16 de julho de 2010

Hoje estou de ressaca (1) - Um dia de folga e Cheetos.

- “Hoje estou de ressaca” será uma serie de contos não lineares. Não irei postar sempre, ainda estou escrevendo, mas cada conto vai ter novos personagens e novas histórias. Não sei quantos contos irei escrever nessa serie, mas o que eu consegui vai estar de bom tamanho. O segundo nome no título sempre será o nome do capitulo, como podem ver. Não é bem o tipo de história que escrevo, e acho que não será bem recebida, mas eu gosto de tentar coisas novas. Chega de romance! brimks (:





Acordei no chão do quarto em meio a garrafas de cerveja e alguns cigarros de maconha. A cama de solteiro que havia em meu quarto estava incrivelmente intacta e eu não sei como consegui essa façanha de dormir no chão. A noite anterior foi um tanto interessante.
Eu sai do trabalho às dez da noite e aproveitei minha folga do dia posterior. Odiava aquele trabalho, não só por que eu saia de lá às dez horas, mas por que meu ex-sogro era meu chefe. Sim, meu ex-sogro. Acho que o Deus dos humanos está me fazendo pagar pelos pecados que ainda não cometi. Eu não sou santo, é claro, mas também nunca matei um elefante.
Quando eu estava saindo do trabalho, o Dr. Corleone (ele não sabe que o chamo assim) me chamou em seu escritório e disse que eu teria folga no dia seguinte. Primeiramente eu nem acreditei, por que alguma caridade vinda das suas “mãos”, a gente já desconfia. Disse ele que eu aparentava estar cansado e que eu ainda não tinha me conformado com a separação. Era só o que me faltava! Eu estava dando pulos de alegria e ele jurava que eu chorava pelos cotovelos pela baranga da filha dele. Tá, eu exagerei no baranga, mas ela tinha uma pinta enorme na cara e eu achava aquilo bonito. Oh céus, onde minha visão foi parar? No cu é que não foi.
O Dr. Corleone me deu essa folga de graça e claro, eu fui aproveitar. Liguei para uns amigos e muitos não poderiam ir, pois estavam cuidado do bebê, ou a patroa não ia deixar, ou estavam cuidando da mãe. Pois é, eu tenho amigos assim, meio otários, mas são gente boa. Fiquei meio indignado por não ter alguém para comemorar minha folga, até que me lembrei do Cheetos. Cheetos era um velho amigo da época da faculdade. A gente sempre bebia e fumava no último andar do prédio de medicina (não, eu não fiz medicina). Aquelas eram ótimas épocas, mas ele acabou preso por tráfico. Eu não fazia isso e por isso me safei, mas sabia que ele participava de coisas desse tipo. Claro, era ele que trazia o nosso baseado.
Cheetos aceitou logo de cara a minha proposta, pois fazia muito tempo mesmo que a gente não se via e queria relembrar os old times, como a gente chamava. Então Cheetos disse que havia um ótimo bar perto da faculdade onde a gente estudou e que há pouco tempo tinha sido inaugurado. Era aquele típico bar que a gente gostava: músicas em vitrola, bebida boa e barata, banheiro unissex e gente ralé.
Chegamos ao bar Vagalume em Chamas. Era um nome um tanto esquisito, mas era o que menos importava. Tinha um pole dance com umas luzes fluorescentes em que qualquer um podia chegar lá e dançar. No momento em que chegamos, havia uma galega lá em cima tirando quase toda a roupa. Ela dançava para um mendigo e jogava algumas peças nele. Só podia estar bêbada mesmo para fazer isso, mas acho que era uma prostituta, pois vi quando ele colocou uma nota de dez reais em sua calcinha e saíram de mãos dadas. “Eca!”, pensei.
Sentamos numa mesa perto do pole dance e Cheetos foi pegar nossa bebida. Enquanto isso olhei ao redor para ver se havia algo de interessante, quando cruzei meu olhar com uma garota de vestido azul. Fui até lá para jogar meu charme, mas levei uma boa tapa na cara. Não entendo esse tipo de mulher. Se vai para um bar daquele, tem que estar preparada para o que vai vir. Voltei a me sentar e logo Cheetos chegou com a cerveja.
Passamos um bom tempo conversando sobre o que aconteceu durante esses tempos. Ele ficou impressionado quando eu disse que havia casado, pois nunca havia imaginado isso de mim. Ele também contou suas peripécias, de quando saiu da prisão. Ficou dois anos por lá e saiu em condicional.
Cheetos encontrou velhos conhecidos por lá que tinham uma das boas. Venderam cinco cigarros por quinze reais, pois de acordo com eles, estava na promoção. Pagamos as bebidas e saímos pela rua. Numa esquina, tinha umas prostitutas que abordamos para perguntar o preço por uma noite. Fizeram por cinqüenta reais cada. Achamos caro, mas seria uma noite e elas eram gostosas, então por um lado valeria a pena.
Passamos num posto para comprar bebidas e algumas comidas. As prostitutas ficaram na lata velha de Cheetos esperando. Levamos a chave por precaução, caso elas quisessem nos passar a perna.
Fomos até o meu apartamento. Estava um lixo, tudo bagunçado, mas eu não estava nem aí. Ficamos na sala, que tinha um sofá de três lugares, mas um tanto fétido e com o pano meio rasgado. Cheetos pegou duas garrafas de cerveja, um cigarro e levou sua puta para o banheiro. Da sala, ouvi gritos, gemidos e coisas caindo no chão. Eu sabia que ele não ia tomar cuidado.
Levei a minha com garrafas de cerveja e dois cigarros para o meu quarto e ela reclamou por que era uma cama de solteiro. Não liguei para sua reclamação e a joguei no chão mesmo, já arrancando sua roupa. Ela era boa, me fez gozar duas vezes e ainda deixou que eu jogasse a coisa em seus peitos. Eu não comentei com Cheetos, mas eu estava sem transar desde que me separei e isso fazia um mês.
Depois disso, voltamos para a sala e ficamos bebendo e fumando. Cheetos ainda estava no banheiro e os gemidos não paravam. Após algum tempo, os dois voltaram e sem roupa, e sentaram-se perto da gente. A que estava com Cheetos se ajoelhou no chão e começou a fazer o que você está pensando, isso tudo na nossa frente. Então começamos ali uma orgia, mas devo dizer que tive nenhum contato com Cheetos (não gosto dessa fruta), mas transei com a sua prostituta e ele com a minha.
Dançamos, fumamos, bebemos, transamos. Verbalizamos! Foi minha melhor noite de solteiro, isso eu posso ter certeza. Já eram nove da manhã quando Cheetos disse que precisava ir e eu pedi que ele levasse as duas de volta para a esquina.
Fui cambaleando para meu quarto, mas não enxerguei a cama e cai direto no chão e só acordei às sete da noite. Agora são três da manhã e eu ainda estou sob o efeito da bebida e da maconha, mas que se foda o Dr. Corleone, que hoje estou de ressaca.

