30 de junho de 2010

Prêmios.

Eu nunca imaginei que tinha essa coisa de prêmio em blogs, até que hoje recebi uma indicação de Fabiele Cristine. Gostei muito de ter recibido. *-*

Prêmio Sunshine
Awards.
Prêmio Dardos.









Blogs indicados aos prêmios:

http://www.astenia.wordpress.com
http://www.escarniobenefico.wordpress.com
http://www.freescura.blogspot.com
http://www.arrobascoloridas.blogspot.com
http://www.cemmilpalavras.blogspot.com
http://www.agrodrigues.blogspot.com
http://www.vocevaimever.blogspot.com
http://www.sindromemm.blogspot.com
http://www.naomefazsorrir.blogspot.com
http://www.lollaramonad.blogspot.com

Regras básicas:

Prêmio Dardos.
1. Colocar a imagem do selo no blog;
2. Linkar o blog que nos indicou;
3. Indicar mais 10, 15 ou 30 blogs ao prêmio;
4. Comentar no blog dos indicados sobre essa postagem.

Prêmio Sunshine Awards.
Linkar o blog que lhe premiou;
Citar as regrinhas;
e indicar os próximos ganhadores.

Estes prêmios têm o intuito de 'espalhar' a amizade entre os blogueiros e de fazer do Blogguer um ambiente mais harmonioso e inspirador do que já é. Espero que gostem dos blogs indicados ;)

27 de junho de 2010

Liebe.


Sim, amar é muito bom. Melhor ainda é amar e ser correspondido. Acho que no mundo não há ninguém que não tenha esse sentimento no coração, nem mesmo as piores pessoas da face da Terra. Todos têm esse sentimento, mesmo que seja para amar algo supérfluo, mas ainda assim existe o amor. O importante é ter amor. Não importa a forma, não importa como, o que importa mesmo é que haja amor.

Sim, amar é muito bom. Sentir o coração explodir de alegria quando vê a pessoa amada. Abraçá-la, beijá-la, tocá-la, enfim, amá-la! Amo o amor e amo amar. Para mim, é o verbo mais bonito de se conjugar: amar. Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam.

Quer sentimento mais lindo e puro que esse? Não existe. Eu tenho certeza que não. Eu me sinto muito bem por estar amando e não tenho vergonha disso. Vergonha de amar? Que isso, gente! Um sentimento tão lindo como esse não deve ficar preso, tem que ser gritado aos quatro cantos do mundo.

Eu passo o dia inteiro pensando no amor. O amor nos deixa muito brega, não é verdade? Fazemos coisas que nunca imaginamos que poderíamos fazer. A breguisse toma conta. Mas sem a breguisse, o amor não teria graça, não é? Ser brega faz parte do amor.

O amor além de nos deixar brega, nos deixa cegos. Idealizamos a pessoa amada e a colocamos no topo. Para nós, amantes, nada mais importa. Só queremos saber do nosso amor e nada, além disso, é enxergado. Isso, por um lado, é ruim, pois nos prendemos muito a uma única coisa e ficamos necessitados dessa coisa sempre. É essa a cegueira do amor.

Mas e se alguém chegasse e questionasse entre duas coisas: “Amar e sofrer” ou “Não amar, nunca sofrer”, o que você escolheria? É realmente uma pergunta difícil, mas eu escolheria amar e sofrer. Amar e sofrer são verbos que caminham juntos, ou seja, um necessita do outro. É isso mesmo. Quando nós amamos, já temos a certeza de que vamos sofrer. Não há amor sem sofrimento. Se não houve sofrimento, é por que também não houve amor.

Acho que ninguém passa pela vida sem nunca ter sofrido por amor. É como se fosse um propósito nosso da Terra: “Você vai amar e vai sofrer”. É preciso sofrer por amor, só assim para poder morrer. Todo ser humano está destinado a sofrer por amor, não há escapatória para isso.

Para amar não há regras. Não tem idade para isso, não há fórmulas para isso. Nós aprendemos a amar com o tempo, com experiências, ou mesmo sem. Cada um tem seu jeito e sabe como amar.

É por isso que eu amo com muita intensidade. É como diz a música de Renato Russo: “Sem amor, eu não seria”. Sem amor não teria graça viver.



