8 de junho de 2010

Um dia qualquer.


Já era noite na avenida principal da cidade. Os carros iam, mas não vinham. Eu estava do lado esquerdo da avenida. Ou seria o direito? Ah, depende do referencial, né? Ou simplesmente não tem referencial? Não sei. Só sei que os carros iam. Eu via os carros com seus faróis amarelos acesos. Eles passavam rápido. Tive uma curiosidade: qual seria a sensação se eu me jogasse na frente de um carro? Eu sempre tive essa vontade, mas claro, não tinha coragem para fazer. Não, eu não era suicida. Era só uma curiosidade, sei lá. Será que meu corpo voaria para muito longe? O que será que eu sentiria naquele momento? Se tivesse alguma certeza de que eu não iria morrer ou ficar com seqüelas, eu me jogaria, mesmo.
Eu estava na parada de ônibus dessa avenida principal. Eu tinha um destino. Além de carros, ônibus e mais ônibus passavam e chegavam na parada. Aqueles que eu poderia pegar não peguei. Preferi pegar aquele que demorava, mas que me deixava mais perto. Podemos chamar isso de comodismo, não é mesmo? Mas era noite, então seria menos perigoso pegar o que me deixasse mais perto. Passaram uns seis ou sete ônibus que eu rejeitei, fora aqueles que não iriam para o mesmo destino que eu. Ou seja, nesse tempo que eu fiquei na parada passaram mais de quinze ônibus.
Apesar de ser feriado, o ônibus não demorou muito, mas estava lotado. Tentei escrever essas palavras em pé, mas o ônibus não deixou. Minha letra saia como um rabisco e eu provavelmente não entenderia depois.
As expressões dos passageiros me pareciam muito melancólicas. Alguns dormindo, outros ansiosos para chegar ao destino. Eu nem tanto, por isso que esperei por esse ônibus.
Finalmente pude me sentar. É um grande alívio quando a gente se senta, principalmente em um local lotado. Quando eu estava em pé, pessoas passavam por mim e eu sentia o odor que elas exalavam e não era nada bom. Sentei-me do lado de alguém que também não exalava um cheiro bom. Eu não podia reclamar, já tinha me sentado. Há essa hora, geralmente, as pessoas estão fedendo, principalmente em ônibus. O suor do dia todo grudado no corpo.
Estava perto do meu destino e agora eu estava com pressa. Odiava transito, principalmente quando eu estava em ônibus. Os ônibus já andavam devagar normalmente, pois paravam para recolher e deixar passageiros.
O calor estava demais também e eu estava louca para sair. Minha roupa preta grudava no corpo, apesar de que eu não estava suando.
Finalmente eu parecia estar chegando. Teria que puxar a cordinha. Onde eu ia descer, os passageiros também desceriam. Acho que eu não precisaria puxar.
Fiquei sentada, esperando. Até que não tinha demorado muito para chegar. Feriados também têm suas vantagens, além de dar descanso para quem trabalha e estuda.
Eu tinha chegado ao meu destino e fui devagar andando em direção à porta de saída.

2 comentários:

  1. Aquele texto! Hahaha
    Gostei, viu. E tenho curiosidades desse tipo... não exatamente a mesma, sabe. Mas da mesma loucura de ter sensação e saciar a curiosidade. Também tenho esse comodismo algumas vezes, mas é bom quando temos passado o dia todo na rua.
    Você fez parecer poético andar de ônibus! IAUHEIOUAE Falando 'odor', 'exalam'... É mesmo horrível. Pior mesmo é quem fede de manhã cedo ¬¬
    Well, bom texto. Dá até vontade de ir pro RA de noite só pra pegar o ônibus voltando, nas ruas vazias :)

    :*

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  2. Eu também tenho vontade de me atirar na frente de um carro, só pra saber o que vou pensar na hora. Podem me chamar de suicida, nem ligo, haha. Adoro seus textos, querida. Como disse a pessoa acima, você faz parecer poético andar de ônibus, admiro e adoro textos assim. Parabéns! E, ah... obrigada pelos comentários no meu blog. <3 :*

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