2 de maio de 2010

Um pouco de estresse para quem gosta

Eu não tenho muitos motivos para me estressar. Minha vida é calma, eu não trabalho, não tenho responsabilidades como boa parte das pessoas tem. Não tenho conta para pagar, nem hora para acordar. Não tenho complicações.
Como eu disse, minha vida é calma e muito calma. Nada acontece de diferente na semana. É sempre a mesma coisa. Nada muda. Sempre acordo tarde, arrumo as coisas e vou estudar. Umas três, quatro, cinco horas, dependendo do dia. Isso de segunda a sexta. Aos sábados e domingos na casa do namorado.
Essa é minha rotina. Eu não saio muito, mas nem é porque eu não gosto. Às vezes, falta lugar e o principal: dinheiro. As pessoas dizem que pode sair sem dinheiro. Sim, é verdade. Mas não existem muitos lugares para sair sem dinheiro. Mesmo que exista, se você sai sem dinheiro e quer comer algo. Como é que fica?
Dinheiro é um sério problema para mim. Eu quero sair, mas não tenho dinheiro e isso atrapalha muito minha vontade. O que eu não gosto é de depender dos outros, mas eu sempre saio como dependente, para não ficar em casa. E evito muito gastar o dinheiro dos outros. É sempre: “Não, não quero. Não!”
Dinheiro estressa a vida de muita gente, mas não tanto a minha. Digo, estressa um pouquinho, mas não como os ônibus me estressam. Eu não conheço pessoa mais azarada como eu em relação aos ônibus. E na verdade, esse é o motivo dessa postagem, e eu acabei indo para outro lado. Mas enfim...
É incrível como os ônibus me amam. Toda vez que eu estou na parada esperando tal ônibus, passa uns trinta mil ônibus daquele que eu nunca pego. Quando é para pegar um desses trinta mil, aquele que passa semanas para chegar à parada passa na hora que eu chego. E eu percebi que isso não acontece só comigo, mas com outras pessoas também. Um dia desses na parada, uma mulher comentou com outra que se ela quisesse aquele ônibus que tinha acabado de passar, ele não viria naquela hora. Eu, que não acreditava, passei a acreditar na lei de Murphy. “Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”. Engraçado é que hoje eu assistir a um filme e as personagens falaram sobre isso. E o nome do filme era “Maldita sorte”.
Maldita sorte foi a minha. Sai ‘cedo’ da casa de Renan, com ele. Eu indo para casa e ele para outro canto. Eu pedi que ele rezasse para que eu não ficasse cinqüenta minutos na parada como da última vez. Ele teve sorte, pegou o ônibus no sinal. E tem que aproveitar, hoje é domingo e o ônibus demora o dobro do tempo para chegar. Depois que ele pegou o ônibus, eu fui caminhando lindamente para minha parada. E quando estou chegando perto da rua em que eu pego o ônibus, passa aquele “bendito”. Na hora que eu vi, me deu uma raiva tão grande, pois eu sabia que aquele “bendito” iria demorar. Cheguei à parada me consolando, sabendo que eu iria ficar muito tempo ali. Eu poderia pegar outro ônibus, mas não é muito acessível para mim e onde eu iria descer, ficava meio longe e era esquisito. Esse tal ônibus passou várias vezes enquanto eu estava na parada.
A parada tinha muita gente. Aparentava ter umas vintes pessoas. E os ônibus iam chegando e as pessoas indo embora. E chegavam mais pessoas e seus respectivos ônibus chegavam e eu ainda ali. Nesse tempo que eu passei na parada (cinqüenta minutos contados no relógio) deve ter passado uns trinta ônibus ou mais. A cada minuto chegavam ônibus e às vezes passavam três da mesma linha. E nada do meu aparecer. De repente, me vi quase sozinha na parada. Chegou uma senhora e os dois ônibus homens que estavam lá foram embora. E só ficamos eu e essa tal senhora. E se o ônibus dela chegasse? Eu iria ficar sozinha. Como hoje é domingo, as ruas às sete horas da noite não estão movimentadas como dia de semana. Mas aí chegou o “bendito” ônibus. Quando eu passo mil anos na parada, eu sempre entro de cara feia. É muito estressante passar quase uma hora esperando. Se o motorista ou o cobrador dissesse “Boa noite”, era capaz de eu mandar se F. E eu notei que Renan não rezou para mim.
Essa não é a primeira vez que isso acontece comigo. Creio que isso aconteça com mil outras pessoas que esperam esse ônibus. Eu não aprendo mesmo, eu sempre fico esperando por ele. Mas descer tão perto de casa é bem mais prático e eu me sujeito a esperar uma hora, dois, o quanto for preciso.
O pior depois desse todo tempo de espera é chegar em casa e entrar no seu quarto abafado, com as cortinas fechadas, as camas desarrumadas, tudo bagunçado. Essa peça me foi pregada só para terminar o dia, por enquanto. Ainda tenho quatro horas. Vamos ver o que me espera ainda.

E esse vídeo vai em minha homenagem: O Paradoxo da Espera do Ônibus.

3 comentários:

  1. Velho, ônibus é realmente uma BOSTA. Se eu não fosse dependente dele, eu seria menos infeliz.
    Um dia as coisas melhoram, pode ter certeza.
    E se tiver entediada, pode aparecer, ou ligar, ou me chamar... enfim. Tô por aqui, sabe.
    Gostei do tamanho do texto e da maneira com que tu usou pra escrever. Só falta melhorar a frequencia dos posts. aheiuheaie
    :*

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  2. Vi sua cara neste dia, realmente senti a sua raiva, estava emanando pra todo o lado.
    Acredita que tenho um venho criando um post só sobre ônibus? Aqui é um verdadeiro inferno, DEUSMELIVRE.
    Sobre a lei de murphy, acredito igualmente. Essas coisas são acentuadas na minha vida, às vezes. Até falei no meu último post.

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  3. eu não rezo.
    mas isso sempre acontece comigo e eu já pensei em dedicar um post só para esse assunto! e o vídeo já vi, muito bom!

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