16 comentários:

  1. daqui a pouco vc vai tá arrotando e peidando na minha cara...
    bukowskiana!

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  2. Interessante o seu gosto para blog.
    gostei da historia, nao e a mesmice de felizes para sempre. Sou amiga da agatha e vi vs seguindo o blog dela entao resolvi dar uma visitinha e realmente gostei. te seguindo jah.
    quando tiver tempo da uma olhadinha no meu...
    www.jmsdramaqueen.blogspot.com

    bjin

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  3. kkkkkkkkkkkkkkkkk'
    gostei muito desta primeira cronica, achei hilariante.
    sabe, acho que esta tua investida neste tipo de texto vai lhe render bons frutos! Assim espero, este primeiro, pelo menos, está fantástico.

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  4. Gostei muito dessa primeira, vous eguir evir sempre aki ;)

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  5. Adorei o texto! Ótimo!

    sucesso!

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  6. Obrigado pelo comentário!!

    seu blog é ótimo tbm! vou lhe seguir agora mesmo!

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  7. Incrível a maneira como você usa as palavras. Conseguiu me transportar pra dentro do seu texto! :)
    Obrigada pela presença em meu blog! Aprovei e estarei sempre por aqui :)
    Te segui no twitter também ;)

    Um abraço!
    -
    http://palavracontemporanea.blogspot.com/

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  8. Adorei a forma de você usar suas palavras, consegue expressar bem as coisas, adorei.
    Estou te seguindo.

    Grande beijo.

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  9. hahahah, adorei o texto! dá até vontade de esticar os pés em cima da mesinha e abrir uma cerveja. muito bom mesmo! adorei.

    beijos, tô seguindo!

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  10. Ah,muito obrigada por ter passado no meu. Eu também adorei o seu blog e seu conto :)

    Estou te seguindo , até :)

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  11. adorei teu blog *-* bjs bom fds

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  12. Legal legal. A literatura é mesmo diversa em seus modos.
    Gostei.

    Estou te seguindo.

    O meu blog é
    www.marcoscarneiropalavras.blogspot.com

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  13. ooi (:
    Bem, seu texto digamos que foi bem solto. Quero dizer assim, você não teve medo de ousar, de usar as palavras. E mesmo assim não transmitiu algo vulgar apesar de estar falando de prostitutas e derivados. Creio que essa nova forma de escrita te abrirá a mente. Deixará sua imaginação solta fazendo com que você escreva seus próximos textos cada vez com mais facilidade.
    Mesmo o cara sendo drogado e locão :P Eu achei o texto bem escrito ^^
    Parabéns querida! Bjs.

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  14. Adorei o conto, amiga! Fiquei bem presa na história e, apesar de achar uma bagaceira total essa noite, a história ficou bem escrita.

    O final foi muito bom! Que se fodam os doutores Corleones da vida.

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  15. To adorando ler o que você escreve. Acho que tu desenvolve bem os personagens e eles não seguem uma linha padronizada, acho legal isso!
    Tais em que período? :**

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Me incentive um pouco mais.