*Tema brega, texto brega, fotos bregas. Vamo combinar, o amor é brega.*

25 de junho de 2010

A Copa


O mundo muda de uma maneira extraordinária. Acontece a contagem regressiva: cem dias, cinquenta dias, dez dias, um dia... E enfim chega o grande dia. É a Copa do Mundo. A espera foi grande, todo o mundo estava numa grande expectativa, mas o dia chegou, minha gente! É hora de vestir a camisa, pegar suas vuvuzelas e começar a torcer!

Eu gosto muito desse clima de Copa, esse climão todo de união. Acho lindo ver as pessoas na rua vestidas de verde e amarelo, as casas enfeitadas, as lojas... Tudo! Um país inteiro para só para assistir a um jogo. É incrível a força de uma torcida, principalmente a brasileira, unida por uma só paixão.

Quando a hora do jogo está próxima, as pessoas largam cedo de seus estudos e trabalhos, pronto para torcerem. Alguns chegam atrasados, outros chegam na hora, mas nenhum quer perder de assistir ao jogo, de ver a emoção quase de perto, de torcer, de gritar, de vibrar a cada gol.

Os primeiros minutos são relaxantes. Começou o jogo, ainda tem muita coisa para acontecer. Os últimos minutos são os piores. Aquela agonia, aquela ânsia de “Acaba logo” se está ganhando ou “Mais acréscimo, mais minutos” se ainda falta um gol. São os noventas minutos acompanhados mais fielmente por olhos concentrados, aflitos, preocupados!

A seleção adversária é sempre uma merda. Não joga nada! Quando os jogadores adversários aparecem, é xingamento para cá e para lá. Pode ser a melhor até, mas para nós, a melhor é a nossa!

Pra frente, BRASIL!

23 de junho de 2010

Culpa.



O desgosto tomou conta dela. Seus filhos eram homossexuais e seu marido, um alcoólatra. Sua vida não era mais a mesma. Antigamente vivia feliz. Agora vivia numa triste loucura, no fundo do poço. Nada mais lhe trazia alegria, nem uma xícara de café que ela tanto adorava beber. Não bebia mais café, de jeito nenhum. Notou, há um tempo, que bebia café quando estava feliz. Agora, em sua triste loucura e solidão, o café não mais importava. Nada mais importava. O tempo lhe arrancou a felicidade, o tempo lhe arrancou o sossego, o tempo que arrancou a paz. Ela até tentou virar alcoólatra, como o seu marido, mas não conseguiu. O gosto amargo que ficava em sua boca era insuportável. Ela queria beber para esquecer, como muitos por aí fazem. Mas não deu. Optou por se drogar. Tentou todas, mas nenhuma a fazia esquecer-se da dor, do rancor.

Ela vivia sozinha em casa. Os filhos a abandonaram e o marido vivia pelas ruas, de bar em bar, jogado na sarjeta. A sua casa parecia mais um chiqueiro, de tão suja e fedida que era. Pratos, copos, comidas, tudo no chão. Fazia tempo que ela não arrumava a casa. Deixou de trabalhar e vivia do dinheiro da poupança. Saía de casa só para o supermercado e só voltava com comida pronta, enlatados e afins. Nada de material de limpeza. Tomava banho uma vez a cada dois dias e seu cabelo parecia mais uma vassoura, pois não lavava e nem penteava direito. Os vizinhos comentavam uns com os outros, dizendo que ela era uma louca solitária, abandonada pela família.

Ficou assim por dez meses. Engordou sete quilos, sua pele estava seca, seus lábios rachados, cabelos quebrados e secos. Não era mais a mesma pessoa. Não era a aquela mãe que todos admiravam por cuidar dos filhos com os maiores carinho e apoio possível. Não era aquela esposa atenciosa e bondosa, que fazia tudo pelo marido. Era uma simples mulher acordando da triste loucura que passou durante quase um ano. Foi um dia qualquer em que ela acordou e percebeu que sua vida não fazia sentido. Viver infeliz por que sua família a abandonou? Sim, isso era muito triste e ela não havia se recuperado ainda. Mas viver assim, para sempre, não dava. Nesse mesmo dia, acordou disposta, disposta a mudar todo o rumo de sua vida. Passou cinco horas e meia limpando e arrumando a casa. Limpou sala, quarto, cozinha, banheiro... Tudo. Tomou um banho decente e saiu na rua, com um sorriso estampado no rosto. Todos a olhavam, sem entender o que era aquilo. Mas ela estava pouco ligando para o que eles pensavam e falavam.

