28 de maio de 2010

Correspondências. (1ª Parte)

Foi triste, muito triste mesmo ter que dá adeus a Lucas. Infelizmente ele teve de se mudar e pra muito longe de mim com a bruaca da esposa dele, Mirian. Ele teve uma ótima proposta de trabalho e não podia recusar, até porque uma criança vinha aí. Pois é, Mirian estava grávida. A notícia era ótima para ele, mas não para mim. Eu estava apaixonadíssima por ele e ele por mim também, mas acho que a idéia de ser pai faz ele se esquecer de mim. Acho isso tão incrível. Como ele pôde esquecer de nós dois e tudo o que passamos? Depois daquela noite no Hotel Rystory, ele havia se declarado para mim e eu acabei confessando que sentia o mesmo. E eu tinha certeza que ele largaria Mirian por mim. Ele largaria mesmo. Eu sabia que ele não era feliz com ela. Ele não precisava me dizer, eu via isso nos olhos dele. É incrível como o mundo dá voltas. Mas ele tinha responsabilidades como pai e eu não podia culpá-lo.

Tive que superar a perda de Lucas e voltar à ativa na Casa Oito. Jaime e Mateus ainda eram loucos por mim e eu por eles. Afinal, eram meus prediletos, além de Lucas, claro. Mas garotas de programa, como eu, não têm futuro mesmo. Nós somos condenadas a viver vendendo nosso corpo e só. Achamos que um dia um ricaço irá se apaixonar por nós e nos pedir em casamento. Isso é pura ilusão de garotas sonhadoras. Qual o homem que vai se casar com uma garota de programa? Nós nos deitamos com mais de dez homens por semana. Imagina encontrar um homem com quem eu já deitei e ele me ver compromissada? Não, não cola de jeito nenhum. Eu me iludir mesmo com Lucas e hoje ainda não superei a perda dele. Fico pensando se ele ainda se lembra de mim, se ainda gosta de mim? Acho que não. A essa altura, o filho dele já nasceu. Deve estar com alguns meses e deve ser lindo como o pai. Quem ligaria para uma garota de programa enquanto está numa cidade nova, emprego novo, casa nova e um lindo filho? Acho mesmo que me esqueceu.

Minha vida depois que Lucas partiu não foi muito feliz. Eu fazia programas sem muita vontade e meus clientes percebiam e contavam para Marlene. Ela já meu deu altas broncas, até porque eu era a melhor garota que ela tinha lá. Eu nunca ficava parada e sempre vinham homens e mais homens me procurar. Acabei percebendo que Lucas estava atrapalhando meu trabalho, então tive que deixar ele de lado, de vez. Comprei várias roupas e lingeries sexy para agradar meus clientes e acabei conseguindo. Marlene até elogiou a minha atitude. Jaime e Mateus passaram a me visitar mais vezes durante a semana.

Minha vida melhorou muito depois que eu parei de pensar em Lucas. Novos clientes surgiram. Eu digo novos nos dois sentidos da palavra. Eu quase não parava em casa. Saía logo ao anoitecer para chegar cedo na Casa Oito. Marlene decidiu que abriria a Casa Oito mais cedo, para conseguir mais clientes. E não é que deu certo! Às sete da noite, já estávamos de portas abertas e pernas também. Tinha um grande prédio empresarial perto da Casa Oito e a maioria dos clientes vinham de lá, logo após o trabalho. Muitos enrolavam suas mulheres, dizendo que teria reuniões e elas acreditavam. É obvio! Um empresário está sempre ocupado com reuniões e afins.
Numa semana, a Casa Oito esteve lotada. Era a mais popular da cidade e a que mais tinha garotas bonitas. É, Marlene não era besta. Ela conseguia os melhores clientes com a nossa beleza. Acontece que chegou um novo cliente, como eu disse, nos dois sentidos. Raul era o nome dele. Raul era muito belo e charmoso e eu tive a sorte de ser escolhida por ele. Era solteiro, rico, bonito e tinha quase a minha idade. Achei até incrível, pois era difícil encontrar um cliente solteiro. A maioria que vinha nos visitar era por insatisfação ou por aventura mesmo. Creio que Raul não tinha nenhum desses motivos. Como eu disse, era jovem, lindo e rico e não precisava ir a um prostíbulo para conseguir sexo. Muitas garotas por aí iriam querer um partido como ele. Então era fácil para ele conseguir o que queria, mas não entendo.
Mas enfim, desfrutei daquela beleza de homem que era. Ele parecia ter gostado muito do programa e prometeu voltar.

- Eu estou acostumada a receber promessas de clientes. Não precisa ser preocupar.

- Você não me conhece, dama. Eu voltarei.

