7 de maio de 2010

O homem de branco.

Para fazer esse conto, me inspirei ouvindo uma certa música. Na verdade, isso fez parte de uma dinâmica (eu acho) da aula da minha irmã. O professor mostrava uma música e os alunos teriam que descrever uma cena, que combinasse com a música. Laryssa me mostrou essa ideia e eu gostei muito. Fiz uma pequena história ao ouvir a música. Foi o que eu imaginei na hora. E fiquei com essa ideia na cabeça. Daí eu lembrei e decidi escrever, ouvindo a música.
Se você for ler, leia ouvindo a música. Espere a música começar e leia. Leia devagar, sem pressa, enquanto a música toca.



A música.



Era madrugada. Uma grande sala escura, apenas iluminada pelas luzes da rua. As cortinas esvoaçavam com a ventania que vinha lá de fora. O piso era de taco. Quadros de personalidades vazias na parede. Mal dava para enxergar alguma coisa ali. Tinha cheiro de medo, de angústia, de horror.
Próximo à janela, havia um homem de preto sentado em seu piano e tocando compulsivamente. Do outro lado da sala, havia outro homem, só que todo de branco. Aparentava ser um médico, mas não era. Era quase um Hannibal. Sorria ao desferi golpes com toda a classe em sua vítima. Sua vítima gemia fraca, sem forças. O 'médico' estava com um facão na mão, e tinha aberto a camisa da vítima e fazia grandes arranhões em sua barriga. Enquanto isso, o homem de preto ia tocando, e tocando e tocando. Música clássica, tudo clássico, para combinar com o momento. O homem de branco dava altas gargalhadas cada vez que sua vítima soltava um gemido de dor. Desta vez, ele tirou a calça da vítima e fez um grande risco da virilha até o pé. Tinha sido muito profundo. Sua vítima berrou. O sangue ia escorrendo pelo chão de taco. No escuro, não dava para diferenciar o que era chão e o que era sangue. Quando o sangue tocou o chão, o homem de branco estremeceu de prazer, ao sentir aquele odor entrar no seu nariz. Aspirou várias e várias vezes para sentir de novo aquele cheiro familiar que ele tanto adorava. O homem de preto agora estava de pé, tocando com toda a força que podia. E o homem de branco gargalhava mais e sorria para sua vítima.
Agora ele golpeava, de verdade. Enfiou o facão no braço da vítima e esta soltou um pequeno ruído, pois já não conseguia gemer alto, já tinha perdido quase todas as suas forças. E o sangue ia sendo derramado no chão. O homem de branco sentia mais prazer ainda. Estava alegre, muito alegre. E a música o excitava bastante. Levantou sua vítima e como se fosse um boneco, começou a dançar com ela. Segurando os dois braços e os apoiando em seu ombro. Os pés da vítima de arrastavam pelo chão e o homem de branco ia dançando junto com a sua música clássica preferida. O homem de preto quando viu a cena, se empolgou mais ainda no piano. Sua mão já estava vermelha de tanto tocar e de tocar daquele jeito, sem parar. O homem de branco já não estava mais de branco. O sangue da vítima tinha passado para sua roupa. Ele não ligava. Ele gostava do vermelho, vermelho sangue. E dançava e dançava, até que a vítima tombou no chão, batendo com toda a força no taco. Mas ainda não tinha morrido. O homem de branco, agora de vermelho, jogou seu facão do chão e foi até a parede, onde estava pendurado seu machado. A vítima já não conseguia emitir um ruído sequer. Ao ver o machado, arregalou os olhos. Não conseguia se mexer. A pequenos passos vinha o homem de branco. Um passo para cá, um passo para lá. Lentamente, com seu machado, fazendo mala bares. Vendo isso, o homem de preto caprichou na música. Era esse o grande momento. O homem de branco pegou no braço ferido de sua vítima e o arrastou até chegar à mesa de madeira que havia na sala. Deixou seu machado em pé, encostado na mesa e colocou a vítima ali. Sua cabeça estava fora da mesa, praticamente pendurada. O piano não parava de tocar. O homem de branco pegou seu machado, arrastando-o pelo chão, até marcar o taco. Levantou o machado até o mais alto ponto. Ficou por alguns segundos assim e finalmente... Atingiu com toda a força a cabeça de sua vítima. A cabeça foi rolando, como uma bola de futebol até chegar aos pés do pianista. O corpo da vítima jazia sobre a mesa e de seu pescoço, saia muito sangue, sendo derramado no chão. O homem de branco se deitou ali, abriu sua boca e lá ficou bebendo o sangue de sua esposa.

3 comentários:

  1. :O fiquei beesta com o final Vãns, muito massa a história IUDSHUISDHIUDSH macabra e_e

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  2. que instinto psicopático, sádico!
    terminei a estória, mas ainda restou um minuto e meio de música...
    mas acho que deu pra perceber uma sincronia entre a música e a cena...
    por exemplo, a cena em que o assassino caminha com o machado até a vítima...
    ficou bem estilizado toda a cena: o homem de branco e sua vítima e o homem de preto e seu piano numa mesma sala...
    muito bom, laurinha!

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  3. Escolheu muito bem a música, adorei. Não só a música como a história em si. Adoro esses contos que saem do esperado e expressam muito bem o que muita gente não é nem capaz de imaginar. Já fiz isso de me inspirar em música pra escrever algumas vezes, nem sabia que era uma dinamica isso.

    Adorei seu blog, vou te seguir, me siga também e qualquer dia a gente troca uma idéia ;)

    Boa noite

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