Foi à procura de emprego, pois notou que passou muito tempo parada. Na poupança ainda tinha bastante dinheiro, mas ela não poderia relaxar, tinha que ter pelo menos um objetivo na sua vida. Tinha cinqüentas e cinco anos, mas não estava morta. Ainda tinha muito que viver pela frente. Conseguiu um emprego de assistente numa pequena empresa. A remuneração era pouca, mas já era alguma coisa. Ela não poderia voltar para o antigo emprego, pois tinha sido demitida por falta. Na verdade, ela não havia tentado, mas achava que não seria readmitida.

Todos os dias, quando chegava do trabalho e se deitava para dormir, ficava lembrando-se dos seus filhos e de seu marido. A saudade doía, de apertar o coração. Chorava de saudades e chorava mais ainda por eles nesse tempo todo não ter dado notícia nenhuma. Não sabia onde eles estavam e nem como encontrá-lo. Podiam estar em outra cidade, estado ou até mesmo outro país e ela não saberia. Decidiu procurar informações nos seus antigos empregos. Eles poderiam ter sido promovidos ou realmente mudados de emprego.

Saiu cedo de casa, numa manhã pouco ensolarada, em busca dos seus filhos. Foi na loja em que seu filho mais velho era gerente e ele estava lá. Ela o observou de longe e lágrimas caíram de seus olhos. Ele estava bonito como sempre. Decidiu se aproximar da loja e falar com um funcionário. Perguntou se os outros irmãos dele passavam por ali e onde eles estariam. O funcionário lhe respondeu que somente a irmã o visitava às vezes e disse que ela trabalhava perto dali.

Era em um posto onde sua filha trabalhava e ela decidiu ir lá também, observar de longe. Ao vê-la, se emocionou e mais ainda por ela estava grávida. Pelo tamanho da barriga, aparentava ter seis meses de gravidez. Supôs que ela tinha feito inseminação artificial, pois ela era lésbica. Saiu de lá e não quis mais falar com ninguém. Queria saber do seu outro filho, mas estava exausta pela procura e não poderia se atrasar para o trabalho.

Passou o dia todo pensando nos filhos e principalmente no mais novo, que ainda não sabia onde ele estava. Pensou também em seu marido, seu primeiro amor. Não se conformava com o que havia feito com sua família. A culpa era toda dela por não aceitar a homossexualidade de seus filhos. E o marido se jogou na bebida por que não agüentava mais a suas paranóias e loucuras por causa dos filhos. Sim, tudo era culpa dela. Ela tinha sido tão idiota a ponto de destruir sua família, a ponto de afastar aqueles que mais a amavam.

Queria rever os filhos, tocá-los, abraçá-los e beijá-los. Não poderia mais se esconder e viver sem eles. Decidiu contactar o mais velho. Foi na loja e falou com o mesmo funcionário. Pediu-lhe para entregar um bilhete, deu-lhe um trocado em troca de não comentar nada. No bilhete, ela estava marcando um jantar num ótimo restaurante da cidade, às oito horas do dia seguinte, e pediu para que ele levasse seus irmãos e que não faltasse, pois era muito importante e de interesse deles todos. Ela observou a reação dele e ele tinha ficado intrigado com isso. Não sabia se ele iria comparecer e se levaria seus irmãos, mas a esperança tomou conta dela e ela sentiu, com seu extinto de mãe, que eles iriam ao seu encontro.

No dia seguinte, acordou bem disposta e feliz. Aquele era o dia do reencontro. Trabalhou com força de vontade e saiu cedo, para poder se preparar.

Olhou para o relógio e eram sete e meia da noite. Estava nervosa e ansiosa. Decidiu se atrasar um pouco, para eles chegarem primeiro que ela. Já tinha ligado para o restaurante um pouco mais cedo para reservar uma mesa no nome do mais velho.