Ele foi bastante gentil comigo e até me chamou de dama. Eu nunca havia sido tratada tão bem assim por um cliente, além dos meus prediletos. Claro que nenhum me tratava mal, mas Raul me deixou fazer tudo o que eu queria e esperou que eu gozasse junto com ele. Os outros, claro, não se importam com isso. Mas ele foi diferente de todos eles, até de Lucas e o que ele falou foi com convicção.
Depois dessa noite, Raul virou meu cliente fixo. Ofereceu a Marlene uma bela quantia de dinheiro para reservar a Sexta-Feira e o Sábado só para ele. É claro que ela não recusou. Alguns clientes não gostaram disso, mas ele já tinha pago um mês inteiro.
Às vezes, quando ficávamos até tarde na Casa Oito, Raul me oferecia carona até em casa. É claro que eu não recusava. Mas um dia ele me levou a seu apartamento. Ele morava sozinho e na cobertura. A vista era maravilhosa e estava quase amanhecendo. Creio que ele me levou até lá para termos mais tranqüilidade e até para conversar. Então, eu decidi falar.

- Eu não entendo você. Tão jovem, rico e procurando prazer num prostíbulo.

- Não é para isso que o prostíbulo serve? Eu enjoei de garotas mimadas e elas nunca estão satisfeitas. Sempre querem presentes, jóias, restaurantes e quase nunca me oferecem prazer. – Agora eu entendia o lado dele.

- Mas por que você me trouxe aqui? Eu sou uma garota de programa. Nenhum homem, nem mesmo o que eu fui apaixonada, me levou até a casa dele. E eu acho que se sua família descobrir, não vai gostar nada disso.

- Eu não sou qualquer cliente, Morgana. Sei que te conheço há pouco tempo e sei que você também não é uma qualquer. Achei você especial. E eu não tenho família, tenho alguns parentes que moram logo e faz muito tempo que não os vejo. Isso não interessa a eles.

Conversamos um pouco ainda e ele me levou até seu quarto. A cama que havia lá era a maior que eu já tinha visto. Foi maravilhoso. Ele, como sempre, foi muito gentil comigo. E eu estava começando a gostar dele.
Me deixou em casa logo cedo, apesar de não trabalhar em dia de Sábado. Disse que precisava resolver algumas coisas, mas achei que ele não precisava me dá explicações.
Cheguei em casa e Jimmy estava morrendo de saudades. Me parecia estar muito assustado. Percebi que havia chovido noite passada e imagino como ele ficou. Mal havia entrado em casa e já tinha gente batendo na minha porta. Era o carteiro e me entregou as cartas, que na maioria eram contas para pagar. Meu coração gelou ao ler o remetente da única carta entre as contas: Lucas Jean Ferraza.















Eu pensei muito, mas logo abri a carta dele.












Fiquei boquiaberta com aquela carta. Na verdade, não sei o que eu senti lendo as poucas palavras de Lucas. Não sei se raiva, amor, saudade ou nada. Mas acho que as últimas palavras balançaram meu coração. Eu não podia negar para mim mesma que ainda amava Lucas, isso eu sabia. Resolvi responder a carta dele naquele mesmo dia. Eu não tinha nada mesmo para fazer e era mais fácil eu me livrar logo daquilo.












Minhas palavras foram meio frias, eu sei. Mas eu não podia ser vulnerável de jeito nenhum. Tive que ser forte. Escrevi essa carta à tarde e logo enviei ao endereço que ele pediu. Eu não queria que ele desse o endereço da sua casa, isso não me interessava.
A tarde toda fiquei pensando em Lucas e em suas palavras. Li mais uma vez a sua carta e percebi que eu ainda o amava. Eu estava muito bem, mas Lucas veio como um furacão, para me arrasar. Relaxei um pouco e respirei fundo, afinal, hoje eu iria me encontrar com Raul novamente.
Não esperei que ele viesse me buscar e fui logo cedo à Casa Oito. Me arrumei lá mesmo. Marlene me elogiou mais uma vez, disse que eu estava impecavelmente linda. Ela não largava do meu pé. Claro, ela não gostaria de me perder. Eu era a que mais atraia homens para lá.
Raul chegou e eu o levei para o quarto principal. Pois é, Marlene reservou esse quarto para as minhas noites com ele. Foi bom, mas não tanto quanto antes. Enquanto estava com ele, pensei em Lucas. Ele percebeu que eu estava estranha, mas eu disse que não era de mais. Ele se ofereceu para me deixar em casa, mas eu disse que tinha que resolver algumas coisas por lá. É claro que era mentira, mas eu não queria ter que conversar com ele. A nossa relação era só sexo e estava quase passando disso. Eu não queria que acontecesse o que aconteceu entre mim e Lucas.

Passou-se alguns dias e eu recebi a resposta de Lucas.

...

Um comentário:

  1. Nãaaaaao! Ta fazendo o que eu fiz, né?! Acabando a historia numa parte de suspense...! Agora sei como vc se sentia. HAIOEUHAIUE
    Adorei vc ter feitocontinuação. E gostei mais ainda de ter mais uma parte pra eu ler depois :D
    Morgana ficou balançada com essa carta de Lucas e com o novo cliente... Gostei mais de Raul, digo logo :p
    Continuuuua! :D

    ResponderExcluir

Me incentive um pouco mais.