13 de abril de 2010

Aquela tarde.

Eram três da tarde quando Olívia desceu do ônibus. Samuel estava à sua espera, sentando no banco da parada. Fazia dois dias que não se viam, mas era como meses, anos. Eles se abraçavam demoradamente para matar a saudade. Alguns dizem que são um casal grudento, outros dizem que isso é amor mesmo.
Ele a pegou pela mão e foram caminhando até a praia. Foi um encontro marcado, para relembrar os velhos tempos. Fazia tempo que eles não iam à praia, passar uma tarde por lá. Olívia gostava muito de ir à praia. Quase nunca ia. Não era pela questão de tempo, ela sempre tinha tempo livre. Só que ela nunca parou para pensar sobre o por que de não mais ir à praia.
Olívia caminhava conversando com Samuel, sempre o olhando. Ela gostava disso. Não sabia fazer outra coisa quando estava ao lado dele: admirar. Os gestos, o jeito de abrir a boca ao falar, o modo como ele piscava os olhos. Todos os mínimos detalhes.
Chegaram à avenida quando o sinal abriu para os carros. Não fazia mal. Enquanto o sinal não abria, eles aproveitavam para se abraçar. Para Olívia, o tempo parava quando Samuel a abraçava. Era como se nada existisse ao redor. Só os dois e mais nada. Era boa aquela sensação.
O sinal abriu e finalmente eles atravessaram a avenida. Quando pisaram no calçadão, sentiram a brisa do mar. Aquilo era muito familiar. Nostálgico, diga-se se passagem. Caminharam um pouco sentindo aquela brisa e conversavam sobre coisas aleatórias. Ficaram um pouco na dúvida se iam ou não para a areia. Mas então decidiram e foram.
Olívia era esperta. Trazia em sua bolsa uma toalha, água, biscoitos, alguns bombons, chocolate...Tudo para uma tarde gostosa na praia. Samuel ficou sem graça ao ver Olívia tirar as coisas da bolsa. Ele nem sequer tinha pensado em algo assim. Mas Olívia não ligou muito para isso. Afinal, estando com Samuel já bastava.
Estenderam a toalha na areia e colocaram a sandália como peso, para não voar. Samuel se sentou de frente para o mar e Olívia fez o mesmo, mas sentando entre as pernas dele e encostando-se a seu peito. Samuel adorava quando Olívia se sentava assim. Ela praticamente deitava em seus braços e ele a abraçava, deixando-a bastante confortável. Ficaram ali, comendo e bebendo, enquanto um grande quadro às suas frentes mostrava-lhes sua beleza.
Admiraram a paisagem por um longo tempo. O céu se encontrando com o mar. As nuvens cinzas esparsas no céu. Não havia alguma ameaça de chuva. O sol já não estava no céu, mas sua luz se espalhava por todo ele. O mar no seu vai-e-vem, com suas ondas pequenas, se atirava na areia. Algumas aves voam ali perto. Outras pousavam na areia em busca de comida. E Samuel e Olívia ali, um preso ao outro. Preso por um sentimento que seria difícil de soltar. Eles, calados, olhavam-se. Nenhum dos dois soltaria uma palavra sequer, para não quebrar aquele momento. Seus olhares eram mais do que palavras. E então, como a primeira vez, eles se beijaram. Foi aquele beijo demorado, aquele beijo cheio de ânsia, cheio de desejo. Ali estava a confirmação. Ele a amava. Ela o amava. E ponto.
Já não aguentavam ficar ali, desejando-se. Queriam ficar a sós, compartilhar seus desejos. Seus corpos estavam pulsando pelo prazer. Decidiram ir à casa de Samuel, era perto da praia e bem tranquila. E foram caminhando pela praia, contando os minutos, os segundos, para estarem sozinhos.
Ao chegar na casa de Samuel, não se importaram se alguém ali estivesse. Samuel conduziu Olívia até seu quarto e a deitou em sua cama. Ele, com todas suas calma e delicadeza, foi despindo-a. Ela fez o mesmo. Suas respirações ofegantes entraram em sincronia. Samuel, assim, deitou seu corpo sobre o de Olívia. Seus corpos, enfim, estavam conectados. Ele acariciava seus cabelos, enquanto seu corpo sobre o dela, fazia movimentos contínuos. Olívia gemia de prazer, baixinho. E mais e mais, Samuel lançava o peso do seu corpo sobre o dela. Seus movimentos ficavam cada vez mais rápido. Suas respirações não cessavam. Ela o puxava para si, mais e mais. Samuel não parava. E...
O corpo de Samuel tombou ao lado do seu. Quase não conseguia respirar. E ali, onde seus corpos permaneciam saciados pelo desejo, ficaram. Trocavam belas palavras. Olhavam-se, acariciavam-se, beijavam-se. Com seus corpos nus, abraçaram-se e dormiram tranquilamente.

Um comentário:

  1. Nem preciso dizer o quanto gostei! Até me inspirei pra escrever o/
    Tava até lembrando desse teu texto dia desses. Ele tava incompleto ainda... gostei de verdade.

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