Chegou no restaurante uns quinze minutos atrasada e procurou pelos filhos e lá estão os três, esperando por alguém que não sabiam quem era. Ela se aproximou da mesa, tremendo e chorando. Eles a reconheceram e ficaram admirados. Abraçaram-na. Foi um reencontro com muita emoção para ela. Ela sentou-se ao lado deles e conversaram muito, sobre tudo o que aconteceu. Ela prometeu-lhe não mais ir contra a decisão deles e pediu que eles voltassem para casa, que ela estava esperando para acolhê-los. Eles se entreolharam, mas foi o velho que falou:

- Mãe, a senhora passou esse tempo todo na sua miséria, mas o tempo passou. Eu gostaria que a senhora soubesse que adoramos o convite, mas já temos nossas vidas feitas. O que a senhora não sabe é que a gente tirou o papai da rua e ele morou com a gente por um bom tempo e...

- E não mora mais? Como assim? – ela perguntou.

- Ele faleceu há uma semana.

Dos olhos dela, lágrimas caíram, e ela não acreditou como isso pode acontecer. Seu marido, que tanto amara, estava morto e ela nem ao menos sabia. Ninguém havia lhe contado...

- Por que vocês não me ligaram? Por quê? Por que não foram me visitar, por que não me disseram que ele morreu? Por que não me chamaram para o velório? Respondam-me! – ela alterou a voz e os clientes do restaurante olharam para a mesa deles.

- Sinto muito, mãe. Ele passou a odiar a senhora, por não nos aceitar. Ele pediu antes de morrer que a senhora não fosse para o velório. Sinto muito, mas temos que ir. Qualquer dia vamos visitar a senhora.

Os três se levantaram, deram-lhe um beijo e partiram. Ela tinha notado a frieza dos filhos. Eles haviam mudado. Não na aparência, mas nas atitudes. Ela, com todo aquele peso de emoção e tristeza, ficou na mesa do restaurante, em companhia de cadeiras vazias e pratos sujos.


21 de junho de 2010

Crise existencial


Nada, nada disso aqui é real. O que estou fazendo aqui? Não sei. É tudo tão complicado para mim. Às vezes eu penso que não existo. Parece um sonho que eu mesmo planejei. Contradições? Muitas, muitas contradições. Quando me olho no espelho, pergunto a mim mesmo sobre minha existência, minhas origens: “De onde eu vim? Como vim parar aqui? Qual é o meu propósito?” Perguntas comuns, porém difíceis, que meu espelho escuta quase todo dia. Não sou bom com as palavras, nunca fui e nunca serei. Consequentemente, não sou bom com conversas. É difícil alguém arrancar algo de mim. Quem só me ouve é o espelho. Ele não me pergunta nada, não me faz questionários e por isso eu respondo tranquilamente, sem vergonha, sem pressa, sem medo. Mas na verdade, não é o espelho o meu confidente, é minha imagem. Posso parecer louco por conversar comigo mesmo, mas quem nunca fez isso? É por que só há uma pessoa que realmente me entende: eu.

18 de junho de 2010

Sobre a festa.

Uma vez minha prima me pediu pra fazer um diálogo que era pra um trabalho dela. Era para ter um narrador e três pessoas (uma que falasse com estrangeirismo, outra que falasse com girías e outra que falasse errado). Tá aí o resultado. Não gostei, ficou uma merdinha. Achei "difícil" de fazer, mas pelo menos a ajudei. :D



Narrador: As três meninas, Júlia, Carol e Amanda viviam sempre juntas e eram as mais tagarelas da sala. Sempre que algum professor se virava para o quadro ou quando ele saia, elas aproveitavam para fazer o que elas mais gostavam: conversar.

Júlia: Ei, mermão! Tu tá ligada que ontem a festa bombou, né?

Carol: Really? I dont believe! Eu não fui. (cara de triste)

Amanda: Eu fui com Frávio. Ele mim levou pra lá.

Júlia: Foi massa a festa, pô! Tu perdesse! Num foi, Amanda?

Amanda: Fooi, minina.

Carol: Ninguém me avisou. Shit!

Júlia: Mais tinha uma galera lá mó paia, pô. E o som tava meio peba.

Amanda: É. Ar pessoa de lá era muitxo feia também.

Carol: A party foi boa, então?

Júlia: Acho que exagerei mesmo, né? Era zuada pra cá e zuada pra lá.

Amanda: Or minino ficarum mim paqueranu, aí Fravio quase que briga.

Carol: Thank you, God! Ainda bem que eu não fui.

