem o que se passa em minha mente e quando ouvem minhas “ideias”, sempre ficam com o pé atrás. Vai entender...
Fui até a cozinha, peguei um copo de vidro e escondi em minha roupa para ninguém notar. Cheguei à sacada do trigésimo andar, coloquei o cronômetro em posição e soltei o copo. Em menos de cinco segundos, o copo se encontrou com o chão e pedaços de vidro caíram para todos os lados. Seria assim com meu corpo? Não, mas eu cairia nesse mesmo tempo, em cinco segundos.
Deixei todas as minhas imaginações ali naquela sacada e decidi não mais voltar ali, pois se eu voltasse, meus impulsos falariam mais alto.

13 comentários:

  1. Um conto distante da Física, eu suponho.
    Ainda assim, um conto extraordinário. Continue escrevendo, amiga.

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  2. Seus textos,são incríveis,nos levam a imaginar as mesmas coisas que vc.Parabéns!

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  3. eu sempre tive certa curiosidade em coisas absurdas tmb, sempre tive vontade de voar, sair vagando pelo espaco em busca de algo que talvez nunca conseguisse achar. (deu ideia para um post agora :])
    seu texto esta muiot bom, com ideias e sentimentos explicitos, amei!
    nao tem de que, divulgo os blogs que eu acho que valham a pena... obrigdah por divulgar o meu tmb
    :}
    ha pensava que tava te seguindo a muito tempo agora que fui ver q naum. Seguindo jah.
    bjokas, espero seu novo post.

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  4. seria como voar, mas o pouso não seria algo bom :/ adoraria saber qual a sensaçao. seus textos são aqueles capazes de nos fazer sentir exatemente o mesmo que o personagem *-*

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  5. Achei seu texto muito bem feito e foi com um tema bem interessante. Já pensei e penso ainda em tantas coisas loucas. A questão é que não sou tão cmedida como vce, então pra evitar desastres, procuro nem pensar muito. Mas acho interessante estas coisas. São sensações que provavelmente nunca saberemos e caso haja a oportunidade de saber, não teríamos a chance de compartilhar com ninguem pra contar como é né. Daí perde a graça.rs.
    Obrigada flor, vou baixar a música! bjo

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  6. Nossa Laura! Adorei, adorei, adorei! Agora eu fiquei com vontade de pular do trigéssimo andar também! rs.
    Parabéns, você consegue passar certinho a sensação que sente, a curiosidade, e o fato de não ser louca pirada e suícida. IUHSDIUHFS. Beijos! <3

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  7. Uau, pular de um prédio deve ser legal mesmo. Em partes, é claro. Tipo a sensação de não sentir o chão sob seus pés e sentir todo o vento em seu corpo. Adorei seu texto! Muito lindo (:
    Beeijos

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  8. nossa, acho que eu preciso ficar longe de qualquer sacada, ou qualquer lugar de altura... esse era um dos desejos que eu nao descobri em mim, e o seu texto o fez.... caramba, voce escreve muito bem, eu adorei... e por favor mantenha-se distante dessa sacada, voce precisa continuar escrevendo...

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  9. Deixei todas as minhas imaginações ali naquela sacada e decidi não mais voltar ali, pois se eu voltasse, meus impulsos falariam mais alto....nossa adorei bjs =*

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  10. Achei muito engraçado o que comentou no meu blog porque é exatamente o que eu costumo fazer. Sou uma leitora meio fantasma. kkkk
    Mais vou parar com essa mania =)
    Acho que na verdade eu gosto mesmo é de manter desconhecida =)
    beijoos e mesmo não comentando tô sempre por aqui viu?

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  11. Ow.. eu tbm já tive essa idéia rs. Bjs

    http://coposcheiosdevodkaerocknroll.blogspot.com/

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  12. Essa é daquelas coisas que todo mundo pensa, mas ninguém admite pra não parecer louco!

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Me incentive um pouco mais.