3 de fevereiro de 2010

Um menino chamado Ninguém



Era uma vez um menino chamado Ninguém. Ninguém nasceu num dia ensolarado, numa tarde de domingo. Uma tarde tranquila, muito tranquila. Ninguém nasceu saudável, com uns 3,5 quilos, tinha olhos azuis, da cor do mar. Ninguém cresceu num casebre, onde seus pais moraram, desde que se conheceram. Era um casebre simples, que ficava ao lado de um pequeno rio que cortava o vilarejo. Ninguém gostava desse lugar. Ninguém tomava banho de rio. Ele adorava. Ninguém amava aquele lugar. Ninguém não queria sair de lá. Nunca. Mas quando Ninguém completou seus 10 anos de idade, a casa não era mais a mesma, o lugar não era mais o mesmo. Ninguém teve que se mudar. Ninguém ficou muito triste. Foi lá que Ninguém tinha passado a infância, foi lá que Ninguém virou gente. Mas Ninguém tinha que sair de lá. A casa estava deplorável. Tinha vazamento em todos os cômodos, e Ninguém não podia fazer nada. Mas quando Ninguém, já de mala pronta, olhava para a frente da casa, todas as lembranças vieram à tona. Ninguém se lembrou da primeira vez em que tomou banho no rio. Ninguém se lembrou quando levou seus amigos pela primeira vez à sua casa. Os melhores momentos que Ninguém passou foi ali naquela casa. Ninguém gostava de viajar, mas preferia ficar na sua casinha. Ninguém sempre gostou daquela casa. Seus pais nunca entendiam o porquê de Ninguém amar tanto aquele lugar como ele. Ninguém gostava de ir à escola. Gostava mais ainda da volta, da volta para sua casa, seu lar. Mas Ninguém tinha de ir embora, e isso foi muito ruim para ele. Ao entrar no carro, Ninguém olhou para trás. Tudo o que Ninguém viveu todos esses anos estava lá, resumido em um simples casebre. Tudo o que Ninguém viveu todos esses anos estava sendo deixado para trás. Mas Ninguém levava consigo uma pequena lembrança. Um peixinho, num vidro de perfume. Um peixinho colorido, amarelo e azul, suas cores prediletas. Ninguém achou esse peixinho no rio, num dia chuvoso. Ninguém encontrou o peixinho na beira do rio, quase morrendo. Ninguém correu na chuva para salvar o peixinho. Ninguém entrou em casa, procurando algo para colocar o peixinho e a primeira coisa que viu foi um vidro de perfume vazio, que ia ser jogado no lixo. Ninguém não hesitou. Pegou o vidrinho e correu porta à fora. Quando Ninguém chegou lá, o peixinho quase não conseguia respirar. Ninguém o colocou rápido, no seu vidrinho e pensou: "Agora você está a salvo". Ninguém o batizou de Oceano, pois aquele peixinho era muito diferente dos peixes de rio. Ninguém chorava muito. Não queria sair de lá. Mas os pais de Ninguém o confortaram e disseram que voltariam lá quando Ninguém quisesse ir. Ninguém ficou mais tranquilo com isso. Após 3 horas de viagem, Ninguém chegou na sua nova casa.


continua...

2 comentários:

  1. Esse menino é o Dr. Strange Love.

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  2. Esses tantos de ninguém me deixou confusa, tive que reler várias linhas pra acompanhar suas descrições... Mas eu gostei do lance do Ninguém e agora eu sei que cê tem um lance com Amarelo, não foi só a saia da moça.


    Beijos

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