Júlia: Mas tirando essas baboseiras, a festa foi boa, tá ligada? Tinha uns gatinhos.

Amanda: Nem fale nisso. Eu mim ferrei por causa disso.

Júlia: Tu sabe quando vai ter outra festa, doida?

Amanda: Sei ñão! Or minino acha que só mês que vem.

Carol: Whatever! Na próxima eu vou.

Júlia: Oxe! Acho que os meninos ficaram muito grilado, pô. Sei não se vai ter outra, na moral.

Carol: Shut up, girls! A teacher vem aí!


16 de junho de 2010

Líquido límpido.


O tempo às vezes muda do nada e é incrível como isso acontece. O céu lá no seu azul infinito e belo e de repente, o cinza cobre toda aquela beleza. O céu perde a cor. É como pegar uma foto e colocá-la em preto e branco. Geralmente fotos pretos e branco tem mais cinza do que essas duas cores.

Na verdade, o cinza também tem sua beleza. Os vários tons que no céu ele pinta é quase um quadro artístico. Cinza escuro, cinza médio, cinza claro... e por aí vai.

Começa a mutação. O cinza cobre aos pouquinhos o céu e quase não sobra azul ou realmente não sobra nada. Procura-se por um "pingo" sequer de azul, mas é em vão. Quando o céu termina sua mutação, ele nos manda uma bênção: A chuva.


Fazia muito tempo que aqui não chovia. Era o calor e mormaço de sempre. E era aquela coisa, quando você anda embaixo no sol, ninguém aguenta. A cabeça esquenta, o corpo sua... Mas mês de Junho todo mundo sabe, ? Não tem para onde ir, nesse mês vai haver chuva, queira ou não queira.

Tem gente que não gosta de chuva e até por uma parte eu entendo. A chuva atrapalha muitas vezes a vida do ser humano. Precisar sair, mas não poder por causa da chuva: isso atrapalha. Precisar de roupas, mas não estão secas: isso atrapalha. Chão molhado, poças d'água pelas ruas, lamas... isso atrapalha. Mas como eu disse, chuva é uma bênção. Bênção de Deus.

O que seria de nós sem a chuva? A água que usamos para todo e qualquer tipo de coisa que fazemos vem dela, da chuva. Sei que por aí a chuva não está dando trégua e acontece tragédias por causa disso, mas não podemos reclamar. A chuva vem e vai na hora que ela quer.

Ontem foi incrível. Depois do jogo do Brasil (farei um post sobre a Copa depois), quando o juiz apitou, na hora do término do jogo, a chuva desabou em Recife. E não começou aos pouquinhos, foi aquele toró (chuva forte). Alguém chega com a brilhantíssima ideia: Vamos tomar banho de chuva? Por um momento, eu hesitei, mas depois não pensei duas vezes. Coloquei uma roupa qualquer e corri para a chuva. Quando os primeiros pingos caíram no meu corpo, eu me senti viva, mais que nunca. E a chuva diminuía e chegava forte novamente... Passei um bom tempo tomando banho de chuva. Parece que a chuva lavou minha alma e tudo de sujo que tinha dentro de mim (não que eu seja uma pessoa suja por dentro, se é que me entendem). Foi uma sensação maravilhosa e que eu não experimentava há muito tempo. Honestamente, não lembro quando foi a última vez que tomei banho de chuva, mas pela sensação de liberdade que tive, parecia um século.

A água da chuva acordou meu corpo e foi maravilhoso. Se chover novamente, eu estarei lá.

10 de junho de 2010

Depoimento de uma lésbica.


Meu nome é Megan. Sou uma garota, mas sou quase um garoto. Na verdade, é o que dizem por aí. Só por que eu uso samba-canção e namoro outra garota. Sim, eu sou lésbica. Eu não escolhi isso e acho que ninguém escolhe. Não é aquela coisa de acordar um dia e dizer: “Ah, eu quero ser lésbica” e pronto. Não é assim de jeito nenhum.

Tem gente que acha que ser homossexual é modinha. E tem gente que acha que chamar um heterossexual de gay é ofensa. Então ta, a palavra gay agora virou xingamento. É isso? Eu não entendo por que as pessoas se ofendem com isso. Se você é, que seja. Se não, então qual é o problema?

