22 de fevereiro de 2010

Um menino chamado Ninguém (parte 2)

A casa de Ninguém era totalmente diferente daquela que ele morava antes. Para ele, não havia nada de muito simples, e sim muito luxo. É. A vida de Ninguém estava melhorando e ele nem sabia. Ele sabia, mesmo tendo seus 10 anos de idade, que a adaptação naquele luxo seria muito difícil. Tudo novo, um quarto enorme, jardim, vizinhança... O que Ninguém não entendia era como os pais dele, que viveram tanto tempo naquele casebre, se mudaram para aquela casa luxuosa. Mas Ninguém quis esquecer essas coisas e focar na sua adaptação.
Ninguém era uma criança diferentes das outras. Inteligente e esperto, foi logo montando suas coisas para explorar pela casa. Ninguém explorou os quartos, a sala, a cozinha, os banheiros, e enfim ele encontrou o que ele queria: o porão. Na antiga casa de Ninguém não tinha porão, mas Ninguém sabia que nessas casas luxuosas tinha. Ninguém desceu as escadas. O porão era pouco iluminado, mas Ninguém não tinha medo. Ele era inteligente e esperto. Ninguém viu que o porão era sujo e estava vazio. Isso não era problema para Ninguém, já que estava vazio. Ninguém observou as paredes do porão e estavam todas riscadas. Rabiscos e escritos, nada de importante. Mas, para Ninguém, aquele porão seria o lugar ideal para passar suas noites, lembrando de sua antiga casa. Ninguém se lembrou que fazia tempo que não alimentava Oceano e correu escada acima. Ninguém viu que Oceano estava enfraquecido, parecia estar doente. Ninguém ficou triste. A mãe de Ninguém o consolou, e disse que era preciso mandar Oceano de volta para casa, pois ele poderia morrer ali. Mas Ninguém disse que não tinha como, que a casa de Oceano era no rio onde eles viviam. Ninguém decidiu jogá-lo no mar. Ninguém acreditava que ali era sua verdadeira casa. Ninguém ficaria feliz se seu peixinho vivesse, mesmo não sendo do seu lado. Ninguém sabia que morava numa cidade que tinha uma bela praia. Ninguém decidiu que no outro dia iria levar seu peixinho para sua nova casa.
Ninguém acordou diferente, era a primeira noite em sua nova casa. Ninguém acordou disposto. Ninguém queria fazer seu peixinho feliz. Ninguém foi à praia. Não era tão longe de sua casa. Ninguém jogou Oceano no mar. Ninguém se sentiu realizado. Deu uma nova viva a Oceano. Ninguém voltou para casa. Ninguém notou que algo de diferente aconteceu ali.


continua...

3 comentários:

  1. queria saber se Oceano sobreviveu no mar...
    vc vai continuar mais vezes e vai acabar escrevendo um livro infantil...

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  2. Como já disse, to adorando essa historinha.
    Continua, vai! :)

    :*

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  3. Oceano sobreviveu no mar e o mar gostou dele(interrogação), tô gostando do contozinho... Parece pueril, mas não é.

    Beijos Laura.

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