Eu não posso dizer que nunca me interessei por um garoto, pois isso seria uma mentira. A gente não vira homossexual de uma hora para outra. É aos poucos. Eu, por exemplo, achava que nunca ia ser lésbica. É claro que eu não repudiava como outras pessoas por aí, mas achava que isso era impossível. Mas acho que um dos motivos pelo qual me tornei lésbica foi a decepção que eu tive com os homens. Fui apaixonada por vários e muitas vezes não fui correspondida ou era tratada mal. Eu não tive sorte com eles, mas quando eu conheci Tina, tudo ficou diferente. Primeiro, ela foi minha melhor amiga. É quase sempre assim que acontece. Eu dormia na casa dela e ela na minha. Éramos inseparáveis e nunca ninguém desconfiou, mesmo depois de estarmos juntas. Íamos para tudo quanto é lugar juntas: festas, bares, boates, compras, cinemas. Tudo. E foi assim que começou. Sentimos atração uma pela outra, e nenhuma das duas tinha tido experiências desse tipo. Éramos principiantes, digamos assim.

Nós nos damos muito bem. Eu a amo muito e ela me ama também. A reciprocidade sempre foi o nosso forte. Mas nós temos que aguentar o preconceito dessa sociedade hipócrita. Nunca fingimos que não somos namoradas. Não somos aceitas, mas não é por isso que eu escondo o meu amor por ela. Estamos sempre apoiando uma a outra e juntas estamos lutando contra o preconceito.

Eu acho que um dia as pessoas vão entender. Elas têm que considerar todas as formas de amor. Enquanto isso não acontece, eu continuo amando Tina e nada nem ninguém vai me arrancar esse amor, pois está bem cravado no meu peito como raiz.

8 de junho de 2010

Um dia qualquer.


Já era noite na avenida principal da cidade. Os carros iam, mas não vinham. Eu estava do lado esquerdo da avenida. Ou seria o direito? Ah, depende do referencial, né? Ou simplesmente não tem referencial? Não sei. Só sei que os carros iam. Eu via os carros com seus faróis amarelos acesos. Eles passavam rápido. Tive uma curiosidade: qual seria a sensação se eu me jogasse na frente de um carro? Eu sempre tive essa vontade, mas claro, não tinha coragem para fazer. Não, eu não era suicida. Era só uma curiosidade, sei lá. Será que meu corpo voaria para muito longe? O que será que eu sentiria naquele momento? Se tivesse alguma certeza de que eu não iria morrer ou ficar com seqüelas, eu me jogaria, mesmo.
Eu estava na parada de ônibus dessa avenida principal. Eu tinha um destino. Além de carros, ônibus e mais ônibus passavam e chegavam na parada. Aqueles que eu poderia pegar não peguei. Preferi pegar aquele que demorava, mas que me deixava mais perto. Podemos chamar isso de comodismo, não é mesmo? Mas era noite, então seria menos perigoso pegar o que me deixasse mais perto. Passaram uns seis ou sete ônibus que eu rejeitei, fora aqueles que não iriam para o mesmo destino que eu. Ou seja, nesse tempo que eu fiquei na parada passaram mais de quinze ônibus.
Apesar de ser feriado, o ônibus não demorou muito, mas estava lotado. Tentei escrever essas palavras em pé, mas o ônibus não deixou. Minha letra saia como um rabisco e eu provavelmente não entenderia depois.
As expressões dos passageiros me pareciam muito melancólicas. Alguns dormindo, outros ansiosos para chegar ao destino. Eu nem tanto, por isso que esperei por esse ônibus.
Finalmente pude me sentar. É um grande alívio quando a gente se senta, principalmente em um local lotado. Quando eu estava em pé, pessoas passavam por mim e eu sentia o odor que elas exalavam e não era nada bom. Sentei-me do lado de alguém que também não exalava um cheiro bom. Eu não podia reclamar, já tinha me sentado. Há essa hora, geralmente, as pessoas estão fedendo, principalmente em ônibus. O suor do dia todo grudado no corpo.
Estava perto do meu destino e agora eu estava com pressa. Odiava transito, principalmente quando eu estava em ônibus. Os ônibus já andavam devagar normalmente, pois paravam para recolher e deixar passageiros.
O calor estava demais também e eu estava louca para sair. Minha roupa preta grudava no corpo, apesar de que eu não estava suando.
Finalmente eu parecia estar chegando. Teria que puxar a cordinha. Onde eu ia descer, os passageiros também desceriam. Acho que eu não precisaria puxar.
Fiquei sentada, esperando. Até que não tinha demorado muito para chegar. Feriados também têm suas vantagens, além de dar descanso para quem trabalha e estuda.
Eu tinha chegado ao meu destino e fui devagar andando em direção à porta de saída.

7 de junho de 2010

Máquina de escrever.


Eu queria ter uma maquina de escrever em minha mente, para poder escrever tudo o que eu penso, sem interrupções. Na verdade, queria que minha mente, meus pensamentos fossem uma pessoa real. Ela escreveria tudo o que eu penso. Seria tudo mais fácil. Os pensamentos fluiriam mais, junto com as ideias. Os textos seriam melhores construídos...
Às vezes eu penso em escrever, mas não tenho papel nem nada por perto para que eu possa transpassar meus pensamentos. Não dá para guardar e gravar tudo na mente. São tantas coisas que se passam em nosso pensamento em segundos, que esquecemos muito fácil.
Uma máquina de escrever seria a solução de vários pseudo-escritores como eu. Nós, pseudo-escritores, temos muito a falar, digo, escrever. Mas, às vezes, não temos tempo, muito menos um papel sequer.
Eu digo por mim, sou uma pseudo-escritora sedenta por escrita e também leitura. E por que não? Se eu escrevo, eu gosto de ler.
- Mente, constroí pra mim uma máquina de escrever?

5 de junho de 2010

(in)Experiência.

O sexo era irreal para mim. Sempre achei que não existia. As pessoas falavam: “Sexo é muito bom” e blábláblá. Eu sempre tive curiosidade, mas achei que era mentira das pessoas. Estava tão longe de mim que achei mesmo que não existia. Pensava que as pessoas mentiam quando falavam de sexo, que só existia na teoria e não na prática. Tentava imaginar como as pessoas faziam sexo, mas não conseguia. Como dois corpos podem se juntar e cada um deles dá prazer ao outro? Ouvia coisas também que sexo se poderia fazer entre três, quatro, cinco pessoas. Como pode existir uma coisa dessas? Eu pesquisava, lia em colunas de revistas, tudo em relação ao sexo. Para mim, ainda era irreal. Li também alguns depoimentos na Internet. Alguns diziam que doía muito, outros que era a melhor coisa que já haviam feito na vida. Para mim, isso era contradição demais. Para uns era bom, para outros era ruim. Não conseguia entender. Diziam para mim que eu nasci a partir do sexo. Isso era complexo demais para mim. Se eu nasci do sexo, todos nasceram também. Meus pais nunca me falaram sobre isso. Nunca me deixavam escutar conversa alguma que estivesse relacionado com o sexo. Até meus dezesseis anos eu não sabia o que era sexo. No colégio riam de mim e nem ao menos tentavam me explicar. Eu era motivo de riso porque não sabia o que era o sexo. Culpa dos meus pais, que sempre me privaram de tudo. Quando, na aula de Biologia, o professor começou a falar do sistema reprodutor, todos olhavam e riam para mim e o professor não entendia. Eu era burra. Eu não sabia o que era sexo. Uma vez tentaram me explicar, mas queriam que eu tirasse a roupa. Disseram que precisava ser assim, senão eu não entenderia. Fiquei com muita vergonha e não quis saber. Foi a partir daí que eu comecei a ler. Conhecia gente da minha idade que já fazia sexo e diziam que era ótimo. Eu ouvia conversas detalhadas e começava a entender. Palavras como penetração, vulva, esperma, ereção, orgasmo, excitação, gozo era o que eu ouvia. Precisei do dicionário, mas ainda era um mistério. Decidi ver vídeos na Internet. Era o que chamavam de pornô. Eu lá sabia o que era isso, mas procurei por esse título. Fiquei impressionada com as imagens e de repente senti algo. Não sabia o que era, mas era uma sensação boa. No vídeo, o homem tocava nos seios da mulher e eu me arrepiei. Quando ele tocou no órgão sexual da mulher, eu estremeci junto com ela. Notei que aquilo era bom para ela. Decidi fazer o mesmo. Despi-me e coloquei minha mão na minha vulva. A essa altura, eu já sabia o significado dessa palavra. A mulher no vídeo parecia delirar a cada toque e eu, com a minha mão, comecei a imitar os movimentos que o homem fazia. “Aquilo era sexo?”, pensei. Gostei do que eu senti e fiquei a me perguntar por que as pessoas sentiam dores. Agora, o homem do vídeo tinha colocado a boca no órgão da mulher e isso era impossível eu fazer. Continuei mesmo com a mão, mas a molhei com a minha saliva. Era tão doce, tão bom o que eu sentia que não consegui parar. Fui aumentando a velocidade como assistia no vídeo. Os dois corpos caíram na cama e eu ainda continuei lá embaixo. Senti que ia explodir e quando parei, um líquido branco saiu de mim. Coloquei na boca e gostei do sabor. E eu que pensei que aquilo era sexo. Dias depois descobri que aquilo que eu tinha feito se chamava masturbação. Eram tantas palavras relacionadas ao sexo que eu me perdia. Descobri também que a masturbação era algo normal entre os jovens e que praticamente todos faziam. Mas não era o sexo em si. O sexo ia além da masturbação. Eu pirei. “Se masturbação é bom, sexo é melhor ainda.” Eu queria descobri isso, queira experimentar. Queria ter a sensação que a mulher do vídeo tivera. Vi que ela se sentiu feliz no final. Parecia que o homem tinha lhe dado céus e terras. Eu nunca tinha sentido atração por ninguém. Atração era aquilo que quando você olha para alguém, quer ter um contato a mais, além de conversas. Depois de me masturbar, eu comecei a senti atração. Eu olhava para garotos e garotas. Sentia atração pelos dois sexos. Não entendia por que eu sentia atraída pelos dois. Eu sempre vi casais de sexo diferente. Um homem e uma mulher, nunca dois homens ou duas mulheres. Achava que isso não existia e me sentia estranha por me atrair por garotas. Mas preferi focar em garotos. Eu queria sentir o que a mulher do vídeo sentiu, eu tinha me espelhado nela. Procurei o que mais me atraísse, o mais bonito, o mais cobiçado, o mais mais. Isso se chamava paquerar e eu não sabia como fazer. Inventei a palavra paquerer. Se você paquera, você quer. Então eu fui paquerer com um lindíssimo que eu encontrei. Eu não estava a fim de conversar e fui direto ao assunto. Cheguei no ouvido dele e perguntei: “Você gosta de sexo?” Nem sei de onde tirei coragem para falar aquilo. Ele respondeu que sim e me levou ao motel. Eu nunca tinha visto um lugar como aquele, claro. Tinha uma cama, um banheiro e uma pequena estante com uma TV. Ele pediu que eu fosse ao banheiro me levar e eu fiz o que me pediu. Não me senti nervosa, como a maioria das pessoas dizia se sentir. Lavei-me e tirei toda a minha roupa. Sai do banheiro e ele já estava todo nu e ereto em cima da cama. Ereção, eu descobri o significado no dicionário e estava apreciando naquele momento. Ele me chamou para ficar ao lado dele e eu fui. Começou a acariciar meus seios e eu fui me lembrando do vídeo. Colocou seus lábios, sua língua, e eu estava gostando muito daquilo. Depois fez alguma coisa no meu órgão sexual, que eu descobri depois se chamar sexo oral (tem nome para tudo nesse mundo). Ele não notou que eu era virgem (outra palavra que eu não sabia), pois pulei em cima dele com toda a força e o senti me penetrando rápido. Não senti dor alguma, acho que estava ocupada demais para isso. Acho que a dor se misturou com o prazer e eu só conseguia senti um só, em dose dupla. Foi extraordinário e bem melhor do que eu imaginava. Quando terminamos, fomos embora. Eu para um lado e ele para outro, como estranhos. Eu nunca soube o nome dele e nem ele soube o meu. Eu dei, ou melhor, doei minha virgindade para um estranho e as únicas palavras que trocamos foram: “Você gosta de sexo?” “Sim” “Vá ao banheiro se lavar” e só. Depois de tudo isso, eu descobri realmente o que era o sexo. E era como todos falavam: muito bom! Eu me viciei em sexo e era como chocolate: a primeira vez que você come é bom, a segunda vez é muito bom, a terceira, é melhor ainda.